{"id":84726,"date":"2018-05-10T13:30:06","date_gmt":"2018-05-10T16:30:06","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=84726"},"modified":"2018-05-09T22:28:06","modified_gmt":"2018-05-10T01:28:06","slug":"no-libano-cidadaos-se-organizam-para-combater-as-montanhas-de-lixo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/no-libano-cidadaos-se-organizam-para-combater-as-montanhas-de-lixo\/","title":{"rendered":"No L\u00edbano, cidad\u00e3os se organizam para combater as montanhas de lixo"},"content":{"rendered":"<p class=\"story-body__introduction\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/lixo-3.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-84727\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/lixo-3-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/lixo-3-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/lixo-3.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Estamos a cerca de cinco metros do Mar Mediterr\u00e2neo. \u00c0 minha direita, a usina de energia de Zouk Mosbeh lan\u00e7a nuvens carregadas de fuma\u00e7a cinza em dire\u00e7\u00e3o ao c\u00e9u azul brilhante. O Vale do Jounieh &#8211; uma regi\u00e3o repleta de hot\u00e9is e locais de entretenimento &#8211; est\u00e1 logo atr\u00e1s de mim, ao longo da costa, nos arredores de Beirute. \u00c0 minha esquerda, consigo avistar uma esp\u00e9cie de resort. Mas tudo que sou capaz de respirar &#8211; e enxergar \u00e0 minha volta &#8211; \u00e9 lixo.<\/p>\n<p>Essa praia j\u00e1 foi limpa 16 vezes. A \u00faltima vez foi uma semana antes de eu pisar em suas areias, acompanhada de Joslin Kehdy, fundadora da organiza\u00e7\u00e3o Recycle Lebanon, que se dedica \u00e0 limpeza do local.<\/p>\n<p>Res\u00edduos pl\u00e1sticos s\u00e3o encontrados em praias de todo o mundo. A diferen\u00e7a no L\u00edbano \u00e9 que o lixo tamb\u00e9m est\u00e1 sendo despejado diretamente no mar e em aterros sanit\u00e1rios do litoral &#8211; uma grave amea\u00e7a para a sa\u00fade p\u00fablica e para o ecossistema da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>A crise de res\u00edduos no pa\u00eds come\u00e7ou em 2015, quando um enorme aterro sanit\u00e1rio foi fechado e as autoridades fracassaram em implementar um plano de conting\u00eancia a tempo de substitu\u00ed-lo. Depositar lixo nas ruas come\u00e7ou, ent\u00e3o, a ser comum, assim como a incinera\u00e7\u00e3o de res\u00edduos ao ar livre. A organiza\u00e7\u00e3o de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch alerta para o que classifica como uma &#8220;crise nacional de sa\u00fade&#8221;.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/16208\/production\/_101223609_foto_01.jpg\" alt=\"Joslin Kehdy, fundadora da Recycle Lebanon\" width=\"640\" height=\"360\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Joslin Kehdy, da Recycle Lebanon, acredita que todos devem colaborar para tirar o pa\u00eds da crise de coleta de res\u00edduos | Foto: Sophia Smith Galer<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Por outro lado, organiza\u00e7\u00f5es ambientais come\u00e7aram a desenvolver solu\u00e7\u00f5es surpreendentes e necess\u00e1rias em face \u00e0s lentas mudan\u00e7as pol\u00edticas. Essas iniciativas est\u00e3o mostrando que um pa\u00eds do tamanho do estado americano de Connecticut pode ser um dos melhores playgrounds do planeta para inova\u00e7\u00e3o ambiental.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Pol\u00edtica em xeque<\/h2>\n<p>Kehdy conta que o nome de sua organiza\u00e7\u00e3o, Recycle Lebanon, tem, intencionalmente, mais de um sentido. Segundo ela, n\u00e3o se trata apenas de implementar projetos de reciclagem de res\u00edduos, mas de oferecer um caminho alternativo para um pa\u00eds tomado pela corrup\u00e7\u00e3o &#8211; que na opini\u00e3o dela, alimenta a crise do lixo.<\/p>\n<p>Os ativistas argumentam que o sistema de gerenciamento de res\u00edduos do L\u00edbano \u00e9 tradicionalmente centralizado e tem muito pouca capacidade de triagem, o que significa que o dinheiro n\u00e3o \u00e9 investido em reciclagem, mas em gerar mais desperd\u00edcio.<\/p>\n<p>O \u00cdndice de Percep\u00e7\u00e3o de Corrup\u00e7\u00e3o de 2017, divulgado pela ONG Transpar\u00eancia Internacional, classificou o L\u00edbano como a 143\u00aa &#8220;na\u00e7\u00e3o menos corrupta&#8221; entre 175 pa\u00edses. Em outras palavras, h\u00e1 apenas 32 pa\u00edses onde a corrup\u00e7\u00e3o \u00e9 pior.