{"id":84309,"date":"2018-05-02T14:52:37","date_gmt":"2018-05-02T17:52:37","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=84309"},"modified":"2018-05-02T14:53:43","modified_gmt":"2018-05-02T17:53:43","slug":"a-saga-da-ararinha-azul-para-voar-novamente-em-liberdade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/a-saga-da-ararinha-azul-para-voar-novamente-em-liberdade\/","title":{"rendered":"A saga da ararinha-azul para voar novamente em liberdade"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/arara.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-84310\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/arara-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/arara-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/arara.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Quem j\u00e1 se emocionou com o document\u00e1rio\u00a0<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=dsQJBcnYzAI\" rel=\"noopener\"><em>O Sobrevivente Solit\u00e1rio<\/em><\/a>\u00a0(1999), do jornalista Francisco Pontual, ou j\u00e1 vibrou com as aventuras de Blu, protagonista da anima\u00e7\u00e3o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.rio-ofilme.com.br\/\" rel=\"noopener\"><em>Rio<\/em><\/a>\u00a0(2011), sob dire\u00e7\u00e3o de Carlos Saldanha, conhece um pouco do drama da ararinha-azul (<em>Cyanopsitta spixii<\/em>), possivelmente extinta na natureza desde o ano 2000. Gra\u00e7as aos esfor\u00e7os para sua conserva\u00e7\u00e3o em cativeiro (<em>ex situ<\/em>), a esp\u00e9cie n\u00e3o foi extinta. Hoje, h\u00e1 uma esperan\u00e7a de que a ararinha volte a habitar a Caatinga de Cura\u00e7\u00e1, na Bahia, por meio do Projeto Ararinha na Natureza, que trabalha na implementa\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es do\u00a0<a href=\"http:\/\/www.icmbio.gov.br\/portal\/faunabrasileira\/plano-de-acao-nacional-lista\/2752-plano-de-acao-nacional-para-conservacao-da-ararinha-azul\" rel=\"noopener\">Plano de A\u00e7\u00e3o Nacional para a Conserva\u00e7\u00e3o<\/a>\u00a0da esp\u00e9cie.<\/p>\n<p>A ararinha-azul, \u00fanica esp\u00e9cie do g\u00eanero\u00a0<em>Cyanopsitta<\/em>, foi descoberta h\u00e1 exatos 199 anos, em abril de 1819, em Juazeiro (BA), pelo naturalista alem\u00e3o Johann Baptist Ritter von Spix (1781-1826), durante suas expedi\u00e7\u00f5es pelo Brasil. A ave foi descrita somente em 1832 pelo seu assistente, o herpet\u00f3logo alem\u00e3o Johann Georg Wagler (1800-1832), que homenageou o naturalista batizando a esp\u00e9cie com o nome latim\u00a0<em>Cyanopsitta spixii<\/em>, que significa \u201cararinha-azul-de-Spix\u201d.<\/p>\n<p>Cerca de cem anos antes das grandes expedi\u00e7\u00f5es do zo\u00f3logo Spix e do bot\u00e2nico Carl Friedrich Philipp von Martius entre 1817 e 1820, relatadas no\u00a0<em>Reise in Brasilien<\/em>\u00a0(\u201cViagem pelo Brasil\u201d, em portugu\u00eas), o rio S\u00e3o Francisco ainda era margeado por uma densa mata de galeria com riachos arborizados que poderiam ter se estendido por at\u00e9 50 km de cada lado do rio. Nessas matas haviam grandes caraibeiras (<em>Tabebuia aurea<\/em>), \u00e1rvores nas quais as ararinhas faziam seus ninhos. A ave dependia completamente deste ambiente. No s\u00e9culo 17, os primeiros colonos chegaram no vale do S\u00e3o Francisco e iniciaram as atividades de pecu\u00e1ria extensiva, queimando as florestas para formar pastagens para o gado. Com a destrui\u00e7\u00e3o da mata ciliar do rio S\u00e3o Francisco ao longo de pelo menos tr\u00eas s\u00e9culos, agravada pela constru\u00e7\u00e3o de grandes barragens como a de Sobradinho e suas linhas de transmiss\u00e3o de energia, al\u00e9m da ca\u00e7a ilegal e indiscriminada da ave, as popula\u00e7\u00f5es desta esp\u00e9cie foram desaparecendo antes mesmo que a ci\u00eancia pudesse estud\u00e1-la.<\/p>\n<div id=\"attachment_59827\" class=\"wp-caption alignright\">\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-59827\" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/Gravura-RSF-Martius.jpg\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" srcset=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/Gravura-RSF-Martius.jpg 400w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/Gravura-RSF-Martius-300x196.jpg 300w\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"261\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Ilustra\u00e7\u00e3o que acompanha A viagem pelo Brasil, de Spix e Martius.<\/p>\n<\/div>\n<p>At\u00e9 1986, mais de 150 anos depois de descrita a esp\u00e9cie, n\u00e3o se sabia sequer sua distribui\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica, que s\u00f3 foi estabelecida ap\u00f3s a redescoberta da ararinha por Paul Roth, que encontrou as tr\u00eas \u00faltimas aves nos riachos Barra Grande-Melancia, em Cura\u00e7\u00e1, no nordeste da Bahia. Em 1990, uma expedi\u00e7\u00e3o liderada por Carlos Yamashita e Tony Juniper encontrou uma \u00fanica ave remanescente na natureza: um macho, que desapareceu ap\u00f3s dez anos, em outubro de 2000, pouco depois que o document\u00e1rio de Francisco Pontual descrevendo a triste situa\u00e7\u00e3o deste sobrevivente foi ao ar pela TV Cultura. A partir de ent\u00e3o, a esp\u00e9cie foi considerada extinta na natureza, se tornando uma das aves mais amea\u00e7adas do planeta.