{"id":87223,"date":"2018-06-21T09:00:38","date_gmt":"2018-06-21T12:00:38","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=87223"},"modified":"2018-06-20T20:06:51","modified_gmt":"2018-06-20T23:06:51","slug":"campo-rupestre-no-brasil-apresenta-alta-diversidade-de-especies-de-plantas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/campo-rupestre-no-brasil-apresenta-alta-diversidade-de-especies-de-plantas\/","title":{"rendered":"Campo rupestre no Brasil apresenta alta diversidade de esp\u00e9cies de plantas"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/campo_rupestre.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-87224\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/campo_rupestre-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/campo_rupestre-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/campo_rupestre.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Na Serra do Espinha\u00e7o \u2013 uma cadeia montanhosa que se estende pelos estados de Minas Gerais e Bahia \u2013 \u00e9 poss\u00edvel observar um tipo de vegeta\u00e7\u00e3o antiga, chamada campo rupestre, que apresenta alta diversidade de esp\u00e9cies de plantas, a maior parte delas end\u00eamica (que ocorre exclusivamente naquela regi\u00e3o).<\/p>\n<p>A ecologia desse tipo de vegeta\u00e7\u00e3o, que est\u00e1 amea\u00e7ada e chamou a aten\u00e7\u00e3o de exploradores e naturalistas que passaram pelo Brasil, como o bot\u00e2nico dinamarqu\u00eas Eugen Warming (1841-1924), ainda \u00e9 pouco estudada, apontam pesquisadores da \u00e1rea.<\/p>\n<p>A fim de reunir o conhecimento atual sobre a vida vegetal em campo rupestre, a pesquisadora Patr\u00edcia Morellato, professora do Instituto de Bioci\u00eancias da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Rio Claro, em parceria com Fernando Augusto de Oliveira e Silveira, professor do Instituto de Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), organizaram uma edi\u00e7\u00e3o especial da revista\u00a0<i>Flora<\/i>\u00a0sobre o tema.<\/p>\n<p>Parte dos resultados dos estudos publicados na edi\u00e7\u00e3o especial \u00e9 consequ\u00eancia de um\u00a0<b><a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/29746\/diversidade-floristica-e-padroes-sazonais-dos-campos-rupestres-e-cerrado\/\" target=\"_blank\">projeto<\/a><\/b>\u00a0realizado por Morellato, no \u00e2mbito de um acordo da FAPESP com a Vale e as funda\u00e7\u00f5es de amparo \u00e0 pesquisa dos estados de Minas Gerais (Fapemig) e do Par\u00e1 (Fapespa), e de uma pesquisa que est\u00e1 sendo realizada pela pesquisadora, tamb\u00e9m com\u00a0<b><a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/84594\/combining-new-technologies-to-monitor-phenology-from-leaves-to-ecosystems\/\" target=\"_blank\">apoio<\/a><\/b>\u00a0da FAPESP em conv\u00eanio com a Microsoft. Os dois projetos s\u00e3o realizados na Serra do Cip\u00f3 \u2013 uma forma\u00e7\u00e3o geol\u00f3gica situada em Minas Gerais, localizada ao sul da prov\u00edncia geol\u00f3gica da Serra do Espinha\u00e7o.<\/p>\n<p>\u201cA Serra do Espinha\u00e7o, especialmente a Serra do Cip\u00f3, apresenta a maior diversidade de esp\u00e9cies de plantas end\u00eamicas da flora brasileira\u201d, disse Morellato, \u00e0\u00a0<b>Ag\u00eancia FAPESP<\/b>.<\/p>\n<p>Uma das hip\u00f3teses para explicar a diversidade e o endemismo de esp\u00e9cies do campo rupestre da Serra do Espinha\u00e7o considera as condi\u00e7\u00f5es da vegeta\u00e7\u00e3o, assentada sobre uma cadeia de montanhas longa e estreita, entrecortada por picos e vales e com cerca de 1.000 quil\u00f4metros de extens\u00e3o, formada h\u00e1 mais de 1 bilh\u00e3o de anos.<\/p>\n<p>A cadeia montanhosa evoluiu geologicamente e se diversificou em diversas pequenas paisagens que comp\u00f5em um mosaico formado por afloramentos rochosos, campos \u00famidos, arenosos e pedregosos, al\u00e9m de ilhas de floresta. Essa diversidade de paisagem \u00e9 cercada por tr\u00eas grandes biomas: o do Cerrado, o da Mata Atl\u00e2ntica e o da Caatinga.<\/p>\n<p>\u201cEsse conjunto de caracter\u00edsticas, al\u00e9m das condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, caracterizadas por uma esta\u00e7\u00e3o fria e seca, alternada com outra esta\u00e7\u00e3o quente e bastante \u00famida, permitiu a evolu\u00e7\u00e3o dessa flora muito rica na Serra do Espinha\u00e7o\u201d, explicou Morellato.