{"id":85789,"date":"2018-05-27T13:00:05","date_gmt":"2018-05-27T16:00:05","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=85789"},"modified":"2018-05-27T11:55:24","modified_gmt":"2018-05-27T14:55:24","slug":"por-que-o-uso-de-agrotoxicos-aumenta-o-numero-de-pragas-na-visao-deste-pesquisador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/por-que-o-uso-de-agrotoxicos-aumenta-o-numero-de-pragas-na-visao-deste-pesquisador\/","title":{"rendered":"Por que o uso de agrot\u00f3xicos aumenta o n\u00famero de pragas, na vis\u00e3o deste pesquisador"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"intro\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/pesquisador.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-85790\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/pesquisador-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/pesquisador-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/pesquisador.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>N<\/span>a metade da d\u00e9cada de 1970, com um Ph.D. em ecologia e conserva\u00e7\u00e3o de recursos naturais pela Universidade Estadual de Ohio, nos Estados Unidos, o engenheiro agr\u00f4nomo Adilson Paschoal voltou ao Brasil decidido a se aprofundar na \u00e1rea de agroecologia. Na \u00e9poca, essa palavra ainda n\u00e3o existia, mas os conceitos estavam muito claros para Adilson. \u201cEu vim com uma bagagem muito boa\u201d, diz.<\/p>\n<p>De Ohio ele foi diretamente para a Esalq, onde tinha se formado e passou a dar aulas de Ecologia e Conserva\u00e7\u00e3o de Recursos Naturais, curso pioneiro criado por ele e que precisou esperar dez anos para se chamar Agroecologia e Agricultura Org\u00e2nica. \u201cAinda n\u00e3o havia aqui no Brasil a aceita\u00e7\u00e3o de uma agricultura de base ecol\u00f3gica. Ainda estava no comecinho dos conceitos.\u201d<\/p>\n<p>Outra coisa que n\u00e3o havia era um termo preciso para indicar a toxidade dos agroqu\u00edmicos utilizados nas planta\u00e7\u00f5es. O que havia eram diversas palavras como \u201cpesticidas\u201d e \u201cpraguicidas\u201d, que passaram a ser chamadas de modo gen\u00e9rico pelo eufemismo \u201cdefensivos agr\u00edcolas\u201d.<\/p>\n<div class=\"frase-materia componente_materia expandido\">\n<div class=\"frase\">Agrot\u00f3xicos t\u00eam sentido geral para incluir todos os produtos qu\u00edmicos usados nos agrossistemas para combater pragas e doen\u00e7as&#8221;<\/div>\n<div class=\"autor\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Foi a\u00ed que Adilson prop\u00f4s uma palavra que, al\u00e9m da precis\u00e3o cient\u00edfica, funcionava de alerta aos consumidores sobre a presen\u00e7a de um componente \u201ct\u00f3xico\u201d nos alimentos. Estava criado o \u201cagrot\u00f3xico\u201d, proposto pelo professor em um artigo publicado em 1977.<\/p>\n<p>Dois anos depois, no livro\u00a0<em>Pragas, praguicidas &amp; a crise ambiental<\/em>, Adilson explicou: \u201cagrot\u00f3xicos t\u00eam sentido geral para incluir todos os produtos qu\u00edmicos usados nos agrossistemas para combater pragas e doen\u00e7as. O termo \u00e9 uma contribui\u00e7\u00e3o \u00fatil, j\u00e1 que a ci\u00eancia que estuda esses produtos chama-se toxicologia.\u201d<\/p>\n<p>Mas o trabalho ia muito al\u00e9m disso. O livro revelava uma informa\u00e7\u00e3o surpreendente: o uso de agrot\u00f3xicos na agricultura n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o combatia efetivamente o n\u00famero de pragas em uma lavoura como liquidava seus predadores naturais. Sem esses predadores, os organismos que atacam a lavoura e resistiram ao agrot\u00f3xico passam a crescer sem resist\u00eancia. Assim, os agrot\u00f3xicos criaram um desequil\u00edbrio ecol\u00f3gico e aumentaram o n\u00famero de pragas quando passaram a ser aplicados em grande escala, diz o professor.<\/p>\n<p>Na biblioteca do antigo departamento de Zoologia da Esalq, montada pelo pr\u00f3prio Adilson, GLOBO RURAL perguntou: como o senhor chegou a essa conclus\u00e3o? E ele respondeu.<\/p>\n<p><em>Imagine uma planta ao longo do per\u00edodo evolutivo dela. Ela apareceu pela primeira vez na natureza e oferece um ambiente para outro organismo poder viver dela. Agora imagine que apare\u00e7a um inseto que vai se alimentar dessa planta. Se esse inseto conseguir alimentar-se dela toda, a planta desaparecer\u00e1 como esp\u00e9cie.<\/em><\/p>\n<p>Mas no processo evolutivo essa planta se manteve, porque ela passou a produzir subst\u00e2ncias contra esse inseto que est\u00e1 se alimentando. N\u00f3s sabemos que isso existe. A nicotina, por exemplo, \u00e9 tirada do tabaco. A piretrina vem do cris\u00e2ntemo. Ent\u00e3o toda planta tem uma subst\u00e2ncia de defesa.