{"id":85015,"date":"2018-05-15T09:00:06","date_gmt":"2018-05-15T12:00:06","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=85015"},"modified":"2018-05-14T21:28:05","modified_gmt":"2018-05-15T00:28:05","slug":"desastres-ambientais-vao-para-a-conta-do-agro-diz-ministro-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/desastres-ambientais-vao-para-a-conta-do-agro-diz-ministro-2\/","title":{"rendered":"Desastres ambientais v\u00e3o para a conta do agroneg\u00f3cio, diz ministro"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/esdov.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-85016\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/esdov-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/esdov-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/esdov.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>O agroneg\u00f3cio brasileiro tem tudo a perder e nada a ganhar com as flexibiliza\u00e7\u00f5es do licenciamento ambiental e da lei dos agrot\u00f3xicos, que podem ser votadas nos pr\u00f3ximos dias na C\u00e2mara dos Deputados por press\u00e3o da bancada ruralista. Quem diz \u00e9 o ministro-substituto do Meio Ambiente, Edson Duarte, 52.<\/p>\n<p>Segundo o ministro, o pleito central dos ruralistas na quest\u00e3o do licenciamento, a dispensa para a agropecu\u00e1ria extensiva, j\u00e1 havia sido atendido pelo texto negociado com os deputados pelo seu antecessor, Sarney Filho (PV-MA).<\/p>\n<p>A proposta de acordo, por\u00e9m, foi renegada pela Frente Parlamentar da Agropecu\u00e1ria, que defende um outro projeto de lei que amplia isen\u00e7\u00f5es e deixa na m\u00e3o de Estados e munic\u00edpios a defini\u00e7\u00e3o dos crit\u00e9rios de rigor para as licen\u00e7as.<\/p>\n<p>Os ruralistas afirmam que brigam pela desburocratiza\u00e7\u00e3o do licenciamento. Duarte alerta: \u201cO atalho pode tornar a estrada mais longa.\u201d Para o ministro, enfraquecer esse instrumento \u00e9 um risco para o setor produtivo.<\/p>\n<p>\u201cAl\u00e9m da judicializa\u00e7\u00e3o alta, a flexibiliza\u00e7\u00e3o vai trazer para a conta do setor uma imagem que vai ser muito prejudicial\u201d, diz. \u201cPorque, se tivermos da\u00ed para a frente algum problema com os nossos biomas e alguns impactos e acidentes ambientais, isso certamente ir\u00e1 para a conta do movimento de flexibiliza\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Sobre a lei de agrot\u00f3xicos, que pode ter seu enfraquecimento votado nesta segunda-feira (14) numa comiss\u00e3o especial, Duarte alerta tratar-se de outro \u201ctiro no p\u00e9\u201d do setor rural, que pode ensejar a\u00e7\u00f5es protecionistas de pa\u00edses que compram nossas commodities \u2013 na esteira de problemas recentes do Brasil com as exporta\u00e7\u00f5es de carne e frango.<\/p>\n<p>Baiano de Jacobina, Duarte foi deputado federal pelo PV de seu Estado e assessorava Sarney Filho, que deixou o minist\u00e9rio em abril para tentar mais um mandato parlamentar. Ele assumiu em car\u00e1ter interino, em meio a tentativas dos ruralistas de emplacar nomes ligados ao setor para o Meio Ambiente. Mas vem agindo como se efetivo fosse: na \u00faltima semana, iniciou com a equipe do minist\u00e9rio uma mobiliza\u00e7\u00e3o nacional pelo combate ao desmatamento na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>O plano inclui idas a campo para prestigiar os fiscais do Ibama e o envio de mais de 30 mil cartas e e-mails a propriet\u00e1rios rurais de \u00e1reas cr\u00edticas na Amaz\u00f4nia, alertando-os de que os sat\u00e9lites est\u00e3o vigiando a regi\u00e3o e que desmatamento ilegal ser\u00e1 punido.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 para fazer o contraponto \u00e0 poss\u00edvel ideia de que troca de ministro, ano eleitoral e mudan\u00e7as na legisla\u00e7\u00e3o que est\u00e3o ocorrendo no Congresso possam servir de est\u00edmulo a uma ca\u00e7a ao ouro.