{"id":85805,"date":"2018-05-28T11:17:06","date_gmt":"2018-05-28T14:17:06","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=85805"},"modified":"2018-05-28T11:17:06","modified_gmt":"2018-05-28T14:17:06","slug":"sertao-de-pernambuco-abriga-projeto-para-sobrevivencia-dos-papagaios-verdadeiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/sertao-de-pernambuco-abriga-projeto-para-sobrevivencia-dos-papagaios-verdadeiros\/","title":{"rendered":"Sert\u00e3o de Pernambuco abriga projeto para sobreviv\u00eancia dos papagaios-verdadeiros"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/papagaio-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-85806\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/papagaio-1-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/papagaio-1-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/papagaio-1.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Nas propriedades da Fazenda Mulungu, em\u00a0Salgueiro, e do S\u00edtio Mangueira, em\u00a0Exu, ambos munic\u00edpios do\u00a0Sert\u00e3o pernambucano, um grupo de\u00a0papagaios-verdadeiros\u00a0(<em>Amazona aestiva<\/em>) que foi mantido em cativeiro por muito tempo sabe o que \u00e9 voar em toda sua plenitude. Embora n\u00e3o seja oficialmente listado entre os animais que correm o risco de desaparecerem da natureza, o\u00a0papagaio-verdadeiro\u00a0n\u00e3o \u00e9 encontrado em abund\u00e2ncia na\u00a0caatinga, seu\u00a0habitat.<\/p>\n<p>Uma realidade que leva especialistas a considerarem a extin\u00e7\u00e3o uma possibilidade pr\u00f3xima, \u00e0 medida que a quantidade de\u00a0animais\u00a0registrada hoje \u00e9 insuficiente para a recomposi\u00e7\u00e3o de uma grande popula\u00e7\u00e3o na natureza. Para virar esse jogo, nasceu o projeto\u00a0Papagaio da Caatinga, um dos programas de preserva\u00e7\u00e3o da\u00a0<a href=\"http:\/\/www.cprh.pe.gov.br\/\">Ag\u00eancia Estadual de Meio Ambiente (CPRH)<\/a>\u00a0que, nos \u00faltimos seis anos, devolveu a liberdade para 289 papagaios, sendo 157 em Salgueiro e os demais em Exu.<\/p>\n<p>Mas, at\u00e9 chegar \u00e0 t\u00e3o sonhada independ\u00eancia, \u00e9 um longo processo. A vida livre na natureza ocorre pelo menos uma vez ao ano, ap\u00f3s as\u00a0aves\u00a0passarem pouco mais de oito meses no Centro de Triagem de Animais Silvestres de Pernambuco (Cetas Tangara), espa\u00e7o administrado pela\u00a0CPRH\u00a0no bairro da Guabiraba, na Zona Norte do\u00a0Recife.<\/p>\n<p>\u00c9 l\u00e1 que elas come\u00e7am do zero at\u00e9 estarem bem adaptadas ao mundo real. Quando chegam ao Cetas Tangara, seja por uma devolu\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria ou por meio de opera\u00e7\u00f5es de fiscaliza\u00e7\u00e3o, esses animais s\u00e3o submetidos a uma triagem em que cada indiv\u00edduo \u00e9 analisado at\u00e9 passar por exames cl\u00ednicos e ser vermifugado. A partir da\u00ed, come\u00e7a o\u00a0processo de reabilita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 quando treinamos a musculatura para\u00a0voo, o reconhecimento da alimenta\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel na natureza e resgatamos neles o medo por seus predadores. Como muitos v\u00eam de\u00a0cativeiro, esse processo de reabilita\u00e7\u00e3o \u00e9 primordial para que eles desenferrujem. \u00c9 como numa academia. Uma pessoa obesa n\u00e3o corre com a mesma facilidade que uma pessoa em boa forma\u201d, compara o bi\u00f3logo e coordenador do projeto, Yuri Marinho Valen\u00e7a. Ele tamb\u00e9m \u00e9 respons\u00e1vel por gerir o Cetas Tangara.<\/p>\n<p>A soltura desses animais em meio \u00e0\u00a0caatinga\u00a0n\u00e3o \u00e9 r\u00e1pida, explica Valen\u00e7a, porque a fase da reabilita\u00e7\u00e3o \u00e9 a mais trabalhosa. Geralmente, eles s\u00e3o capturados pelas pessoas ainda filhotes, tornando-se ainda mais f\u00e1cil a domestica\u00e7\u00e3o. \u00c9 o principal motivo que justifica o porqu\u00ea de a esp\u00e9cie ser uma das mais traficadas pelo mercado nacional e estrangeiro \u2013 porque h\u00e1 quem os compre.