{"id":86007,"date":"2018-06-01T08:00:22","date_gmt":"2018-06-01T11:00:22","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=86007"},"modified":"2018-05-31T20:15:34","modified_gmt":"2018-05-31T23:15:34","slug":"astronomos-desvendam-misterio-da-formacao-de-dunas-em-plutao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/astronomos-desvendam-misterio-da-formacao-de-dunas-em-plutao\/","title":{"rendered":"Astr\u00f4nomos desvendam mist\u00e9rio da forma\u00e7\u00e3o de dunas em Plut\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p class=\"story-body__introduction\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/plutao.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-86008\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/plutao-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/plutao-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/plutao.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Em julho de 2015, ao observarem os registros feitos pela miss\u00e3o n\u00e3o tripulada New Horizons, que sobrevoou Plut\u00e3o, cientistas da Nasa, a ag\u00eancia espacial americana, ficaram intrigados: estranhamente, entre montanhas e glaciares, havia dunas no planeta-an\u00e3o.<\/p>\n<p>Para que dunas sejam formadas, \u00e9 necess\u00e1rio que haja vento &#8211; e com um m\u00ednimo de intensidade. Mas a atmosfera de Plut\u00e3o \u00e9 100 mil vezes menos densa do que a da Terra, rarefeita demais para abrigar fortes correntes de ar.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, afinal, como teriam se formado as dunas de Plut\u00e3o?<\/p>\n<p>A resposta parece ter sido finalmente encontrada a partir de um estudo realizado por uma equipe internacional e interdisciplinar de especialistas &#8211; ge\u00f3grafos, f\u00edsicos e astr\u00f4nomos -, liderada pelo professor e pesquisador Matt Telfer, da Universidade de Plymouth, do Reino Unido.<\/p>\n<p>A partir das imagens captadas pela New Horizons e fornecidas pela Nasa, eles realizaram uma an\u00e1lise detalhada da superf\u00edcie de Plut\u00e3o. E, gra\u00e7as a recursos de modelagem por computador, conseguiram projetar como se deu a forma\u00e7\u00e3o das misteriosas dunas.<\/p>\n<p>Em artigo que ser\u00e1 publicado na revista<i>\u00a0Science\u00a0<\/i>nesta sexta-feira, eles anunciaram a descoberta de que as dunas de Plut\u00e3o ocorrem em uma camada de gelo ao lado de uma cordilheira. Mais especificamente, em uma \u00e1rea de 75 quil\u00f4metros de di\u00e2metro, pr\u00f3xima \u00e0 vasta plan\u00edcie batizada de Sputnik Planitia.<\/p>\n<p>At\u00e9 ent\u00e3o, dunas s\u00f3 eram reconhecidas como existentes na Terra, em Marte, em V\u00eanus, em Tit\u00e3 &#8211; a maior das luas de Saturno &#8211; e no cometa 67P. Com a sublima\u00e7\u00e3o do nitrog\u00eanio de Plut\u00e3o, ou seja, a convers\u00e3o do nitrog\u00eanio s\u00f3lido diretamente em g\u00e1s, os cientistas conclu\u00edram que pequenas part\u00edculas de metano acabam sendo lan\u00e7adas na atmosfera do planeta. (Plut\u00e3o \u00e9 composto basicamente de nitrog\u00eanio, metano e mon\u00f3xido de carbono.)<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/40BB\/production\/_101817561_plutao_dunas_nasa_3.jpg\" alt=\"Dunas de Plut\u00e3o\" width=\"640\" height=\"360\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">At\u00e9 ent\u00e3o, dunas s\u00f3 eram reconhecidas como existentes na Terra, em Marte, em V\u00eanus, em Tit\u00e3 &#8211; a maior das luas de Saturno &#8211; e no cometa 67P (Cr\u00e9dito: Nasa)<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Protegidos por essa cordilheira e conduzidos por oscila\u00e7\u00f5es de temperatura, esses gr\u00e3ozinhos se comportam de modo semelhante \u00e0 nossa areia no deserto, formando, assim, as dunas.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Ventos fracos, mas eficazes<\/h2>\n<p>Os ventos dessa regi\u00e3o existem e chegam a, no m\u00e1ximo, 40 quil\u00f4metros por hora. Os pesquisadores conclu\u00edram que, por conta do ar rarefeito e da gravidade muito mais baixa que a da Terra, ventos at\u00e9 100 vezes mais fracos do que o necess\u00e1rio para formar dunas por aqui j\u00e1 seriam suficientes para form\u00e1-las em Plut\u00e3o. Al\u00e9m disso, os gr\u00e3os de gelo da superf\u00edcie t\u00eam seus gradientes de temperatura influenciados pela radia\u00e7\u00e3o solar, favorecendo essa movimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Entre a cordilheira e a camada de gelo, as tais dunas ficam sedimentadas. No estudo, analisando as forma\u00e7\u00f5es rochosas do planeta, os cientistas tamb\u00e9m conclu\u00edram que esse fen\u00f4meno n\u00e3o ocorre desde sempre. Teria se iniciado h\u00e1 500 mil anos.<\/p>\n<p>De acordo com o professor Telfer, \u00e9 de se supor que todo corpo do Sistema Solar com atmosfera e superf\u00edcie rochosa tenha dunas. A quest\u00e3o \u00e9 justamente explicar a forma\u00e7\u00e3o de tais estruturas em locais quase sem atmosfera e com temperatura m\u00e9dia t\u00e3o baixa &#8211; em Plut\u00e3o, cerca de 230\u00baC negativos.<\/p>\n<p>A equipe, formada por cientistas da Universidade de Plymouth (Reino Unido), da Universidade de Col\u00f4nia (Alemanha) e Universidade de Brigham Young (Estados Unidos) deve continuar analisando imagens colhidas pela New Horizons, buscando compreender mais sobre as forma\u00e7\u00f5es geol\u00f3gicas do planeta.