{"id":85715,"date":"2018-05-25T23:39:24","date_gmt":"2018-05-26T02:39:24","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=85715"},"modified":"2018-05-25T23:39:24","modified_gmt":"2018-05-26T02:39:24","slug":"o-carro-do-futuro-existe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/o-carro-do-futuro-existe\/","title":{"rendered":"O carro do futuro existe?"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/pagina22.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/JEEP_TAMAR-por-Michele-Roth1-294-800x445.jpg\" alt=\"Michelle Roth\" width=\"640\" height=\"356\" \/><\/p>\n<p>Ou melhor, existir\u00e1 carro no futuro? Depois de mais de um s\u00e9culo produzindo ve\u00edculos em s\u00e9rie, e fazendo uma publicidade que \u201cvende\u201d a valoriza\u00e7\u00e3o do transporte individual, o que a ind\u00fastria automobil\u00edstica est\u00e1 conseguindo \u00e9 uma invers\u00e3o de prop\u00f3sito: travar a mobilidade na maioria das grandes cidades brasileiras. Dependendo do hor\u00e1rio e do local, um deslocamento a p\u00e9 pode ser mais eficaz do que a bordo do mais tecnol\u00f3gico dos ve\u00edculos automotivos. Em entrevista \u00e0\u00a0<strong>P\u00e1gina22,<\/strong>\u00a0Jo\u00e3o Ciaco, diretor de Publicidade e Marketing de Relacionamento da FCA,\u00a0<em>holding<\/em>\u00a0que controla a Fiat Chrysler e a Jeep, admite que, por esse e outros motivos, a ind\u00fastria automobil\u00edstica precisa se reinventar j\u00e1 e explicou sobre como faz para amalgamar publicidade de autom\u00f3vel com sustentabilidade sem resvalar no marketing verde.<\/p>\n<p>Na primeira semana de maio, a Jeep, apoiadora do Projeto Tamar, convidou jornalistas e profissionais de m\u00eddia para participar do evento de soltura simb\u00f3lica da tartaruga marinha de n\u00famero 35 milh\u00f5es, no arquip\u00e9lago de Fernando de Noronha (PE). A consist\u00eancia do Tamar (iniciado h\u00e1 35 anos, o programa est\u00e1 conseguindo reverter o risco de extin\u00e7\u00e3o das tartarugas marinhas no Brasil), segundo o empres\u00e1rio, n\u00e3o tem como ser confundida com\u00a0<em>greenwashing.\u00a0<\/em>At\u00e9 porque a empresa n\u00e3o inclui esse tipo de iniciativa em sua comunica\u00e7\u00e3o de massa. Sem tentar relativizar a responsabilidade da ind\u00fastria de autom\u00f3veis com mudan\u00e7a do clima e outros temas de sustentabilidade, Jo\u00e3o Ciaco, tamb\u00e9m aborda nesta conversa o programa\u00a0<em>O Futuro das Cidades<\/em>, os exerc\u00edcios de futurismo, a inova\u00e7\u00e3o e as a\u00e7\u00f5es socioambientais realizadas pela empresa.<\/p>\n<blockquote><p><em>Jo\u00e3o Batista Ciaco, 55 anos, nasceu em S\u00e3o Jo\u00e3o da Boa Vista, no interior de S\u00e3o Paulo. Graduou-se em Engenharia, pelo Instituto Mau\u00e1 de Tecnologia, e em Administra\u00e7\u00e3o de Empresas, pela Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV). Fez mestrado na FGV e doutorado em Comunica\u00e7\u00e3o e Semi\u00f3tica na Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica (PUC-SP). Antes de assumir a Comunica\u00e7\u00e3o e o Marketing na FCA, passou pela Unilever e pela Kodak.<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p><strong>O senhor cresceu no interior, certo? Isso influenciou de alguma maneira a sua carreira?