{"id":85025,"date":"2018-05-16T08:00:12","date_gmt":"2018-05-16T11:00:12","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=85025"},"modified":"2018-05-16T08:10:31","modified_gmt":"2018-05-16T11:10:31","slug":"projeto-global-quer-instalar-sonar-em-veleiros-e-navios-de-carga-para-mapeamento-completo-do-fundo-do-oceano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/projeto-global-quer-instalar-sonar-em-veleiros-e-navios-de-carga-para-mapeamento-completo-do-fundo-do-oceano\/","title":{"rendered":"Projeto global quer instalar sonar em veleiros e navios de carga para mapeamento do oceano"},"content":{"rendered":"<p class=\"story-body__introduction\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/oceano.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-85026\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/oceano-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/oceano-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/oceano.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Ge\u00f3logos mapearam cadeias montanhosas, desertos e florestas. Astr\u00f4nomos desbravaram o c\u00e9u. Mas os oceanos do planeta continuam em grande parte inexplorados. H\u00e1 quem diga que conhecemos melhor a Lua ou at\u00e9 mesmo Marte do que nosso pr\u00f3prio fundo do mar.<\/p>\n<p>O terreno marinho desempenha um papel fundamental no ecossistema. Relevos e vales submersos determinam padr\u00f5es clim\u00e1ticos e correntes mar\u00edtimas; a topografia do oceano influencia o manejo da pesca, que alimenta milh\u00f5es de pessoas; quil\u00f4metros de cabos subaqu\u00e1ticos conectam bilh\u00f5es de indiv\u00edduos \u00e0 internet; montes submarinos oferecem prote\u00e7\u00e3o contra amea\u00e7as costeiras, como poss\u00edveis furac\u00f5es ou tsunamis, e podem at\u00e9 dar pistas sobre a movimenta\u00e7\u00e3o pr\u00e9-hist\u00f3rica dos continentes ao sul do planeta.<\/p>\n<p>Em 2017, uma equipe internacional formada por especialistas de diversas partes do mundo deu o pontap\u00e9 inicial para elaborar um mapa completo de todos os oceanos, como parte do projeto sem fins lucrativos Gr\u00e1fico Batim\u00e9trico Geral dos Oceanos (Gebco, na sigla em ingl\u00eas).<\/p>\n<p>Enquanto os primeiros ocean\u00f3grafos se esfor\u00e7avam para vasculhar o fundo dos oceanos de n\u00f3 (1 milha n\u00e1utica &#8211; 1,852 km &#8211; por hora) em n\u00f3, os avan\u00e7os recentes na tecnologia sonar permitem que uma \u00fanica embarca\u00e7\u00e3o forne\u00e7a milhares de quil\u00f4metros quadrados de mapas de alta resolu\u00e7\u00e3o durante uma \u00fanica expedi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/91C6\/production\/_100981373_2.jpg\" alt=\"Fundo do mar\" width=\"640\" height=\"360\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">GETTY IMAGES<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Imaginamos o fundo do mar como uma superf\u00edcie plana e arenosa, mas a realidade \u00e9 muito diferente<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Mas as t\u00e3o esperadas descobertas subaqu\u00e1ticas n\u00e3o s\u00e3o apenas de interesse dos cart\u00f3grafos ou pesquisadores marinhos. Muito abaixo da superf\u00edcie do oceano h\u00e1 um tesouro enterrado: metais preciosos, elementos de terras-raras, petr\u00f3leo e diamantes &#8211; riquezas que at\u00e9 hoje s\u00e3o inacess\u00edveis, inclusive para os exploradores mais obstinados.<\/p>\n<p>Alguns ambientalistas temem que a cria\u00e7\u00e3o do mapa permita \u00e0s ind\u00fastrias extrativas lucrar com esses recursos naturais, colocando em risco habitats marinhos e comunidades costeiras.