{"id":84545,"date":"2018-05-07T10:00:51","date_gmt":"2018-05-07T13:00:51","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=84545"},"modified":"2018-05-07T09:09:40","modified_gmt":"2018-05-07T12:09:40","slug":"queijo-centenario-do-marajo-e-renda-para-pequenos-produtores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/queijo-centenario-do-marajo-e-renda-para-pequenos-produtores\/","title":{"rendered":"Queijo centen\u00e1rio do Maraj\u00f3 \u00e9 renda para pequenos produtores"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/queijo.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-84546\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/queijo-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/queijo-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/queijo.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Os queijos artesanais est\u00e3o ganhando cada vez mais for\u00e7a no Brasil. S\u00e3o produtos que normalmente t\u00eam receitas antigas, ligadas \u00e0 cultura de cada regi\u00e3o. O Globo Rural j\u00e1 mostrou um mont\u00e3o de queijo por a\u00ed. Neste domingo (6) \u00e9 a vez do queijo do Maraj\u00f3. Um produto centen\u00e1rio, que est\u00e1 enraizado na hist\u00f3ria da ilha, do norte do Par\u00e1.<\/p>\n<p>Os b\u00fafalos foram levados para Maraj\u00f3, no fim do s\u00e9culo 19. Animais fortes, conhecidos pelo trabalho com carga e, principalmente, que gostam de \u00e1reas quentes, \u00famidas e alagadas. Foi exatamente o que eles encontraram no local. A esp\u00e9cie se adaptou t\u00e3o bem que hoje tem mais b\u00fafalo que gente no Maraj\u00f3.<\/p>\n<p><strong><a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/economia\/agronegocios\/globo-rural\/fotos\/2018\/05\/fotos-equipe-do-globo-rural-visita-ilha-de-marajo.html\">GALERIA DE FOTOS: CONFIRA OS BASTIDORES DA VIAGEM<\/a><\/strong><\/p>\n<p>S\u00e3o mais ou menos 358 mil moradores, pelo \u00faltimo censo, contra 376 mil b\u00fafalos. N\u00e3o \u00e9 a t\u00f4a que at\u00e9 a Pol\u00edcia Militar faz ronda montada no b\u00fafalo. Curiosidades \u00e0 parte, \u00e9 na zona rural que os b\u00fafalos fizeram uma revolu\u00e7\u00e3o. Respondem por 60% do rebanho da ilha e fornecem a mat\u00e9ria-prima de um produto cart\u00e3o-postal: o queijo do Maraj\u00f3.<\/p>\n<p>Na fazenda Mironga, em Soure, a fam\u00edlia da Carmem e de Carlos Gouveia, conhecido como Tonga, tem tradi\u00e7\u00e3o no queijo. &#8220;Come\u00e7a essa hist\u00f3ria com os meus av\u00f3s quando vieram de Portugal, certamente aqui j\u00e1 trazia alguma identidade sobre produtos l\u00e1cteos. E aqui come\u00e7aram a trabalhar com leite de bovino\u201d, conta Carlos.<\/p>\n<p>N\u00e3o demorou para trocar por b\u00fafalos. Hoje em dia, de cada dez animais da fazenda, sete s\u00e3o bubalinos. A Mironga tem b\u00fafalo para a produ\u00e7\u00e3o de carne e de leite, para o queijo.\u00a0O leite fresquinho, uns 300 litros por dia, vai logo cedo para a queijaria.<\/p>\n<p>O processo para fazer o queijo \u00e9 longo. Uma m\u00e1quina, uma centr\u00edfuga, tira a gordura do leite fresco. \u00c9 o creme de leite. O que sobra, vai descansar e coalhar por umas 24 horas para s\u00f3 depois ir para a panela.<\/p>\n<p>A etapa da panela \u00e9 uma diferen\u00e7a importante do queijo do Maraj\u00f3. Ele n\u00e3o \u00e9 maturado &#8211; como esses queijos que envelhecem naturalmente, na prateleira. O Maraj\u00f3 \u00e9 cozido. Quase frito. O leite de vaca pode ser adicionado nesse momento, para ajudar a dar liga. Representa, uns 15% do total de leite do processo. \u00c9 preciso mexer bem at\u00e9 criar uma massa uniforme.