{"id":8448,"date":"2014-10-13T14:28:39","date_gmt":"2014-10-13T14:28:39","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=8448"},"modified":"2014-10-13T14:29:17","modified_gmt":"2014-10-13T14:29:17","slug":"apesar-de-melhorias-despoluicao-do-rio-tiete-ainda-e-sonho-distante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/apesar-de-melhorias-despoluicao-do-rio-tiete-ainda-e-sonho-distante\/","title":{"rendered":"Apesar de melhorias, despolui\u00e7\u00e3o do rio Tiet\u00ea ainda \u00e9 sonho distante"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/tiete_poluicao.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-8449\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/tiete_poluicao.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" \/><\/a>Por Malu Ribeiro*<\/p>\n<p>Passados 21 anos do Projeto de Despolui\u00e7\u00e3o do Tiet\u00ea, o maior rio paulista continua \u201cmorto\u201d em um trecho de 71 quil\u00f4metros entre os munic\u00edpios de Guarulhos e Pirapora do Bom Jesus, na regi\u00e3o metropolitana de S\u00e3o Paulo. Nesse trecho, no qual recebe toneladas de esgotos dom\u00e9sticos e industriais sem tratamento e efluentes tratados, al\u00e9m de muito lixo, os \u00edndices de qualidade da \u00e1gua ainda variam de ruim a p\u00e9ssimo. E quem olha para o rio da Ponte das Bandeiras, na Marginal do Tiet\u00ea, na capital, tem a sensa\u00e7\u00e3o de que a recupera\u00e7\u00e3o da sua qualidade ainda \u00e9 um sonho distante.<\/p>\n<p>A boa not\u00edcia, com base nos dados do relat\u00f3rio parcial da qualidade da \u00e1gua que a Funda\u00e7\u00e3o SOS Mata Atl\u00e2ntica produz anualmente para acompanhar a evolu\u00e7\u00e3o dos indicadores do Projeto Tiet\u00ea, \u00e9 que essa imensa carga de polui\u00e7\u00e3o produzida na regi\u00e3o metropolitana tem recuado, na medida em que aumenta o volume de esgotos tratados na bacia do Alto Tiet\u00ea.<\/p>\n<p>No in\u00edcio das obras do projeto de despolui\u00e7\u00e3o, em 1993, o rio estava morto, ou seja, praticamente sem oxig\u00eanio dissolvido na \u00e1gua, e f\u00e9tido em 530 quil\u00f4metros, de Mogi das Cruzes at\u00e9 o reservat\u00f3rio de Barra Bonita. No fim de 2010, ao t\u00e9rmino da segunda etapa do Projeto Tiet\u00ea, o trecho de rio morto compreendia uma extens\u00e3o de 243 quil\u00f4metros, de Suzano at\u00e9 Porto Feliz. Com a evolu\u00e7\u00e3o dos \u00edndices de coleta e tratamento de esgotos, a mancha atual, entre Guarulhos (132 km da nascente) e Pirapora do Bom Jesus (203 km da nascente), reduziu 70,7% em rela\u00e7\u00e3o a 2010.<\/p>\n<p>Mesmo assim, se continuarmos nesse ritmo, sem descontinuidade decorrente de sucess\u00f5es politico-administrativas, ser\u00e3o necess\u00e1rios mais 21 anos de investimentos e esfor\u00e7os para que o rio possa ser considerado recuperado no trecho da regi\u00e3o metropolitana e que n\u00e3o perca qualidade ao longo de sua extens\u00e3o de 1.100 km da nascente, em Sales\u00f3polis, at\u00e9 a foz em Itapura.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que a cada d\u00e9cada os desafios para despolui\u00e7\u00e3o mudam em fun\u00e7\u00e3o das din\u00e2micas sociais, econ\u00f4micas e dos usos dos solos nas bacias hidrogr\u00e1ficas. Somam-se ainda a esses desafios os impactos das mudan\u00e7as do clima que ainda s\u00e3o timidamente considerados.<\/p>\n<p>Os rios das bacias do Tiet\u00ea s\u00e3o sazonais e a qualidade de suas \u00e1guas s\u00e3o impactadas de forma diferente em cada regi\u00e3o que atravessa nos per\u00edodos de seca e de chuvas intensas. Nesta seca dr\u00e1stica, o trecho de 38 quil\u00f4metros entre o munic\u00edpio de Guarulhos, passando pelas Marginais na capital at\u00e9 a divisa com o munic\u00edpio de Osasco, foi o mais prejudicado. A baixa vaz\u00e3o do Tiet\u00ea dificulta a dilui\u00e7\u00e3o dos efluentes e agrava a polui\u00e7\u00e3o, afetando as popula\u00e7\u00f5es, sobretudo com a emiss\u00e3o de g\u00e1s sulf\u00eddrico e com o odor. J\u00e1 no Sistema Alto Tiet\u00ea, a qualidade da \u00e1gua melhorou, saindo de regular para boa em dois pontos, por conta da exist\u00eancia de Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o e \u00e1reas protegidas, em Sales\u00f3polis e Biritiba-Mirim. Nesses trechos da regi\u00e3o de cabeceira, o rio Tiet\u00ea socorreu S\u00e3o Paulo com o fornecimento de \u00e1gua captada em tr\u00eas pontos: Sales\u00f3polis, Biritiba-Mirim e Mogi das Cruzes.