{"id":84871,"date":"2018-05-13T00:00:16","date_gmt":"2018-05-13T03:00:16","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=84871"},"modified":"2018-05-13T10:57:47","modified_gmt":"2018-05-13T13:57:47","slug":"como-uma-molecula-descoberta-no-brasil-pode-salvar-o-diabo-da-tasmania-de-extincao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/como-uma-molecula-descoberta-no-brasil-pode-salvar-o-diabo-da-tasmania-de-extincao\/","title":{"rendered":"Como uma mol\u00e9cula descoberta no Brasil pode salvar o diabo-da-tasm\u00e2nia de extin\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><em><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/fr.best-wallpaper.net\/wallpaper\/m\/1705\/Tasmanian-devil_m.jpg\" alt=\"Imagem relacionada\" width=\"640\" height=\"400\" \/>Mam\u00edfero australiano amea\u00e7ado por um c\u00e2ncer parasit\u00e1rio tem como esperan\u00e7a uma prote\u00edna identificada em aranhas brasileiras.<\/em><\/p>\n<div class=\"sharebar-content\">Uma mol\u00e9cula descoberta em uma aranha no Brasil poder\u00e1 salvar da extin\u00e7\u00e3o um mam\u00edfero que vive do outro lado planeta.<\/div>\n<p>Batizada de gomesina, um pept\u00eddeo (pequena prote\u00edna, nesse caso formada por 18 amino\u00e1cidos), foi encontrada na aranha caranguejeira\u00a0<em>Acanthoscurria gomesiana<\/em>. Agora, pesquisadores australianos est\u00e3o testando sua a\u00e7\u00e3o no combate a um tipo de c\u00e2ncer que est\u00e1 dizimando a popula\u00e7\u00e3o do diabo-da-tasm\u00e2nia, marsupial que s\u00f3 vive na ilha que lhe d\u00e1 o nome, localizada a 240 km da costa sudeste da Austr\u00e1lia.<\/p>\n<p>O diabo-da-tasm\u00e2nia\u00a0<em>(Sarcophilus harrisii<\/em>) \u00e9 o maior marsupial carn\u00edvoro do mundo. At\u00e9 3 mil anos atr\u00e1s ele vivia tamb\u00e9m na parte continental da Austr\u00e1lia, mas hoje seu habitat se restringe \u00e0 ilha da Tasm\u00e2nia, que \u00e9 um Estado australiano. Mesmo l\u00e1, ele corre s\u00e9rio risco de extin\u00e7\u00e3o, por causa de uma forma contagiosa e transmiss\u00edvel &#8220;parasit\u00e1ria&#8221; de c\u00e2ncer conhecida como doen\u00e7a do tumor facial do diabo-da-tasm\u00e2nia (TFDT).<\/p>\n<p>Desde que o mal surgiu, em 1996, cerca de 80% desses animais foram mortos. Se nada for feito, os cientistas estimam que a esp\u00e9cie ser\u00e1 extinta dentro dos pr\u00f3ximos 15 a 25 anos.<\/p>\n<p>Segundo o bi\u00f3logo Pedro Ismael da Silva J\u00fanior, pesquisador do Laborat\u00f3rio Especial de Toxinologia Aplicada do Instituto Butantan, que descobriu a gomesina, a doen\u00e7a que acomete o diabo-da-tasm\u00e2nia se caracteriza por feridas na face, principalmente na boca e no nariz.<\/p>\n<p>&#8220;Esses machucados v\u00e3o aumentando e se espalhando, destruindo os rostos dos animais e os impedindo de comer, o que lhes causa a morte por inani\u00e7\u00e3o&#8221;, explica. &#8220;O c\u00e2ncer se espalha de maneira r\u00e1pida e se apresenta em 65% da ilha da Tasm\u00e2nia. A cura do tumor pode salvar essa esp\u00e9cie da extin\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<div class=\"media_box embed intertitle_box\">\n<h3 class=\"content\">Mol\u00e9cula sint\u00e9tica<\/h3>\n<\/div>\n<p>\u00c9 isso o que est\u00e1 tentando fazer um grupo de pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de Queeensland, em Brisbane, na Austr\u00e1lia. Eles est\u00e3o testando uma mol\u00e9cula sint\u00e9tica desenvolvida e patenteada por Silva J\u00fanior a partir da prote\u00edna da\u00a0<em>A. gomesiana<\/em>, e um pept\u00eddeo semelhante, encontrado na aranha da esp\u00e9cie\u00a0<em>Hadronyche infensa<\/em>, que vive naquele pa\u00eds.