{"id":84392,"date":"2018-05-04T13:00:52","date_gmt":"2018-05-04T16:00:52","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=84392"},"modified":"2018-05-03T19:50:31","modified_gmt":"2018-05-03T22:50:31","slug":"senciencia-e-inteligencia-animais-produzem-medicamento-atraves-de-plantas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/senciencia-e-inteligencia-animais-produzem-medicamento-atraves-de-plantas\/","title":{"rendered":"Senci\u00eancia e intelig\u00eancia: animais produzem medicamento atrav\u00e9s de plantas"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"resumo-conteudo\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/macaco.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-84393\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/macaco-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/macaco-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/macaco.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>A medicina n\u00e3o \u00e9 exclusivamente uma inven\u00e7\u00e3o humana, e muitos outros animais s\u00e3o conhecidos por se automedicarem com plantas e minerais<\/h2>\n<p>Este m\u00eas, a\u00a0<em>Scientific American<\/em>, uma das revistas cient\u00edficas mais prestigiadas dos Estados Unidos, publicou um artigo intitulado \u201cOrangutans use plant extracts to treat pain\u201d. Ou seja, \u201cOrangotangos usam extratos de planta para tratar a dor\u201d. No artigo, o autor Doug Main, afirma que a medicina n\u00e3o \u00e9 exclusivamente uma inven\u00e7\u00e3o humana, e que muitos outros animais; como insetos, aves e primatas n\u00e3o humanos, s\u00e3o especialmente conhecidos no meio cient\u00edfico por se automedicarem com plantas e minerais \u2013 principalmente para tratar infec\u00e7\u00f5es e outras enfermidades. O que por si s\u00f3 j\u00e1 \u00e9 um indicativo claro n\u00e3o apenas dos n\u00edveis de consci\u00eancia animal, mas tamb\u00e9m de intelig\u00eancia.<\/p>\n<p>Mas o que mais chama a aten\u00e7\u00e3o no artigo, que pode despertar novas discuss\u00f5es sobre a intelig\u00eancia animal e a senci\u00eancia, ou seja, a capacidade de sentir dor, \u00e9 que a pesquisadora e ecologista comportamental Helen Morrogh-Bernard, que h\u00e1 d\u00e9cadas estuda o comportamento dos orangotangos na ilha de Born\u00e9u, encontrou evid\u00eancias de que orangotangos t\u00eam produzido medicamentos de forma in\u00e9dita a partir de plantas.<\/p>\n<p>Helen, que trabalha para a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.borneonaturefoundation.org\/en\/\">Borneo Nature Foundation<\/a>, passou mais de 20 mil horas realizando observa\u00e7\u00e3o formal do comportamento desses animais, e constatou que ocasionalmente eles mastigam especificamente uma planta que n\u00e3o faz parte de suas dietas. Os orangotangos a mastigam at\u00e9 formar uma espuma e ent\u00e3o a esfregam na pele. As massagens com o medicamento natural duram at\u00e9 45 minutos, e normalmente o extrato \u00e9 usado nas pernas e nos bra\u00e7os. Os pesquisadores acreditam que esse \u00e9 o primeiro exemplo conhecido de um animal n\u00e3o humano usando um analg\u00e9sico t\u00f3pico fabricado por ele mesmo.<\/p>\n<p>A planta, que tem o nome de\u00a0<em>Dracaena cantleyi<\/em>, \u00e9 um arbusto de apar\u00eancia incomum com folhas riscadas, e \u00e9 muito eficaz no tratamento de dores. A qu\u00edmica do analg\u00e9sico dos orangotangos da ilha de Born\u00e9u foi estudada na Academia Tcheca de Ci\u00eancias, na Universidade Palack\u00fd (em Oromouc, na Rep\u00fablica Tcheca) e na Universidade M\u00e9dica de Viena.<\/p>\n<p>Os pesquisadores dessas institui\u00e7\u00f5es, parceiros da Borneo Nature Foundation, adicionaram extratos \u00e0s c\u00e9lulas humanas que foram cultivadas em um prato e as estimularam artificialmente para produzir citocinas \u2013 uma resposta do sistema imunol\u00f3gico que causa inflama\u00e7\u00e3o e desconforto. Os cientistas envolvidos na pesquisa relataram \u00e0 revista acad\u00eamica Scientific Reports que o extrato vegetal da Dracaena cantleyi reduziu a produ\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios tipos de citocinas.<\/p>\n<p>Segundo o bi\u00f3logo Jacobus de Roode, da Universidade Emory, sediada em Atlanta, nos Estados Unidos, o resultado realmente sugere que os orangotangos usam a planta para reduzir a inflama\u00e7\u00e3o e tratar a dor. Descobertas como essa ajudam a identificar plantas e subst\u00e2ncias qu\u00edmicas que podem ser \u00fateis na fabrica\u00e7\u00e3o de medicamentos de uso humano.<\/p>\n<p>De acordo com o artigo \u201cOrangutans use plant extracts to treat pain\u201d, publicado pela Scientific American, em criaturas como insetos, a capacidade de se automedicar \u00e9 quase certamente inata; as lagartas do tipo urso lanoso infectadas com moscas parasitas procuram e comem subst\u00e2ncias vegetais que s\u00e3o t\u00f3xicas para as moscas. Mas animais mais complexos podem aprender tais truques ap\u00f3s uma descoberta inicial por um membro de seu grupo.<\/p>\n<p>\u201cPor exemplo, um orangotango pode ter esfregado a planta em sua pele para tentar lidar com parasitas e percebeu que ela tamb\u00e9m causava um agrad\u00e1vel efeito analg\u00e9sico\u201d, disse Michael Huffman, primatologista da Universidade de Kyoto, no Jap\u00e3o. Esse comportamento pode ent\u00e3o ter sido passado para outros orangotangos.<\/p>\n<p>Aparentemente, n\u00e3o h\u00e1 registros desse tipo de automedica\u00e7\u00e3o fora do centro-sul de Born\u00e9u, o que significa que a descoberta tem grande valor cient\u00edfico. E claro, tudo isso ajuda a endossar o fato de que n\u00e3o temos raz\u00e3o para subestimar a senci\u00eancia e a intelig\u00eancia animal n\u00e3o humana quando, cada vez mais, eles nos d\u00e3o mostras de que ainda temos muito a aprender, e principalmente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s suas li\u00e7\u00f5es e ao valor da vida n\u00e3o humana \u2013 incluindo sua capacidade de sentir dor.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A medicina n\u00e3o \u00e9 exclusivamente uma inven\u00e7\u00e3o humana, e muitos outros animais s\u00e3o conhecidos por<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":84393,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/macaco.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/macaco-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/macaco-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/macaco.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/macaco.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/macaco.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/macaco.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/macaco.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/macaco.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/macaco.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"A medicina n\u00e3o \u00e9 exclusivamente uma inven\u00e7\u00e3o humana, e muitos outros animais s\u00e3o conhecidos por","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/84392"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=84392"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/84392\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/84393"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=84392"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=84392"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=84392"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}