<\/p>\n<p>\u201cUm animal enclausurado em uma gaiola ou acorrentado desde seus primeiros anos nunca saber\u00e1 o que \u00e9 a vida selvagem e viver em bando.\u00a0Isso complica muito, porque a ave n\u00e3o reconhece o humano como predador. At\u00e9 ele perder os h\u00e1bitos dom\u00e9sticos leva tempo\u201d, contextualiza o bi\u00f3logo.<\/p>\n<p>Ainda que o animal seja criado solto nas casas, a pris\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m comportamental.\u00a0\u201cEle n\u00e3o saber\u00e1 para onde ir e tamb\u00e9m n\u00e3o ter\u00e1 para onde ir. Muitos acham que tirar o animal de suas casas vai fazer o animal sofrer, mas, muito pelo contr\u00e1rio. Ele ter\u00e1, enfim, a oportunidade de viver em um lugar de onde nunca deveria ter sa\u00eddo: a natureza\u201d, afirma.<\/p>\n<p>T\u00e3o importante quanto a reabilita\u00e7\u00e3o, destaca Valen\u00e7a, \u00e9 a socializa\u00e7\u00e3o. Ao conviverem em grupo, come\u00e7am a formar casais, algo essencial para o papagaio- verdadeiro. \u201cA quest\u00e3o do v\u00ednculo afetivo (casal e filhotes) \u00e9 uma caracter\u00edstica forte dessa esp\u00e9cie para garantir o sucesso reprodutivo. \u00c9 por isso que viver em cativeiro e solit\u00e1rio \u00e9 um sofrimento para eles. Quando chega o per\u00edodo de c\u00f3pula \u00e9 comum v\u00ea-los arrancando as pr\u00f3prias penas. Em muitos o estresse \u00e9 tanto que chegam at\u00e9 a se masturbar. \u00c9 preciso desmistificar essa cultura de ter um papagaio em casa\u201d, pede Valen\u00e7a. A cada papagaio-verdadeiro retirado da natureza deixa-se de contribuir com cerca de 900 indiv\u00edduos a mais no meio ambiente. \u00c9 essa a capacidade de reprodu\u00e7\u00e3o que uma \u00fanica ave tem durante seus 80 anos de vida.<\/p>\n<div id=\"attachment_716247\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-716247\" src=\"https:\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/papagaio-verde.jpg\" sizes=\"(max-width: 535px) 100vw, 535px\" srcset=\"https:\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/papagaio-verde.jpg 475w, https:\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/papagaio-verde-300x231.jpg 300w, https:\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/papagaio-verde-250x192.jpg 250w, https:\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/papagaio-verde-100x77.jpg 100w, https:\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/papagaio-verde-154x118.jpg 154w, https:\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/papagaio-verde-120x92.jpg 120w\" alt=\"\" width=\"535\" height=\"411\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Reprodu\u00e7\u00e3o | Folha Pe<\/p>\n<\/div>\n<p><strong>Antes do sol nascer<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 um trabalho incans\u00e1vel e que requer muita dedica\u00e7\u00e3o. O caminho de\u00a0volta \u00e0 natureza\u00a0come\u00e7a bem antes do sol nascer. \u00c9 entre 3h e 4h que Yuri Valen\u00e7a acomoda cada papagaio em uma caixa de madeira com comida dispon\u00edvel e sai do Cetas Tangara, na Guabiraba, em um ve\u00edculo utilit\u00e1rio com destino ao\u00a0Sert\u00e3o, em \u00e1rea de caatinga. O hor\u00e1rio \u00e9 escolhido propositalmente por conta do clima frio, como uma forma de minimizar o estresse entre os papagaios durante as quase sete horas de estrada at\u00e9 alcan\u00e7arem a t\u00e3o esperada liberdade. Anilhados e michochipados, logo ao chegarem na Fazenda Mulungu ou no S\u00edtio Mangueira s\u00e3o realocados das pequenas caixas de madeira para o chamado viveir\u00e3o \u2013 grande viveiro em que passam at\u00e9 40 dias em readapta\u00e7\u00e3o antes de al\u00e7arem voos altos em meio \u00e0 floresta.<\/p>\n<p>L\u00e1 s\u00e3o tratados a p\u00e3o de l\u00f3. Um banquete de frutas, como mam\u00e3o e banana, al\u00e9m de sementes, fica \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o duas vezes ao dia, bem pertinho do viveiro preparado s\u00f3 para eles. \u201cN\u00e3o podemos chegar com eles e logo soltar. A portinha do viveiro s\u00f3 \u00e9 aberta ap\u00f3s eles se ambientarem ao lugar\u201d, conta Valen\u00e7a. No Cetas Tangara, uma m\u00e9dia de 200 papagaios est\u00e3o em fase de reabilita\u00e7\u00e3o e socializa\u00e7\u00e3o para, enfim, ter a cidade de Exu ou de Salgueiro como casa pr\u00f3pria.