\u201d<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m tem feito articula\u00e7\u00f5es com outros minist\u00e9rios para tentar trazer a Confer\u00eancia do Clima da ONU de 2019, a COP25, para o Brasil. A proposta foi feita por seu antecessor, mas esbarrou no veto da Venezuela.<\/p>\n<p>Em entrevista ao OC, Duarte falou sobre Congresso, Executivo e os planos do minist\u00e9rio para o restante do governo Temer. Leia a entrevista.<\/p>\n<p><strong>(CLAUDIO ANGELO)<\/strong><\/p>\n<h5><strong>*<br \/>\n<\/strong><\/h5>\n<h5><strong>O Brasil vive uma ofensiva ruralista sem precedentes ou sempre foi assim e a rea\u00e7\u00e3o do Executivo \u00e9 que era outra?<\/strong><\/h5>\n<p>N\u00e3o \u00e9 novidade esse movimento do setor agropecu\u00e1rio e de outros setores dentro do Congresso. O setor agropecu\u00e1rio sempre teve uma representa\u00e7\u00e3o numerosa, basicamente com o mesmo n\u00famero. Nos \u00faltimos anos, avan\u00e7ou muito na sua organiza\u00e7\u00e3o, nas suas articula\u00e7\u00f5es com respeito \u00e0 vota\u00e7\u00e3o de pautas no Congresso Nacional. S\u00f3 que, ultimamente, a gente tem discutido com membros dessa bancada que nem todo projeto que parece ter uma cara de favorecimento ao setor agropecu\u00e1rio, fazendo um enfrentamento com o meio ambiente, \u00e9 ben\u00e9fico ao setor.<\/p>\n<h5><strong>Pode dar um exemplo de projeto que \u00e9 prejudicial ao setor produtivo?<\/strong><\/h5>\n<p>Eu citaria dois projetos cujo momento \u00e9 inoportuno e podem ser um tiro no p\u00e9 para o setor: a lei de agrot\u00f3xicos e o licenciamento ambiental.<\/p>\n<p>Recentemente tivemos problemas s\u00e9rios ligados \u00e0 carne e ao frango. Foram problemas relativos a alguns [produtores], mas que acabaram trazendo um preju\u00edzo generalizado.<\/p>\n<h5><strong>O sr. est\u00e1 falando da Opera\u00e7\u00e3o Carne Fraca?<\/strong><\/h5>\n<p>Da Carne Fraca e, mais recentemente, de problemas que aconteceram com o frango [em abril, a Uni\u00e3o Europeia embargou 20 frigor\u00edficos, o que pode afetar at\u00e9 um ter\u00e7o das exporta\u00e7\u00f5es brasileiras]. E isso acabou causando um preju\u00edzo do qual o setor ainda n\u00e3o se recuperou. Num momento em que o esfor\u00e7o nacional \u00e9 dizer que estamos, sim, corrigindo eventuais falhas no processo de fiscaliza\u00e7\u00e3o e o problema n\u00e3o se repetir\u00e1, o Congresso vem e vota essas duas mat\u00e9rias que sinalizam uma poss\u00edvel flexibiliza\u00e7\u00e3o de duas salvaguardas importantes na \u00e1rea ambiental, o [controle do] agrot\u00f3xico e o licenciamento. Isso pode passar um recado ruim l\u00e1 para fora, assim como para dentro do pr\u00f3prio pa\u00eds. Pode dar motiva\u00e7\u00e3o a um movimento protecionista que vem crescendo no mundo. E a quest\u00e3o ambiental, e sobretudo a flexibiliza\u00e7\u00e3o de instrumentos de seguran\u00e7a no que diz respeito \u00e0 qualidade do alimento, que \u00e9 o caso do agrot\u00f3xico, que pode ter afetar diretamente a sa\u00fade, isso pode, sim, ensejar boicotes, bloqueios, suspens\u00e3o de acordos comerciais.<\/p>\n<h5><strong>Mas a\u00ed h\u00e1 duas quest\u00f5es. Uma o quanto essas pessoas no Congresso representam de fato o setor rural e a outra \u00e9 que, sempre que se trata de desregulamentar, as divis\u00f5es internas desaparecem e eles votam todos em bloco.<\/strong><\/h5>\n<p>\u00c9 da cultura, \u00e9 hist\u00f3rico. Se \u00e9 para desregular voc\u00ea tem a simpatia de um grande grupo. E h\u00e1 a ideia de que, se \u00e9 para regular, \u00e9 para criar dificuldades. Precisamos buscar sempre o meio termo. N\u00e3o precisa necessariamente burocratizar, mas que isso jamais signifique flexibiliza\u00e7\u00e3o dos cuidados. Porque o atalho pode tornar a estrada mais longa. Flexibilizar na legisla\u00e7\u00e3o pode levar a uma judicializa\u00e7\u00e3o maior. E isso n\u00e3o significa agilidade, pelo contr\u00e1rio, a\u00ed sim, os processos v\u00e3o ficar mais longos.