<\/p>\n<p>Um mapa batim\u00e9trico global &#8211; isto \u00e9, um levantamento completo do fundo do oceano &#8211; certamente oferecer\u00e1 uma compreens\u00e3o melhor do nosso Planeta Azul, mas tamb\u00e9m pode nos levar a um universo outrora reservado \u00e0 fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica: rob\u00f4s submarinos, vulc\u00f5es subaqu\u00e1ticos, joias marinhas, corais com propriedades farmac\u00eauticas, plumas de sedimentos t\u00f3xicos e empreendimentos oce\u00e2nicos desprovidos de seres humanos ou embarca\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o \u00e9: uma vez que o mapa estiver pronto, ser\u00e1 que ele vai ser usado como uma ferramenta em prol da conserva\u00e7\u00e3o e do gerenciamento respons\u00e1vel? Ou como um &#8220;mapa do tesouro&#8221;, funcionando como um guia para explora\u00e7\u00e3o e extra\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Apenas 15% do oceano do planeta \u00e9 mapeado. Basta acessar o Google Earth e dar um zoom no meio do Pac\u00edfico, por exemplo. Voc\u00ea vai encontrar uma representa\u00e7\u00e3o do fundo do mar com base na batimetria por sat\u00e9lite e derivada da gravidade: de baixa resolu\u00e7\u00e3o, indireta e muitas vezes imprecisa. Considerando que mapeamos o Sistema Solar e o genoma humano, \u00e9 surpreendente que n\u00e3o haja nenhum levantamento do fundo do mar. Mas a raz\u00e3o \u00e9 simples: os oceanos s\u00e3o vastos, profundos e praticamente impenetr\u00e1veis &#8211; a \u00e1gua fica literalmente no caminho dos pesquisadores.<\/p>\n<p>Durante s\u00e9culos, mapear as profundezas do oceano significava enfrentar o alto mar, pendurar linhas de prumo na lateral do navio (para determinar a profundidade) e depois tra\u00e7ar as descobertas essenciais em mapas cartogr\u00e1ficos. Os marinheiros transformaram seus levantamentos em mapas j\u00e1 no s\u00e9culo 16, mas naquela \u00e9poca n\u00e3o existiam padr\u00f5es internacionais para terminologias ou escalas, o que significa que os primeiros mapas n\u00e3o eram apenas ferramentas rudimentares de navega\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m confusos e contradit\u00f3rios.<\/p>\n<p>S\u00f3 a partir da virada do s\u00e9culo 20, \u00e9poca marcada pelo crescente interesse no mundo natural, que um grupo de ge\u00f3grafos se reuniu sob a lideran\u00e7a do pr\u00edncipe Albert 1\u00ba, de M\u00f4naco, para criar os primeiros gr\u00e1ficos internacionais do oceano &#8211; que, mais tarde, dariam origem ao Gebco. O pr\u00edncipe estava fascinado pela relativamente nova ci\u00eancia da oceanografia e encomendou quatro iates de pesquisa para explorar o Mediterr\u00e2neo.<\/p>\n<p>Mais de 100 anos depois, o Gebco e a Nippon Foundation anunciaram formalmente o lan\u00e7amento do Seabed 2030, projeto colaborativo que tem como objetivo mapear todo o fundo do mar at\u00e9 2030. A ideia \u00e9 usar dados coletados de embarca\u00e7\u00f5es ao redor do mundo &#8211; incluindo levantamentos das primeiras expedi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/0244\/production\/_101208500_b42ec626-2c42-494b-9276-746c368ba942.jpg\" alt=\"Fundo do mar\" width=\"640\" height=\"360\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Algumas \u00e1reas do fundo do oceano apresentam intensa atividade vulc\u00e2nica | Foto: Science Photo Library<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Os navios modernos, como os usados na empreitada, s\u00e3o equipados atualmente com &#8211; sistema sonar que emite ondas sonoras em forma de leque sob o casco da embarca\u00e7\u00e3o. Cada feixe sonar mede o tempo que leva para um sinal atingir o fundo do mar e retornar \u00e0 superf\u00edcie, calculando assim a profundidade da \u00e1gua, que pode ser marcada como uma coordenada em uma matriz de dados batim\u00e9tricos.