<\/strong>Sim, sou de S\u00e3o Jo\u00e3o da Boa Vista [SP]. O fato de no interior ter uma s\u00f3 escola, o fato de a rua ser um espa\u00e7o muito mais democr\u00e1tico do que nas grandes cidades, cria-se uma proximidade, uma conviv\u00eancia entre as pessoas. Nas grandes cidades, os condom\u00ednios separam as pessoas. Voc\u00ea tem separa\u00e7\u00f5es sociais muito mais claras na cidade grande do que no interior.<\/p>\n<p>A minha carreira se desenvolveu muito em empresas que tinham sido compradas ou que estavam comprando. O fato de eu ter tido uma experi\u00eancia no interior me facilitou muito transitar nesses ambientes empresariais de fus\u00e3o, de mistura de culturas, entre modo de pensar. Acho que o interior tem a ver com isso.<\/p>\n<p><strong>Seu sobrenome revela ascend\u00eancia italiana, o senhor deve se sentir \u201cem casa\u201d em uma empresa italiana.<\/strong><\/p>\n<p>Sim, meu av\u00f3s eram italianos. O av\u00f4 do sul e a av\u00f3 do norte da It\u00e1lia, mas se conheceram no Brasil. Depois que fui para a escola, nunca mais havia sido chamado de \u201cTchiaco<em>\u201d<\/em>\u00a0[<em>pron\u00fancia italiana para Ciaco<\/em>]. Agora, na Fiat, onde a cultura italiana \u00e9 muito presente, voltei a ser \u201cTchiaco\u201d.<\/p>\n<p><strong>Antes de ir para a Fiat, o senhor passou pela Kodak, ou seja, deve ter testemunhado bem de perto a ru\u00edna de uma mega corpora\u00e7\u00e3o global. Faltou uma vis\u00e3o de futuro ali?<\/strong><\/p>\n<p>Eu fui para Kodak abrir uma \u00e1rea que n\u00e3o existia, a de supermercados, de venda de massa. Esse trabalho pressupunha outro tipo de atua\u00e7\u00e3o. Enquanto as lojas de fotografia tinham uma pessoa encarregada de explicar, por exemplo, qual era o filme mais indicado, no supermercado, n\u00e3o. Fui para montar essa \u00e1rea de distribui\u00e7\u00e3o de massa, acabei assumindo o Marketing e trabalhei nos primeiros projetos digitais da Kodak tamb\u00e9m. Foi curioso porque era final dos anos 1990, a internet j\u00e1 estava estabelecida, mas comercialmente ainda era muito incipiente. E a Kodak j\u00e1 falava em digitaliza\u00e7\u00e3o. S\u00f3 que uma empresa com a maior parte do seu lucro, ou grande parte do seu lucro baseado em papel e qu\u00edmicos, n\u00e3o iria migrar facilmente para uma tecnologia que n\u00e3o tinha nem papel e nem qu\u00edmico. Era uma decis\u00e3o muito dif\u00edcil de ser tomada.<\/p>\n<p><strong>Qual era o projeto digital da Kodak?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o era de captura de imagem digital. Era um projeto muito legal para digitalizar uma imagem pronta. Era o tal do\u00a0<em>sharing pictures<\/em>. Em vez de compartilhar \u00e1lbuns, digitalizar essas imagens e compartilh\u00e1-las digitalmente. Isso, no final dos anos 1990, \u00e9 basicamente o embri\u00e3o do que \u00e9 hoje o Instagram. Dez anos antes de o Instagram existir. Esse projeto acabou n\u00e3o evoluindo e eu tamb\u00e9m sa\u00ed antes, mas foi muito bom passar por essa experi\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>Saiu da Kodak direto para a Fiat?