{"id":85452,"date":"2018-05-22T13:30:32","date_gmt":"2018-05-22T16:30:32","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=85452"},"modified":"2018-05-22T11:59:59","modified_gmt":"2018-05-22T14:59:59","slug":"asteroide-extrassolar-orbita-o-sol-ha-45-bilhoes-de-anos-segundo-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/asteroide-extrassolar-orbita-o-sol-ha-45-bilhoes-de-anos-segundo-estudo\/","title":{"rendered":"Asteroide extrassolar orbita o Sol h\u00e1 4,5 bilh\u00f5es de anos, segundo estudo"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/orbita.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-85453\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/orbita-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/orbita-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/orbita.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>O Sistema Solar \u00e9 muito mais vasto e complexo do que usualmente se sup\u00f5e. Estima-se que o predom\u00ednio do campo gravitacional do Sol sobre os campos gravitacionais das estrelas pr\u00f3ximas se estenda por cerca de dois anos-luz (125 mil unidades astron\u00f4micas). Isso significa que a luz emitida pelo Sol leva aproximadamente dois anos para alcan\u00e7ar os confins do Sistema Solar.<\/p>\n<p>Nesse enorme nicho gravitacional, aninham-se e orbitam milh\u00f5es de objetos: planetas, luas, cometas, asteroides, meteoroides etc. No conjunto, um objeto se diferencia de todos os demais, constituindo, por assim dizer, o \u201cestranho no ninho\u201d. Trata-se do asteroide (514107) 2015 BZ509,<\/p>\n<p>Sua peculiaridade \u00e9 ter trajet\u00f3ria retr\u00f3grada \u2013 isto \u00e9, orbitar o Sol em sentido contr\u00e1rio ao dos demais corpos. O sentido retr\u00f3grado do movimento combinado com a estabilidade da \u00f3rbita pela idade do Sistema Solar legitimam a interpreta\u00e7\u00e3o de que o (514107) 2015 BZ509 seja um objeto de origem extrassolar, capturado pelo campo gravitacional de J\u00fapiter no final da \u00e9poca de forma\u00e7\u00e3o dos planetas. Um estudo baseado em robusta simula\u00e7\u00e3o computacional corroborou agora essa hip\u00f3tese. Artigo a respeito foi publicado no\u00a0<b><i>Monthly Notices of the Royal Astronomical Society: Letters<\/i><\/b>.<\/p>\n<p><b>Maria Helena Moreira Morais<\/b>, professora do Instituto de Geoci\u00eancias e Ci\u00eancias Exatas da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Rio Claro, e coautora do artigo com Fathi Namouni do Observatoire de la C\u00f4te d\u2019Azur (Fran\u00e7a), teve sua participa\u00e7\u00e3o no estudo apoiada pela FAPESP por meio do projeto \u201c<b>T\u00f3picos de din\u00e2mica orbital e m\u00e9todos de aprendizagem de m\u00e1quinas para an\u00e1lise de dados de sistemas planet\u00e1rios<\/b>\u201d.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s j\u00e1 hav\u00edamos constru\u00eddo uma teoria que explica o movimento desse asteroide. E, em 2017, publicamos um artigo a respeito na revista\u00a0<b><i>Nature<\/i><\/b><i>\u00a0<\/i>(<i>leia mais em\u00a0<\/i><b><i>http:\/\/agencia.fapesp.br\/25166\/<\/i><\/b>).<\/p>\n<p>\u201cPara tentar compreender a origem do objeto, fizemos depois simula\u00e7\u00f5es em larga escala, que resultaram no novo artigo que saiu agora na\u00a0<i>Monthly Notices of the Royal Astronomical Society: Letters<\/i>\u201d, disse Morais \u00e0\u00a0<b>Ag\u00eancia FAPESP<\/b>.<\/p>\n<p>A necessidade da simula\u00e7\u00e3o em larga escala se deve a dois fatores: primeiro, \u00e0 margem de erro nas observa\u00e7\u00f5es astron\u00f4micas relativas \u00e0s \u00f3rbitas dos corpos celestes; segundo, ao fato de que a intera\u00e7\u00e3o gravitacional com os planetas do Sistema Solar introduz nos movimentos um componente ca\u00f3tico, de forma que uma diferen\u00e7a muito pequena nas condi\u00e7\u00f5es iniciais pode resultar em diferen\u00e7as enormes ao cabo de bilh\u00f5es de anos.<\/p>\n<p>\u201cPara superar esses problemas, tivemos que fazer um estudo estat\u00edstico muito pesado, simulando um milh\u00e3o de \u00f3rbitas. Estudos nessa escala nunca haviam sido feito antes. Geralmente, as simula\u00e7\u00f5es consideram, no m\u00e1ximo, mil possibilidades\u201d, disse a pesquisadora.