<\/p>\n<p>&#8220;Os m\u00faltiplos feixes ampliam a \u00e1rea do mapa e nos oferecem uma cobertura maior&#8221;, explica Vicki Ferrini, presidente do subcomit\u00ea do Gebco para mapeamento submarino.<\/p>\n<p>A maioria dos navios j\u00e1 conta com a tecnologia sonar para identificar obst\u00e1culos e navegar, mas as embarca\u00e7\u00f5es com multifeixes aumentam consideravelmente a \u00e1rea do fundo do mar que os pesquisadores podem rastrear.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 como aparar a grama com um cortador motorizado em vez de usar um equipamento manual&#8221;, compara Ferrini.<\/p>\n<p>Parte do problema, no entanto, \u00e9 que as &#8220;vias&#8221; mar\u00edtimas s\u00e3o muito parecidas com as rodovias: certos trechos possuem tr\u00e1fego intenso, enquanto outros sequer t\u00eam rotas. Ou seja, grandes extens\u00f5es do oceano n\u00e3o contam com um fluxo regular de embarca\u00e7\u00f5es. Um navio que faz a rota Hava\u00ed &#8211; Jap\u00e3o, por exemplo, oferece dados valiosos sobre o trajeto, mas miss\u00f5es planejadas para \u00e1guas mais remotas s\u00e3o igualmente importantes.<\/p>\n<p>&#8220;Um levantamento batim\u00e9trico feito com m\u00faltiplos feixes modernos vai muito al\u00e9m de apenas dirigir um navio ao redor do oceano&#8221;, diz o contra-almirante Shepard Smith, diretor do Escrit\u00f3rio de Pesquisa Costeira da Administra\u00e7\u00e3o Oce\u00e2nica e Atmosf\u00e9rica dos Estados Unidos (NOAA, em ingl\u00eas), que contribui para o Seabed 2030.<\/p>\n<p>&#8220;Os dados do sonar s\u00e3o valiosos, mas particularmente em \u00e1reas onde n\u00e3o temos nada.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;No Pac\u00edfico ou no \u00c1rtico, por exemplo, linhas de rastreamento individuais podem ser bastante \u00fateis para entender melhor as \u00e1reas mal mapeadas&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/12E06\/production\/_100981377_4.jpg\" alt=\"Ilustra\u00e7\u00e3o de embarca\u00e7\u00f5es medindo profundidade do mar\" width=\"638\" height=\"359\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">GETTY IMAGES<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Primeiros mapas n\u00e3o eram apenas ferramentas rudimentares de navega\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m confusos e contradit\u00f3rios<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>O Gebco espera mitigar esse problema incentivando navios de carga, barcos de pesca e embarca\u00e7\u00f5es de lazer a participarem do projeto, transmitindo seus dados em tempo real e transformando o mapa submarino efetivamente em um\u00a0<i>crowdsourcing<\/i>\u00a0(conte\u00fado colaborativo, criado pelos usu\u00e1rios).<\/p>\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m oferece uma esp\u00e9cie de &#8220;livro de receitas&#8221;: um manual de refer\u00eancias t\u00e9cnicas sobre a constru\u00e7\u00e3o de grades batim\u00e9tricas, que pode ajudar os pa\u00edses em desenvolvimento a usar os conhecimentos compartilhados.<\/p>\n<p>Os colaboradores tamb\u00e9m s\u00e3o convidados a sugerir nomes para v\u00e1rios elementos subaqu\u00e1ticos &#8211; colinas, cumes, recifes, caldeiras e valas, para citar alguns &#8211; enviando uma carta \u00e0 Organiza\u00e7\u00e3o Hidrogr\u00e1fica Internacional, em M\u00f4naco.<\/p>\n<p>O mapa vigente est\u00e1 baseado no Data Center Oceanogr\u00e1fico Brit\u00e2nico, no Reino Unido. E pode ser acessado por meio de um aplicativo mar\u00edtimo para o sistema operacional iOS.