<\/p>\n<blockquote>\n<h4>\u201cO atalho pode tornar a estrada mais longa. Flexibilizar na legisla\u00e7\u00e3o pode levar a uma judicializa\u00e7\u00e3o maior.\u201d<\/h4>\n<\/blockquote>\n<h5><strong>No licenciamento, h\u00e1 um projeto que vem sendo constru\u00eddo pelo Minist\u00e9rio do Meio Ambiente, e a gente achava que tivesse aceita\u00e7\u00e3o da bancada ruralista, e que j\u00e1 previa isen\u00e7\u00e3o para atividade agropecu\u00e1ria.<\/strong><\/h5>\n<p>O acordo poss\u00edvel de ser constru\u00eddo foi aquele em que o setor agropecu\u00e1rio extensivo n\u00e3o teria a exig\u00eancia do EIA-Rima [Estudo de Impacto Ambiental e Relat\u00f3rio de Impacto sobre o Meio Ambiente], mas essa dispensa exigiu o cumprimento de uma s\u00e9rie de legisla\u00e7\u00f5es que o EIA-Rima iria pedir, em rela\u00e7\u00e3o ao solo, a agroqu\u00edmicos, a reserva legal, \u00e1rea de preserva\u00e7\u00e3o permanente. A dispensa n\u00e3o significou uma flexibiliza\u00e7\u00e3o dos controles legais que existem hoje.<\/p>\n<h5><strong>O problema \u00e9 que a bancada ruralista n\u00e3o reconhece mais esse projeto.<\/strong><\/h5>\n<p>N\u00e3o reconheceu. E n\u00e3o reconheceu porque outros setores, que n\u00e3o t\u00eam representantes t\u00e3o organizados e numerosos quanto a bancada rural, pegaram carona, e a bancada rural vem percebendo que aquilo que ela vem tensionando hoje n\u00e3o lhe interessa diretamente. Outros setores, ligados a estradas, constru\u00e7\u00e3o civil, saneamento e outros mais, est\u00e3o pegando carona. De tal forma que h\u00e1 movimentos dentro do setor rural dizendo que, se flexibilizar a lei de forma generalizada, que \u00e9 o movimento hoje existente, a conta vai ficar para o setor.<\/p>\n<h5><strong>Mas eles parecem confort\u00e1veis com isso, n\u00e3o? Porque o projeto de licenciamento do Senado, de autoria do senador ruralista Acir Gurgacz (PDT-RO), \u00e9 c\u00f3pia-carbono do texto que a Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria circulou semanas atr\u00e1s.<\/strong><\/h5>\n<p>Eu tenho conversado com muitos, feito alertas, e tenho sido muito bem recepcionado nesses alertas. Eu acho que o setor n\u00e3o ganha, mas perde. Uma flexibiliza\u00e7\u00e3o para as outras \u00e1reas n\u00e3o vai dar nada ao setor rural. \u00c9 um pseudo-ganho, porque, al\u00e9m da judicializa\u00e7\u00e3o alta, a flexibiliza\u00e7\u00e3o vai trazer para a conta do setor uma imagem que vai ser muito prejudicial. Porque, se tivermos da\u00ed para a frente algum problema com os nossos biomas e alguns impactos e acidentes ambientais, isso certamente ir\u00e1 para a conta do movimento de flexibiliza\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o. E isso \u00e9 perigoso. N\u00e3o s\u00f3 para o meio ambiente, mas para o ambiente de neg\u00f3cios. Para o emprego, para quem est\u00e1 investindo, e para a imagem do setor, que \u00e9 importante sobretudo para quem exporta.<\/p>\n<blockquote>\n<h4>\u201cSe tivermos da\u00ed para a frente algum problema com os nossos biomas e alguns impactos e acidentes ambientais, isso certamente ir\u00e1 para a conta do movimento de flexibiliza\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o. E isso \u00e9 perigoso.\u201d<\/h4>\n<\/blockquote>\n<h5><strong>A Frente Parlamentar da Agropecu\u00e1ria est\u00e1 sendo inocente \u00fatil nessa hist\u00f3ria?<\/strong><\/h5>\n<p>A FPA entrou nessa, mas acho que v\u00e1rios dirigentes j\u00e1 percebem que eles s\u00f3 t\u00eam a perder com esse movimento. Que a melhor proposta para o Brasil \u00e9 o acordo que n\u00f3s fizemos, exatamente com a FPA.<\/p>\n<h5><strong>Que acordo \u00e9 esse?