{"id":84641,"date":"2018-05-09T11:00:18","date_gmt":"2018-05-09T14:00:18","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=84641"},"modified":"2018-05-09T10:18:33","modified_gmt":"2018-05-09T13:18:33","slug":"influencia-gravitacional-de-jupiter-e-de-venus-muda-clima-da-terra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/influencia-gravitacional-de-jupiter-e-de-venus-muda-clima-da-terra\/","title":{"rendered":"Influ\u00eancia gravitacional de J\u00fapiter e de V\u00eanus muda clima da Terra"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/terrqa.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-84642\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/terrqa-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/terrqa-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/terrqa.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Um novo estudo demonstra que a influ\u00eancia gravitacional de J\u00fapiter e de V\u00eanus provoca, a cada 405 mil anos, uma altera\u00e7\u00e3o na \u00f3rbita da Terra que tem impactos no clima global. De acordo com os autores da\u00a0<a href=\"https:\/\/exame.abril.com.br\/noticias-sobre\/pesquisas-cientificas\"><strong>pesquisa<\/strong><\/a>, publicada na \u00faltima segunda-feira, 7, na revista cient\u00edfica PNAS, esse ciclo j\u00e1 havia sido previsto por c\u00e1lculos de mec\u00e2nica celeste, mas at\u00e9 agora ningu\u00e9m havia apresentado evid\u00eancias f\u00edsicas de sua exist\u00eancia.<\/p>\n<p>Segundo os autores, o estudo, que se baseou em escava\u00e7\u00f5es feitas em rochas extremamente antigas do Arizona (Estados Unidos), comprovou que o fen\u00f4meno tem ocorrido regularmente h\u00e1 pelo menos 215 milh\u00f5es de anos \u2013 antes do aparecimento dos dinossauros -, deixando a \u00f3rbita mais \u201calongada\u201d.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um resultado espantoso, porque a exist\u00eancia desse longo ciclo, que j\u00e1 havia sido prevista a partir da an\u00e1lise dos movimentos dos planetas nos \u00faltimos 50 milh\u00f5es de anos, foi comprovada e j\u00e1 ocorre h\u00e1 pelo menos 215 milh\u00f5es de anos. Agora os cientistas poder\u00e3o ligar esse ciclo de 405 mil anos, de uma maneira muito precisa, \u00e0s altera\u00e7\u00f5es no clima, no ambiente e na evolu\u00e7\u00e3o dos dinossauros e dos mam\u00edferos, por exemplo\u201d, disse o autor principal do estudo, Dennis Kent, da Universidade Rutgers, nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Por v\u00e1rias d\u00e9cadas, os cientistas postulavam que a \u00f3rbita da Terra em torno do Sol sofre uma modifica\u00e7\u00e3o a cada 405 mil anos, passando de uma forma quase circular para uma forma 5% mais alongada, ou el\u00edptica.<\/p>\n<p>O ciclo, segundo eles, \u00e9 resultado de uma complexa intera\u00e7\u00e3o com as influ\u00eancias gravitacionais de V\u00eanus, J\u00fapiter e outros objetos do Sistema Solar \u2013 que, em sua viagem em torno do Sol, \u00e0s vezes est\u00e3o mais pr\u00f3ximos e \u00e0s vezes mais distantes uns dos outros.<\/p>\n<p>Segundo os astrof\u00edsicos, por\u00e9m, o c\u00e1lculo matem\u00e1tico desse ciclo s\u00f3 era confi\u00e1vel nos \u00faltimos 50 milh\u00f5es de anos. Al\u00e9m desse limite, o problema se torna complexo demais, porque h\u00e1 muitas vari\u00e1veis em jogo.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 outros ciclos orbitais mais curtos, mas quando olhamos para o passado, \u00e9 muito dif\u00edcil saber quais deles t\u00eam rela\u00e7\u00f5es entre si, porque eles mudam muito com o tempo. A beleza desse ciclo maior \u00e9 que ele n\u00e3o muda. Todos os outros ciclos \u00e9 que mudam em rela\u00e7\u00e3o a ele\u201d, disse Kent.