<\/p>\n<p>&#8220;Todo mundo &#8211; de pesquisadores a formuladores de pol\u00edticas p\u00fablicas e o p\u00fablico em geral &#8211; pode acessar os dados atuais&#8221;, observa Helen Snaith, l\u00edder do Centro Global do SeaBed 2030.<\/p>\n<p>Talvez nenhuma expedi\u00e7\u00e3o moderna revele a complexidade do mapeamento dos oceanos em \u00e1guas profundas de forma mais impressionante que a busca pelo avi\u00e3o da Malaysian Airlines (MH370), desaparecido desde 2014. As investiga\u00e7\u00f5es indicam que a aeronave, que seguia em dire\u00e7\u00e3o a Pequim, caiu em uma \u00e1rea remota do Oceano \u00cdndico. A regi\u00e3o era t\u00e3o mal mapeada que as equipes de resgate tiveram que fazer um levantamento b\u00e1sico da \u00e1rea de busca antes de elaborar um mapa mais preciso com resolu\u00e7\u00e3o suficiente para detectar os destro\u00e7os.<\/p>\n<p>E, na verdade, a regi\u00e3o era profunda demais para ser explorada com o mapeamento baseado em navios. Em \u00e1guas mais rasas, rebocadores equipados com sonar s\u00e3o puxados por uma embarca\u00e7\u00e3o tripulada, mas a profundidade do Oceano \u00cdndico, o clima de mon\u00e7\u00f5es e as fortes correntes mar\u00edtimas tornam quase imposs\u00edvel a navega\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos rebocados. Ent\u00e3o, em vez disso, os peritos enviaram uma frota de ve\u00edculos subaqu\u00e1ticos aut\u00f4nomos (AUVs, na sigla em ingl\u00eas).<\/p>\n<p>Embora a rob\u00f3tica submarina ainda esteja engatinhando, as pesquisas em \u00e1guas profundas dependem cada vez mais de submarinos para vasculhar o leito marinho em busca de um mapeamento mais detalhado.<\/p>\n<p>&#8220;Os AUVs apresentam muitas vantagens&#8221;, diz James Bellingham, diretor do Instituto Woods Hole de Rob\u00f3tica Marinha, em Massachusetts, nos EUA.<\/p>\n<p>&#8220;Eles s\u00e3o mais r\u00e1pidos, fornecem inspe\u00e7\u00f5es do fundo do mar em alta resolu\u00e7\u00e3o, incluindo avalia\u00e7\u00e3o de risco, reduzem os custos iniciais de capital e proporcionam maior acesso ao oceano&#8221;, explica.<\/p>\n<p>Um sistema batim\u00e9trico de m\u00faltiplos-feixes apropriado custa muitos milh\u00f5es de d\u00f3lares e requer operadores treinados para classificar os dados, uma vez que os navios, por defini\u00e7\u00e3o, flutuam na superf\u00edcie do oceano &#8211; n\u00e3o abaixo dele.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/16196\/production\/_100981509_5.jpg\" alt=\"Mar aberto\" width=\"640\" height=\"360\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">GETTY IMAGES<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Grande parte do oceano n\u00e3o faz parte das rotas mar\u00edtimas, sendo raramente navegado<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Os AUVs, por outro lado, n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o caros e s\u00e3o idealmente adequados para grandes extens\u00f5es de \u00e1guas remotas e abertas. Pesquisadores est\u00e3o projetando atualmente novos modelos que podem ser lan\u00e7ados da terra e precisam ser alimentados apenas por baterias. \u00c9 claro que esses ativos tamb\u00e9m apresentam riscos: as baterias precisam ser recarregadas, os sistemas de navega\u00e7\u00e3o devem ser monitorados a partir de navios pr\u00f3ximos e um AUV avariado deve ser levado de volta ao porto para manuten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo Bellingham, &#8220;no futuro, um ve\u00edculo aut\u00f4nomo de superf\u00edcie poder\u00e1 rebocar ve\u00edculos subaqu\u00e1ticos&#8221;, eliminando assim os seres humanos de todos os aspectos do mapeamento no mar.