<\/strong><\/h5>\n<p>O acordo do projeto que n\u00f3s constru\u00edmos, que estabelece tr\u00eas elementos combinat\u00f3rios para definir o que \u00e9 licenciamento simplificado e o que tem EIA-Rima: o porte, o potencial poluidor e a localiza\u00e7\u00e3o do empreendimento. E que tem um \u00fanico caso de dispensa, \u00e0 agropecu\u00e1ria extensiva, mediante o cumprimento de uma lista de normas legais j\u00e1 existentes. O Executivo j\u00e1 cumpriu sua parte no que diz respeito ao projeto do licenciamento. Nossa parte foi oferecer uma proposta como contraponto a um movimento que existia dentro do Congresso. O ministro Sarney Filho liderou um movimento, com apoio da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, de chamar todos os atores dentro e fora e isso foi feito, durou um ano e meio e chegamos a um texto. O problema s\u00e3o as altera\u00e7\u00f5es que est\u00e3o propondo agora a esse texto.<\/p>\n<h5><strong>Ent\u00e3o sobre essas altera\u00e7\u00f5es n\u00e3o tem conversa com o Minist\u00e9rio do Meio Ambiente?<\/strong><\/h5>\n<p>N\u00e3o tem, porque essas altera\u00e7\u00f5es n\u00e3o favorecem o Brasil, nem o meio ambiente, nem a sociedade, nem os empres\u00e1rios.<\/p>\n<h5><strong>O governo desde 2011 vem perdendo o controle sobre os ruralistas na C\u00e2mara. Hoje o Executivo tem bala na agulha para barrar uma vota\u00e7\u00e3o dessas?<\/strong><\/h5>\n<p>Todo governo tem altos e baixos em sua rela\u00e7\u00e3o com o Parlamento. A representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica brasileira mudou muito nas \u00faltimas d\u00e9cadas. Aumentou muito a representa\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria, aumentou a subdivis\u00e3o dentro dos partidos e dos grupos de interesse representados. E isso fica muito dif\u00edcil dentro de um parlamento gigante como \u00e9 o do Brasil. Por outro lado, nosso modelo eleitoral favorece a elei\u00e7\u00e3o de candidatos que representam interesses locais, paroquiais, n\u00e3o necessariamente linhas ideol\u00f3gicas. Essa complexidade da rela\u00e7\u00e3o institucional brasileira cria naturalmente uma dificuldade para o Executivo fazer essa gest\u00e3o.<\/p>\n<h5><strong>Ou seja, vai ter que ser na conversa.<\/strong><\/h5>\n<p>Vai. N\u00e3o h\u00e1 nenhum outro instrumento que funcione que n\u00e3o seja o convencimento. Entender a agenda ambiental como advers\u00e1ria e ver no meio ambiente o grande problema do setor produtivo brasileiro \u00e9 um equ\u00edvoco e alguns setores poder\u00e3o pagar caro por ele. Da nossa parte, n\u00e3o venceremos a guerra enquanto n\u00e3o nos aliarmos com um setor que entenda que meio ambiente e produ\u00e7\u00e3o s\u00e3o dois lados de uma mesma moeda.<\/p>\n<p>Vou dar um exemplo: no ano passado, o setor de gr\u00e3os bateu um recorde de safra. E o principal fator foram condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas favor\u00e1veis. N\u00e3o foi cr\u00e9dito, nada. Foi clima. Aumentar o desmatamento na Amaz\u00f4nia \u00e9 continuar apostando na mudan\u00e7a do regime de chuvas no Brasil, das condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas do pa\u00eds, e isso pode ser desastroso para parte significativa da produ\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n<blockquote>\n<h4>\u201cDa nossa parte, n\u00e3o venceremos a guerra enquanto n\u00e3o nos aliarmos com um setor que entenda que meio ambiente e produ\u00e7\u00e3o s\u00e3o dois lados de uma mesma moeda.\u201d<\/h4>\n<\/blockquote>\n<h5><strong>Falando em desmatamento: o desmatamento cresceu 248% em mar\u00e7o segundo os dados do Imazon. E estamos em ano eleitoral e \u00e9 isso mesmo o que acontece se n\u00e3o fizermos nada adicional. O que o governo est\u00e1 fazendo para evitar mais uma alta?