{"id":87167,"date":"2018-06-20T09:00:02","date_gmt":"2018-06-20T12:00:02","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=87167"},"modified":"2018-06-19T19:52:20","modified_gmt":"2018-06-19T22:52:20","slug":"soja-e-silvicultura-tornam-o-pampa-o-2o-bioma-mais-ameacado-do-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/soja-e-silvicultura-tornam-o-pampa-o-2o-bioma-mais-ameacado-do-pais\/","title":{"rendered":"Soja e silvicultura tornam o Pampa o 2\u00ba bioma mais amea\u00e7ado do pa\u00eds"},"content":{"rendered":"<p><em><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/pampa.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-87168\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/pampa-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/pampa-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/pampa.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Ouve o canto gauchesco e brasileiro<\/em><br \/>\n<em>Desta terra que eu amei desde guri<\/em><br \/>\n<em>Flor de tuna, camoatim de mel campeiro<\/em><br \/>\n<em>Pedra moura das quebradas do Inhanduy<\/em><br \/>\n<em>E na hora derradeira que eu mere\u00e7a<\/em><br \/>\n<em>Ver o sol alegretense entardecer<\/em><br \/>\n<em>Como os potros vou virar minha cabe\u00e7a<\/em><br \/>\n<em>Para os pagos no momento de morrer<\/em><\/p>\n<p><em>(Canto Alegretense, de Nico Fagundes e Bagre Fagundes)<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A imagem descrita em uma das can\u00e7\u00f5es mais tradicionais do Rio Grande do Sul \u00e9 a t\u00edpica do Pampa: campo, vegeta\u00e7\u00e3o rasteira, gado e, no meio de tudo isso, um ga\u00facho a cavalo. Mas quem viaja hoje por algumas regi\u00f5es do Estado tem dificuldade de encontrar essa paisagem. Cada vez mais, o Pampa vem sendo tomado por outras culturas, em especial soja e a silvicultura.<\/p>\n<p>O Pampa \u00e9 um dos seis biomas brasileiros, e o \u00fanico presente em apenas um Estado da Federa\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m do Rio Grande do Sul, se estende por todo Uruguai e por partes do Paraguai e Argentina. A paisagem campestre, que caracteriza esse bioma, j\u00e1 dominou 63% do territ\u00f3rio ga\u00facho. Hoje, mais da metade do Pampa \u00e9 \u00e1rea degradada. Em termos proporcionais, \u00e9 o segundo bioma mais devastado do Brasil, perdendo apenas para a Mata Atl\u00e2ntica.<\/p>\n<p>As causas desse processo ficaram evidentes na estudo realizado em parceria entre pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e da Unilasalle. Ap\u00f3s um mapeamento criterioso utilizando imagens de sat\u00e9lite, eles compararam o uso do solo do Rio Grande do Sul em 2002 e em 2009. Conclu\u00edram que, neste per\u00edodo, a \u00e1rea de campo encolheu em 23%. S\u00e3o mais de 1,3 milh\u00e3o de hectares que deixaram de ter vegeta\u00e7\u00e3o nativa, o equivalente a 26 munic\u00edpios de Porto Alegre. O comparativo pode ser observado nos mapas abaixo, onde as \u00e1reas em verde claro correspondem aos campos. Em verde escuro, est\u00e3o as \u00e1reas de silvicultura, enquanto o rosa mais claro diz respeito \u00e0s lavouras de sequeiro (formadas principalmente pela soja):<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Uso-e-Cobertura-RS-2002.png\" width=\"639\" height=\"476\" \/><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Uso-e-Cobertura-RS-2009.png\" width=\"633\" height=\"471\" \/><\/p>\n<p>Dos mais de 1,3 milh\u00e3o de hectares perdidos pelo campo, quase 500 mil foram transformados em lavouras. Outros quase 300 mil tornaram-se florestas cultivadas, principalmente por eucalipto e pinus. As imagens abaixo mostram a evolu\u00e7\u00e3o destas duas culturas no Rio Grande do Sul. Em vermelho est\u00e3o as \u00e1reas em que a atividade perdeu territ\u00f3rio. Em verde, as \u00e1reas que se mantiveram est\u00e1veis, e em azul as \u00e1reas onde a atividade se expandiu entre 2000 e 2009.