{"id":84553,"date":"2018-05-07T12:00:48","date_gmt":"2018-05-07T15:00:48","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=84553"},"modified":"2018-05-07T09:26:30","modified_gmt":"2018-05-07T12:26:30","slug":"o-gigantesco-e-ainda-misterioso-recife-de-corais-encontrado-na-foz-do-rio-amazonas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/o-gigantesco-e-ainda-misterioso-recife-de-corais-encontrado-na-foz-do-rio-amazonas\/","title":{"rendered":"O gigantesco e ainda misterioso recife de corais encontrado na foz do rio Amazonas"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/recife_de_corais.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-84554\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/recife_de_corais-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/recife_de_corais-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/recife_de_corais.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>A cada segundo, o rio Amazonas, o maior do planeta, despeja no mar 200 mil metros c\u00fabicos de \u00e1gua \u2013 60 vezes mais do que a vaz\u00e3o do rio Nilo.<\/p>\n<p>Toda essa \u00e1gua penetra oceano adentro por at\u00e9 400 km, formando uma pluma de \u00e1gua doce, rica em sedimentos e de apar\u00eancia barrenta, com at\u00e9 25 metros de espessura. Ela bloqueia a maior parte da luz do Sol, deixando a regi\u00e3o abaixo numa penumbra, que, em alguns locais, recebe apenas 2% luminosidade normal.<\/p>\n<p>Seria um dos \u00faltimos lugares do mundo em que se deveria esperar encontrar um recife de corais. Mas foi o que aconteceu recentemente \u2013 e o coral descoberto \u00e9 dos grandes. A forma\u00e7\u00e3o tem 56 mil km\u00b2, \u00e1rea equivalente ao Estado da Para\u00edba, o que poder\u00e1 ter implica\u00e7\u00f5es para a planejada explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo na Bacia da Foz do Amazonas.<\/p>\n<p>O risco da explora\u00e7\u00e3o para o recife est\u00e1 sendo avaliado numa expedi\u00e7\u00e3o do navio Esperanza, da ONG Greenpeace, com a participa\u00e7\u00e3o de pesquisadores de v\u00e1rias universidade. Ela come\u00e7ou no dia 2 e deve terminar em 25 de maio.<\/p>\n<p>Estima-se que as reservas de petr\u00f3leo naquela parte da costa brasileira alcancem 14 bilh\u00f5es de barris. A Agencia Nacional de Petr\u00f3leo (ANP) leiloou mais de 150 blocos, adquiridos por v\u00e1rias empresas petroleiras. Est\u00e1 prevista a perfura\u00e7\u00e3o de po\u00e7os de prospec\u00e7\u00e3o em 12 deles.<\/p>\n<p>Os estudos com o navio do Greenpeace est\u00e3o sendo realizados na regi\u00e3o norte da Bacia da Foz do Amazonas, a 135 km da costa do Oiapoque, no Amap\u00e1, estendendo-se at\u00e9 um peda\u00e7o da costa da Guiana Francesa.<\/p>\n<p>\u201cDescobrimos que os corais da Amaz\u00f4nia se sobrep\u00f5em a uma \u00e1rea onde a empresa francesa Total planeja explorar petr\u00f3leo, a 120 km do litoral\u201d, conta Thiago Almeida, especialista em Energia do Greenpeace Brasil.<\/p>\n<p>Os primeiros ind\u00edcios de que poderia haver um recife na Bacia da Foz do Amazonas \u2013 que vai de Bel\u00e9m, passa pela costa da Ilha de Maraj\u00f3 e chega ao Amap\u00e1 \u2013 datam de maio de 1975. Naquele m\u00eas, o navio americano Oregon II passou pela regi\u00e3o num cruzeiro cient\u00edfico, com o objetivo de avaliar os estoques de camar\u00e3o naquelas \u00e1guas.<\/p>\n<p>O que suas redes encontraram, no entanto, foram esponjas, lagostas e peixes, como o pargo, que n\u00e3o deveriam viver ali, pois s\u00e3o t\u00edpicos de recifes. O achado foi divulgado num simp\u00f3sio realizado em 1977, nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Em 2012, outro navio cient\u00edfico americano realizou uma expedi\u00e7\u00e3o \u00e0 regi\u00e3o com o objetivo de estudar as propriedades f\u00edsico-qu\u00edmicas da pluma do Amazonas. A embarca\u00e7\u00e3o levava a bordo o pesquisador brasileiro Rodrigo Le\u00e3o de Moura, que coletou uma quantidade significativa de esponjas coloridas, corais e peixes.