{"id":84585,"date":"2018-05-07T18:37:32","date_gmt":"2018-05-07T21:37:32","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=84585"},"modified":"2018-05-07T18:37:32","modified_gmt":"2018-05-07T21:37:32","slug":"rio-sao-francisco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/rio-sao-francisco\/","title":{"rendered":"Rio S\u00e3o Francisco"},"content":{"rendered":"<p><img class=\"alignleft\" src=\"http:\/\/www.revistaecologico.com.br\/esite\/kcfinder\/upload\/images\/capas\/materias\/EE%201%20240.jpg\" alt=\"\" \/>Entenda por que essa maravilha natural merece ser preservada e protegida. Aperfei\u00e7oamento da gest\u00e3o h\u00eddrica na bacia hidrogr\u00e1fica pode evitar colapso ambiental<\/p>\n<p>Por Luciano Lopes<\/p>\n<p>Durante o 8\u00ba F\u00f3rum Mundial da \u00c1gua, o Comit\u00ea da Bacia Hidrogr\u00e1fica do Rio S\u00e3o Francisco (CBHSF) lan\u00e7ou uma nova vers\u00e3o de seu \u201cPlano de Recursos H\u00eddricos\u201d. O objetivo \u00e9 integrar esfor\u00e7os para a constru\u00e7\u00e3o do Pacto das \u00c1guas (proposta que visa \u00e0 incorpora\u00e7\u00e3o da quest\u00e3o h\u00eddrica do rio nas pautas pol\u00edtica e institucional dos estados beneficiados por suas \u00e1guas) para o Velho Chico e seus afluentes.<\/p>\n<p>Elaborado com a participa\u00e7\u00e3o da sociedade, o Plano, que pode ser consultado no site oficial do comit\u00ea (<a href=\"http:\/\/cbhsaofrancisco.org.br\/\" target=\"_blank\">cbhsaofrancisco.org.br<\/a>), define as melhores formas de uso das \u00e1guas do Rio da Integra\u00e7\u00e3o Nacional \u2013 a fim de mant\u00ea-las limpas e pr\u00f3prias para consumo e para a manuten\u00e7\u00e3o da biodiversidade.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de estabelecer projetos e metas para as pr\u00f3ximas duas d\u00e9cadas, o plano orienta a aplica\u00e7\u00e3o de recursos provenientes da cobran\u00e7a pelo uso da \u00e1gua. Ele tamb\u00e9m estrutura a\u00e7\u00f5es que efetivamente podem garantir a sustentabilidade de toda a bacia, que se estende por Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Goi\u00e1s e Distrito Federal.<\/p>\n<p>Recentemente, a implementa\u00e7\u00e3o do Plano ganhou for\u00e7a por meio da assinatura de um protocolo de inten\u00e7\u00f5es entre o CBHSF e o Governo da Bahia. Segundo Anivaldo Miranda, presidente do Comit\u00ea, a inten\u00e7\u00e3o \u00e9 \u201cincrementar a gest\u00e3o eficaz e pactuada das \u00e1guas e estimular o desenvolvimento sustent\u00e1vel em uma vasta e estrat\u00e9gica \u00e1rea, que corresponde a cerca de 8% do territ\u00f3rio brasileiro\u201d.<\/p>\n<p>O protocolo de inten\u00e7\u00f5es j\u00e1 rendeu seu primeiro fruto: a Bacia do Rio Corrente, que des\u00e1gua no Velho Chico, foi selecionada pelo CBHSF e pelo governo baiano para implementa\u00e7\u00e3o urgente de instrumentos efetivos de gest\u00e3o h\u00eddrica. A regi\u00e3o foi considerada priorit\u00e1ria por sofrer constantemente com graves conflitos locais relacionados ao uso da \u00e1gua.<\/p>\n<p>Embora preocupantes, conflitos como esse s\u00e3o apenas uma parte dos problemas que amea\u00e7am a soberania h\u00eddrica do maior rio que corta Minas Gerais. Em alguns trechos por onde ele passa, o cen\u00e1rio \u00e9 desolador: o n\u00edvel da \u00e1gua est\u00e1 t\u00e3o baixo que \u00e9 poss\u00edvel atravess\u00e1-lo a p\u00e9. Somam-se a isso a derrubada de matas ciliares, o lan\u00e7amento de esgoto, que tem polu\u00eddo e assoreado cada vez mais o rio e seus afluentes, e o pol\u00eamico projeto de transposi\u00e7\u00e3o para levar suas \u00e1guas para o semi\u00e1rido nordestino.<\/p>\n<p><strong>Import\u00e2ncia m\u00faltipla<\/strong><\/p>\n<p>O Rio S\u00e3o Francisco nasce no Parque Nacional da Serra da Canastra, no oeste de Minas Gerais, pr\u00f3ximo ao munic\u00edpio de S\u00e3o Roque de Minas. Tem 2.700 quil\u00f4metros de extens\u00e3o e, por ter grande dimens\u00e3o territorial (639.217 km2), sua bacia hidrogr\u00e1fica foi dividida em quatro regi\u00f5es: Alto, M\u00e9dio, Subm\u00e9dio e Baixo S\u00e3o Francisco (leia mais a seguir).