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Evoluc%CC%A7a%CC%83o-da-Agricultura.jpg\" width=\"640\" height=\"476\" \/><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Evoluc%CC%A7a%CC%83o-da-Silvicultura.png\" width=\"640\" height=\"476\" \/><\/p>\n<p>Um dos respons\u00e1veis pela pesquisa \u00e9 Gabriel Hofmann, ge\u00f3grafo, doutor em Ecologia e professor do Mestrado em Avalia\u00e7\u00e3o de Impactos Ambientais da Unilasalle. Ele explica que o per\u00edodo analisado (2002-2009) foi marcado por dois processos decisivos para a deteriora\u00e7\u00e3o do Pampa: uma pol\u00edtica estadual de incentivo \u00e0 silvicultura, com a atra\u00e7\u00e3o de grandes empresas transnacionais, e a alta do pre\u00e7o das commodities, que estimulou o cultivo da soja em uma regi\u00e3o historicamente dedicada \u00e0 pecu\u00e1ria. O mapeamento de 2015 est\u00e1 quase conclu\u00eddo, e os pesquisadores adiantam que o processo de deteriora\u00e7\u00e3o do Pampa continua, ainda que em ritmo menor.<\/p>\n<p><strong>O abandono de uma voca\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Aquilo que na Amaz\u00f4nia e no Cerrado \u00e9 um problema ambiental, no Pampa \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o. A pecu\u00e1ria n\u00e3o s\u00f3 convive bem com as esp\u00e9cies nativas como at\u00e9 auxilia na conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade, explica Eduardo V\u00e9lez, pesquisador da Rede Campos Sulinos: &#8220;A pecu\u00e1ria no campo \u00e9 sustentabil\u00edssima. A vegeta\u00e7\u00e3o campestre evoluiu com grandes herb\u00edvoros. Era um ecossistema que j\u00e1 tinha herb\u00edvoros no passado, a chamada megafauna, que existiu h\u00e1 dez mil anos. Ent\u00e3o quando o gado europeu \u00e9 introduzido de alguma forma ele substitui o papel funcional que esses organismos tinham. V\u00e1rios estudos mostram que se for bem manejada [a pecu\u00e1ria], voc\u00ea consegue ter alta produtividade de carne e mantendo a vegeta\u00e7\u00e3o campestre&#8221;.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio da maioria das monoculturas, a pecu\u00e1ria no Pampa n\u00e3o necessita de agrot\u00f3xicos. Al\u00e9m de ecologicamente sustent\u00e1vel, a cria\u00e7\u00e3o de gado tem alto potencial econ\u00f4mico. A maioria da vegeta\u00e7\u00e3o nativa \u00e9 composta por plantas forrageiras, que garantem uma nutri\u00e7\u00e3o de alta qualidade para os animais. Segundo o bi\u00f3logo e pesquisador da Funda\u00e7\u00e3o Zoobot\u00e2nica do Rio Grande do Sul, Glayson Bencke, faltam pol\u00edticas p\u00fablicas que explorem os diferenciais da carne ga\u00facha: &#8220;Tem um grande valor agregado. No resto do planeta cada vez mais o gado \u00e9 criado em sistemas de confinamento, que geram gases do efeito estufa, concentra\u00e7\u00e3o de res\u00edduos e a necessidade de plantar milho e outras culturas para fazer ra\u00e7\u00e3o. Enquanto n\u00f3s temos aqui uma paisagem inteira que permite uma pecu\u00e1ria de alt\u00edssima tecnologia de manejo de gram\u00edneas nativas, com uma carne de excelente qualidade que certamente tem um mercado garantido, inclusive em outros pa\u00edses&#8221;.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/pecua%CC%81ria-no-pampa-governo-do-RS-1.jpg\" width=\"638\" height=\"426\" \/>Pampa: vocacionado para a pecu\u00e1ria. Foto: Secretaria de Turismo, Esporte e Lazer do RS.<\/p>\n<div id=\"attachment_60691\" class=\"wp-caption alignright\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">\n<\/div>\n<p>Al\u00e9m disso, o clima do Rio Grande do Sul \u00e9 prop\u00edcio para a cria\u00e7\u00e3o do gado europeu, cuja carne tem qualidade superior \u00e0 dos zebu\u00ednos criados nas regi\u00f5es mais quentes do Brasil: &#8220;\u00c9 um total contrassenso. Derrubar floresta amaz\u00f4nica para plantar capins africanos para criar um gado de carne de baixa qualidade&#8221;, afirma Glayson.