{"id":84788,"date":"2018-05-12T11:00:40","date_gmt":"2018-05-12T14:00:40","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=84788"},"modified":"2018-05-12T10:10:51","modified_gmt":"2018-05-12T13:10:51","slug":"como-os-rios-voadores-impedem-a-desertificacao-na-america-do-sul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/como-os-rios-voadores-impedem-a-desertificacao-na-america-do-sul\/","title":{"rendered":"Como os \u201crios voadores\u201d impedem a desertifica\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica do Sul"},"content":{"rendered":"<p><em><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/rios_voadores.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-84789\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/rios_voadores-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/rios_voadores-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/rios_voadores.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Carlos\u00a0Bocuhy*<\/em><\/p>\n<p><em>A corrente de umidade que vem da Floresta Amaz\u00f4nia representa um dos elementos mais cruciais para a manuten\u00e7\u00e3o da vida e da\u00a0economia no continente, em especial a atividade agr\u00edcola<\/em><\/p>\n<p>A natureza foi pr\u00f3diga com o Brasil e seus vizinhos do continente sul-americano. Ao contr\u00e1rio de outras regi\u00f5es do planeta, que sofrem um processo de desertifica\u00e7\u00e3o, a Am\u00e9rica do Sul \u00e9 privilegiada,\u00a0pois\u00a0\u00e9 socorrida h\u00e1 mil\u00eanios por um \u201cmilagre natural\u201d, os chamados \u201crios voadores\u201d.\u00a0 Apesar desse enorme benef\u00edcio natural, temos desprezado a conserva\u00e7\u00e3o de uma das principais respons\u00e1veis por esse milagre, a Floresta Amaz\u00f4nica.<\/p>\n<p>Os efeitos da desertifica\u00e7\u00e3o s\u00e3o decorrentes da chamada \u201cc\u00e9lula de Hadley\u201d, fen\u00f4meno natural que consiste na circula\u00e7\u00e3o das correntes a\u00e9reas a partir do ar quente do Equador, que sobe com a umidade, circula at\u00e9 o Paralelo 30 e retorna para o solo com ar seco, provocando um processo de ressecamento e aridez. Como exemplo, podemos citar o deserto de Sonora, nos Estados Unidos, e o Kalahari, na \u00c1frica.<\/p>\n<p>Mas na Am\u00e9rica do Sul, a massa de umidade que vem do Equador continua at\u00e9 mesmo na altura do Paralelo 30, pois existe um processo de umidifica\u00e7\u00e3o constante da atmosfera, em seu trajeto, que vem desde a Amaz\u00f4nia, atravessando para a Bol\u00edvia, ricocheteando na Cordilheira dos Andes e retornando ainda com abundantes chuvas para o centro do continente.<\/p>\n<p>Essa corrente de umidade d\u00e1 vida \u00e0 Bacia Paran\u00e1-Rio da Prata e ao Pantanal matogrossense, e atinge de forma ben\u00e9fica o estado de Goi\u00e1s, o Cerrado brasiliense, a Caatinga e at\u00e9 mesmo os Pampas. Beneficia, ainda, o bioma da Mata Atl\u00e2ntica. Portanto, seus efeitos ben\u00e9ficos representam um dos elementos naturais mais importantes para a manuten\u00e7\u00e3o da vida de todos os biomas brasileiros.<\/p>\n<p>Os rios voadores s\u00e3o\u00a0conhecidos tamb\u00e9m como\u00a0 \u201crios a\u00e9reos\u201d ou massas de transposi\u00e7\u00e3o de umidade. Ao estudar este processo, verifica-se que as chuvas, ao longo de seu tra\u00e7ado, s\u00e3o produzidas pelas florestas e \u00e1reas \u00famidas. Estas\u00a0possuem o dom de lan\u00e7ar na atmosfera n\u00e3o s\u00f3 a umidade pela evapotranspira\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m os aeross\u00f3is, que t\u00eam a caracter\u00edstica de agregar a umidade e proporcionar uma verdadeira m\u00e1quina de fazer chuva,\u00a0entendendo-se continente adentro por milhares de quil\u00f4metros.<\/p>\n<p>E o que isso representa? \u00c9 o capital natural, a \u00e1gua, que permite a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola do Brasil, do norte da Argentina, do Paraguai, Uruguai e Bol\u00edvia. N\u00e3o s\u00f3 a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, mas tamb\u00e9m as atividades econ\u00f4micas como ind\u00fastria e servi\u00e7os, a vida de nossas cidades sul-americanas, incluindo regi\u00f5es metropolitanas como Bras\u00edlia, Belo Horizonte e S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Mas os benef\u00edcios proporcionados por esta m\u00e1quina natural de chuva n\u00e3o param a\u00ed. Ela \u00e9 respons\u00e1vel pela exist\u00eancia da grande biodiversidade da Amaz\u00f4nia e do Pantanal, entre outros ecossistemas associados, garantindo a exist\u00eancia e a vida de in\u00fameras esp\u00e9cies da vida animal e vegetal. Muito se fala em\u00a0conservar a \u00e1gua, mas temos dedicado pouco tempo \u00e0 compreens\u00e3o do\u00a0fant\u00e1stico ecossistema amaz\u00f4nico e dos meios necess\u00e1rios \u00e0 sua prote\u00e7\u00e3o, sem a qual n\u00e3o haver\u00e1 sustentabilidade para o Brasil e para a Am\u00e9rica do Sul.<\/p>\n<p>Precisamos compreender melhor e proteger os mecanismos respons\u00e1veis pela vida no continente sul-americano. Portanto,\u00a0propomos uma discuss\u00e3o mais ampla deste tema, para que seja devidamente pautado pela sociedade brasileira. \u00c9 necess\u00e1rio que se abra com urg\u00eancia esta agenda de sustentabilidade ambiental, econ\u00f4mica e social \u2013 e que a discuss\u00e3o da prote\u00e7\u00e3o aos rios voadoresganhe o devido espa\u00e7o por meio de um adequado e qualificado debate p\u00fablico.<\/p>\n<p>Temos uma responsabilidade diante de dispositivos legais e compromissos assumidos pelo Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Bol\u00edvia, por exemplo, a Declara\u00e7\u00e3o de Estocolmo de 1972; a Declara\u00e7\u00e3o do Rio em 1992; o Tratado de Assun\u00e7\u00e3o que deu origem ao Mercosul; a Conven\u00e7\u00e3o de Diversidade Biol\u00f3gica; e, no \u00e2mbito nacional, a pr\u00f3pria Constitui\u00e7\u00e3o do Brasil, que determina a prote\u00e7\u00e3o do meio ambiente, da biodiversidade e dos ecossistemas essenciais \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o da vida.<\/p>\n<p>*<em>Presidente do Instituto Brasileiro de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental (Proam) e conselheiro do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carlos\u00a0Bocuhy* A corrente de umidade que vem da Floresta Amaz\u00f4nia representa um dos elementos mais<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":84789,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/rios_voadores.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/rios_voadores-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/rios_voadores-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/rios_voadores.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/rios_voadores.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/rios_voadores.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/rios_voadores.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/rios_voadores.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/rios_voadores.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/rios_voadores.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Carlos\u00a0Bocuhy* A corrente de umidade que vem da Floresta Amaz\u00f4nia representa um dos elementos mais","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/84788"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=84788"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/84788\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/84789"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=84788"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=84788"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=84788"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}