<\/p>\n<p>As simula\u00e7\u00f5es inclu\u00edram o efeito gravitacional dos planetas e tamb\u00e9m o efeito gravitacional da Gal\u00e1xia, porque, para objetos afastados do Sol, esse componente se torna relevante. E permitiram retra\u00e7ar a trajet\u00f3ria de (514107) 2015 BZ509 h\u00e1 4,5 bilh\u00f5es \u2013 \u00e9poca correspondente ao final da fase de forma\u00e7\u00e3o dos planetas. Verificou-se que sua \u00f3rbita permaneceu est\u00e1vel desde ent\u00e3o, dentro dos limites da margem de erro.<\/p>\n<p>Isso permitiu diferenciar claramente o (514107) 2015 BZ509 de outros asteroides em \u00f3rbitas retr\u00f3gradas, pertencentes ao grupo dos Centauros. Estes s\u00e3o asteroides comuns que foram arremessados para os confins do Sistema Solar, para a regi\u00e3o denominada Nuvem de Oort, devido \u00e0 instabilidade gravitacional provocada pelo r\u00e1pido crescimento dos planetas gigantes.<\/p>\n<p>As trajet\u00f3rias desses Centauros tinham inicialmente o mesmo sentido das trajet\u00f3rias dos demais corpos do Sistema Solar. Mas, devido \u00e0 extrema dist\u00e2ncia em rela\u00e7\u00e3o ao Sol, passaram a sofrer relevante influ\u00eancia gravitacional da Gal\u00e1xia, que alterou seu movimento, fazendo com que alguns deles se tornassem retr\u00f3grados. Esse processo demorou cerca de 1 bilh\u00e3o de anos. Depois, alguns Centauros foram puxados de volta para a regi\u00e3o de influ\u00eancia dos planetas gigantes.<\/p>\n<p>O estudo estat\u00edstico mostrou que nada disso ocorreu com o (514107) 2015 BZ509. Ele ocupa estavelmente a faixa correspondente \u00e0 \u00f3rbita de J\u00fapiter h\u00e1 pelo menos 4,5 bilh\u00f5es de anos. \u00c9 um coorbital retr\u00f3grado de J\u00fapiter.<\/p>\n<p>\u201cA conclus\u00e3o que se imp\u00f5e \u00e9 que esse asteroide n\u00e3o se originou no Sistema Solar. Ele deve ter-se desgarrado do sistema de uma estrela vizinha e sido capturado pelo poderoso campo gravitacional de J\u00fapiter. \u00c9 o sincronismo com J\u00fapiter que confere estabilidade \u00e0 sua \u00f3rbita\u201d, disse Morais.<\/p>\n<p><b>Oumuamua, um asteroide extrassolar<\/b><\/p>\n<p>A migra\u00e7\u00e3o de objetos de um sistema para outro n\u00e3o \u00e9 imposs\u00edvel. O Sol formou-se em conjunto com outras estrelas num ber\u00e7\u00e1rio estelar e assim a densidade de estrelas nas vizinhan\u00e7as do Sol no passado era maior do que hoje. As estrelas vizinhas afastaram-se posteriormente. Estudos recentes mostram que a pr\u00f3pria nuvem de Oort pode ser constitu\u00edda em parte por objetos capturados de outras estrelas na inf\u00e2ncia do Sistema Solar.<\/p>\n<p>\u201cNo fim de 2017, nosso sistema foi visitado por outro asteroide extrassolar, o Oumuamua [cujo nome significa \u201cmensageiro de longe que chega primeiro\u201d em havaiano]. Mas veio com tanta velocidade que a atra\u00e7\u00e3o do Sol provocou em sua trajet\u00f3ria apenas um pequeno encurvamento, tornando-a hiperb\u00f3lica. Precisaria ter vindo com menos velocidade para que a trajet\u00f3ria se tornasse el\u00edptica e fosse assim capturado pelo Sistema Solar\u201d, disse Morais.<\/p>\n<p>O estudo do (514107) 2015 BZ509 n\u00e3o se encerrou. De fato, est\u00e1 apenas come\u00e7ando. Esse objeto \u00e9 testemunha da inf\u00e2ncia do Sistema Solar. E poder\u00e1 fornecer informa\u00e7\u00f5es preciosas sobre o ambiente existente nas cercanias do Sol quando o Sistema se formou.<\/p>\n<p>\u201cTalvez possamos avan\u00e7ar ainda mais, se conseguirmos determinar sua composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica. Dado que os sistemas estelares t\u00eam composi\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas distintas, asteroides imigrantes, como o (514107) 2015 BZ509, podem ter enriquecido o Sistema Solar com elementos que n\u00e3o existiam aqui originalmente. E, assim, possivelmente contribu\u00eddo para o surgimento da vida na Terra\u201d, disse Morais.<\/p>\n<p>O artigo\u00a0<i>An interstellar origin for Jupiter\u2019s retrograde co-orbital asteroid<\/i>\u00a0(doi:10.1093\/mnrasl\/sly057), de F. Namouni e M. H. M. Morais, est\u00e1 dispon\u00edvel em\u00a0<b>https:\/\/academic.oup.com\/mnrasl\/article-abstract\/477\/1\/L117\/4996014?redirectedFrom=fulltext<\/b>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Sistema Solar \u00e9 muito mais vasto e complexo do que usualmente se sup\u00f5e. 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