<\/p>\n<p>Mas se a pecu\u00e1ria \u00e9 a voca\u00e7\u00e3o Pampa, por que cada vez mais o gado cede espa\u00e7o para outras culturas? A explica\u00e7\u00e3o fica ainda mais dif\u00edcil quando descobrimos que o Pampa \u00e9 uma regi\u00e3o de risco para a produ\u00e7\u00e3o de soja, j\u00e1 que se caracteriza por per\u00edodos de escassez de chuvas. No \u00faltimo ver\u00e3o, por exemplo, as lavouras foram prejudicadas pela estiagem. Na cidade de Bag\u00e9 a estimativa era colher 1,7 milh\u00e3o de toneladas de soja, mas a safra acabou ficando em 1,4 milh\u00e3o, segundo dados da Emater. Em Pelotas, a expectativa de colher 984 mil toneladas do gr\u00e3o tamb\u00e9m foi frustrada, e a colheita ficou em 652 mil toneladas.<\/p>\n<p>Justamente por ser um neg\u00f3cio de alto risco, a produ\u00e7\u00e3o de soja no Pampa oscila ao ritmo do mercado internacional e da perspectiva de lucro de quem vem de fora para cultivar nesta regi\u00e3o: &#8220;Quando o pre\u00e7o t\u00e1 alto, o produtor vai l\u00e1, arrenda, lavra, planta e tira o lucro. Quando o pre\u00e7o n\u00e3o est\u00e1 favor\u00e1vel, ele abandona aquela \u00e1rea&#8221;, explica Gabriel Hofmann. Mas a terra que o propriet\u00e1rio recebe de volta j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais a mesma ap\u00f3s alguns anos de cultivo. Segundo Glayson Bencke, na maioria da vezes, o campo \u00e9 devolvido totalmente exaurido: &#8220;Uma \u00e1rea que foi soja tem muito efeito da eros\u00e3o porque eles cultivam de uma maneira que n\u00e3o \u00e9 conservacionista. Eles visam tirar o m\u00e1ximo no menor prazo poss\u00edvel. Em um ano tu ganhas bem e nos outros dois tu ganhas mal. Mas da\u00ed o arrendat\u00e1rio j\u00e1 est\u00e1 em outro lugar. Quem fica com o preju\u00edzo \u00e9 o propriet\u00e1rio da terra&#8221;.<\/p>\n<p>O resultado \u00e9 um campo degradado.<\/p>\n<p>Neste processo, muitas esp\u00e9cies nativas se perdem e s\u00e3o substitu\u00eddas por outras invasoras, como o capim-annoni (<em>Eragrostis plana Nees<\/em>). Trazido da \u00c1frica, este capim tem qualidade nutricional muito inferior \u00e0s esp\u00e9cies nativas e j\u00e1 \u00e9 considerado uma praga no Rio Grande do Sul, como explica Gerhard Overbeck, coordenador do Laborat\u00f3rio de Estudos em Vegeta\u00e7\u00e3o Campestre da UFRGS: &#8220;O capim annoni \u00e9 a planta invasora mais problem\u00e1tica no bioma Pampa. Ela reduz a produtividade do sistema, e toma o lugar das esp\u00e9cies nativas. \u00c9 um sintoma das mudan\u00e7as no uso da terra, uma resposta \u00e0 degrada\u00e7\u00e3o ambiental&#8221;.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Soja.jpg\" width=\"634\" height=\"423\" \/>Planta\u00e7\u00e3o de soja em Tupanciret\u00e3, RS. Foto: Governo do RS\/Flickr.<\/p>\n<p>No caso da silvicultura, uma das principais preocupa\u00e7\u00f5es \u00e9 com a alta demanda de \u00e1gua das florestas cultivadas, em uma regi\u00e3o com recursos h\u00eddricos j\u00e1 limitados. Al\u00e9m disso, as \u00e1rvores reduzem a oferta de luz e impedem o desenvolvimento das gram\u00edneas. Mas para Eleandro Jos\u00e9 Brun, engenheiro florestal e professor da Universidade Tecnol\u00f3gica Federal do Paran\u00e1, o maior problema \u00e9 o manejo inadequado da produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em suas andan\u00e7as pelo campo, Eleandro j\u00e1 viu propriet\u00e1rios plantarem 10 mil mudas de \u00e1rvores em apenas 1 hectare. Ele acredita que \u00e9 poss\u00edvel reduzir o dano ambiental da silvicultura com a diversifica\u00e7\u00e3o das propriedades: &#8220;O cara que tem a floresta plantada, que tenha tamb\u00e9m