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/14478\/production\/_101146038_corais2.jpg\" alt=\"Ouri\u00e7os brancos e rodolitos\" width=\"586\" height=\"329\" \/><\/p>\n<p>Primeiros ind\u00edcios de exist\u00eancia de recife na foz do Amazonas datam de 1975 (Foto: Greenpeace)<\/p>\n<p>Para confirmar \u2013 ou n\u00e3o \u2013 a exist\u00eancia do recife foi organizada, em 2014, uma terceira expedi\u00e7\u00e3o \u00e0 Bacia da Foz do Amazonas. Com 11 pesquisadores a bordo, o navio Cruzeiro do Sul, da Marinha do Brasil, zarpou de Bel\u00e9m em setembro rumo ao Oceano Atl\u00e2ntico.<\/p>\n<p>O resultado do trabalho foi divulgado num artigo publicado na revista Science Advances, em abril de 2016. Foram registradas 61 esp\u00e9cies de esponjas e 73 de peixes recifais, al\u00e9m de v\u00e1rios tipos de algas calc\u00e1rias, respons\u00e1veis pela constru\u00e7\u00e3o da base da estrutura, os rodolitos. A estimativa foi de que o recife tinha 9.500 km\u00b2.<\/p>\n<h2>\u2018Rochas vivas\u2019<\/h2>\n<p>Rodolitos s\u00e3o n\u00f3dulos de carbonato de c\u00e1lcio (CaCO3) de vida livre, com formas que se assemelham a pedregulhos arredondados. Eles s\u00e3o formados pela aglomera\u00e7\u00e3o de pequenas algas que se incrustam, umas sobre as outras ou sobre qualquer substrato, como fragmentos de concha ou gr\u00e3os de areia.<\/p>\n<p>Os pequenos n\u00f3dulos v\u00e3o crescendo pela reprodu\u00e7\u00e3o e multiplica\u00e7\u00e3o desses organismos, que formam sua camada externa. A parte interna, uma esp\u00e9cie de n\u00facleo, se mineraliza. Eles s\u00e3o chamados vulgarmente de rochas vivas, por causa das algas que formam seu exterior.<\/p>\n<p>\u00c0s vezes, os rodolitos podem se deslocar no leito do oceano de acordo com as correntezas. Ou ent\u00e3o podem se fundir e formar estruturas maiores.<\/p>\n<p>\u201cBancos deles s\u00e3o est\u00e1gios iniciais na forma\u00e7\u00e3o dos recifes\u201d, explica o bi\u00f3logo Ronaldo Francini Filho, da Universidade Federal da Para\u00edba UFPB), coordenador do grupo de pesquisadores a bordo do Esperanza.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/144A2\/production\/_101160138_corais4.jpg\" alt=\"Esponja-do-mar\" width=\"586\" height=\"329\" \/><\/p>\n<p>Esponja-do-mar coletada a 90 metros de profundidade na foz do rio Amazonas (Foto: Marizilda Cruppe\/Greenpeace)<\/p>\n<p>\u201cCom o passar do tempo, os n\u00f3dulos de algas tornam-se pesados e ficam ancorados ao fundo. Posteriormente, n\u00f3dulos adjacentes fundem-se e formam estruturas cada vez maiores e mais complexas.\u201d \u00c9 a\u00ed que que se instalam peixes, moluscos, crust\u00e1ceos e v\u00e1rios invertebrados marinhos, e esponjas encontram bases para crescer.<\/p>\n<h2>Tipos de corais<\/h2>\n<p>\u00c9 preciso diferenciar, no entanto, o recife que foi descoberto na Amaz\u00f4nia daqueles que aparecem em document\u00e1rios de TV, localizados em \u00e1guas rasas, cristalinas e bem iluminadas. \u201cO que chamamos de recife de corais s\u00e3o estruturas r\u00edgidas, constru\u00eddas por organismos vivos\u201d, explica Francini. \u201cEm algumas regi\u00f5es rasas, como, por exemplo, Abrolhos, Caribe e Austr\u00e1lia, os corais dominam como organismos construtores.\u201d<\/p>\n<p>Mas um dos principais componentes na constru\u00e7\u00e3o de recifes, geralmente pouco conhecido, s\u00e3o as algas calc\u00e1rias, as quais podem formar bancos de rodolitos, plataformas e at\u00e9 estruturas complexas. Segundo Francini, al\u00e9m dos de corais \u201ccomuns\u201d, h\u00e1 regi\u00f5es no Brasil nas quais os principais organismos construtores s\u00e3o algas calc\u00e1rias, como em algumas \u00e1reas em Abrolhos, o Atol das Rocas e o Recife do Amazonas.<\/p>\n<p>Esse \u00faltimo, em particular, ocorre em \u00e1guas relativamente profundas (70-200 m), em zonas conhecidas como mesof\u00f3ticas (m\u00e9dia luminosidade), de 70 a 150 m, e rarif\u00f3ticas (de luz reduzida), entre 150 e 200 m.<\/p>\n<p>\u201cEle \u00e9 composto predominantemente por algas calc\u00e1rias, mas tamb\u00e9m \u00e9 constru\u00eddo por corais (principalmente\u00a0<em>Madracis decactis<\/em>) e recoberto por esponjas, corais-negros (de esqueleto preto, que vivem em \u00e1guas profundas) e corais-moles (sem esqueleto calc\u00e1rio), sendo habitado por peixes e diversos outros grupos t\u00edpicos de ambientes recifais, como caranguejos e estrelas do mar\u201d, conta Francini.