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/92C3\/production\/_101817573_171537.jpg\" alt=\"Dunas de Plut\u00e3o\" width=\"640\" height=\"360\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Pesquisadores conclu\u00edram que, por conta do ar rarefeito e da gravidade muito mais baixa do que na Terra, ventos at\u00e9 100 vezes mais fracos do que o necess\u00e1rio para formar dunas por aqui j\u00e1 seriam suficientes para form\u00e1-las em Plut\u00e3o (Cr\u00e9dito: Nasa)<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">\u00c9 planeta ou n\u00e3o \u00e9?<\/h2>\n<p>Plut\u00e3o tem simpatia popular n\u00e3o s\u00f3 por ser o mais distante dos nove planetas do Sistema Solar &#8211; na conforma\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica -, mas tamb\u00e9m por ter sido &#8220;v\u00edtima&#8221; de um rebaixamento recente da comunidade cient\u00edfica internacional. Primeiro, deixou de ser considerado planeta. Depois, retomou parcialmente o &#8220;status&#8221;, mas como planeta-an\u00e3o.<\/p>\n<p>Sua hist\u00f3ria para a humanidade come\u00e7a em 1840, quando o matem\u00e1tico e astr\u00f4nomo franc\u00eas Urbain Le Verrier previu a posi\u00e7\u00e3o de Netuno. Observa\u00e7\u00f5es seguintes deste planeta come\u00e7aram a fazer os cientistas suporem que haveria um outro corpo celeste al\u00e9m dele. Nascia o conceito de Planeta X, obsess\u00e3o do matem\u00e1tico e astr\u00f4nomo americano Percival Lowell.<\/p>\n<p>Em 1906, ele lan\u00e7ou um grande projeto para tentar localizar o que seria o nono planeta. Morreu sem conseguir. Ou, ao menos, sem saber que tinha conseguido &#8211; na verdade, ele chegou a fotografar Plut\u00e3o duas vezes, mas n\u00e3o o reconheceu. Oficialmente, Plut\u00e3o s\u00f3 seria descoberto em 1930, pelo astr\u00f4nomo americano Clyde Tombaugh. O nome Plut\u00e3o foi sugest\u00e3o de Venetia Burney, uma menina de onze anos de Oxford, f\u00e3 de mitologia cl\u00e1ssica e astronomia.<\/p>\n<p>Plut\u00e3o logo caiu nas gra\u00e7as do povo. O destrambelhado c\u00e3o Pluto, da Disney, criado no mesmo ano de 1930, recebeu este nome em homenagem ao ent\u00e3o rec\u00e9m-descoberto planeta. Em 1941, o qu\u00edmico Glenn Seaborg descobriu um novo elemento da tabela peri\u00f3dica e deu a ele o nome de plut\u00f4nio, tamb\u00e9m em refer\u00eancia ao \u00faltimo dos planetas.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/8EDB\/production\/_101817563_plutao_dunas_nasa_4.jpg\" alt=\"Dunas de Plut\u00e3o\" width=\"640\" height=\"360\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Plut\u00e3o foi descrito como planet\u00e3o-an\u00e3o na virada do s\u00e9culo 21 (Cr\u00e9dito: Nasa)<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Na virada do s\u00e9culo 21, entretanto, a comunidade astron\u00f4mica mundial passou a debater se Plut\u00e3o deveria ou n\u00e3o ser considerado um planeta. Isso porque outros astros de tamanho pr\u00f3ximo a ele passaram a ser descobertos, caso de \u00c9ris, encontrado em 2005 e com quase o mesmo di\u00e2metro de Plut\u00e3o &#8211; chegou a ser chamado de &#8220;o d\u00e9cimo planeta&#8221;.<\/p>\n<p>Em 2006, a Uni\u00e3o Astron\u00f4mica Internacional criou uma defini\u00e7\u00e3o formal do que era ou n\u00e3o um planeta. E Plut\u00e3o foi rebaixado. Virou ex-planeta. Houve muita como\u00e7\u00e3o popular e at\u00e9 mesmo dentro da comunidade cient\u00edfica. Plut\u00e3o acabaria reclassificado como planeta-an\u00e3o.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">New Horizons<\/h2>\n<p>Lan\u00e7ada em 2006 pela NASA, a New Horizons foi a primeira sonda a sobrevoar Plut\u00e3o &#8211; o que ocorreu em 14 de julho de 2015. A espa\u00e7onave tamb\u00e9m fotografou suas cinco luas, Caronte, Nix, Hidra, C\u00e9rbero e Estige.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em julho de 2015, ao observarem os registros feitos pela miss\u00e3o n\u00e3o tripulada New Horizons,<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":86008,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/plutao.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/plutao-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/plutao-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/plutao.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/plutao.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/plutao.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/plutao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/plutao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/plutao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/plutao.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Em julho de 2015, ao observarem os registros feitos pela miss\u00e3o n\u00e3o tripulada New Horizons,","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/86007"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=86007"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/86007\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/86008"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=86007"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=86007"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=86007"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}