{"id":85287,"date":"2018-05-19T22:04:10","date_gmt":"2018-05-20T01:04:10","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=85287"},"modified":"2018-05-19T22:04:10","modified_gmt":"2018-05-20T01:04:10","slug":"uma-em-cada-oito-especies-de-passaros-esta-ameacada-de-extincao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/uma-em-cada-oito-especies-de-passaros-esta-ameacada-de-extincao\/","title":{"rendered":"Uma em cada oito esp\u00e9cies de p\u00e1ssaros est\u00e1 amea\u00e7ada de extin\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/ogimg.infoglobo.com.br\/in\/22619710-9f5-61a\/FT1086A\/420\/INFOCHPDPICT000035522193.jpg\" width=\"637\" height=\"383\" \/><\/p>\n<p>O\u00a0<strong>dod\u00f4<\/strong>\u00a0talvez seja o mais conhecido exemplo de p\u00e1ssaro que desapareceu do planeta devido \u00e0 a\u00e7\u00e3o humana, mas o n\u00famero de esp\u00e9cies extintas ou em vias de extin\u00e7\u00e3o \u00e9 imenso. De acordo com o relat\u00f3rio \u201c<strong>State of the World\u2019s Birds<\/strong>\u201d, divulgado pela ONG BirdLife International, indica que\u00a0<strong>uma em cada oito esp\u00e9cies est\u00e1 amea\u00e7ada<\/strong>. S\u00e3o\u00a0<strong>1.469 aves em perigo<\/strong>, segundo a Lista Vermelha da Uni\u00e3o Internacional para a Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza, sendo\u00a0<strong>222 em situa\u00e7\u00e3o cr\u00edtica<\/strong>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A estimativa \u00e9 que nos \u00faltimos 500 anos 183 aves desapareceram. Desde a virada do s\u00e9culo, tr\u00eas esp\u00e9cies desapareceram na natureza: a ararinha azul, que vivia no norte da Bahia e agora s\u00f3 existe em cativeiro; o corvo do Hava\u00ed, que era encontrado nas matas dos vulc\u00f5es Mauna Loa e Hual\u0101lai; e o Po\u2019ouli, que vivia na ilha de Maui, tamb\u00e9m no Hava\u00ed, e foi considerado extinto em 2004, ap\u00f3s a morte do \u00faltimo casal em cativeiro.<\/p>\n<p>\u2014 A gente acha que extin\u00e7\u00e3o \u00e9 s\u00f3 para os dinossauros, mas est\u00e1 acontecendo agora, na nossa cara \u2014 alertou Pedro Develey, diretor executivo da ONG Save Brasil, bra\u00e7o da BirdLife International. \u2014 Para a ararinha azul ainda h\u00e1 esperan\u00e7a: existem indiv\u00edduos criados em cativeiro que poder\u00e3o ser reintroduzidos na natureza.<\/p>\n<p>A ca\u00e7a para abastecer o mercado ilegal de animais \u00e9 a amea\u00e7a mais conhecida aos p\u00e1ssaros silvestres, mas est\u00e1 longe de ser a principal. Das 1.469 esp\u00e9cies em risco de extin\u00e7\u00e3o, 74%, ou 1.091, est\u00e3o em perigo por causa do avan\u00e7o da agricultura. A segunda maior amea\u00e7a \u00e9 a explora\u00e7\u00e3o madeireira (50%, ou 734), seguida pela introdu\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies invasivas (39%, ou 578) e, enfim, pela ca\u00e7a e captura (35%, ou 517). As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas s\u00e3o uma amea\u00e7a crescente, colocando em risco a exist\u00eancia de 485 esp\u00e9cies, 28% do total de aves amea\u00e7adas.<\/p>\n<div class=\"embed-social\"><\/div>\n<p>Existem no mundo 10.966 esp\u00e9cies de p\u00e1ssaros conhecidas e ao menos 40% delas (3.967) t\u00eam suas popula\u00e7\u00f5es sendo reduzidas. Das 1.469 esp\u00e9cies em risco, 222 s\u00e3o classificadas como em perigo cr\u00edtico, 461 s\u00e3o amea\u00e7adas e 786, vulner\u00e1veis. Existem ainda 1.017 esp\u00e9cies quase amea\u00e7adas.<\/p>\n<p>\u2014 Cada vez que realizamos essa avalia\u00e7\u00e3o, vemos mais esp\u00e9cies em risco de extin\u00e7\u00e3o. A situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 se deteriorando e a velocidade, se intensificando \u2014 disse ao \u201cGuardian\u201d Tris Allinson, diretor cient\u00edfico da BirdLife International. \u2014 As esp\u00e9cies em risco de extin\u00e7\u00e3o antes viviam no topo de montanhas ou em ilhas remotas, como o pombo cor de rosa da Ilha Maur\u00edcio. Agora vemos esp\u00e9cies que eram disseminadas e familiares, como o papagaio do mar, sob amea\u00e7a de extin\u00e7\u00e3o global.