{"id":85355,"date":"2018-05-20T10:20:56","date_gmt":"2018-05-20T13:20:56","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=85355"},"modified":"2018-05-20T10:21:27","modified_gmt":"2018-05-20T13:21:27","slug":"peixe-resiste-ao-aquecimento-do-oceano-com-uma-ajudinha-de-lamarck","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/peixe-resiste-ao-aquecimento-do-oceano-com-uma-ajudinha-de-lamarck\/","title":{"rendered":"Peixe resiste ao aquecimento do oceano, com uma ajudinha de Lamarck"},"content":{"rendered":"<article id=\"post-8372\" class=\"post-8372 post type-post status-publish format-standard has-post-thumbnail hentry category-aquecimento-global category-ciencia-e-tecnologia category-slider category-educacao\">\n<div class=\"post-content\">\n<div class=\"entry-content\">\n<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/peixe-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-85356\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/peixe-1-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/peixe-1-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/peixe-1.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Cientistas australianos descobriram que uma esp\u00e9cie de peixe que habita recifes de coral \u00e9 capaz de se adaptar ao aquecimento global, contando para isso com uma ajuda inesperada: a do naturalista franc\u00eas Jean-Baptiste de Lamarck (1744-1829), o pai da teoria \u201cerrada\u201d da evolu\u00e7\u00e3o. O bicho \u00e9 capaz de transmitir a aclimata\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00e1gua quente a seus descendentes.<\/p>\n<p>Crian\u00e7as e adolescentes em idade escolar conhecem Lamarck como o sujeito que prop\u00f4s que as esp\u00e9cies evoluem ao passar aos seus descendentes caracter\u00edsticas adquiridas em vida. No exemplo mais famoso, as girafas teriam pesco\u00e7o grande porque seus ancestrais precisavam se esticar cada vez mais para alcan\u00e7ar a comida no alto das \u00e1rvores.<\/p>\n<p>Hoje, gra\u00e7as ao conhecimento da gen\u00e9tica, sabe-se que a evolu\u00e7\u00e3o ocorre pela sele\u00e7\u00e3o de muta\u00e7\u00f5es aleat\u00f3rias no DNA que confiram alguma vantagem a seus portadores. Girafas ancestrais que calhassem de ter nascido com o pesco\u00e7o maior podiam alcan\u00e7ar comida de melhor qualidade, tinham mais filhotes e espalhavam seus genes na popula\u00e7\u00e3o. A express\u00e3o \u201clamarckismo\u201d virou sin\u00f4nimo de engano, e o pobre naturalista tornou-se motivo de piada no mundo todo (exceto na Fran\u00e7a).<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone wp-image-8375\" src=\"http:\/\/www.neomondo.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/girafa.jpg\" alt=\"girafa\" width=\"639\" height=\"308\" \/><\/p>\n<p>Nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas, por\u00e9m, diversas pesquisas t\u00eam vingado a mem\u00f3ria de Lamarck e indicado que, sob certas circunst\u00e2ncias, caracter\u00edsticas adquiridas podem, sim, ser herdadas. O caso mais recente parece ser o do peixinho\u00a0<em>Acanthochromis polycantus<\/em>, um habitante dos recifes de coral dos oceanos Pac\u00edfico e \u00cdndico. A esp\u00e9cie possui a capacidade de se aclimatar a \u00e1guas at\u00e9 3<sup>o<\/sup>C mais quentes que seu habitat normal e de transmitir essa capacidade ao DNA de seus filhotes.<\/p>\n<p>Um grupo liderado por Philip Munday, da Universidade James Cook, na Austr\u00e1lia, estudou o bicho em condi\u00e7\u00f5es anormais de temperatura e descobriu que expor uma gera\u00e7\u00e3o ao calor adicional mexe na ativa\u00e7\u00e3o genes ligados \u00e0 resist\u00eancia ao calor nos seus descendentes. S\u00e3o trechos de DNA correlacionados a uso de oxig\u00eanio, angiog\u00eanese (forma\u00e7\u00e3o de vasos sangu\u00edneos), atividade energ\u00e9tica das c\u00e9lulas e produ\u00e7\u00e3o de insulina.