<\/strong><\/p>\n<p>Tive o convite da Fiat para trabalhar na \u00e1rea digital em Betim [MG], para instituir a digitaliza\u00e7\u00e3o da marca Fiat pensando no novo consumidor. A Fiat tinha na \u00e9poca um \u00edndice muito alto de rejei\u00e7\u00e3o de marca que vinha, basicamente, do Fiat 147, do c\u00e2mbio duro que quebrava. Na \u00e9poca, a Fiat j\u00e1 estava em uma transforma\u00e7\u00e3o gigante, o Palio j\u00e1 era um sucesso, tinha um portf\u00f3lio bem robusto, mas ainda um \u00edndice alto de rejei\u00e7\u00e3o. O que se percebeu \u00e9 que grande parte dos consumidores que rejeitavam a Fiat nem sequer tinham entrado num Fiat. Era uma rejei\u00e7\u00e3o quase que de boca a boca. O trabalho digital era justamente para falar com esse consumidor, para apresentar a Fiat a quem n\u00e3o tinha tido nenhuma experi\u00eancia e, portanto, tinha menos rejei\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica do que os \u201crejeitadores\u201d tradicionais. Dali, assumi v\u00e1rias outras posi\u00e7\u00f5es at\u00e9 chegar no Marketing e na Comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>De l\u00e1 ao Projeto Tamar. Como voc\u00ea constr\u00f3i uma narrativa de comunica\u00e7\u00e3o para a ind\u00fastria automobil\u00edstica sem parecer que a FCA est\u00e1 fazendo\u00a0<em>greenwashing<\/em>, j\u00e1 que a ind\u00fastria automobil\u00edstica est\u00e1, sabidamente, entre os grandes vil\u00f5es da mudan\u00e7a do clima \u2013 al\u00e9m da quest\u00e3o da mobilidade, do transporte individual em oposi\u00e7\u00e3o ao transporte coletivo?<\/strong><\/p>\n<p>Falar o que a gente faz ou o que n\u00e3o faz n\u00e3o \u00e9 elemento de comunica\u00e7\u00e3o. N\u00e3o fazemos propaganda, an\u00fancios, campanhas [<em>para vender Jeep usando o Projeto Tamar<\/em>]. \u00c9 claro que [<em>o assunto<\/em>] est\u00e1 presente em redes sociais e em conversas. Mas n\u00e3o se estabelece como elemento de comunica\u00e7\u00e3o principal. Eu acho importante construir esses projetos, essas iniciativas e esse conglomerado de a\u00e7\u00f5es que, de alguma maneira, tenham o autom\u00f3vel inserido em uma contribui\u00e7\u00e3o positiva. O autom\u00f3vel \u00e9 o nosso universo. N\u00e3o d\u00e1 para pensar que no modelo atual de mobilidade, de locomo\u00e7\u00e3o, de intera\u00e7\u00e3o entre as pessoas, que consigamos prescindir do autom\u00f3vel.\u00a0Muitos de n\u00f3s n\u00e3o consegue viver sem um.<\/p>\n<p>Mas \u00e9 claro que d\u00e1 para fazer um uso muito melhor e \u00e9 isso que a gente se prop\u00f5e a fazer. Uma utiliza\u00e7\u00e3o mais coerente. Procurar n\u00e3o dirigir sozinho, usar o combust\u00edvel adequado, inserir o carro dentro de um complexo modal mais inteligente, que use o carro somente quando for necess\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 poss\u00edvel inserir essas ideias em Comunica\u00e7\u00e3o e Marketing?<\/strong><\/p>\n<p>Temos um projeto interno,\u00a0<em>O Futuro das Cidades,<\/em>\u00a0de discuss\u00e3o com a sociedade sobre caminhos poss\u00edveis para se compreender a quest\u00e3o da mobilidade nas cidades, que \u00e9 onde a maioria dos carros est\u00e1.<\/p>\n<blockquote><p>Entendemos que qualquer quest\u00e3o de mobilidade passa pela compreens\u00e3o multimodal. N\u00e3o d\u00e1 para pensar s\u00f3 no carro, s\u00f3 na bicicleta, s\u00f3 no trem, ou s\u00f3 em se transportar a p\u00e9.