<\/p>\n<div class=\"foto\">\n<figure><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/ogimg.infoglobo.com.br\/in\/22619711-636-1d3\/FT1086A\/420\/INFOCHPDPICT000034605357.jpg\" width=\"640\" height=\"384\" \/><figcaption>Antes abundante, o papagaio do mar entrou para a lista de aves amea\u00e7adas\u00a0<b>&#8211; Robert F. Bukaty \/ AP Photo<\/b><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Al\u00e9m da destrui\u00e7\u00e3o do habitat, o avan\u00e7o da agricultura est\u00e1 envenenando os p\u00e1ssaros. O relat\u00f3rio destaca o caso do tico-tico de coroa branca (<em>Zonotrichia leucophrys<\/em>), que vive no Canad\u00e1, nos EUA e em alguns pa\u00edses europeus, em regi\u00f5es agr\u00edcolas, onde se beneficia da fartura de gr\u00e3os e da disponibilidade de \u00e1gua. Mas existem evid\u00eancias de que esses pequenos p\u00e1ssaros est\u00e3o sendo envenenados pelos inseticidas neonicotinoides usados nas planta\u00e7\u00f5es. Os animais contaminados perdem at\u00e9 um quarto da massa corporal e perdem a orienta\u00e7\u00e3o migrat\u00f3ria.<\/p>\n<div id=\"pub-retangulo-2\" class=\"arroba publicidade clearfix\" data-google-query-id=\"CIDn45yLk9sCFYgXhgodoYcAPA\"><\/div>\n<p>O estudo tamb\u00e9m chama aten\u00e7\u00e3o para o efeito \u201ccatastr\u00f3fica\u201d das esp\u00e9cies invasivas. Nos \u00faltimos cinco s\u00e9culos, animais ex\u00f3ticos a uma determinada regi\u00e3o foram respons\u00e1veis, ao menos em parte, pelo desaparecimento de 122 esp\u00e9cies de p\u00e1ssaros, sendo o principal fator para extin\u00e7\u00f5es recentes. Os animais invasores que mais amea\u00e7am as aves s\u00e3o os ratos e outros roedores (que causam impacto em 250 esp\u00e9cies), os gatos (202) e os c\u00e3es (79) dom\u00e9sticos.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 particularmente cr\u00edtica em ilhas isoladas, onde aves evolu\u00edram ao longo de milhares de anos com n\u00famero limitado de competidores e predadores. Existem 390 ilhas com popula\u00e7\u00f5es de um ou mais p\u00e1ssaros amea\u00e7ados e um ou mais vertebrados invasores que os amea\u00e7am.<\/p>\n<p>As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, que muitos projetam para o futuro, j\u00e1 est\u00e3o afetando as aves. Um estudo recente com 570 esp\u00e9cies mostrou que 24% delas estavam sendo impactadas negativamente pelo caos clim\u00e1tico. Os efeitos em larga escala e longo prazo s\u00e3o desconhecidos, mas j\u00e1 foi detectada a tend\u00eancia de avan\u00e7o de p\u00e1ssaros de clima quente para regi\u00f5es historicamente frias, levando competi\u00e7\u00e3o, pondo em risco as esp\u00e9cies nativas.<\/p>\n<p><strong>BRASIL \u00c9 O PA\u00cdS COM MAIS AVES EM RISCO<\/strong><\/p>\n<p>Com grandes \u00e1reas florestais, o Brasil \u00e9 o terceiro pa\u00eds com maior biodiversidade de p\u00e1ssaros, com 1.811 esp\u00e9cies catalogadas, sendo 252 end\u00eamicas. Por outro lado, o pa\u00eds concentra o maior n\u00famero aves em risco, com 169 esp\u00e9cies, sendo 22 em perigo cr\u00edtico ou j\u00e1 extintas na natureza. O governo brasileiro j\u00e1 declarou extintas tr\u00eas delas: o limpa-folha do nordeste (<em>Philydor novaesi<\/em>), o gritador do nordeste (<em>Cichlocolaptes mazarbarnetti<\/em>) e a corujinha cabur\u00e9-de-pernambuco (<em>Glaucidium mooreorum<\/em>), mas a BirdLife ainda as classifica como em perigo cr\u00edtico.<\/p>\n<p>\u2014 O problema \u00e9 a Mata Atl\u00e2ntica \u2014 explicou Pedro Develey, diretor executivo da ONG Save Brasil, bra\u00e7o da BirdLife International. \u2014 Cerca de 40% das aves amea\u00e7adas no pa\u00eds s\u00e3o end\u00eamicas da Mata Atl\u00e2ntica, o bioma brasileiro mais degradado. Restam apenas 11% das florestas nativas. E se a gente perde a mata, as esp\u00e9cies animais e vegetais v\u00e3o junto.