<\/p>\n<p>&#8220;O acordo de divis\u00e3o confessional do poder no L\u00edbano (que \u00e9 o fr\u00e1gil equil\u00edbrio governamental entre os diversos grupos religiosos do pa\u00eds) alimenta redes de patronato e clientelismo, o que prejudica ainda mais o sistema de governan\u00e7a do pa\u00eds&#8221;, diz o site da organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quando a crise da coleta de lixo se instalou, surgiram diversos movimentos da sociedade civil. Manifestantes marcharam at\u00e9 a sede do governo liban\u00eas para exigir solu\u00e7\u00f5es, como parte da campanha &#8220;Voc\u00ea fede&#8221;, que tomou as ruas da capital. Aos poucos, os protestos deram origem a iniciativas como o novo partido pol\u00edtico Beirut Madinati (&#8220;Beirute minha cidade&#8221;, em tradu\u00e7\u00e3o livre) e a organiza\u00e7\u00e3o Waste Management Coalition (&#8220;Coaliz\u00e3o de Gest\u00e3o de Res\u00edduos&#8221;, em tradu\u00e7\u00e3o livre), que milita atualmente contra a proposta do governo de comprar incineradores.<\/p>\n<p>&#8220;O problema com os incineradores \u00e9 que eles n\u00e3o se adequam ao nosso tipo de lixo&#8221;, explica Kehdy. &#8220;Cerca de 70% dos nossos res\u00edduos s\u00e3o org\u00e2nicos. S\u00e3o muito \u00famidos para serem processados por meio da incinera\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, como acontece na maioria dos sistemas de gest\u00e3o de res\u00edduos, a incinera\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m requer uma coleta seletiva na origem.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Voluntariado<\/h2>\n<p>Mais de duas mil pessoas participaram do mutir\u00e3o de limpeza das praias promovido pela Recycle Lebanon, provando que cidad\u00e3os e empresas est\u00e3o dispostos a se envolver. A iniciativa tamb\u00e9m foi totalmente &#8220;desperd\u00edcio zero&#8221; (as m\u00e1scaras usadas no projeto s\u00e3o reaproveit\u00e1veis e os filtros recicl\u00e1veis).<\/p>\n<p>&#8220;Organizamos mutir\u00f5es com desperd\u00edcio zero, com cartazes para que as pessoas possam aprender sobre o tipo de res\u00edduo, o processo por tr\u00e1s dele, onde \u00e9 reciclado e como podem mudar os produtos que est\u00e3o consumindo&#8221;, explica.<\/p>\n<p>Ao caminhar pela praia, fica claro o quanto o estilo de vida, em geral, influencia o tipo de lixo que aparece na areia. Perdemos a conta dos copinhos descart\u00e1veis de caf\u00e9. Tendo vivido no pa\u00eds, sei como os libaneses gostam do caf\u00e9: no estilo &#8220;velozes e furiosos&#8221;. Assim que terminam de tomar, jogam o copo no lixo e pedem para algu\u00e9m servir outro. N\u00e3o existe debate sobre a ado\u00e7\u00e3o de recipientes reutiliz\u00e1veis, como vem acontecendo em diversos pa\u00edses do Ocidente.<\/p>\n<p>Ainda \u00e9 poss\u00edvel encontrar garrafas pl\u00e1sticas cheias de \u00e1gua, ponteiras de cachimbo de narguil\u00e9, brinquedos e incont\u00e1veis sacolas pl\u00e1sticas. Tamb\u00e9m fiquei surpresa com a quantidade de lixo hospitalar, de roupas e grama sint\u00e9tica. Parece que, realmente, tudo \u00e9 jogado no mar.<\/p>\n<p>Muitos res\u00edduos rejeitados &#8211; que Kehdy n\u00e3o consegue aproveitar &#8211; s\u00e3o enviados para uma organiza\u00e7\u00e3o chamada Cedar Environmental, dirigida por Ziad Abichaker. Al\u00e9m de fornecer equipamentos para compostagem do lixo org\u00e2nico, eles constru\u00edram instala\u00e7\u00f5es de recupera\u00e7\u00e3o de materiais em todo o pa\u00eds, que reaproveitam ao m\u00e1ximo o que \u00e9 descartado.<\/p>\n<p>Abichaker espalhou ainda lixeiras para garrafas de vidro nos arredores de Beirute. Os recipientes recolhidos s\u00e3o levados para Sarafand, uma pequena cidade no sul do pa\u00eds, onde s\u00e3o moldados por sopradores de vidro e ganham novas formas &#8211; mantendo uma tradi\u00e7\u00e3o milenar, que existe desde a \u00e9poca dos fen\u00edcios.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/7B90\/production\/_101223613_foto_03.jpg\" alt=\"Soprador de vidro\" width=\"640\" height=\"360\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Reciclagem revitaliza a pr\u00e1tica do vidro soprado, arte milenar libanesa que surgiu na \u00e9poca dos fen\u00edcios | Foto: Ziad Abichaker<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Para os itens que podem ser facilmente reciclados, Kehdy est\u00e1 abrindo, em Beirute, um centro chamado Ecosouk, um espa\u00e7o onde o lixo proveniente dos mutir\u00f5es de limpeza possa ser separado e processado. Ser\u00e1 um ponto central de refer\u00eancia, onde os moradores da capital podem se informar sobre o que fazer e onde reciclar. Haver\u00e1 ainda um banco de dados online que as pessoas podem consultar para descobrir as iniciativas sustent\u00e1veis em andamento no seu munic\u00edpio.