<\/p>\n<p>A crise da \u00e1gua na regi\u00e3o Sudeste faz um alerta para a necessidade de promovermos a recupera\u00e7\u00e3o de rios como o Tiet\u00ea para usos m\u00faltiplos da \u00e1gua. Mas, para que isso ocorra, \u00e9 preciso manter a sociedade engajada e fazer press\u00e3o para elevar os \u00edndices de saneamento, adotar novas tecnologias, aprimorar a legisla\u00e7\u00e3o que trata da qualidade das \u00e1guas, da conserva\u00e7\u00e3o de \u00e1reas verdes urbanas e das florestas e retomar efetivamente a fiscaliza\u00e7\u00e3o e o controle de emiss\u00e3o de poluentes.<\/p>\n<p>Os indicadores apurados confirmam que os investimentos em saneamento b\u00e1sico possibilitaram que 18 pontos de coleta distribu\u00eddos em c\u00f3rregos e pequenos rios da Capital deixassem uma condi\u00e7\u00e3o p\u00e9ssima \u2013 de rios completamente mortos \u2013 para \u00edndices ruins, regulares e bons. Em toda a bacia, a amplia\u00e7\u00e3o da rede de coleta e do volume de esgoto tratados t\u00eam resultado na melhoria da qualidade da \u00e1gua. No total, os pontos de coleta com \u00edndices de qualidade p\u00e9ssima ca\u00edram de 7 para 3. J\u00e1 o aumento de 3 para 10 pontos com qualidade de \u00e1gua boa refor\u00e7am a import\u00e2ncia do envolvimento das comunidades locais com as a\u00e7\u00f5es de conserva\u00e7\u00e3o dos rios e nascentes e com a exist\u00eancia de \u00e1reas protegidas ou \u00e1reas verdes.<\/p>\n<p>Esse retrato apontado no relat\u00f3rio \u00e9 resultado do monitoramento da qualidade da \u00e1gua dos rios das bacias hidrogr\u00e1ficas do Alto e M\u00e9dio Tiet\u00ea, que abrangem 68 munic\u00edpios paulistas, num trecho de 576 quil\u00f4metros, entre Sales\u00f3polis e Barra Bonita. No total, 82 pontos foram analisados entre setembro de 2013 a setembro de 2014. O monitoramento \u00e9 realizado mensalmente por grupos de volunt\u00e1rios.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s 23 anos de luta da sociedade, deflagrada em 1991 com o in\u00edcio da campanha para despolui\u00e7\u00e3o do rio, o Projeto Tiet\u00ea tem como nova meta a universaliza\u00e7\u00e3o do saneamento em S\u00e3o Paulo, entre os anos de 2018 e 2020, com a recupera\u00e7\u00e3o dos rios. Por\u00e9m, o ritmo atual indica que teremos em 2020 ainda muitos desafios para que os rios urbanos possam ser utilizados, especialmente no trecho que atravessa a Capital. A baixa disponibilidade de \u00e1gua e a sazonalidade dos rios na bacia hidrogr\u00e1fica do Alto Tiet\u00ea deixam evidente a necessidade de aprimoramento na legisla\u00e7\u00e3o que trata do enquadramento dos rios e dos par\u00e2metros de lan\u00e7amento de efluentes.<\/p>\n<p>Por isso, a SOS Mata Atl\u00e2ntica defende a extin\u00e7\u00e3o da classe 4 de rios na Resolu\u00e7\u00e3o Conama 357, que atualmente permite a figura do rio morto, destinado \u00e0 dilui\u00e7\u00e3o de efluentes, gera\u00e7\u00e3o de energia e transporte. A altera\u00e7\u00e3o na legisla\u00e7\u00e3o \u00e9 um passo decisivo para que rios importantes, como o Tiet\u00ea, voltem a ser usados para outros fins, em especial o abastecimento p\u00fablico.<\/p>\n<p><em>* <strong>Malu Ribeiro<\/strong> \u00e9 coordenadora da Rede das \u00c1guas da Funda\u00e7\u00e3o SOS Mata Atl\u00e2ntica.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Malu Ribeiro* Passados 21 anos do Projeto de Despolui\u00e7\u00e3o do Tiet\u00ea, o maior rio<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":8449,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/tiete_poluicao.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/tiete_poluicao.jpg",150,96,false],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/tiete_poluicao.jpg",300,192,false],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/tiete_poluicao.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/tiete_poluicao.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/tiete_poluicao.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/tiete_poluicao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/tiete_poluicao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/tiete_poluicao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/tiete_poluicao.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Por Malu Ribeiro* Passados 21 anos do Projeto de Despolui\u00e7\u00e3o do Tiet\u00ea, o maior rio","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8448"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8448"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8448\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8449"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8448"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8448"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8448"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}