<\/p>\n<p>Um dos poucos corpos d\u2019\u00e1gua brasileiros a banhar mais de um bioma \u2013 passa por fragmentos de Mata Atl\u00e2ntica, Cerrado, Caatinga, ecossistemas costeiros e insulares \u2013, o Velho Chico \u00e9, definitivamente, uma d\u00e1diva do sert\u00e3o. O rio \u00e9 fonte de sobreviv\u00eancia para mais de 18 milh\u00f5es de pessoas e tem 58% de sua bacia localizada no \u201cPol\u00edgono das Secas\u201d, \u00e1rea que se situa majoritariamente na Regi\u00e3o Nordeste, tamb\u00e9m se estendendo ao Norte de Minas, e que anualmente sofre com per\u00edodos cr\u00edticos e longos de estiagem.<\/p>\n<p>O Velho Chico tamb\u00e9m constitui base importante para o suprimento de energia el\u00e9trica da regi\u00e3o Nordeste do pa\u00eds. Os represamentos constru\u00eddos nas \u00faltimas d\u00e9cadas, informa o CBHSF, suprem nove usinas hidrel\u00e9tricas em opera\u00e7\u00e3o no curso do rio. O S\u00e3o Francisco representa ainda um extraordin\u00e1rio potencial para o desenvolvimento do transporte hidrovi\u00e1rio. Estima-se que a extens\u00e3o naveg\u00e1vel em sua calha chegue a 1.670 quil\u00f4metros. S\u00f3 para se ter ideia do que isso representa, o trecho naveg\u00e1vel entre Pirapora (MG) e Juazeiro (BA) \u00e9 de 1.313 km.<\/p>\n<p>Outra express\u00e3o da import\u00e2ncia econ\u00f4mica e social est\u00e1 no Vale do Rio S\u00e3o Francisco, que se tornou um polo de produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, com destaque para a produ\u00e7\u00e3o de manga e uva. Apenas em Petrolina (PE) e Juazeiro (BA) s\u00e3o cerca de 35 mil hectares de \u00e1rea plantada, respons\u00e1veis pela exporta\u00e7\u00e3o de mais de 700 mil toneladas de frutas. S\u00e3o n\u00fameros da agricultura irrigada fortalecidos pela subsist\u00eancia dos pequenos produtores rurais \u00e0s margens do Velho Chico, al\u00e9m do artesanato, da cria\u00e7\u00e3o de animais e da pesca.<\/p>\n<p><strong>Fique por dentro<\/strong><\/p>\n<p>O Rio das Velhas \u00e9 o maior afluente do S\u00e3o Francisco. Tem 801 km e nasce no munic\u00edpio de Ouro Preto (MG), no Parque Municipal Cachoeira das Andorinhas. Des\u00e1gua no Velho Chico no distrito de Guaicuy, em V\u00e1rzea da Palma.<\/p>\n<p>Em 2010, a Funda\u00e7\u00e3o Zoo-Bot\u00e2nica inaugurou o \u201cAqu\u00e1rio do Rio S\u00e3o Francisco\u201d. Constru\u00eddo pela Prefeitura de Belo Horizonte, em parceria com o Minist\u00e9rio do Meio Ambiente, no zool\u00f3gico da capital mineira, \u00e9 considerado o maior aqu\u00e1rio tem\u00e1tico do pa\u00eds: tem 3.000 m2 de \u00e1rea e 22 tanques, totalizando mais de um milh\u00e3o de litros de \u00e1gua. E cont\u00e9m mais de 1.200 indiv\u00edduos de 45 esp\u00e9cies de peixes nativos do Velho Chico.<\/p>\n<p><img src=\"http:\/\/www.revistaecologico.com.br\/esite\/kcfinder\/upload\/images\/capas\/materias\/EE%202%20600.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p><strong>\u201cOnde est\u00e3o as minhas veredas?\u201d<\/strong><\/p>\n<p>\u201cO Rio S\u00e3o Francisco \u00e9 franciscano no milagre da grandeza, no ser pr\u00f3ximo dos pobres, na cantilena da for\u00e7a, no simples de voca\u00e7\u00e3o. Sendo o rio da unidade, sofre em cada conten\u00e7\u00e3o pelos trope\u00e7os dos homens, faz-se triste de \u00e1guas turvas, polu\u00eddas, sem o transluzir perfeito que a nascente preparou.<\/p>\n<p>Pelo sert\u00e3o segue o Rio, no amedronto das beiradas de belezas destru\u00eddas, seja no Alto, M\u00e9dio ou no Baixo, entre afluentes mirrados e contaminados, esbarrando em Tr\u00eas Marias que, dificultando a piracema, faz conter a for\u00e7a viva do seu milagre de peixes, sua multiplica\u00e7\u00e3o. Cantam benditas suas \u00e1guas, pela Barra de Urucuia, onde o povo, comungando, reparte o peixe e o pequi.