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Velhos h\u00e1bitos<\/h2>\n<p>Est\u00e1vamos a caminho do Ecosouk quando nosso motorista de t\u00e1xi jogou um peda\u00e7o de papel pela janela. Podemos dizer que Kehdy n\u00e3o ficou muito contente. Pergunto a ela como se sente diante de atitudes como essa, uma vez que dedica sua vida a mudar o comportamento a popula\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sustentabilidade.<\/p>\n<p>&#8220;Tudo bem, porque se ele jogar pela janela ou se jogar na lixeira, vai parar no mar (do mesmo jeito). Talvez alguns anos atr\u00e1s n\u00f3s pud\u00e9ssemos ter gritado com ele, dizer que isso era errado. Mas agora o sistema est\u00e1 t\u00e3o falido que o pr\u00f3prio governo est\u00e1 despejando o lixo no mar. Como voc\u00ea vai dizer para algu\u00e9m n\u00e3o jogar pela janela?&#8221;<\/p>\n<p>A Recycle Beirut tamb\u00e9m trabalha em parceria com restaurantes, escolas e moradores locais com um servi\u00e7o de coleta &#8220;on demand&#8221; em que o lixo recicl\u00e1vel \u00e9 levado para uma oficina, separado e processado.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a empresa contrata refugiados s\u00edrios como funcion\u00e1rios, em uma tentativa de resolver n\u00e3o s\u00f3 a crise da coleta de res\u00edduos, mas tamb\u00e9m a humanit\u00e1ria que o L\u00edbano enfrenta.<\/p>\n<p>&#8220;Acreditamos que estamos fazendo um trabalho social e ambiental&#8221;, diz Sam Kazak, um dos cofundadores da Recycle Beirut.<\/p>\n<p>&#8220;O que estamos fazendo \u00e9 tentar criar o maior n\u00famero poss\u00edvel de empregos para refugiados e pessoas em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade em geral. A maioria dos nossos trabalhadores s\u00e3o refugiados s\u00edrios e palestinos. Eles n\u00e3o t\u00eam nenhum problema em trabalhar nesta ind\u00fastria.&#8221;<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/C9B0\/production\/_101223615_foto_04.jpg\" alt=\"Mulheres refugiadas trabalhando\" width=\"640\" height=\"360\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Recycle Beirut contrata refugiados s\u00edrios para aliviar a crise humanit\u00e1ria no pa\u00eds, ao mesmo tempo que ajuda a resolver o problema do lixo | Foto: Recycle Beirut<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>S\u00f3 h\u00e1 um entrave: os refugiados muitas vezes t\u00eam dificuldade para conseguir visto de trabalho.<\/p>\n<p>&#8220;Tentamos conseguir visto para nossos motoristas s\u00edrios, mas n\u00e3o est\u00e1 funcionando. Ent\u00e3o, toda vez que a pol\u00edcia para nossos caminh\u00f5es, aplica uma multa e apreende o ve\u00edculo por alguns dias. E toda vez que o caminh\u00e3o \u00e9 apreendido, muitas toneladas de lixo v\u00e3o parar no lugar errado. S\u00e3o queimadas, aterradas, despejadas no mar&#8221;, conta Kazak.<\/p>\n<p>&#8220;Essas pessoas querem viver no lixo&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Mudan\u00e7a de mentalidade<\/h2>\n<p>De volta \u00e0 capital ap\u00f3s visitar Zouk Mosbeh &#8211; com meu t\u00eanis coberto de lixo e lama, e n\u00e3o de areia da praia &#8211; me dirijo at\u00e9 a Universidade Americana de Beirute. Desde a minha \u00faltima viagem ao L\u00edbano, o pa\u00eds aderiu a pol\u00edticas antitabagistas. Para quem est\u00e1 acostumado a ver pessoas fumando em praticamente qualquer lugar no Oriente M\u00e9dio, pode causar estranhamento uma universidade proibir seus alunos e professores de fumar no campus. Ao chegar, logo deparo com lixeiras para coleta seletiva espalhadas pelos pr\u00e9dios. \u00c9 um o\u00e1sis de limpeza em meio a uma cidade repleta de lixo.<\/p>\n<p>No departamento de qu\u00edmica, encontro a professora Najat Saliba que, em 2015, escreveu uma carta convocando as demais faculdades a achar uma solu\u00e7\u00e3o para o problema.