a produ\u00e7\u00e3o de pastagem com a produ\u00e7\u00e3o de gado leite e de corte, que tenha o seu pomar, um a\u00e7ude para piscicultura, que tenha apicultura, que \u00e9 t\u00e3o importante&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Contraponto<\/strong><\/p>\n<p>Para o Presidente da Federa\u00e7\u00e3o da Agricultura do Rio Grande do Sul, Gede\u00e3o Pereira, falar de \u201cdegrada\u00e7\u00e3o\u201d do Pampa \u00e9 uma postura ideol\u00f3gica. Para ele, o que est\u00e1 acontecendo \u00e9 uma mudan\u00e7a no uso da terra no sentido de gerar mais riqueza na regi\u00e3o. Gede\u00e3o afirma que a soja veio para ficar: \u201cO desafio hoje \u00e9 fazermos com que tenhamos a conviv\u00eancia cultura da pecu\u00e1ria de corte com as novas tecnologias que est\u00e3o chegando da soja, e enriquecermos essas duas atividades. E isso \u00e9 totalmente fact\u00edvel\u201d.<\/p>\n<p>Gede\u00e3o Pereira destaca pr\u00e1ticas que aliam o cultivo da soja com a pecu\u00e1ria. Quando a soja est\u00e1 perto de ser colhida, o produtor planta sementes de forrageiras e ent\u00e3o introduz a cria\u00e7\u00e3o do gado: \u201cAssim n\u00f3s temos no per\u00edodo de maior escassez forrageira, que \u00e9 o inverno, uma forrageira de alt\u00edssima qualidade\u201d.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Serra-do-Sudeste-2-1.png\" width=\"637\" height=\"425\" \/>Serra do Sudeste. Foto: Eduardo V\u00e9lez.<\/p>\n<p>O presidente da Farsul admite que existem desafios ao plantio de soja no campo em fun\u00e7\u00e3o do alto risco imposto pelas condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. Por isso, orienta os produtores a seguirem tr\u00eas princ\u00edpios: o uso da pecu\u00e1ria como seguran\u00e7a, fazer um seguro da produ\u00e7\u00e3o e investir em irriga\u00e7\u00e3o. O outro desafio \u00e9 em rela\u00e7\u00e3o aos arrendat\u00e1rios que vem para o Estado, plantam soja por algum tempo e depois v\u00e3o embora: \u201cN\u00e3o interessa a ningu\u00e9m esse tipo de situa\u00e7\u00e3o. O produtor que vem \u00e9 pra ficar. Ou ent\u00e3o o produtor daqui mesmo\u201d. Segundo o Gede\u00e3o, o vai e vem das lavouras \u00e9 consequ\u00eancia da \u201cinquietude\u201d que ainda existe em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 produtividade da soja no Pampa, e pode ser superada com mais investimentos em tecnologia.<\/p>\n<p><strong>Um bioma negligenciado<\/strong><\/p>\n<p>O Pampa foi o \u00faltimo dos biomas brasileiros a ser reconhecido pelo IBGE, o que aconteceu apenas em 2014. Em um pa\u00eds onde a biodiversidade sempre foi associada \u00e0 imagem da floresta, a paisagem do pampa passou anos sendo negligenciada pela legisla\u00e7\u00e3o ambiental. \u00a0Em 2008, entrou em vigor no Rio Grande do Sul o Zoneamento Ambiental da Silvicultura, que limitou o cultivo de florestas. Mas n\u00e3o existe nenhuma legisla\u00e7\u00e3o espec\u00edfica para a agricultura al\u00e9m da reserva legal, que deve ser de 20% (na floresta amaz\u00f4nica \u00e9 de 80%). Mesmo assim, essa \u00e1rea de reserva n\u00e3o precisa ser necessariamente de campo, podendo ser contabilizadas \u00e1reas de preserva\u00e7\u00e3o permanente, como a mata ciliar, na beira de rios, por exemplo.<\/p>\n<p>Em estudo publicado na\u00a0<a href=\"https:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/epdf\/10.1111\/ddi.12380\">revista Diversity and Distributions<\/a>, Gerhard Overbeck e outros pesquisadores mostraram que o bioma Pampa \u00e9 o que possui o maior \u00cdndice de Risco \u00e0 Conserva\u00e7\u00e3o na compara\u00e7\u00e3o com todos os biomas brasileiros. O \u00edndice \u00e9 resultado da diferen\u00e7a entre a quantidade de \u00e1reas degradadas (barra vermelha) e de \u00e1reas protegidas pela legisla\u00e7\u00e3o (barra azul).