<\/strong><\/h5>\n<p>Primeiro, mantendo uma pol\u00edtica r\u00edgida, firme e forte de comando e controle. Isso se d\u00e1 com boa parte do efetivo do Ibama e do ICMBio, o fortalecimento de nossas rela\u00e7\u00f5es com outras for\u00e7as de seguran\u00e7a e com o Minist\u00e9rio P\u00fablico. Estamos atuando em todos os biomas, mas com prioridade para a regi\u00e3o amaz\u00f4nica e as \u00e1reas mais cr\u00edticas. N\u00e3o estamos tendo problema or\u00e7ament\u00e1rio.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, estamos trabalhando numa campanha chamada Mobiliza\u00e7\u00e3o Nacional pelo Combate ao Desmatamento Ilegal, com os seguintes eixos: comando e controle, presen\u00e7a da presidente do Ibama e minha em campo, estimulando os fiscais para esse trabalho, que \u00e9 de alto risco, e um trabalho de mobiliza\u00e7\u00e3o social e institucional. Eu estou indo at\u00e9 o setor produtivo, dialogando com sindicatos rurais, com os governos estaduais, com os produtores e ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o deles, dizendo: n\u00e3o deixe que a atividade criminosa na Amaz\u00f4nia se associe ao agroneg\u00f3cio que cumpre a lei. O que ocorre na Amaz\u00f4nia \u00e9 crime, tem que ser tratado como crime, \u00e9 caso de pol\u00edcia.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que estamos enviando correspond\u00eancias a toda a regi\u00e3o, a todos os produtores nas \u00e1reas mais cr\u00edticas dizendo que estamos acompanhando por sat\u00e9lite passo a passo o movimento do desmatamento e que desmatar pode ser feito desde que na legalidade, portanto procure autoriza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h5><strong>S\u00e3o cartinhas, mesmo?<\/strong><\/h5>\n<p>Estamos encaminhando e-mails e cartas e estudo de campo para medir o impacto junto aos propriet\u00e1rios.<\/p>\n<h5><strong>Desde quando?<\/strong><\/h5>\n<p>Agora. Acabou de sair esta semana a primeira leva, a gente estima que dever\u00e3o vir umas 30 mil ou 40 mil correspond\u00eancias nas regi\u00f5es mais cr\u00edticas. Estamos enviando aos produtores dos munic\u00edpios cr\u00edticos, autoridades locais e mandando mensagens a todos os blogs, r\u00e1dios e jornais das regi\u00f5es mais cr\u00edticas, dizendo: \u201cProcurem atuar de forma legal. Esta \u00e9 uma regi\u00e3o cr\u00edtica e, portanto, os \u00f3rg\u00e3os de fiscaliza\u00e7\u00e3o estar\u00e3o acompanhando\u201d. \u00c9 para fazer o contraponto \u00e0 poss\u00edvel ideia de que troca de ministro, ano eleitoral e mudan\u00e7as na legisla\u00e7\u00e3o que est\u00e3o ocorrendo no Congresso possam servir de est\u00edmulo a uma ca\u00e7a ao ouro.<\/p>\n<h5><strong>Havia uma press\u00e3o muito grande para indicar quem ocuparia essa cadeira na transi\u00e7\u00e3o. Essa press\u00e3o arrefeceu?<\/strong><\/h5>\n<p>Eu fiquei muito feliz em ver tantos movimentos querendo indicar o ministro do Meio Ambiente. Sinal de que \u00e9 uma \u00e1rea importante e estrat\u00e9gica. A partir do momento em que eu me sentei aqui, minha \u00fanica preocupa\u00e7\u00e3o foi atuar em dois campos: um, o combate ao desmatamento, porque eu chego exatamente no momento em que se abre uma janela para uma corrida ao ouro do desmatamento na Amaz\u00f4nia. E o segundo \u00e9 consolidar os instrumentos que est\u00e3o em fase de matura\u00e7\u00e3o. J\u00e1 conclu\u00edmos o povoamento do CAR [Cadastro Ambiental Rural] e agora trabalhamos no PRA [Programa de Regulariza\u00e7\u00e3o Ambiental] e tentando consolidar a CRA [Cota de Reserva Ambiental]. Isso vai nos garantir que, ao final do governo Temer, um modelo de gest\u00e3o ambiental no Brasil fique t\u00e3o bem consolidado que, venha a governar quem vier, no Brasil e nos Estados, dificilmente ter\u00e1 condi\u00e7\u00f5es de reverter.