{"id":84654,"date":"2018-05-09T12:44:35","date_gmt":"2018-05-09T15:44:35","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=84654"},"modified":"2018-05-09T12:44:35","modified_gmt":"2018-05-09T15:44:35","slug":"reconstituiram-o-dna-do-avo-de-todos-os-animais-da-agua-viva-ao-elefante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/reconstituiram-o-dna-do-avo-de-todos-os-animais-da-agua-viva-ao-elefante\/","title":{"rendered":"Reconstitu\u00edram o DNA do av\u00f4 de todos os animais \u2013 da \u00e1gua-viva ao elefante"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/agua_vica_elefante.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-84655\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/agua_vica_elefante-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/agua_vica_elefante-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/agua_vica_elefante.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>H\u00e1 algo entre 6 e 13 milh\u00f5es de anos, um animal marrom e peludo se balan\u00e7ava nas \u00e1rvores da savana africana. Com certeza se parecia com um macaco \u2013 dos grandes, diga-se, nada de mico-le\u00e3o \u2013 mas \u00e9 arriscado dar uma descri\u00e7\u00e3o mais precisa do que isso: seus f\u00f3sseis, se \u00e9 que existem, nunca foram encontrados. Da biografia dessa esp\u00e9cie, hoje extinta, s\u00f3 sabemos o essencial. Um belo dia, provavelmente gra\u00e7as a uma barreira geogr\u00e1fica, parte de sua popula\u00e7\u00e3o foi isolada. A partir da\u00ed, o grupo principal e o grupo secund\u00e1rio tomaram rumos evolutivos diferentes. Um daria origem aos chimpanz\u00e9s e bonobos. Outro, a n\u00f3s, seres humanos.<\/p>\n<p>Legal. Mas se o homem veio do macaco, de onde veio o macaco? A\u00ed \u00e9 preciso voltar um pouco mais: h\u00e1 75 milh\u00f5es de anos \u2013 mais ou menos na altura do seu av\u00f4 n\u00famero 15.000.000 \u2013 viveu o mam\u00edfero que daria origem tanto aos primatas quanto aos roedores. Em outras palavras, o ancestral comum entre voc\u00ea e as capivaras. 10 milh\u00f5es de av\u00f3s antes disso, encontramos os cachorros, hipop\u00f3tamos e cavalos. E por a\u00ed vai: estrelas-do-mar, joaninhas, minhocas, \u00e1guas-vivas\u2026 At\u00e9 chegar h\u00e1 mais ou menos 650 milh\u00f5es de anos, quando todo o reino animal \u2013 todo mesmo \u2013 se resumia a um \u00fanico ser vivo. O tatarav\u00f4 de tudo nesse mundo que n\u00e3o \u00e9 planta, cogumelo ou micr\u00f3bio.<\/p>\n<p>O pretinho b\u00e1sico do mundo animal, a esponja do mar, \u00e9 bem simples, e o pioneiro dos metazo\u00e1rios na certa era mais simples do que isso. Mas na falta de f\u00f3sseis, s\u00f3 h\u00e1 uma maneira de conhec\u00ea-lo melhor: deduzir seu DNA a partir da an\u00e1lise do material gen\u00e9tico de seus descendentes. Foi\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2018\/05\/04\/science\/first-animal-genes-evolution.html?rref=collection%252Fsectioncollection%252Fscience\" target=\"_blank\">o que fizeram<\/a>\u00a0os geneticistas Jordi Paps e Peter Holland, da Universidade de Oxford \u2013 os resultados foram\u00a0<a href=\"http:\/\/www.nature.com\/articles\/s41467-018-04136-5#author-information\" target=\"_blank\">publicados na\u00a0<i>Nature<\/i><\/a>.<\/p>\n<p>Os dois analisaram o DNA de 62 esp\u00e9cies \u2013 de pessoas a tubar\u00f5es \u2013 em busca de genes \u201cuniversais\u201d. A ideia \u00e9 simples: se um pedacinho de DNA est\u00e1 presente em todos os animais, \u00e9 porque ele era parte do material gen\u00e9tico do primeiro animal. Do tatarav\u00f4 m\u00e1ximo. N\u00e3o h\u00e1 outra maneira razo\u00e1vel de ele ter se tornado t\u00e3o abrangente. Dos 1,5 milh\u00e3o de genes analisados, s\u00f3 6.331 cumpriam esse pr\u00e9-requisito. Esses, d\u00e1 para afirmar com certeza absoluta, faziam parte do manual de instru\u00e7\u00f5es do primeiro de todos os bichos \u2013\u00a0tanto \u00e9 que comp\u00f5em, at\u00e9 hoje, 55% do DNA funcional do ser humano.<\/p>\n<p>Esses genes naturalmente n\u00e3o t\u00eam a ver com a produ\u00e7\u00e3o de papilas gustativas, olhos ou outras coisas complexas \u2013 para as quais um ouri\u00e7o n\u00e3o d\u00e1 muita bola. Eles est\u00e3o mais relacionados a caracter\u00edsticas estruturais essenciais para qualquer animal, como a transmiss\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es de uma c\u00e9lula para a outra ou a produ\u00e7\u00e3o de prote\u00ednas que mant\u00e9m col\u00f4nias de c\u00e9lulas unidas fisicamente (dois passos essenciais para que seres microsc\u00f3picos se unam para formar organismos maiores, multicelulares).<\/p>\n<p>O mais curioso, por\u00e9m, \u00e9 que desses 6.331 genes, mais de mil n\u00e3o estavam presentes no parente mais pr\u00f3ximo do ancestral comum de todos os animais \u2013 algo como o \u201cirm\u00e3o\u201d de nosso av\u00f4. Ou seja: o ancestral foi um organismo inovador, cheio de solu\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas in\u00e9ditas na natureza da \u00e9poca.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s prestamos aten\u00e7\u00e3o nos genes do primeiro genoma animal que n\u00e3o est\u00e3o presentes em outras formas de vida\u201d,\u00a0<a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2018-05-reconstructed-genome-animal.html\" target=\"_blank\">explicaram Paps e Holland<\/a>\u00a0em um texto. \u201cEle tinha um n\u00famero excepcional de genes novos, quatro vezes mais que seus ancestrais. Isso significa que evolu\u00e7\u00e3o dos animais foi impulsionada por uma explos\u00e3o de genes novos que n\u00e3o haviam aparecido antes em organismos unicelulares.\u201d Em outras palavras, animais foram a internet da pr\u00e9-hist\u00f3ria \u2013 uma inven\u00e7\u00e3o criativa da sele\u00e7\u00e3o natural que se disseminou r\u00e1pido, criou um novo jeito de viver e mudou a cara do planeta Terra. Voc\u00ea e seu cachorro, pode comemorar, s\u00e3o parte disso.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 algo entre 6 e 13 milh\u00f5es de anos, um animal marrom e peludo se<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":84655,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/agua_vica_elefante.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/agua_vica_elefante-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/agua_vica_elefante-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/agua_vica_elefante.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/agua_vica_elefante.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/agua_vica_elefante.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/agua_vica_elefante.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/agua_vica_elefante.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/agua_vica_elefante.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/agua_vica_elefante.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"H\u00e1 algo entre 6 e 13 milh\u00f5es de anos, um animal marrom e peludo se","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/84654"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=84654"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/84654\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/84655"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=84654"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=84654"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=84654"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}