<\/p><\/blockquote>\n<p>Como organizar isso para permitir um transporte mais inteligente, uma utiliza\u00e7\u00e3o mais adequada de todos os meios? Trazemos pessoas de todas as \u00e1reas para fazer essa discuss\u00e3o. O mais legal do projeto \u00e9 por as pessoas para discutir e utilizar os nossos recursos internos. Estamos ajudando em solu\u00e7\u00f5es como a de um biciclet\u00e1rio em fase de prototipagem para a Pra\u00e7a da Liberdade, um importante\u00a0<em>hub<\/em>\u00a0de Belo Horizonte. Para fazer isso, trouxemos ciclistas para conversar com os nossos designers \u2013 que s\u00e3o designers de autom\u00f3veis, mas antes de tudo s\u00e3o designers.<\/p>\n<p>O projeto tamb\u00e9m discutiu recentemente solu\u00e7\u00f5es inteligentes para algu\u00e9m que precisa ir da localiza\u00e7\u00e3o A para a localiza\u00e7\u00e3o B. Como eu fa\u00e7o para ser o mais eficiente poss\u00edvel nesse trajeto em todos os aspectos? O que percebemos foi que, mais importante do que a locomo\u00e7\u00e3o de A para B, \u00e9 como colocar A e B em contato. Muitas vezes h\u00e1 solu\u00e7\u00f5es que n\u00e3o passam necessariamente pelo deslocamento ou, quando passar, que a locomo\u00e7\u00e3o seja a menor poss\u00edvel. Pensamos em aplicativos para intercalar o transporte por carros com outros modais. Falamos em\u00a0<em>car sharing,\u00a0<\/em>em carro aut\u00f4nomo, em el\u00e9tricos, em utilizar a chave do carro para destravar o sistema de seguran\u00e7a da bicicleta. Enfim, a discuss\u00e3o \u00e9 sobre como construir coisas que se interliguem para se ter um melhor uso de todos os meios dispon\u00edveis.<\/p>\n<p><strong>Mas e na propaganda propriamente? \u00c9 poss\u00edvel falar de sustentabilidade quando o objetivo \u00e9 vender carro?<\/strong><\/p>\n<p>Uma das coisas importantes \u00e9 fazer uma comunica\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel da sustentabilidade. Falar de pequenos factoides \u00e9 f\u00e1cil. Tamb\u00e9m n\u00e3o trazemos esses trabalhos experimentais para a comunica\u00e7\u00e3o principal, mas j\u00e1 falamos da utiliza\u00e7\u00e3o mais racional do ve\u00edculo. H\u00e1 uns quatro anos, quando relan\u00e7amos o Punto \u2013 um dos carros com design mais apreciados pelo consumidor e um dos mais tecnol\u00f3gicos na sua categoria \u2013, falamos do design, da tecnologia e tudo mais que o carro tinha. Mas havia tamb\u00e9m uma coisa importante pra gente: o consumidor desse carro estava preocupado em com a utiliza\u00e7\u00e3o e trouxemos essa a quest\u00e3o para a comunica\u00e7\u00e3o. Lan\u00e7amos o Punto com um\u00a0<a href=\"https:\/\/youtu.be\/4azCcac_rnY\">comercial mostrando um cara andando de bicicleta at\u00e9 uma garagem onde o carro estava parado<\/a>. Ele chegava, dava um tapinha na lataria e entrava. E a mensagem era: esse carro \u00e9 muito\u00a0<em>legal<\/em>, mas s\u00f3 use quando voc\u00ea precisar. Caso contr\u00e1rio, use a bicicleta que tamb\u00e9m \u00e9 bem bacana.<\/p>\n<p><strong>O senhor\u00a0mencionou o carro el\u00e9trico. Por que essa tecnologia est\u00e1 demorando tanto para chegar no Brasil?