<\/p>\n<h5><strong>O prazo para os propriet\u00e1rios aderirem ao CAR acaba dia 31. Ele j\u00e1 foi prorrogado tr\u00eas vezes. H\u00e1 alguma press\u00e3o por mais uma prorroga\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/h5>\n<p>N\u00e3o vejo demanda, n\u00e3o vejo necessidade. Quem n\u00e3o est\u00e1 dentro \u00e9 porque n\u00e3o se interessou. Portanto, para que discutir prorroga\u00e7\u00e3o para quem n\u00e3o est\u00e1 interessado e n\u00e3o tem necessidade? Temos 5 milh\u00f5es de cadastros, o que j\u00e1 nos permite trabalhar muito. Esse povoamento era considerado impens\u00e1vel e n\u00f3s conseguimos. Isso se torna fundamental para consolidar pol\u00edticas de fiscaliza\u00e7\u00e3o e controle, mas sobretudo de consolida\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica de apoio aos produtores em reserva legal e APP, que somam quase 100 milh\u00f5es de hectares.<\/p>\n<blockquote>\n<h4>\u201cQuem n\u00e3o est\u00e1 dentro [do CAR] \u00e9 porque n\u00e3o se interessou. Portanto, para que discutir prorroga\u00e7\u00e3o para quem n\u00e3o est\u00e1 interessado e n\u00e3o tem necessidade?\u201d<\/h4>\n<\/blockquote>\n<h5><strong>A Venezuela se op\u00f4s formalmente ao Brasil como sede da COP25, e muita gente no governo tamb\u00e9m, \u00e9 contra, alegando custo alto. O sr. teria uma conversa no Itamaraty a esse respeito na semana passada. Essa conversa aconteceu? Qual foi o resultado? O que d\u00e1 para fazer?<\/strong><\/h5>\n<p>Estamos trabalhando desde o momento em que o Sarney Filho anunciou a inten\u00e7\u00e3o do Brasil em sediar a COP. Naquele momento o ministro tinha a sinaliza\u00e7\u00e3o do governo como interessado na pr\u00e9-candidatura. A consolida\u00e7\u00e3o da candidatura exige algumas medidas. Uma delas \u00e9 a concord\u00e2ncia regional. E essa concord\u00e2ncia n\u00e3o aconteceu com o veto venezuelano. Com o veto n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel. N\u00f3s estamos trabalhando junto ao Itamaraty nos desenhos poss\u00edveis, tentando entender quais as possibilidades de contornar o veto. Mas j\u00e1 come\u00e7amos a fazer um trabalho interno como se o veto n\u00e3o existisse. Tanto que solicitei uma reuni\u00e3o com o ministro do Planejamento sobre as condi\u00e7\u00f5es or\u00e7ament\u00e1rias de fazer o evento. Caso o conjunto de medidas externas e internas n\u00e3o favore\u00e7a [a COP], a \u00fanica sa\u00edda \u00e9 a chamada troca de senhas, em que, n\u00e3o sendo na regi\u00e3o em raz\u00e3o do veto venezuelano, haveria uma troca com outra regi\u00e3o e o Brasil se candidataria para a COP seguinte, com mais prazo para fazer os contornos diplom\u00e1ticos necess\u00e1rios.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O agroneg\u00f3cio brasileiro tem tudo a perder e nada a ganhar com as flexibiliza\u00e7\u00f5es do<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":85016,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/esdov.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/esdov-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/esdov-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/esdov.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/esdov.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/esdov.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/esdov.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/esdov.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/esdov.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/esdov.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"O agroneg\u00f3cio brasileiro tem tudo a perder e nada a ganhar com as flexibiliza\u00e7\u00f5es do","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/85015"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=85015"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/85015\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/85016"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=85015"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=85015"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=85015"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}