<\/p>\n<p>Os cientistas demonstraram que, em laborat\u00f3rio, a gomesina interfere no ciclo das c\u00e9lulas cancerosas, modificando a produ\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias mol\u00e9culas. Isso torna as c\u00e9lulas invi\u00e1veis, matando-as. O processo foi descrito em artigo publicado neste ano na revista online Cell Death Discovery, do grupo Nature.<\/p>\n<div class=\"media_box full-dimensions660x360\">\n<div class=\"edges\">\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"croppable\" title=\"Pedro Ismael da Silva J\u00fanior descobriu a gomesina\" src=\"https:\/\/img.r7.com\/images\/pedro-ismael-da-silva-junior-pesquisador-do-laboratorio-especial-de-toxinologia-aplicada-do-instituto-butantan-13052018095447508?dimensions=660x360\" alt=\"Pedro Ismael da Silva J\u00fanior descobriu a gomesina\" width=\"640\" height=\"349\" \/><\/p>\n<div class=\"gallery_link\">\u00a0Pedro Ismael da Silva J\u00fanior descobriu a gomesina<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"content_image\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Nada disso seria poss\u00edvel, no entanto, sem a descoberta de Silva J\u00fanior. Ele conta que sempre trabalhou com aranhas, a princ\u00edpio estudando os pelos urticantes delas. Quando foi fazer o mestrado, no entanto, seu orientador morreu e ele precisou substitu\u00ed-lo. &#8220;Minha nova orientadora, Sirlei Daffre, prop\u00f4s que pass\u00e1ssemos a pesquisar o sistema imune de aracn\u00eddeos em busca de pept\u00eddeos antimicrobianos&#8221;, lembra. &#8220;Eu topei e ent\u00e3o come\u00e7amos a buscar as mol\u00e9culas bioativas no sangue das aranhas.&#8221;<\/p>\n<p>Durante o trabalho, que se estendeu de 1994 a 2000, ele encontrou v\u00e1rias dessas mol\u00e9culas, uma das quais muito potente e promissora.<\/p>\n<div id=\"inner-ad-container\" class=\"open full-width\"><\/div>\n<p>&#8220;Demos o nome a essa prote\u00edna de gomesina, em homenagem \u00e0 esp\u00e9cie de aranha caranguejeira\u00a0<em>Acanthoscurria gomesiana<\/em>&#8220;, conta. &#8220;A import\u00e2ncia disso \u00e9 que uma descoberta brasileira, financiada pela Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo (Fapesp) e com registro pelo escrit\u00f3rio de patentes da Universidade de S\u00e3o Paulo, est\u00e1 sendo utilizada por pesquisadores australianos para salvar da extin\u00e7\u00e3o um organismo vivo e \u00fanico da regi\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<div class=\"media_box embed intertitle_box\">\n<h3 class=\"content\">Novos antibi\u00f3ticos<\/h3>\n<\/div>\n<p>Silva J\u00fanior tamb\u00e9m explica por que se dedicou a verificar a presen\u00e7a de mol\u00e9culas com atividade antibi\u00f3tica em seu sangue (hemolinfa) de aracn\u00eddeos. &#8220;Esses organismo vivem na Terra h\u00e1 mais de 450 milh\u00f5es de anos e os registros f\u00f3sseis, principalmente no \u00e2mbar, mostram que eles mudaram muito pouco no curso da evolu\u00e7\u00e3o&#8221;, diz. &#8220;Ent\u00e3o, por viverem em ambientes contaminados e n\u00e3o mudarem muito durante a evolu\u00e7\u00e3o \u00e9 que nos despertou a curiosidade de como esses animais se defendiam.