<\/p>\n<p>Os pesquisadores refor\u00e7am uma proposta, apresentada em um\u00a0<b><a href=\"https:\/\/link.springer.com\/article\/10.1007\/s11104-015-2637-8\" target=\"_blank\">artigo<\/a><\/b>\u00a0publicado em 2016 na revista\u00a0<i>Plant and Soil<\/i>, de incluir o campo rupestre na classifica\u00e7\u00e3o de OCBIL \u2013 sigla de Old Climatically-Buffered, Infertile Landscapes \u2013, que designa uma vegeta\u00e7\u00e3o antiga, climaticamente tamponada e sobre uma paisagem inf\u00e9rtil, em termos de solo.<\/p>\n<p>Essa classifica\u00e7\u00e3o do campo rupestre possibilitaria testar hip\u00f3teses te\u00f3ricas sobre a evolu\u00e7\u00e3o desse tipo de vegeta\u00e7\u00e3o e o reconhecimento da comunidade cient\u00edfica de que ela \u00e9 similar ao Fynbos \u2013 nome gen\u00e9rico dado \u00e0 vegeta\u00e7\u00e3o da ponta do sul da \u00c1frica \u2013 e \u00e0 regi\u00e3o flor\u00edstica do sudoeste da Austr\u00e1lia.<\/p>\n<p>\u201cS\u00f3 h\u00e1 algumas regi\u00f5es na Terra que t\u00eam essas caracter\u00edsticas de zonas clim\u00e1ticas antigas sobre solos inf\u00e9rteis e que apresentam alta diversidade de esp\u00e9cies\u201d, disse Morellato.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/XpQadYDARQs\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p><b>C\u00e2meras e drones<\/b><\/p>\n<p>A classifica\u00e7\u00e3o do campo rupestre como um OCBIL tamb\u00e9m possibilitaria promover a colabora\u00e7\u00e3o cient\u00edfica entre os continentes que possuem esse tipo de vegeta\u00e7\u00e3o e apoiar a conserva\u00e7\u00e3o e o uso sustent\u00e1vel de campos rupestres e outras paisagens antigas, avaliam os pesquisadores.<\/p>\n<p>As esp\u00e9cies end\u00eamicas de campo rupestre, como a sempre-viva (<i>Comanthera elegantula<\/i>)\u00a0e a canela-de-ema-gigante (<i>Vellozia gigantea<\/i>), est\u00e3o amea\u00e7adas por inc\u00eandios n\u00e3o controlados e a explora\u00e7\u00e3o excessiva. Al\u00e9m disso, uma \u00e1rea expressiva dessa paisagem no Brasil tem sido destru\u00edda pela minera\u00e7\u00e3o, antes de ter sido estudada.<\/p>\n<p>\u201cComo o campo rupestre est\u00e1 sobre afloramento de rochas muitas vezes compostas de ferro e outros minerais, uma boa parte dessa paisagem tem sido destru\u00edda pela minera\u00e7\u00e3o. Essa atividade econ\u00f4mica representa hoje a maior amea\u00e7a \u00e0 diversidade desse ecossistema que mal conhecemos\u201d, disse Morellato.<\/p>\n<p>Por meio do projeto realizado no \u00e2mbito de um acordo da FAPESP com a Vale e a Fapemig, a pesquisadora estudou as rela\u00e7\u00f5es de diversas esp\u00e9cies de plantas da Serra do Cip\u00f3 com o ambiente (fenologia), al\u00e9m da poliniza\u00e7\u00e3o delas, a fim de desenvolver a\u00e7\u00f5es de restaura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os resultados dos estudos foram publicados em um cap\u00edtulo do livro\u00a0<b><a href=\"https:\/\/link.springer.com\/chapter\/10.1007\/978-3-319-29808-5_12\" target=\"_blank\"><i>Ecology and Conservation of Mountaintop grasslands in Brazil<\/i><\/a><\/b>\u00a0e nas revistas\u00a0<b><a href=\"https:\/\/esajournals.onlinelibrary.wiley.com\/doi\/pdf\/10.1890\/15-0830.1\" target=\"_blank\"><i>Ecology<\/i><\/a><\/b>\u00a0e\u00a0<b><a href=\"http:\/\/journals.plos.org\/plosone\/article?id=10.1371\/journal.pone.0112903\" target=\"_blank\"><i>PLOS ONE<\/i><\/a><\/b>.<\/p>\n<p>J\u00e1 por meio do projeto apoiado pela FAPESP no \u00e2mbito de um acordo com a Microsoft, os pesquisadores t\u00eam usado diversas tecnologias, como c\u00e2meras e drones, para monitorar a vegeta\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m na Serra do Cip\u00f3 e, dessa forma, estudar sua mudan\u00e7a sazonal em diferentes escalas de altitude.<\/p>\n<p>\u201cA ideia \u00e9 compreender melhor quando \u00e9 a esta\u00e7\u00e3o de crescimento da vegeta\u00e7\u00e3o na Serra do Cip\u00f3 e o que determina o come\u00e7o e o fim dessa esta\u00e7\u00e3o para identificar quais s\u00e3o os gatilhos que direcionam as mudan\u00e7as de paisagem\u201d, explicou Morellato.<\/p>\n<p>O n\u00famero especial da revista\u00a0<i>Flora<\/i>, intitulado\u00a0<i>Plant life on campo rupestre, a megadiverse Neotropical old-growth grassland<\/i>, pode ser lido em\u00a0<b><a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/journal\/flora\/vol\/238\/suppl\/C\" target=\"_blank\">www.sciencedirect.com\/journal\/flora\/vol\/238\/suppl\/C<\/a><\/b>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na Serra do Espinha\u00e7o \u2013 uma cadeia montanhosa que se estende pelos estados de 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