<\/p>\n<p>Em outubro passado, foi a vez de um grupo de 55 papagaios ser solto em Salgueiro. As atividades de soltura ocorre em espa\u00e7os particulares detidos pelos tutores, por meio de parceria com a\u00a0CPRH. S\u00e3o as chamadas \u00c1reas de Soltura e Monitoramento de Fauna (ASMFs). Atualmente, quatro terrenos privados est\u00e3o em negocia\u00e7\u00e3o com a CPRH para se transformarem em uma \u00e1rea de soltura oficial do \u00f3rg\u00e3o ambiental.<\/p>\n<p>Embora ganhem a prote\u00e7\u00e3o dos propriet\u00e1rios e moradores locais, \u00e9 uma vez a cada m\u00eas que Valen\u00e7a reveza entre Salgueiro e Exu para monitorar os\u00a0papagaios. \u00c9 uma estada que dura sete dias s\u00f3 para acompanhar a adapta\u00e7\u00e3o das\u00a0aves\u00a0\u00e0 regi\u00e3o. E muitos j\u00e1 ganharam confian\u00e7a ao ponto de fixar moradia. No \u00faltimo monitoramento, foi poss\u00edvel avistar ninhos. Hoje, dos 289 papagaios soltos, a\u00a0CPRHainda monitora 48 bichos em Exu e mais de 80 em Salgueiro.<\/p>\n<p>\u201cIsso \u00e9 um processo natural, j\u00e1 que, na vida livre, cada fam\u00edlia procura um lugar. A dispers\u00e3o \u00e9 mais f\u00e1cil, ou seja, sinal de que cumprimos nossa meta\u201d, declara orgulhoso o bi\u00f3logo. Todo o processo tamb\u00e9m \u00e9 feito com a parceria do CemaFauna (Centro de Manejo de Fauna da Caatinga, da Universidade Federal do Vale do S\u00e3o Francisco).<\/p>\n<p><strong>Inspira\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>A inspira\u00e7\u00e3o para criar essa iniciativa, explica Valen\u00e7a, vem de 2010, a partir de uma problem\u00e1tica quando ele trabalhava no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov\u00e1veis em Pernambuco (Ibama-PE), no bairro de Casa Forte, tamb\u00e9m na Zona Norte da Capital.<\/p>\n<p>\u201cOs\u00a0papagaios\u00a0eram entregues ao centro de triagem do Ibama, mas n\u00e3o tinham uma destina\u00e7\u00e3o correta. Na maioria das vezes, ia para criadouros ou zool\u00f3gicos. E n\u00e3o \u00e9 essa a fun\u00e7\u00e3o de um Cetas. \u00c9 reabilitar e devolver \u00e0 natureza. Foi essa situa\u00e7\u00e3o que nos instigou a criar esse projeto, que vem dando certo at\u00e9 hoje\u201d, comemora o bi\u00f3logo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nas propriedades da Fazenda Mulungu, em\u00a0Salgueiro, e do S\u00edtio Mangueira, em\u00a0Exu, ambos munic\u00edpios do\u00a0Sert\u00e3o pernambucano,<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":85806,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/papagaio-1.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/papagaio-1-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/papagaio-1-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/papagaio-1.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/papagaio-1.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/papagaio-1.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/papagaio-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/papagaio-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/papagaio-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/papagaio-1.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Nas propriedades da Fazenda Mulungu, em\u00a0Salgueiro, e do S\u00edtio Mangueira, em\u00a0Exu, ambos munic\u00edpios do\u00a0Sert\u00e3o pernambucano,","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/85805"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=85805"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/85805\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/85806"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=85805"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=85805"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=85805"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}