{"id":86824,"date":"2018-06-14T09:00:30","date_gmt":"2018-06-14T12:00:30","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=86824"},"modified":"2018-06-13T19:44:44","modified_gmt":"2018-06-13T22:44:44","slug":"incas-realizavam-cirurgias-mais-eficazes-do-que-medicos-do-seculo-19","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/incas-realizavam-cirurgias-mais-eficazes-do-que-medicos-do-seculo-19\/","title":{"rendered":"Incas realizavam cirurgias mais eficazes do que m\u00e9dicos do s\u00e9culo 19"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"intro\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/incas.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-86825\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/incas-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/incas-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/incas.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>A<\/span>s civiliza\u00e7\u00f5es pr\u00e9-colombianas n\u00e3o param de surpreender historiadores. Al\u00e9m de seus j\u00e1 conhecidos feitos no ramo da arquitetura, agricultura, organiza\u00e7\u00e3o social e religiosa, esses povos tamb\u00e9m eram ex\u00edmios m\u00e9dicos.<\/p>\n<p>Segundo recente trabalho realizado por estudiosos da Universidade de Miami, Universidade de Tulane e Universidade do Arizona \u2013 todas as tr\u00eas nos EUA \u2013 os m\u00e9dicos incas realizavam cirurgias cranianas com mais efic\u00e1cia do que os especialistas norte-americanos em atua\u00e7\u00e3o durante a Guerra de Secess\u00e3o, no s\u00e9culo 19.<\/p>\n<p>Para chegar a essa conclus\u00e3o, os pesquisadores analisaram mais de 800 cr\u00e2nios de cidad\u00e3os incas encontrados em cavernas funer\u00e1rias e em escava\u00e7\u00f5es arqueol\u00f3gicas nas \u00e1reas costeiras e em planaltos andinos do Peru.<\/p>\n<p>Todos esses f\u00f3sseis estavam marcados com \u201cburacos\u201d, sinais de que a civiliza\u00e7\u00e3o inca era adepta de uma t\u00e9cnica cir\u00fargica conhecida por trepana\u00e7\u00e3o, que consiste em perfurar orif\u00edcios no cr\u00e2nio.<\/p>\n<p>A trepana\u00e7\u00e3o \u00e9 m\u00e9todo milenar que j\u00e1 era conhecido at\u00e9 mesmo na Gr\u00e9cia antiga. Acredita-se que essa pr\u00e1tica tenha sido utilizada para tratar diversas doen\u00e7as, tais como dores de cabe\u00e7a, cistos \u00f3sseos, traumas (fraturas), s\u00edndromes convulsivas (como epilepsia, por exemplo) e at\u00e9 para \u201cexpulsar dem\u00f4nios\u201d.<\/p>\n<p>Com tantas amostras encontradas, \u00e9 muito prov\u00e1vel que os incas tenham sido o povo que mais fez uso da trepana\u00e7\u00e3o. E, incrivelmente, eles foram tamb\u00e9m a civiliza\u00e7\u00e3o que tinha as melhores taxas de sobreviv\u00eancia p\u00f3s-cir\u00fargica: ela chegava at\u00e9 80%.<\/p>\n<p>Segundo o neurologista David Kushner, pesquisador da Universidade de Miami e autor do estudo, enquanto a taxa de mortalidade da trepana\u00e7\u00e3o dos incas ficava entre 17 a 25%, para os norte-americanos do s\u00e9culo 19, durante a Guerra de Secess\u00e3o, o risco da cirurgia chegava em 46 a 56%.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 muitas raz\u00f5es que ainda desconhecemos sobre o procedimento e os indiv\u00edduos em que a trepana\u00e7\u00e3o era realizada, mas os resultados durante a Guerra Civil [norte-americana] foram tristes comparados aos dos incas\u201d,\u00a0<a href=\"https:\/\/news.miami.edu\/stories\/2018\/06\/holes-in-the-head.html\" target=\"_blank\">afirmou<\/a>\u00a0Kushner.<\/p>\n<p>Apesar de as t\u00e9cnicas incas ainda serem um mist\u00e9rio, uma poss\u00edvel raz\u00e3o pela qual a performance das cirurgias pr\u00e9-colombianas tenha sido melhor do que as norte-americanas \u00e9 a higiene.<\/p>\n<p>Devemos considerar, por exemplo, que os m\u00e9dicos da Guerra de Secess\u00e3o costumavam utilizar equipamentos n\u00e3o higienizados e sem esteriliza\u00e7\u00e3o. Em algumas ocasi\u00f5es, at\u00e9 colocavam os pr\u00f3prios dedos nas feridas para senti-las e romper co\u00e1gulos sangu\u00edneos.<\/p>\n<p>A escassez de produtos tamb\u00e9m fez com que eles reutilizassem os curativos repetidas vezes.\u00a0Aproximadamente 100% dos sobreviventes com ferimentos cranianos por balas e tiros acabavam ganhando uma infec\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>T\u00e9cbuca de sucesso<\/strong><br \/>\nUm ponto importante observado pelos pesquisadores \u00e9 que os cr\u00e2nios mais antigos dos incas tiveram menores taxas de sobreviv\u00eancia (40%), enquanto os mais recentes apresentaram n\u00fameros maiores (75 a 83%).<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, foi poss\u00edvel notar que os buracos realizados nos cr\u00e2nios foi ficando mais refinado com o tempo. Ou seja, os orif\u00edcios foram diminuindo de tamanho e ganhando um aspecto mais profissional.<\/p>\n<p>\u201cEvid\u00eancias f\u00edsicas definitivamente indicam que esses cirurgi\u00f5es antigos refinaram o procedimento com o passar do tempo. O sucesso deles \u00e9 realmente impactante\u201d, afirmou Kushner.<\/p>\n<p>O estudo foi publicado no peri\u00f3dico cient\u00edfico\u00a0<a href=\"https:\/\/www.worldneurosurgery.org\/article\/S1878-8750(18)30625-9\/fulltext\" target=\"_blank\"><em>World Neurosurgery<\/em><\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As civiliza\u00e7\u00f5es pr\u00e9-colombianas n\u00e3o param de surpreender historiadores. 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