{"id":84577,"date":"2018-05-07T15:00:36","date_gmt":"2018-05-07T18:00:36","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=84577"},"modified":"2018-05-07T12:33:35","modified_gmt":"2018-05-07T15:33:35","slug":"capacidade-de-adaptacao-revela-que-as-aves-sao-muito-mais-inteligentes-do-que-se-pensa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/capacidade-de-adaptacao-revela-que-as-aves-sao-muito-mais-inteligentes-do-que-se-pensa\/","title":{"rendered":"Capacidade de adapta\u00e7\u00e3o revela que as aves s\u00e3o muito mais inteligentes do que se pensa"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/ave.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-84578\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/ave-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/ave-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/ave.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>\u00c9 ineg\u00e1vel: as\u00a0aves\u00a0n\u00e3o t\u00eam um polegar opositor porque n\u00e3o t\u00eam m\u00e3os. Mas s\u00e3o, ao lado dos primatas, o grupo de vertebrados com maior n\u00famero de esp\u00e9cies que usam objetos. As descobertas dos \u00faltimos 20 anos mostram que as aves tamb\u00e9m est\u00e3o entre as mais criativas. Os corv\u00eddeos (pegas, corvos e gralhas)\u00a0s\u00e3o atualmente reconhecidos por sua criatividade\u00a0e os psitac\u00eddeos (papagaios, periquitos etc.) por sua excepcional capacidade de realizar atividades. O abutre-do-egito (<em>Neophron percnopterus<\/em>) joga pedras nos ovos para quebr\u00e1-los, e as gar\u00e7as atraem os peixes com iscas&#8230;<\/p>\n<p>Um grou canadense (<em>Grus canadensis<\/em>) foi visto usando um pano&#8230; para se enxugar! O pica-pau do deserto (<em>Melanerpes uropygialis<\/em>) usa o bico como recipiente para transportar e comer o mel, e a \u00e1guia-negra-africana (<em>Aquila verreauxii<\/em>) \u00e9 perfeitamente capaz de atirar objetos para atacar outro indiv\u00edduo. Um exemplo cl\u00e1ssico \u00e9 o macho da esp\u00e9cie\u00a0<em>Chlamydera nuchalis<\/em>\u00a0e sua decora\u00e7\u00e3o de interiores. Esse pequeno p\u00e1ssaro\u00a0australiano\u00a0cobre o ch\u00e3o de seu ninho com um tapete feito de folhas de v\u00e1rias cores, que completa com conchas, sementes, pequenas pedras e objetos da mesma cor, a fim de atrair a companheira. Ele \u00e9 at\u00e9 capaz de construir uma esp\u00e9cie de leito nupcial, ao qual dedica semanas de trabalho. Come\u00e7a construindo um corredor, que pode ter mais de meio metro de comprimento, com galhos entrela\u00e7ados, que \u00e0s vezes tamb\u00e9m assumem a forma de um arco na entrada. Esse t\u00fanel leva a um p\u00e1tio que o macho decora com pedras, conchas e ossos e \u00e9 posicionado de modo que a f\u00eamea s\u00f3 o descobre quando chega a determinada curva do caminho. Com que inten\u00e7\u00e3o? Surpreender a parceira, talvez, e for\u00e7ar sua admira\u00e7\u00e3o? O mais not\u00e1vel \u00e9 o fato de que o pequeno\u00a0p\u00e1ssaro\u00a0constr\u00f3i um caminho inclinado colocando as pedras maiores no fundo do p\u00e1tio e as menores na entrada, de modo que, em um espa\u00e7o que parece menor do que realmente \u00e9, a figura do p\u00e1ssaro se destaca e, talvez por isso, pare\u00e7a mais sedutora.<\/p>\n<div class=\"teads-inread sm-screen\"><\/div>\n<p>Segundo alguns especialistas, essa atividade tem mais a ver com a fabrica\u00e7\u00e3o de um ninho do que com o uso de ferramentas, mas tamb\u00e9m se pode considerar relacionada \u00e0 manipula\u00e7\u00e3o de objetos. (&#8230;)<\/p>\n<p>Em geral, corvos e gralhas s\u00e3o os campe\u00f5es do uso e fabrica\u00e7\u00e3o de ferramentas com algum grau de complexidade. Um exemplo, como aperitivo. Estamos no\u00a0Jap\u00e3o. Um corvo grande (<em>Corvus corax<\/em>) sobrevoa uma rua. Leva uma castanha no bico. Pousa em um fio de luz, perto de um sem\u00e1foro e acima de uma faixa de pedestres. Quando o tr\u00e2nsito est\u00e1 mais intenso, deixa cair a castanha na pista e os carros que passam acabam por quebr\u00e1-la. Esse p\u00e1ssaro usa nada menos que a circula\u00e7\u00e3o automotiva como ferramenta&#8230; Mas \u00e9 capaz de nos surpreender ainda mais. O corvo espera pacientemente at\u00e9 acender a luz verde para pedestres e s\u00f3 ent\u00e3o voa at\u00e9 a faixa para recolher a castanha, agora livre de sua pris\u00e3o. Esse tipo de relato sobre corvos \u00e9 frequente na Fran\u00e7a, nos Estados Unidos e, como vimos, no Jap\u00e3o. Fetnat, a pequena manon f\u00eamea, usava meu p\u00e9 para quebrar castanhas. Pelo visto, os corvos s\u00e3o os mais espertos.