&#8221;<\/p>\n<p>Os estudos de Silva J\u00fanior demonstraram ainda que essa mol\u00e9cula tamb\u00e9m est\u00e1 presente em outros aracn\u00eddeos. &#8220;Essa informa\u00e7\u00e3o, bem como a sequ\u00eancia de res\u00edduos de amino\u00e1cidos da gomesina, foi compartilhada por meio de publica\u00e7\u00f5es cient\u00edficas, com acesso permitido a todos os cientistas do mundo&#8221;, explica.<\/p>\n<p>&#8220;Na Austr\u00e1lia, os pesquisadores verificaram a presen\u00e7a dessa mol\u00e9cula em uma aranha caranguejeira de l\u00e1. Utilizaram tanto a prote\u00edna encontrada nessa esp\u00e9cie como a descoberta por n\u00f3s aqui no Brasil (sintetizaram usando a sequ\u00eancia de res\u00edduos de amino\u00e1cidos dispon\u00edvel em banco de dados) para avaliar sua atividade contra o tipo de c\u00e2ncer que est\u00e1 levando \u00e0 extin\u00e7\u00e3o o diabo-da-tasm\u00e2nia.&#8221;<\/p>\n<div class=\"media_box embed intertitle_box\">\n<h3 class=\"content\">Avan\u00e7o m\u00e9dico<\/h3>\n<\/div>\n<p>Mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 para tratar o c\u00e2ncer do diabo-da-tasm\u00e2nia que a gomesina poder\u00e1 ser empregada. Com sua atividade contra bact\u00e9rias, fungos e v\u00edrus ela poder ser usada para o desenvolvimento de novos antibi\u00f3ticos, mais potentes que os atuais.<\/p>\n<p>Nesse caso, ela poderia ser empregada no combate \u00e0s v\u00e1rias esp\u00e9cies de bact\u00e9rias resistentes \u00e0s drogas atuais. Mas \u00e9 prov\u00e1vel que um novo medicamento a partir dessa prote\u00edna seja desenvolvido primeiro em outro pa\u00eds. &#8220;Temos a patente e j\u00e1 tentamos torn\u00e1-la um produto, mas n\u00e3o conseguimos&#8221;, lamenta Silva J\u00fanior. &#8220;\u00c9 muito dif\u00edcil o desenvolvimento de uma droga no Brasil.&#8221;<\/p>\n<p>O pesquisador esclarece que n\u00e3o tem nenhum trabalho em conjunto ou colabora\u00e7\u00e3o direta com o grupo australiano. &#8220;A partir de nossas descobertas, o grupo de l\u00e1 foi capaz de avaliar uma mol\u00e9cula contra esse tipo de c\u00e2ncer e verificar sua funcionalidade&#8221;, diz. &#8220;Temos in\u00fameras publica\u00e7\u00f5es mostrando as diversas atividades da gomesina, inclusive a antitumoral. Cada cientista que descobre alguma coisa ajuda os pesquisadores do futuro.&#8221;<\/p>\n<p>Ele ressalta ainda que n\u00e3o h\u00e1 competi\u00e7\u00e3o. &#8220;S\u00e3o grupos trabalhando em prol do combate \u00e0s doen\u00e7as, cada um dando sua contribui\u00e7\u00e3o e caminhando cada vez mais para frente&#8221;, explica. &#8220;N\u00e3o sou movido por vaidades. Espero realmente que um dia possamos todos estar desfrutando de um medicamento que possa resolver nossos problemas de sa\u00fade. Fruto da associa\u00e7\u00e3o de todos os pesquisadores do mundo. Que estejamos acima das pobres pol\u00edticas de ci\u00eancia e sa\u00fade de nossos pa\u00edses.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mam\u00edfero australiano amea\u00e7ado por um c\u00e2ncer parasit\u00e1rio tem como esperan\u00e7a uma prote\u00edna identificada em aranhas<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Mam\u00edfero australiano amea\u00e7ado por um c\u00e2ncer parasit\u00e1rio tem como esperan\u00e7a uma prote\u00edna identificada em aranhas","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/84871"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=84871"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/84871\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=84871"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=84871"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=84871"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}