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/15EF2\/production\/_101224898_foto_05.jpg\" alt=\"Pilhas de lixo na rua\" width=\"640\" height=\"360\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><span class=\"off-screen\">Direito de imagem<\/span><span class=\"story-image-copyright\">GETTY IMAGES<\/span><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Quando a crise da coleta de res\u00edduos come\u00e7ou em 2015, n\u00e3o demorou muito at\u00e9 que pilhas de lixo se espalhassem pelas ruas de Beirute<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>&#8220;Foi assim que eu encabecei o que chamamos de for\u00e7a-tarefa para tentar fazer algo em rela\u00e7\u00e3o ao que est\u00e1 acontecendo, ou para ajudar o governo a procurar poss\u00edveis solu\u00e7\u00f5es.&#8221;<\/p>\n<p>Al\u00e9m de professora de qu\u00edmica anal\u00edtica, Saliba \u00e9 diretora do Centro de Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza da universidade e liderou uma pesquisa sobre a qualidade do ar liban\u00eas. Sua equipe j\u00e1 provou que quem vive perto das pilhas de lixo, ou dos locais de incinera\u00e7\u00e3o, est\u00e1 mais propenso a sofrer de problemas respirat\u00f3rios.<\/p>\n<p>Ela publicar\u00e1 em breve, ainda, os dados de um novo estudo que relaciona o ac\u00famulo de lixo nas ruas com n\u00edveis mais altos de bact\u00e9rias e fungos no ar que respiramos.<\/p>\n<p>E agora est\u00e1 preocupada que a introdu\u00e7\u00e3o de incineradores aumente a polui\u00e7\u00e3o do ar.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Irrespir\u00e1vel<\/h2>\n<p>&#8220;O problema no L\u00edbano \u00e9 que n\u00e3o temos laborat\u00f3rios equipados, que possam medir a qualidade e assegurar que os gases provenientes dos incineradores s\u00e3o seguros. Lamento dizer que, com base nas pr\u00e1ticas que vimos at\u00e9 agora, n\u00e3o acreditamos que o governo possa garantir que o controle de qualidade seja respeitado e esteja de acordo com os padr\u00f5es que os europeus seguem.&#8221;<\/p>\n<p>Em um workshop sobre a qualidade do ar no L\u00edbano, oferecido pela universidade, um dos colegas de Saliba faz um progn\u00f3stico do que aconteceria em uma das \u00e1reas em que o governo, hipoteticamente, gostaria de instalar um incinerador.<\/p>\n<p>&#8220;O que descobrimos \u00e9 que a fuma\u00e7a vai cobrir toda a \u00e1rea de Beirute. A maioria dos moradores da capital seria afetada pelos materiais liberados por esses incineradores&#8221;, alertou.<\/p>\n<p>Tudo indica que levar\u00e1 anos para o L\u00edbano limpar toda essa sujeira.<\/p>\n<p>Saliba me mostra o laborat\u00f3rio da universidade que analisa a qualidade do ar. Os cientistas que trabalham duro ali n\u00e3o s\u00e3o libaneses; assim como na Recycle Beirut, parte da equipe da universidade \u00e9 de s\u00edrios e palestinos.<\/p>\n<p>&#8220;Eu acredito neste pa\u00eds&#8221;, insiste Saliba. &#8220;Este pa\u00eds vai conseguir, vai mudar. Come\u00e7ou a mudar com a Waste Management Coalition, que est\u00e1 tentando reverter essa situa\u00e7\u00e3o. Isso vai acontecer. N\u00f3s teremos um ar mais limpo.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Pode me chamar de sonhadora. Mas eu gosto de sonhar assim.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estamos a cerca de cinco metros do Mar Mediterr\u00e2neo. \u00c0 minha direita, a usina de<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":84727,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/lixo-3.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/lixo-3-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/lixo-3-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/lixo-3.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/lixo-3.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/lixo-3.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/lixo-3.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/lixo-3.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/lixo-3.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/lixo-3.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Estamos a cerca de cinco metros do Mar Mediterr\u00e2neo. \u00c0 minha direita, a usina de","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/84726"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=84726"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/84726\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/84727"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=84726"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=84726"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=84726"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}