{"id":86264,"date":"2018-06-04T14:30:33","date_gmt":"2018-06-04T17:30:33","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=86264"},"modified":"2018-06-04T14:13:21","modified_gmt":"2018-06-04T17:13:21","slug":"nao-entende-a-ligacao-entre-a-sua-picanha-e-o-desmatamento-este-filme-desenha-pra-voce","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/nao-entende-a-ligacao-entre-a-sua-picanha-e-o-desmatamento-este-filme-desenha-pra-voce\/","title":{"rendered":"N\u00e3o entende a liga\u00e7\u00e3o entre a sua picanha e o desmatamento? Este filme desenha pra voc\u00ea"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/filme.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-86265\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/filme-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/filme-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/filme.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>\u201cNingu\u00e9m \u2018veve\u2019 em torno de preju\u00edzo. A gente \u2018veve\u2019 em torno de lucro\u201d. Sentado na porta de um barrac\u00e3o de madeira, de chap\u00e9u de aba larga e camisa aberta, o pecuarista Jos\u00e9 Aureliano dos Santos resume em uma frase por que seu ganha-p\u00e3o botou abaixo quase 20% da floresta Amaz\u00f4nica e n\u00e3o d\u00e1 sinais de que v\u00e1 parar.<\/p>\n<p>A cena singela, gravada em S\u00e3o F\u00e9lix do Xingu (PA), \u00e9 uma das mais reveladoras do document\u00e1rio\u00a0<em>Sob a Pata do Boi<\/em>, dirigido por M\u00e1rcio Isensee e produzido pelo site de not\u00edcias ambientais\u00a0<em>Oeco<\/em>. O filme estreia nesta quinta-feira (31) na Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental, em S\u00e3o Paulo, depois de ter recebido um pr\u00eamio do Minist\u00e9rio da Cultura da Fran\u00e7a. Em 49 minutos, ele explica como a cadeia da pecu\u00e1ria causou e causa a destrui\u00e7\u00e3o da floresta \u2013 e como \u00e0s vezes os agentes dessa destrui\u00e7\u00e3o, como Jos\u00e9 Aureliano, merecem mais compaix\u00e3o do que raiva.<\/p>\n<p>O filme \u00e9 uma grande reportagem. Isensee e seus colegas (os jornalistas Juliana Tinoco, Eduardo Pegurier e Bernardo C\u00e2mara) valeram-se de diversas viagens a campo, imagens hist\u00f3ricas e muitas entrevistas para retratar um problema complexo, cujos impactos e as solu\u00e7\u00f5es s\u00e3o bem conhecidos, mas que persiste porque \u00e9 lucrativo.<\/p>\n<p>O quadro completo e did\u00e1tico \u2013 \u00e0s vezes cruamente did\u00e1tico \u2013 tra\u00e7ado do setor da carne na Amaz\u00f4nia\u00a0 permite ao espectador fazer a liga\u00e7\u00e3o direta entre o pacote de carne na g\u00f4ndola do supermercado e as viola\u00e7\u00f5es ambientais e de direitos humanos e trabalhistas cometidas pelos desmatadores. Tamb\u00e9m relembra as raz\u00f5es hist\u00f3ricas para o imenso passivo ambiental dos produtores rurais na regi\u00e3o: nos anos 1970, eles foram chamados pela ditadura militar a colonizar a Amaz\u00f4nia \u201cpela pata do boi\u201d (da\u00ed o t\u00edtulo do filme) e precisavam demonstrar ter desmatado 50% de suas propriedades para obter t\u00edtulos de terra.<\/p>\n<p>Os personagens s\u00e3o de uma franqueza tocante. Um dos pecuaristas entrevistados recorda-se, entre risadas, de como escravizou 200 pe\u00f5es para \u201cformar\u201d (desmatar) sua fazenda, auxiliado por ningu\u00e9m menos que a pol\u00edcia local. O prefeito de uma das cidades campe\u00e3s de devasta\u00e7\u00e3o do Par\u00e1 argumenta, aparentemente convicto, que criminosos ambientais deveriam ser tratados como \u201cher\u00f3is\u201d. Um fazendeiro que busca produzir de forma intensiva e sem desmatamento confessa que o setor \u00e9 muito bom em chorar suas dificuldades, mas igualmente proficiente em esconder seus pecados.<\/p>\n<p>Mas uma das melhores (e mais tristes) coisas do filme \u00e9 documentar como a pecu\u00e1ria transformou n\u00e3o s\u00f3 a paisagem, mas a cultura do sul e sudeste do Par\u00e1. Saem as \u201clendas e mist\u00e9rios da Amaz\u00f4nia\u201d, entram a exposi\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria e o rodeio. N\u00e3o fosse pelas fei\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas dos pe\u00f5es, as cenas de rodeio do filme poderiam passar por Barretos ou Uberaba, mas s\u00e3o de Rio Maria e Xinguara. Em menos de 40 anos, criou-se um modo de vida e um conjunto de valores na popula\u00e7\u00e3o que tem mais identidade com o Texas do que com os igap\u00f3s.<\/p>\n<p>Este \u00e9 um efeito colateral particularmente insidioso do desmatamento, que passa longe do radar da imprensa quando esta \u00e9 mobilizada de tempos em tempos para cobrir a emerg\u00eancia dos n\u00fameros da devasta\u00e7\u00e3o ou a sandice da vez da bancada ruralista. Uma parcela da popula\u00e7\u00e3o amaz\u00f4nica j\u00e1 incorporou a aus\u00eancia da floresta no seu cotidiano \u2013 portanto, n\u00e3o tem mais nenhum motivo para defend\u00ea-la. Essas pessoas foram perdidas para a pata do boi; n\u00e3o topar\u00e3o f\u00e1cil nenhuma conversa sobre zerar desmatamento e recuperar o passivo ambiental da regi\u00e3o, mesmo que isso seja o melhor para elas, para o Brasil e para a consci\u00eancia de quem ama um churrasco e n\u00e3o quer v\u00ea-lo associado ao crime.\u00a0<strong>(CLAUDIO ANGELO)<\/strong><\/p>\n<h6>Veja\u00a0<a href=\"http:\/\/ecofalante.org.br\/\">aqui a programa\u00e7\u00e3o completa<\/a>\u00a0da 7a Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cNingu\u00e9m \u2018veve\u2019 em torno de preju\u00edzo. A gente \u2018veve\u2019 em torno de lucro\u201d. 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