<\/p>\n<p>O Velho Chico pergunta, como andarilho cansado, onde est\u00e3o suas veredas, cen\u00e1rios de Tatarana, o palco de Guimar\u00e3es. Questionando certo progresso, S\u00e3o Francisco lacrimeja, ouvindo sobre recursos ambientais e programas que se escasseiam nos rumos, se enfraquecem nos meandros das defini\u00e7\u00f5es est\u00e9reis e resvalam do seu leito.<\/p>\n<p>Ele \u00e9 um Rio de f\u00e9. N\u00e3o lhe bastasse o seu nome, n\u00e3o cumprisse o seu destino, seria ainda bom mestre dando aula para os simples: ABC de pescadores, tabuada de mulheres que somam filhos e netos multiplicando esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>\u00c9 Rio de profecias, de beatos e poetas, de agouros, juras e votos, de caboclos e carrancas, conjugando o fraseado em verso, prosa e cantigas, colhidos do sentimento alinhavado do povo que, no acanhado da fala, diz tamb\u00e9m suas verdades, fragmentando li\u00e7\u00f5es. \u201cQuem na beira do Rio S\u00e3o Francisco viver, rico n\u00e3o h\u00e1 de ser, de fome e sede n\u00e3o h\u00e1 de morrer e mais de uma camisa n\u00e3o h\u00e1 de ter\u201d. \u00c9 isto que o Rio pede a cada um, pede a n\u00f3s, t\u00e3o pouco: a sobreviv\u00eancia. T\u00e3o muito: a sustenta\u00e7\u00e3o do direito conferido de unidade nacional.\u201d Nestor Sant\u2019Anna, jornalista, produtor cultural e conselheiro da Revista Ecol\u00f3gico<\/p>\n<p><strong>Curiosidades do Velho Chico<\/strong><\/p>\n<p>Mais de 18 milh\u00f5es de pessoas habitam a Bacia, que abrange 507 munic\u00edpios brasileiros.<\/p>\n<p>A vaz\u00e3o m\u00e9dia do rio \u00e9 de 2.850 m3\/s. Ele recebe \u00e1gua de 168 afluentes, sendo 90 na margem direita e 78 na esquerda. Setenta por cento do volume de \u00e1gua do rio \u00e9 gerado em Minas Gerais.<\/p>\n<p>A Bacia Hidrogr\u00e1fica do Rio S\u00e3o Francisco \u00e9 dividida em quatro regi\u00f5es: Alto S\u00e3o Francisco (que vai da nascente at\u00e9 o munic\u00edpio de Pirapora, no centro-norte mineiro); M\u00e9dio S\u00e3o Francisco, onde, ao escoar no sentido sul-norte, atravessa todo o oeste da Bahia at\u00e9 Remanso (BA); o Subm\u00e9dio S\u00e3o Francisco, quando, ao sair de Remanso, o rio desce para o leste at\u00e9 a divisa de Bahia e Pernambuco; e o Baixo S\u00e3o Francisco, entre os estados de Alagoas e Sergipe, onde o Velho Chico des\u00e1gua no mar.<\/p>\n<p>As demandas urbanas e industrial de \u00e1gua do rio, mais expressivas no Alto S\u00e3o Francisco, se relacionam, sobretudo, com siderurgia, minera\u00e7\u00e3o, ind\u00fastria qu\u00edmica, t\u00eaxtil, de papel e equipamentos industriais. Ainda h\u00e1 empresas e resid\u00eancias que lan\u00e7am indiscriminadamente efluentes nas calhas do S\u00e3o Francisco e de seus afluentes. Segundo o CBHSF, uma das \u00e1reas onde a polui\u00e7\u00e3o \u00e9 mais cr\u00edtica \u00e9 a Regi\u00e3o Metropolitana de Belo Horizonte, onde se registra, al\u00e9m dos esgotos dom\u00e9sticos e industriais, uma alta carga inorg\u00e2nica, proveniente da extra\u00e7\u00e3o e beneficiamento de min\u00e9rio.<\/p>\n<p>Em 2014, 116 munic\u00edpios decretaram situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia devido \u00e0 falta d\u2019\u00e1gua em Minas Gerais \u2013 77 deles situados na Bacia do S\u00e3o Francisco. A estiagem prolongada tamb\u00e9m chegou a secar sua nascente, na Serra da Canastra, no per\u00edodo.<\/p>\n<p>No dia 03 de fevereiro \u00e9 comemorado o \u201cDia da Navega\u00e7\u00e3o do S\u00e3o Francisco\u201d. A data foi institu\u00edda pelo Governo Federal porque neste dia, em 1871, foi inaugurada oficialmente a navega\u00e7\u00e3o no rio.<\/p>\n<p><strong>FONTES\/PESQUISA BIBLIOGR\u00c1FICA<\/strong><\/p>\n<p>Comit\u00ea da Bacia Hidrogr\u00e1fica do Rio S\u00e3o Francisco \/ Revista Chico \/ Minist\u00e9rio da Integra\u00e7\u00e3o Nacional \/ Plano de Recursos H\u00eddricos da Bacia Hidrogr\u00e1fica do Rio S\u00e3o Francisco \/ CBH Velhas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entenda por que essa maravilha natural merece ser preservada e protegida. 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