<\/p>\n<h3><strong>Escrito nas rochas<\/strong><\/h3>\n<p>A evid\u00eancia que demonstra a exist\u00eancia do ciclo h\u00e1 pelo menos 215 milh\u00f5es de anos s\u00e3o amostras de rocha retiradas de at\u00e9 500 metros de profundidade de uma colina no Parque Nacional da Floresta Petrificada, no Arizona, em 2013.<\/p>\n<p>As rochas do Arizona que foram estudadas formaram-se durante o fim do per\u00edodo Tri\u00e1ssico, entre 209 e 215 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s, quando a \u00e1rea era coberta por rios que carreavam sedimentos. Naquela \u00e9poca, os primeiros dinossauros estavam come\u00e7ando a evoluir.<\/p>\n<p>Os cientistas determinaram a idade das rochas do Arizona analisando as camadas de cinzas vulc\u00e2nicas em seu interior, que cont\u00eam radiois\u00f3topos cuja emiss\u00e3o radioativa decai em uma taxa constante. A partir dos sedimentos, os estudiosos tamb\u00e9m detectaram repetidas invers\u00f5es na polaridade do campo magn\u00e9tico do planeta.<\/p>\n<p>Antes de escavar o solo no Arizona para obter os \u201ctestemunhos de rocha\u201d \u2013 como s\u00e3o chamados os \u201ccilindros\u201d de rocha de centenas de metros de comprimento \u2013 os cientistas j\u00e1 haviam obtido testemunhos em Nova Jersey, que mostravam uma altern\u00e2ncia entre per\u00edodos secos e \u00famidos ao longo de milh\u00f5es de anos.<\/p>\n<p>Os pesquisadores acreditavam que essas mudan\u00e7as do clima registradas nas rochas de Nova Jersey eram controladas pelo ciclo de 405 mil anos. Mas naquelas rochas n\u00e3o havia camadas de cinzas vulc\u00e2nicas que permitissem determinar as datas com precis\u00e3o.<\/p>\n<p>Combinando os dois conjuntos de dados \u2013 obtidos em Nova Jersey e no Arizona \u2013 os cientistas demonstraram que os dois locais se desenvolveram ao mesmo tempo e que o intervalo de 405 mil anos de fato est\u00e1 ligado \u00e0s varia\u00e7\u00f5es do clima.<\/p>\n<h3><strong>Profus\u00e3o de ciclos<\/strong><\/h3>\n<p>Outro dos autores da pesquisa, o paleont\u00f3logo Paul Olsen, afirma que o ciclo n\u00e3o muda o clima diretamente, mas intensifica ou enfraquece os efeitos de outros ciclos de dura\u00e7\u00e3o mais curta, que por sua vez afetam o clima diretamente. Em conjunto, esses ciclos mudam as propor\u00e7\u00f5es de energia solar que atingem a Terra em diferentes momentos do ano.<\/p>\n<p>Ele explica que h\u00e1 um ciclo menor a cada 100 mil anos, ligado \u00e0 excentricidade da \u00f3rbita da Terra, um de 41 mil anos, ligado \u00e0 inclina\u00e7\u00e3o do eixo da Terra em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00f3rbita em torno do Sol e um ciclo de 21 mil anos ligado a uma oscila\u00e7\u00e3o no eixo da Terra. Na d\u00e9cada de 1970, cientistas revelaram que esses ciclos menores levaram \u00e0 altern\u00e2ncia entre per\u00edodos de aquecimento e resfriamento do planeta, produzindo as glacia\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Mas ainda h\u00e1 muita discuss\u00e3o sobre as inconsist\u00eancias nos dados dos \u00faltimos milh\u00f5es de anos e sobre as rela\u00e7\u00f5es desses ciclos com o aumento e redu\u00e7\u00e3o dos n\u00edveis de di\u00f3xido de carbono na atmosfera \u2013 outro fator que controla o clima global. O que torna os resultados desses fen\u00f4menos ainda mais dif\u00edceis de entender \u00e9 a intera\u00e7\u00e3o constante entre eles. Eventualmente, um ciclo est\u00e1 fora de fase em rela\u00e7\u00e3o aos outros e uns tendem a neutralizar os outros. Outras vezes, eles podem se combinar provocando mudan\u00e7as dr\u00e1sticas e s\u00fabitas.