<\/p>\n<p>O Oceano \u00cdndico \u00e9 conhecido, em s\u00e2nscrito, como\u00a0<i>Ratnakara<\/i>, que seria &#8220;mina de pedras preciosas&#8221;. O nome \u00e9 de fato prof\u00e9tico: entre as montanhas e vales submarinos deste long\u00ednquo oceano est\u00e3o escondidos grandes reservat\u00f3rios de recursos naturais, incluindo ligas met\u00e1licas raras, petr\u00f3leo, fontes hidrotermais e at\u00e9 diamantes. Esse tesouro subaqu\u00e1tico j\u00e1 est\u00e1 no radar comercial &#8211; e um punhado de exploradores come\u00e7ou a fazer seus pr\u00f3prios mapas de alta resolu\u00e7\u00e3o do fundo do mar.<\/p>\n<p>Segundo Ferrini, essas informa\u00e7\u00f5es podem ser valiosas para os pesquisadores. E as empresas petrol\u00edferas, mineradoras e de an\u00e1lises s\u00edsmicas podem decidir compartilhar dados reduzidos ou com resolu\u00e7\u00e3o mais baixa para o mapa do Gebco, protegendo seus interesses comerciais e acrescentando informa\u00e7\u00f5es importantes ao projeto de 2030.<\/p>\n<p>Por exemplo, o grupo De Beers, corpora\u00e7\u00e3o internacional especializada em minera\u00e7\u00e3o de diamantes, fechou uma parceria com o governo da Nam\u00edbia h\u00e1 mais de 20 anos para explorar diamantes ao longo da costa do pa\u00eds, rico em minerais. Recentemente, a companhia acrescentou \u00e0 sua frota naval v\u00e1rios AUVs &#8211; parte de um sistema de perfura\u00e7\u00e3o e minera\u00e7\u00e3o que pode vasculhar a superf\u00edcie do fundo do mar, soltar sedimentos profundos do leito marinho em busca de diamantes brutos e transport\u00e1-los por centenas de metros at\u00e9 a superf\u00edcie.<\/p>\n<p>Enquanto a minera\u00e7\u00e3o de ouro, estanho e diamantes em \u00e1guas rasas \u00e9 um empreendimento realizado h\u00e1 d\u00e9cadas, a minera\u00e7\u00e3o comercial em \u00e1guas profundas \u00e9 uma ind\u00fastria nova. E seu impacto ambiental ainda \u00e9 desconhecido. Os cientistas preveem, entre outras coisas, a degrada\u00e7\u00e3o do habitat natural, com recupera\u00e7\u00e3o lenta e incerta, vazamento qu\u00edmico nos transportes e extin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies.<\/p>\n<p>Um porta-voz da De Beers afirmou, por sua vez, que a empresa &#8220;n\u00e3o faz minera\u00e7\u00e3o em \u00e1reas consideradas com alta diversidade de vida marinha&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;A recupera\u00e7\u00e3o do leito marinho (ap\u00f3s a minera\u00e7\u00e3o) ocorre naturalmente durante um determinado tempo e \u00e9 auxiliada pelo sedimento que n\u00f3s devolvemos para o fundo do mar&#8221;, acrescentou.<\/p>\n<p>Ainda assim, os incentivos econ\u00f4micos do setor frequentemente superam as preocupa\u00e7\u00f5es com seguran\u00e7a ambiental. Metais de terras raras encontrados em \u00e1guas profundas s\u00e3o usados em tudo &#8211; de telefones celulares e DVDs a baterias recarreg\u00e1veis, \u00edm\u00e3s, mem\u00f3ria de computador e ilumina\u00e7\u00e3o fluorescente. E, como as reservas terrestres de petr\u00f3leo est\u00e3o esgotando rapidamente, a explora\u00e7\u00e3o de po\u00e7os em \u00e1guas profundas torna-se uma perspectiva cada vez mais tentadora.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/43A6\/production\/_100981371_1.jpg\" alt=\"Mapa cartogr\u00e1fico\" width=\"640\" height=\"360\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">GETTY IMAGES<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Cria\u00e7\u00e3o de mapa requer a coopera\u00e7\u00e3o de diferentes partes que t\u00eam objetivos distintos &#8211; e muitas vezes opostos<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>&#8220;\u00c9 uma corrida&#8221;, diz Bellingham.