<\/p>\n<div class=\"foto\">\n<figure><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/ogimg.infoglobo.com.br\/in\/22619722-412-ed9\/FT1086A\/420\/Columbina_cyanopis_PedroDeveley2.JPG\" width=\"640\" height=\"384\" \/><figcaption>Existem 11 exemplares da rolinha do planalto numa reserva particular mantida pela Save Brasil<b>\u00a0&#8211; Pedro Develey<\/b><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 mais urgente na Mata Atl\u00e2ntica do Nordeste, onde os peda\u00e7os de floresta restantes est\u00e3o retalhados em pequenas \u201cilhas\u201d, o que dificulta a expans\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es e as torna vulner\u00e1veis. \u00c9 l\u00e1 que viviam a corujinha cabur\u00e9, o limpa-folha e o gritador do nordeste. A choquinha de alagoas (<em>Myrmotherula snowi<\/em>) \u00e9 outra ave do mesmo bioma extremamente amea\u00e7ada de desaparecer. Segundo Develey, existem cerca de 40 exemplares vivendo numa reserva particular em Murici, Alagoas.<\/p>\n<p>O diretor da Save Brasil aponta outras duas esp\u00e9cies em situa\u00e7\u00e3o cr\u00edtica: o entufado baiano (Merulaxis stresemanni) e a rolinha do planalto (<em>Columbina cyanopis<\/em>), sendo a \u00faltima redescoberta em 2016, ap\u00f3s 75 anos sem ser avistada. No in\u00edcio do ano, a ONG, em parceria com a Rainforest Trust, adquiriu uma \u00e1rea de 593 hectares onde o animal foi visto para a cria\u00e7\u00e3o de uma reserva particular.<\/p>\n<p>\u2014 Encontraram uma pequena popula\u00e7\u00e3o na Cadeia do Espinha\u00e7o, em Minas Gerais, e n\u00f3s conseguimos criar uma reserva nessa \u00e1rea. S\u00e3o os \u00faltimos 11 indiv\u00edduos conhecidos da esp\u00e9cie, mas agora eles t\u00eam maiores chances de sobreviver \u2014 disse Develey. \u2014 N\u00f3s ainda vamos perder algumas esp\u00e9cies, mas temos tempo para salvar grande parte da nossa biodiversidade. N\u00f3s sabemos o que temos que fazer.<\/p>\n<div id=\"pub-retangulo-3\" class=\"arroba publicidade clearfix\" data-google-query-id=\"CNSb9ZyLk9sCFQYNhgoduaIAgw\"><\/div>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o e o progn\u00f3stico n\u00e3o s\u00e3o positivos, mas os esfor\u00e7os de conserva\u00e7\u00e3o devem ser celebrados. O documento destaca que desde a virada do s\u00e9culo 25 esp\u00e9cies foram removidas da lista de perigo cr\u00edtico gra\u00e7as a programas de prote\u00e7\u00e3o. A receita envolve a prote\u00e7\u00e3o de habitats existentes, recupera\u00e7\u00e3o de \u00e1reas degradadas, controle de esp\u00e9cies invasoras e a\u00e7\u00f5es direcionadas para a esp\u00e9cie amea\u00e7ada. Em casos extremos, programas de reprodu\u00e7\u00e3o em cativeiro podem reintroduzir esp\u00e9cimes na natureza.<\/p>\n<p>\u2014 Tudo \u00e9 revers\u00edvel porque, infelizmente, \u00e9 provocado pela Humanidade \u2014 disse Allinson. \u2014 Uma coisa \u00e9 trabalhar no \u00faltimo minuto para salvar uma esp\u00e9cie em particular e traz\u00ea-la de volta, mas o que precisamos \u00e9 de solu\u00e7\u00f5es em larga escala para a intensifica\u00e7\u00e3o e expans\u00e3o agr\u00edcola em particular, a maior amea\u00e7a para as aves.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O\u00a0dod\u00f4\u00a0talvez seja o mais conhecido exemplo de p\u00e1ssaro que desapareceu do planeta devido \u00e0 a\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"O\u00a0dod\u00f4\u00a0talvez seja o mais conhecido exemplo de p\u00e1ssaro que desapareceu do planeta devido \u00e0 a\u00e7\u00e3o","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/85287"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=85287"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/85287\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=85287"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=85287"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=85287"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}