<\/p>\n<p>Mais elaborado \u00e9 o uso que os corvos selvagens da Nova Caled\u00f4nia (<em>Corvus moneduloides<\/em>) sabem dar a alguns objetos. Eles s\u00e3o capazes de us\u00e1-los, por exemplo, para ca\u00e7ar invertebrados alojados na madeira morta. Para isso, utilizam at\u00e9 quatro tipos diferentes de ferramentas, entre as quais est\u00e3o ramos diversos e objetos fabricados com as bordas eri\u00e7adas das folhas lisas e duras do Pandanus.<\/p>\n<p>Esses objetos, aos quais o p\u00e1ssaro chega a imprimir formas complexas, s\u00e3o o produto de v\u00e1rias etapas de fabrica\u00e7\u00e3o. O mais complexo de todos tem uma base larga e \u00e9 mais estreito na ponta e serve para executar a\u00e7\u00f5es que exigem precis\u00e3o e firmeza. Com o bico, os p\u00e1ssaros recortam as bordas das folhas pouco a pouco at\u00e9 formarem reentr\u00e2ncias, que utilizam como pequenos ganchos para capturar as larvas aninhadas na madeira. O perfil gradual da ferramenta e o serrilhado s\u00e3o feitos em etapas diferentes. Acrescente-se a isso o fato de que o processo de desenvolvimento e a forma dos objetos variam de um ambiente para outro, o que poderia indicar, em alguns casos, um comportamento cultural. Muitos cientistas pensam que s\u00e3o as ferramentas mais elaboradas do mundo animal.<\/p>\n<p>Outro exemplo de uso complexo de ferramentas \u00e9 o oferecido pelas gralhas, capazes de us\u00e1-los para brincar. Como? Nada mais f\u00e1cil. Uma gralha pousa sobre um telhado inclinado coberto de neve. No bico, leva um prato ou tampa que encontrou por a\u00ed. P\u00f5e o objeto na superf\u00edcie do telhado, sobe nele e&#8230; desliza para baixo como se estivesse em um tren\u00f3! Repete a mesma opera\u00e7\u00e3o v\u00e1rias vezes, entre descidas r\u00e1pidas e subidas com o ve\u00edculo no bico.<\/p>\n<h3><strong>Exemplos fascinantes<\/strong><\/h3>\n<p>Exemplos fascinantes podem ser vistos em laborat\u00f3rio. Os corvos da Nova Caled\u00f4nia s\u00e3o capazes de sequenciar o uso de ferramentas, como nesta s\u00e9rie de tr\u00eas opera\u00e7\u00f5es: apanhar um objeto com uma corda e us\u00e1-lo para alcan\u00e7ar outro mais longo com o qual consegue chegar \u00e0 comida depositada no fundo de uma caixa. Tamb\u00e9m sabem usar ferramentas para explorar o ambiente, como o galho que utilizam para tatear aranhas e cobras trazidas para o espa\u00e7o em que vivem, provavelmente para garantir a seguran\u00e7a antes de captur\u00e1-las. Destemidos, talvez, mas n\u00e3o est\u00fapidos.<\/p>\n<p>A coleta de alimentos leva a outro exemplo impressionante, o de Betty, um corvo na Nova Caled\u00f4nia que enfrenta o dif\u00edcil desafio de recuperar alimentos colocados em um pequeno cesto com al\u00e7a, por sua vez introduzido em um tubo transparente fixado ao solo em uma extremidade para que a ave n\u00e3o consiga mov\u00ea-la e \u00e9 longa demais para que ela alcance a comida com o bico. Betty s\u00f3 tem a op\u00e7\u00e3o de usar fios de arame. Surpreendentemente, ela n\u00e3o apenas os usa, como o faz de maneira criativa. Segura firmemente um arame com o bico e uma das patas, e com uma s\u00e9rie de movimentos coordenados do corpo, do bico e da pata d\u00e1 ao objeto a forma de gancho. Se o \u00e2ngulo for muito aberto, o gancho deslizar\u00e1 sobre a al\u00e7a do cesto, mas se estiver muito fechado, n\u00e3o ser\u00e1 capaz de segur\u00e1-la. Pois bem, acontece que Betty fez o \u00e2ngulo certo, introduziu o arame no tubo e conseguiu pegar o cesto com ele (&#8230;)<\/p>\n<p>Em suma, muitos mam\u00edferos e aves sabem fazer ferramentas e us\u00e1-las, e para realizar essas atividades usam m\u00e3os, patas, trombas ou bicos. Em outras palavras, n\u00e3o existe um m\u00e9todo \u00fanico para realizar tarefas que exijam interven\u00e7\u00e3o de ferramentas e capacidade criativa e inovadora, muito menos um desenvolvido exclusivamente por seres humanos. Mas talvez essa capacidade tenha sido desenvolvida apenas por mam\u00edferos e p\u00e1ssaros. Ou n\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p class=\"nota_pie\"><em>Trecho do livro \u2018Inteligencia Animal. Cabeza de Chorlitos y Memoria de Elefantes\u2019 (Intelig\u00eancia animal. Cabe\u00e7a de Passarinho e Mem\u00f3ria de Elefante), de Emmanuelle Pouydebat, bi\u00f3loga e pesquisadora do Centre National de la Recherche Scientifique, publicado pela editora Plataforma Actual.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 ineg\u00e1vel: as\u00a0aves\u00a0n\u00e3o t\u00eam um polegar opositor porque n\u00e3o t\u00eam m\u00e3os. 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