<\/p>\n<p>Se essa planta produz isso, o que aconteceria com esse inseto? Ele deveria ser expulso. No entanto, ao longo do processo evolutivo, esse inseto, ou outra esp\u00e9cie que seja, desenvolve um mecanismo para se desintoxicar dessa subst\u00e2ncia. \u00c9 um mecanismo bioqu\u00edmico.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, a planta produz subst\u00e2ncia contra o inseto, um \u00e1caro, um nematoide etc. E ele produz um mecanismo para desintoxicar-se. Isso se chama cooevolu\u00e7\u00e3o. Ou seja, uma evolu\u00e7\u00e3o conjunta. A planta juntamente com o organismo que se alimenta dela.<\/p>\n<p>Agora, adicione uma vespa que se alimenta desse inseto e voc\u00ea tem a mesma coisa. Se ela for altamente eficiente capturando o inseto, ela exclui o inseto. Mas o inseto, por sua vez, adquire um mecanismo para se defender dessa vespa, o que tamb\u00e9m \u00e9 uma cooevolu\u00e7\u00e3o. S\u00f3 que desta vez \u00e9 a coevolu\u00e7\u00e3o de um predador com um herb\u00edvoro. Esse inseto cooevoluiu com a planta. Agora a vespa, inimigo natural do inseto, cooevoluiu com a praga e n\u00e3o com a planta.<\/p>\n<p><em>Ent\u00e3o entra o homem na hist\u00f3ria. Ele aplica o agrot\u00f3xico nesse ambiente. O que o agrot\u00f3xico matar\u00e1 mais? A praga ou o predador natural da praga? Quem morre mais \u00e9 a vespa, o inimigo natural da praga. A vespa n\u00e3o tem o mecanismo para se defender das toxinas que o homem tirou da planta e agora aplicou no ambiente total. Morre o inimigo natural e a praga permanece.<\/em><\/p>\n<div class=\"frase-materia componente_materia expandido\">\n<div class=\"frase\">O que o agrot\u00f3xico matar\u00e1 mais? A praga ou o predador natural da praga? Quem morre mais \u00e9 o inimigo natural da praga&#8221;<\/div>\n<\/div>\n<p><em>\u00c0 medida que o homem faz isso em grande escala, ele elimina os inimigos naturais. Eles s\u00e3o mortos 100% porque n\u00e3o t\u00eam mecanismo de pr\u00e9-resist\u00eancia. A praga tem, ent\u00e3o cerca de 80% dela morre.<\/em><\/p>\n<p>Os agrot\u00f3xicos criaram um desequil\u00edbrio ecol\u00f3gico e geraram pragas quando passaram a ser aplicados em grande escala. Eles aumentaram o n\u00famero de pragas.<\/p>\n<p>Outra explica\u00e7\u00e3o para isso envolve os adubos minerais aplicados na planta. Por exemplo, um adubo \u00e0 base de nitrog\u00eanio: nitroc\u00e1lcio, ureia, sulfato de am\u00f4nio, esse tipo de coisa. A planta absorve tudo isso. Vai ficar na seiva da planta.<\/p>\n<p>Agora imagine um pulg\u00e3o que est\u00e1 sugando a seiva da planta. Pode ser um \u00e1caro, um nematoide. O pulg\u00e3o s\u00f3 se alimenta daquilo que est\u00e1 dispon\u00edvel na seiva. Ele n\u00e3o \u00e9 capaz de fazer como um gafanhoto, que come e digere a folha. O gafanhoto consegue pegar a prote\u00edna da folha e transformar em amino\u00e1cido de gafanhoto. Agora, esses que sugam n\u00e3o t\u00eam isso. Ele n\u00e3o digere, ele precisa do material pronto.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, quando eu forne\u00e7o adubo sol\u00favel, principalmente nitrogenado, eu vou aumentar a quantidade de alimento para o pulg\u00e3o, para o \u00e1caro. Ent\u00e3o o adubo sol\u00favel aumentou a praga. O agrot\u00f3xico com o adubo aumenta o n\u00famero de pragas.<\/p>\n<p>E o terceiro fator \u00e9 a variedade. Antes era variedade resistente, agora \u00e9 variedade de alta resposta ao adubo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na metade da d\u00e9cada de 1970, com um Ph.D. em ecologia e conserva\u00e7\u00e3o de recursos<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":85790,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/pesquisador.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/pesquisador-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/pesquisador-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/pesquisador.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/pesquisador.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/pesquisador.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/pesquisador.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/pesquisador.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/pesquisador.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/pesquisador.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Na metade da d\u00e9cada de 1970, com um Ph.D. em ecologia e conserva\u00e7\u00e3o de recursos","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/85789"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=85789"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/85789\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/85790"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=85789"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=85789"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=85789"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}