<\/strong><\/p>\n<p>A quest\u00e3o maior que temos que pensar \u00e9 se o carro el\u00e9trico, o carro em si, \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o inteligente do ponto de vista ambiental. Temos que considerar como essa energia el\u00e9trica ser\u00e1 produzida. Se, de repente, todos os carros passarem a ser el\u00e9tricos no Brasil, a energia ter\u00e1 de ser adaptada para termel\u00e9tricas. Acho que o sistema n\u00e3o ser\u00e1 inteligente. Isso \u00e9 um primeiro ponto. Outro, \u00e9 o que fazer com a bateria altamente poluente. Trabalhar a descartabilidade das baterias \u00e9 uma das coisas mais dif\u00edceis hoje do projeto el\u00e9trico. H\u00e1 tamb\u00e9m uma quest\u00e3o econ\u00f4mica. \u00c9 uma solu\u00e7\u00e3o bastante cara (<em>leia<\/em>\u00a0<em>mais sobre a efetividade ambiental do carro el\u00e9trico<\/em>\u00a0<em><a href=\"http:\/\/pagina22.com.br\/2018\/02\/09\/estudo-detecta-cinco-inovacoes-para-os-carros-mas-e-fonte-de-energia\/\">aqui<\/a><\/em>).<\/p>\n<blockquote><p>Temos uma prototipagem de carro movido a energia solar \u2013 o Projeto Girassol. Por que n\u00e3o usar energia solar para ajudar a minimizar o consumo de combust\u00edvel?<\/p><\/blockquote>\n<p>Estamos estudando uma forma de cobrir o carro com uma c\u00e9lula fotovoltaica que ajude a produzir energia. Uma das enormes dificuldades \u00e9 o peso e a rigidez da placa. Estamos desenvolvendo no nosso centro de pesquisa [Centro de Pesquisa &amp; Desenvolvimento Giovanni Agnelli, em Betim], uma fibra bastante fina e flex\u00edvel. Mas tudo isso ainda est\u00e1 em fase bem experimental.<\/p>\n<p><strong>Qual a rela\u00e7\u00e3o da Jeep com as tartarugas e o Projeto Tamar?<\/strong><\/p>\n<p>Primeiro, \u00e9 a ess\u00eancia de marca. O Jeep fala da aventura, da liberdade, da autenticidade assim como o Projeto Tamar tamb\u00e9m fala. \u00c9 uma aproxima\u00e7\u00e3o entre marcas que faz sentido aos nossos olhos de comunicadores. Al\u00e9m disso, a maneira como o Jeep se posiciona aqui no Brasil e no mundo tem uma rela\u00e7\u00e3o com a natureza. O Jeep te leva a lugares a te possibilita experi\u00eancias na natureza que outros carros n\u00e3o fazem. Temos trabalhado essas quest\u00f5es da natureza tamb\u00e9m com a ideia de preserv\u00e1-la para que essa experi\u00eancia se perpetue e possa ser muito mais fonte de sentido do que uma experi\u00eancia individual. Estamos entregando jeeps que v\u00e3o levar o Tamar a mais capturas e desovas, a lugares mais dif\u00edceis porque \u00e9 um ve\u00edculo capacitado para isso. Portanto, vai ajudar o Tamar a construir experi\u00eancias no seu fazer. Mas n\u00e3o pretendemos usar esse apoio na comunica\u00e7\u00e3o de massa.<\/p>\n<p><strong>Em suas f\u00e1bricas, a FCA insere sustentabilidade na cadeia produtiva?<\/strong><\/p>\n<p>Tentamos construir o m\u00e1ximo de sustentabilidade na cadeia produtiva. No tratamento de rejeitos, no reaproveitamento da \u00e1gua, na utiliza\u00e7\u00e3o m\u00ednima de energia. Esse \u00e9 um cuidado muito grande. Faz parte do projeto mundial World Class Manufacturing. Temos indicadores muito agressivos para essas coisas todas. Mantemos encontros frequentes com fornecedores e esses indicadores tamb\u00e9m s\u00e3o cobrados deles. Trabalhamos o entorno das nossas f\u00e1bricas da melhor maneira poss\u00edvel. Temos um importante projeto na \u00e1rea de educa\u00e7\u00e3o em Goiana [PE], chamado Rota do Saber. Estamos levando esse projeto para Betim [MG} e para Campo Largo [PR].<\/p>\n<p><strong>Quando voc\u00ea se refere aos fornecedores at\u00e9 que ponto da cadeia voc\u00ea chega? At\u00e9 a mineradora?