<\/p>\n<p>Isso ocorre devido \u00e0s chamadas mudan\u00e7as epigen\u00e9ticas. N\u00e3o se trata de altera\u00e7\u00f5es no DNA em si, mas do acr\u00e9scimo de mol\u00e9culas que impedem o maquin\u00e1rio da c\u00e9lula de \u201cler\u201d corretamente as instru\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas na hora da divis\u00e3o celular. Essas mol\u00e9culas, chamadas radicais de metila (CH<sub>3<\/sub><sup>\u2013<\/sup>), desligam alguns genes e mant\u00eam outros ligados. Como isso ocorre ainda \u00e9 um mist\u00e9rio.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone wp-image-8376\" src=\"http:\/\/www.neomondo.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/dna.jpg\" alt=\"dna\" width=\"640\" height=\"320\" \/><\/p>\n<p>Munday e colegas analisaram o mapa completo de transcri\u00e7\u00e3o do DNA (o chamado \u201ctranscritoma\u201d) de peixes-donzela expostos a incrementos radicais ou graduais de temperatura e detectaram mais de 2.400 metila\u00e7\u00f5es em 193 genes envolvidos com a aclimata\u00e7\u00e3o. Filhotes de pais que viviam em \u00e1gua 3\u00baC mais quente lidavam melhor com a temperatura, minimizando o consumo de oxig\u00eanio e usando energia de forma mais eficiente. O estudo foi publicado no peri\u00f3dico\u00a0<em>Nature Climate Change<\/em>.<\/p>\n<p>\u201cEsta \u00e9 a \u00fanica esp\u00e9cie na qual esses mecanismos foram testados at\u00e9 agora, mas parece prov\u00e1vel que eles ocorram em outras\u201d, afirmou Mundy ao OC.<\/p>\n<p>Num oceano no qual ondas de calor como a que causou a mortandade em massa de corais na Austr\u00e1lia em 2016 est\u00e3o 34% mais prov\u00e1veis desde o s\u00e9culo 20, essa plasticidade de esp\u00e9cies de peixe parece uma boa not\u00edcia. Mas o pesquisador australiano recomenda esfriar os \u00e2nimos.<\/p>\n<p>\u201cOs corais s\u00e3o muito mais sens\u00edveis termicamente do que os peixes, e n\u00f3s j\u00e1 estamos observado mudan\u00e7as completas nas comunidades coralinas da Grande Barreira\u201d, afirmou. \u201cPortanto, embora alguns peixes possam conseguir se aclimatar ao aquecimento, suas popula\u00e7\u00f5es mesmo assim podem estar em risco devido \u00e0 perda de habitat.\u201d\u00ad<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone wp-image-8374\" src=\"http:\/\/www.neomondo.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/tartaruga.jpg\" sizes=\"(max-width: 1969px) 100vw, 1969px\" srcset=\"http:\/\/www.neomondo.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/tartaruga.jpg 1969w, http:\/\/www.neomondo.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/tartaruga-768x461.jpg 768w\" alt=\"tartaruga\" width=\"639\" height=\"383\" \/><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/article>\n<nav class=\"navigation post-navigation\">\n<h2 class=\"screen-reader-text\"><\/h2>\n<div class=\"nav-links\"><\/div>\n<\/nav>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cientistas australianos descobriram que uma esp\u00e9cie de peixe que habita recifes de coral \u00e9 capaz<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":85356,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/peixe-1.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/peixe-1-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/peixe-1-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/peixe-1.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/peixe-1.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/peixe-1.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/peixe-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/peixe-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/peixe-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/peixe-1.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Cientistas australianos descobriram que uma esp\u00e9cie de peixe que habita recifes de coral \u00e9 capaz","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/85355"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=85355"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/85355\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/85356"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=85355"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=85355"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=85355"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}