<\/p>\n<p>&#8220;Uma corrida para se chegar a uma compreens\u00e3o b\u00e1sica do nosso oceano, antes de alter\u00e1-lo dramaticamente. J\u00e1 perdemos essa corrida no \u00c1rtico: a vida marinha que vivia no gelo n\u00e3o sobrevive mais&#8221;, ressalta.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos efeitos \u00f3bvios da mudan\u00e7a clim\u00e1tica, parte das nossas \u00e1guas tamb\u00e9m se tornou v\u00edtima da &#8220;urbaniza\u00e7\u00e3o oce\u00e2nica&#8221;: o fundo do mar est\u00e1 repleto de oleodutos, cabos submarinos de fibra \u00f3ptica e espa\u00e7os para aquicultura &#8211; o que sugere que estamos ansiosos para explorar nossas \u00e1guas antes mesmo de conhec\u00ea-las adequadamente.<\/p>\n<p>Com ou sem mapa, as leis mar\u00edtimas internacionais restringem atualmente a minera\u00e7\u00e3o em \u00e1guas profundas a mais de 200 milhas da costa &#8211; dist\u00e2ncia a partir da qual os pa\u00edses n\u00e3o t\u00eam mais jurisdi\u00e7\u00e3o sobre suas \u00e1guas. A Conven\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) sobre o Direito do Mar \u00e9 o arcabou\u00e7o jur\u00eddico que define os direitos e deveres dos Estados no uso e explora\u00e7\u00e3o dos oceanos.<\/p>\n<p>O Artigo 76 da Conven\u00e7\u00e3o refere-se repetidamente \u00e0 &#8220;plataforma continental&#8221;, extens\u00f5es de terra submersas que terminam nos &#8220;abismos&#8221; oce\u00e2nicos. A lei estabelece que a vida marinha deve ser protegida e que a receita proveniente de qualquer empreendimento de minera\u00e7\u00e3o nesta regi\u00e3o deve ser compartilhada com a comunidade internacional.<\/p>\n<p>O oceano profundo \u00e9 o maior e menos compreendido habitat de vida animal e vegetal na Terra. Dois ter\u00e7os do nosso planeta correspondem a um para\u00edso marinho de beleza e mist\u00e9rio. S\u00e3o regi\u00f5es caracterizadas pela alta press\u00e3o, baixas temperaturas e escurid\u00e3o quase constante. Mas abrigam uma variedade de criaturas surpreendentes &#8211; o polvo-dumbo, a lula-vampira-do-inferno, o tubar\u00e3o-fantasma, caranguejos-aranha, corais e enguias el\u00e9tricas &#8211; organismos fora do comum que apresentam adapta\u00e7\u00f5es evolutivas impressionantes.<\/p>\n<p>Embora esses habitantes subaqu\u00e1ticos tenham mudado pouco desde a era dos dinossauros, eles n\u00e3o s\u00e3o muito resistentes. Demoram a se reproduzir e s\u00e3o altamente sens\u00edveis a dist\u00farbios.<\/p>\n<p>Um atlas submarino internacional requer a coopera\u00e7\u00e3o de diferentes partes que t\u00eam objetivos distintos (e muitas vezes opostos): de autoridades do governo e ocean\u00f3grafos a operadores de submarinos militares, pescadores e mineradores offshore. Uma vez que as informa\u00e7\u00f5es batim\u00e9tricas detalhadas forem divulgadas, medidas preventivas devem ser tomadas para proteger tanto o mapa quanto a paisagem que ele descreve.<\/p>\n<p>&#8220;Um mapa de alta resolu\u00e7\u00e3o \u00e9 um investimento na gest\u00e3o respons\u00e1vel do fundo do mar nos pr\u00f3ximos s\u00e9culos&#8221;, diz o contra-almirante Smith.<\/p>\n<p>De fato, a preserva\u00e7\u00e3o dos oceanos depende de uma administra\u00e7\u00e3o consciente &#8211; especialmente quando nos voltamos para suas profundezas em busca de recursos naturais que n\u00e3o conseguimos mais encontrar em terra.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ge\u00f3logos mapearam cadeias montanhosas, desertos e florestas. Astr\u00f4nomos desbravaram o c\u00e9u. 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