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o. \u00c9 claro que n\u00f3s somos compradores de a\u00e7o. N\u00f3s estabelecemos padr\u00f5es de trabalho, mas ainda temos um espa\u00e7o muito grande para avan\u00e7ar. Sem d\u00favida.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00eas calculam pegada de carbono?<\/strong><\/p>\n<p>Sim. Acabamos de fazer uma f\u00e1brica em Goiana (PE) e zeramos a emiss\u00e3o de carbono, at\u00e9 por causa do nosso viveiro e do resgate da Mata Atl\u00e2ntica que estamos fazendo na Zona da Mata no norte de Pernambuco.<\/p>\n<p><strong>Como voc\u00ea v\u00ea o futuro da ind\u00fastria automobil\u00edstica? Voc\u00eas fazem exerc\u00edcios de futurismo?<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Essa \u00e9 uma ind\u00fastria que produz da mesma maneira desde seu nascimento no come\u00e7o do s\u00e9culo passado. Se essa ind\u00fastria n\u00e3o se refizer muito rapidamente, n\u00e3o conseguir\u00e1 sobreviver. Ela tem de se reinventar agora.<\/p><\/blockquote>\n<p>Outro aspecto \u00e9 estarmos totalmente baseados na posse. N\u00f3s vendemos carro. Essa \u00e9 uma quest\u00e3o que a ind\u00fastria j\u00e1 est\u00e1 consciente que precisa discutir muito profundamente. N\u00e3o sei se as pessoas v\u00e3o querer comprar carro no futuro. As pessoas querem se locomover, e talvez o que tenhamos que promover sejam solu\u00e7\u00f5es de transporte. \u00c9 um outro tipo de apresenta\u00e7\u00e3o daquilo fazemos. Talvez n\u00e3o vendamos mais produto, vendamos servi\u00e7o (<em>mais sobre o assunto\u00a0<a href=\"http:\/\/pagina22.com.br\/2008\/05\/11\/a-parte-que-te-cabe\/\">nesta reportagem<\/a>\u00a0de 2008<\/em>).<\/p>\n<p><strong>Mas essa discuss\u00e3o j\u00e1 ocorre de fato?<\/strong><\/p>\n<p>Faz parte do nosso dia a dia. Quando eu completei 18 anos, a primeira coisa que quis fazer foi tirar carteira de motorista para dirigir. Hoje isso j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 verdade para boa parte dos jovens. Pelo menos esse desejo j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais t\u00e3o forte. Mas n\u00e3o significa que eles n\u00e3o queiram se locomover. Tudo isso est\u00e1 permanentemente na nossa agenda, pois o futuro da ind\u00fastria depende dessas quest\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00eas nunca imaginaram um formato de carro para o futuro?<\/strong><\/p>\n<p>Em 2010 fizemos um prot\u00f3tipo do que talvez seja o primeiro carro colaborativo desenhado no mundo. A gente tinha de fazer um carro-conceito (n\u00e3o comercial) para o Sal\u00e3o do Autom\u00f3vel e trouxemos pessoas de v\u00e1rias partes do mundo para discutir que carro seria esse. Foi um projeto totalmente colaborativo. Era um carro modular. Se estou sozinho, o carro fica bem pequeno, s\u00f3 para uma pessoa. Se vou sair com a fam\u00edlia, eu consigo aument\u00e1-lo acoplando m\u00f3dulos. Se preciso transportar uma carga, adapto uma ca\u00e7amba. O carro era inteiramente recicl\u00e1vel e se atualizava. Por exemplo, se no ano seguinte surgissem novas tecnologias, n\u00e3o seria preciso comprar um carro novo, bastava atualizar software e hardware. Era um carro bem inteligente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ou melhor, existir\u00e1 carro no futuro? 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