<\/p>\n<p>Segundo os autores do novo estudo, a cada 405 mil anos, quando a excentricidade (\u201calongamento\u201d) da \u00f3rbita est\u00e1 em seu m\u00e1ximo, diferen\u00e7as sazonais provocadas pelos ciclos mais curtos se tornam mais intensas, deixando os Ver\u00f5es mais quentes, os Invernos mais frios, os locais secos mais secos e os locais \u00famidos mais \u00famidos. Tudo se inverte 202,5 mil anos depois, quando a \u00f3rbita da Terra se torna mais circular.<\/p>\n<p>Os cientistas explicam que J\u00fapiter e V\u00eanus exercem forte influ\u00eancia na \u00f3rbita da Terra por causa do tamanho e da proximidade, respectivamente. V\u00eanus \u00e9 o planeta mais pr\u00f3ximo da Terra, afastando-se dela no m\u00e1ximo 260 milh\u00f5es de quil\u00f4metros. J\u00fapiter est\u00e1 muito mais longe, mas \u00e9 maior planeta do Sistema Solar, 2,5 vezes maior que a soma de todos os demais.<\/p>\n<h3><strong>Efeito estufa \u00e9 decisivo<\/strong><\/h3>\n<p>Segundo Olsen, o sistema \u00e9 t\u00e3o intrincado que ainda h\u00e1 muita pesquisa a ser feita para que se compreenda completamente as rela\u00e7\u00f5es entre a \u00f3rbita e o clima da Terra. \u201c\u00c9 uma coisa realmente complicada. N\u00f3s utilizamos basicamente o mesmo tipo de conhecimento matem\u00e1tico que \u00e9 utilizado para enviar espa\u00e7onaves a Marte e que funciona muito bem na pr\u00e1tica. Mas quando come\u00e7amos a estudar os movimentos interplanet\u00e1rios em um passado mais remoto e a lig\u00e1-los a mudan\u00e7as no clima, temos que admitir que n\u00e3o entendemos todo o funcionamento.\u201d<\/p>\n<p>Neste momento, segundo os cientistas, a \u00f3rbita da Terra est\u00e1 no ponto mais \u201ccircular\u201d dos \u00faltimos 405 mil anos. \u201cPara n\u00f3s isso provavelmente n\u00e3o tem nenhum significado percept\u00edvel. Esse ciclo est\u00e1 bem longe do topo da lista de coisas que podem influir no clima em escalas de tempo que nos afetem. Neste momento, todo o di\u00f3xido de carbono que n\u00f3s lan\u00e7amos na atmosfera \u00e9 um problema muito maior, com efeitos muito mais importantes nas nossas vidas. O ciclo planet\u00e1rio \u00e9 bem mais sutil\u201d, disse Kent.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um novo estudo demonstra que a influ\u00eancia gravitacional de J\u00fapiter e de V\u00eanus provoca, a<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":84642,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/terrqa.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/terrqa-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/terrqa-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/terrqa.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/terrqa.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/terrqa.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/terrqa.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/terrqa.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/terrqa.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/terrqa.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Um novo estudo demonstra que a influ\u00eancia gravitacional de J\u00fapiter e de V\u00eanus provoca, a","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/84641"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=84641"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/84641\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/84642"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=84641"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=84641"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=84641"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}