<\/p>\n<h2>Seis vezes maior<\/h2>\n<p>Entre janeiro e fevereiro do ano passado, o Greenpeace organizou a sua primeira expedi\u00e7\u00e3o \u00e0 Bacia da Foz do Amazonas para conhecer melhor o recife. Nela, a organiza\u00e7\u00e3o e os pesquisadores percorreram as suas regi\u00f5es sul e central e fizeram as primeiras imagens dele com o uso de ve\u00edculo operado remotamente (ROV, na sigla em ingl\u00eas), uma esp\u00e9cie de rob\u00f4 subarino.<\/p>\n<p>A principal descoberta do trabalho, publicado em abril na revista cient\u00edfica Frontiers in Marine Science, foi de que o recife pode ser at\u00e9 seis vezes maior do que se estimava anteriormente.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/A862\/production\/_101160134_corais.jpg\" alt=\"Submarino do Greenpeace\" width=\"586\" height=\"329\" \/><\/p>\n<p>Submarino a bordo do navio Esperanza, que realiza expedi\u00e7\u00e3o \u00e0 regi\u00e3o dos corais (Foto: Marozo\u00e7da Cruppe\/Greenpeace)<\/p>\n<p>\u201cIsso demonstra o qu\u00e3o pouco conhecemos dos corais da Amaz\u00f4nia\u201d, diz Almeida, do Greenpeace. \u201cAgora, nesta nossa segunda expedi\u00e7\u00e3o, o Esperanza est\u00e1 navegando pelo setor norte da Bacia da Foz do Amazonas. Dessa vez, o achado mais importante foi a presen\u00e7a de recife dentro da \u00e1rea de um dos blocos da Total, o FZA-M-86.\u201d<\/p>\n<p>De acordo com ele, a descoberta invalida o Estudo de Impacto Ambiental apresentado pela Total para explorar a \u00e1rea. \u201cComo a empresa pode mensurar o risco de um derramamento atingir o sistema recifal e quais seriam os impactos se nem mesmo sabe sua extens\u00e3o?\u201d, questiona.<\/p>\n<p>\u201cIsso, por si s\u00f3, j\u00e1 deveria fazer com que a empresa abandonasse seus planos na regi\u00e3o e que o governo brasileiro negasse a licen\u00e7a ambiental para a empresa.\u201d<\/p>\n<p>Procurada pela BBC Brasil, a Total enviou uma nota dizendo que n\u00e3o pretende perfurar o bloco FZA-M-86, onde foram encontrados recifes.<\/p>\n<p>Inicialmente, diz a companhia, ser\u00e3o perfurados dois po\u00e7os explorat\u00f3rios, situados em \u00e1guas ultra profundas (entre 1.800 m e 2.500 m) nos blocos FZA-M-57 e FZA-M-127.<\/p>\n<p>De fato, no cronograma de perfura\u00e7\u00e3o dos po\u00e7os enviado pela companhia ao Ibama, n\u00e3o h\u00e1 previs\u00e3o para explora\u00e7\u00e3o do po\u00e7o FZA-M-86 pelo menos at\u00e9 2021.<\/p>\n<p>Segundo a assessoria de imprensa, uma eventual perfura\u00e7\u00e3o nesse bloco depender\u00e1 de futuras pesquisas e an\u00e1lises.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A cada segundo, o rio Amazonas, o maior do planeta, despeja no mar 200 mil<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":84554,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/recife_de_corais.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/recife_de_corais-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/recife_de_corais-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/recife_de_corais.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/recife_de_corais.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/recife_de_corais.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/recife_de_corais.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/recife_de_corais.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/recife_de_corais.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/recife_de_corais.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"A cada segundo, o rio Amazonas, o maior do planeta, despeja no mar 200 mil","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/84553"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=84553"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/84553\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/84554"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=84553"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=84553"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=84553"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}