<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/I%CC%81ndice-de-Risco-a%CC%80-Conservac%CC%A7a%CC%83o-.png\" width=\"639\" height=\"547\" \/><\/p>\n<div id=\"attachment_60688\" class=\"wp-caption aligncenter\">\n<p class=\"wp-caption-text\">Fonte: Overbeck et al (2015).<\/p>\n<\/div>\n<p>Mas se engana quem pensa que o Pampa \u00e9 pobre em biodiversidade. Pelo contr\u00e1rio, s\u00e3o cerca de 2150 esp\u00e9cies vegetais. Um \u00fanico metro quadrado de campo nativo pode conter mais de 50 esp\u00e9cies diferentes de plantas. Os campos tamb\u00e9m abrigam uma grande diversidade de animais. S\u00e3o 95 esp\u00e9cies de aves, muitas delas exclusivas das paisagens campestres. Outras 25 esp\u00e9cies de mam\u00edferos habitam os campos: 14 de forma exclusiva. Mas muitos destes animais est\u00e3o pr\u00f3ximos da extin\u00e7\u00e3o, como \u00e9 o caso do veado campeiro e do lobo guar\u00e1.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da biodiversidade, o Pampa presta uma s\u00e9rie de servi\u00e7os ecossist\u00eamicos essenciais aos seres humanos. Segundo Glayson e Gerhard, o campo bem manejado com atividade pastoril \u00e9 um importante reservat\u00f3rio de carbono, evitando o efeito estufa. Al\u00e9m disso, a diversidade de flores garante a presen\u00e7a de insetos polinizadores, essenciais a diversos tipos de cultivos.<\/p>\n<p>A degrada\u00e7\u00e3o do Pampa tamb\u00e9m coloca em risco um potencial tur\u00edstico ainda pouco explorado. Enquanto mostra uma foto de uma paisagem da Serra do Sudeste do Rio Grande do Sul, Eduardo V\u00e9lez comenta: &#8220;A gente olha esse relevo mais acidentado e diz: &#8216;n\u00e3o, isso n\u00e3o \u00e9 pampa. Pampa n\u00e3o \u00e9 plano, n\u00e3o \u00e9 coxilha?&#8217; Mas tem essas regi\u00f5es que s\u00e3o bem conservadas e pouco conhecidas. Tem um potencial enorme: de turismo de aventura, turismo ecol\u00f3gico, trekking, turismo rural. Para criar parques e reservas tamb\u00e9m&#8221;.<\/p>\n<p>Entre as tantas riquezas amea\u00e7adas do Pampa, Glayson Bencke destaca aquela cantada em diversas m\u00fasicas, como o famoso Canto Alegretense: &#8220;Temos uma cultura do ga\u00facho que pode ser modificada, ser modernizada, mas ela n\u00e3o precisa ser simplesmente extirpada. Temos uma cultura baseada na cria\u00e7\u00e3o do gado sobre o campo nativo. Toda a indument\u00e1ria, as can\u00e7\u00f5es, a poesia, etc. Tudo \u00e9 ligado a essa figura do ga\u00facho, do Pampa&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ouve o canto gauchesco e brasileiro Desta terra que eu amei desde guri Flor de<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":87168,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/pampa.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/pampa-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/pampa-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/pampa.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/pampa.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/pampa.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/pampa.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/pampa.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/pampa.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/pampa.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Ouve o canto gauchesco e brasileiro Desta terra que eu amei desde guri Flor de","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/87167"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=87167"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/87167\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/87168"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=87167"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=87167"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=87167"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}