<\/p>\n<p>A partir da\u00ed, o queijo ganha, personalidade e nome: \u00e9 o queijo creme. \u00c9 o momento &#8216;chave&#8217;. O que j\u00e1 parecia pronto, vira queijo ralado e volta para a panela para receber o creme de leite. Um outro, separado no in\u00edcio do processo. Da\u00ed pra virar o queijo puxa-puxa, brilhante, \u00e9 rapidinho. Um queijo vistoso que todo visitante do Maraj\u00f3 tem que provar.\u00a0<strong><em>Veja no v\u00eddeo.<\/em><\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o tem nada a ver com mu\u00e7arela de b\u00fafala. \u00c9 uma outra textura. Um queijo mais macio, lembra quase um requeij\u00e3o de corte. Muito saboroso. Uma receita que \u00e9 t\u00edpica da ilha e que durante muito tempo s\u00f3 pode ser saboreada no Maraj\u00f3.<\/p>\n<p>Um queijo ilhado, literalmente, isolado pelas \u00e1guas que abra\u00e7am a Ilha do Maraj\u00f3. Foi assim at\u00e9 2013, como conta o diretor da Adepar\u00e1, a Ag\u00eancia de Defesa Agropecu\u00e1ria do estado, Luiz Pinto de Oliveira.<\/p>\n<p>\u201cS\u00f3 podia ser comercializado dentro do Maraj\u00f3. T\u00ednhamos que apreender toda a quantidade de queijo que sa\u00edsse do limite geogr\u00e1fico da regi\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Todo mundo trabalhava no quintal da sua casa, no fundo da casa. Queijaria pequena, sem estrutura. Foi justamente essa informalidade que bloqueou a venda do queijo fora da ilha. A situa\u00e7\u00e3o s\u00f3 mudou em 2013, com a cria\u00e7\u00e3o de uma norma sanit\u00e1ria espec\u00edfica para produtos artesanais.<\/p>\n<p>A Copmaraj\u00f3 j\u00e1 nasceu regularizada e tem um selo que \u00e9 a confirma\u00e7\u00e3o de que o produtor passou por fiscaliza\u00e7\u00e3o e o Sebrae ajuda os queijeiros a se adequar.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil se adequar. Mas requer um certo investimento. Tanto no parque de ordenha, quando na parte da queijaria. Ent\u00e3o, os produtores que j\u00e1 conseguiram fazer essas adequa\u00e7\u00f5es de acordo com o protocolo de boas pr\u00e1ticas, de acordo com a portaria, est\u00e3o conseguindo sim a certifica\u00e7\u00e3o\u201d, explica o analista t\u00e9cnico do Sebrae, Roger Maia.<\/p>\n<p>As regras s\u00e3o t\u00e9cnicas. Falam da estrutura das queijarias, tipo de revestimento, ventila\u00e7\u00e3o, regras de higiene. Na ordenha, a mesma coisa. A fazenda Mironga foi a primeira certificada. Com piso de concreto, \u00e9 f\u00e1cil lavar o curral antes da ordenha. \u00c1gua em tudo, inclusive nos bichos. Funcion\u00e1rios de m\u00e3os limpas e cuidados tamb\u00e9m com os animais.<\/p>\n<p>Em 2017, quase 55 toneladas de queijo sa\u00edram legalmente do Maraj\u00f3. Fruto do trabalho de sete produtores j\u00e1 certificados. \u00c9 preciso incluir mais gente no queijo legalizado e, segundo a Adepar\u00e1, avan\u00e7ar nas negocia\u00e7\u00f5es com o governo federal. \u00c9 que a certifica\u00e7\u00e3o paraense n\u00e3o \u00e9 reconhecida no restante do Brasil. Ou seja, o queijo derrubou\u00a0 a barreira da ilha. Mas a venda segue proibida em outros estados. Um problema que se repete com produtos artesanais de todo o Brasil.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os queijos artesanais est\u00e3o ganhando cada vez mais for\u00e7a no Brasil. 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