<\/p>\n<p><strong>O suposto reaparecimento<\/strong><\/p>\n<p>Em junho de 2016, um v\u00eddeo de uma suposta ararinha-azul voando livre na fazenda Caraibeira, em Cura\u00e7\u00e1, trouxe esperan\u00e7a aos conservacionistas e deixou todos em polvorosa. \u201cFicamos sabendo desse reaparecimento por meio da SAVE, que j\u00e1 trabalhava no Projeto Ararinha na Natureza na \u00e1rea da fazenda Caraibeira. A \u00e1rea \u00e9 cercada desde 2012 e a caprinocultura n\u00e3o tem acesso. O\u00a0<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=jBCALFt-jl8\" rel=\"noopener\">v\u00eddeo<\/a>\u00a0(assista abaixo) foi registrado pela propriet\u00e1ria do terreno, dona Lourdes, e por sua filha, Damilys, ao escutarem a suposta ararinha num final de tarde. Ao amanhecer, a seguiram at\u00e9 uma barragem na Serra da Borracha e fizeram o registro\u201d, relatou Camile Lugarini, analista do ICMBio\/CEMAVE e uma das coordenadoras do projeto Ararinha na Natureza. \u201cEncaminhamos os sons do v\u00eddeo a um especialista para confirmar a identidade da esp\u00e9cie. Pela pouca quantidade de sons dispon\u00edveis, quando foi inserida no espectrograma (gr\u00e1fico que representa o espectro de ondas sonoras) o especialista achou mais prov\u00e1vel se tratar de um indiv\u00edduo de arara-azul-de-Lear (<em>Anodorhynchus leari<\/em>). Isso \u00e9 bem prov\u00e1vel, pois a Serra da Borracha \u00e9 o \u00fanico lugar da regi\u00e3o onde h\u00e1 licuris (uma esp\u00e9cie de palmeira da qual as araras-azuis se alimentam) e \u00e9 uma \u00e1rea de distribui\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica da arara-azul-de-Lear. Em compensa\u00e7\u00e3o, a silhueta da ave parece de uma ararinha-azul. Fizemos expedi\u00e7\u00f5es \u00e0 \u00e1rea e t\u00ednhamos v\u00e1rios especialistas em campo. Contudo, ningu\u00e9m conseguiu localiz\u00e1-la\u201d, explicou a pesquisadora.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/jBCALFt-jl8\" width=\"100%\" height=\"478\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>O mist\u00e9rio sobre a identidade da ave at\u00e9 hoje n\u00e3o foi resolvido. Para Camile Lugarini, h\u00e1 muitas d\u00favidas acerca da exist\u00eancia ou n\u00e3o da esp\u00e9cie na natureza: \u201cTanto para a comunidade quanto para dona Lourdes e Damilys, esse \u00e9 um registro aut\u00eantico da ararinha-azul. O registro existe e os v\u00eddeos est\u00e3o dispon\u00edveis na internet. Entretanto, ningu\u00e9m conseguiu confirmar nem descartar a hip\u00f3tese de que \u00e9 realmente uma ararinha-azul. Se for mesmo uma ararinha, qual seria a origem dela? Pode ter sido uma soltura de algum cativeiro, mas tamb\u00e9m h\u00e1 uma pequena possibilidade de que ela venha de um local remoto e pouco estudado, pois existem \u00e1reas que desde a d\u00e9cada de 90 n\u00e3o s\u00e3o amostradas por serem perigosas, devido \u00e0 exist\u00eancia de tr\u00e1fico de drogas ou planta\u00e7\u00f5es de maconha. Existem suposi\u00e7\u00f5es de que essa ararinha tamb\u00e9m ocorra na Serra das Confus\u00f5es, no Piau\u00ed, mas tamb\u00e9m sem comprova\u00e7\u00e3o. Por haver a possibilidade de que ainda exista uma popula\u00e7\u00e3o remanescente na natureza, a esp\u00e9cie \u00e9 considerada Criticamente Amea\u00e7ada e possivelmente Extinta na Natureza\u201d.<\/p>\n<p><strong>Projeto Ararinha na Natureza<\/strong><\/p>\n<p>O\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/ararinhananatureza\" rel=\"noopener\">Projeto Ararinha na Natureza<\/a>\u00a0foi lan\u00e7ado em 2012 com o objetivo de implementar o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.icmbio.gov.br\/portal\/faunabrasileira\/plano-de-acao-nacional-lista\/2752-plano-de-acao-nacional-para-conservacao-da-ararinha-azul\" rel=\"noopener\">Plano de A\u00e7\u00e3o Nacional (PAN) para a Conserva\u00e7\u00e3o da Ararinha-azul<\/a>, tamb\u00e9m lan\u00e7ado no mesmo ano. Desde sua cria\u00e7\u00e3o o projeto atua na pesquisa de conserva\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie e na educa\u00e7\u00e3o ambiental dos moradores locais, al\u00e9m de lutar pela cria\u00e7\u00e3o de unidades de conserva\u00e7\u00e3o para proteger a popula\u00e7\u00e3o a ser reintroduzida.\u00a0O\u00a0<a href=\"http:\/\/www.icmbio.gov.br\/cemave\/\" rel=\"noopener\">Centro Nacional de Pesquisa e Conserva\u00e7\u00e3o de Aves Silvestres (ICMBio\/CEMAVE)<\/a>\u00a0coordena as atividades do Projeto. Os mantenedores da esp\u00e9cie em cativeiro tamb\u00e9m investem recurso consider\u00e1vel para sua manuten\u00e7\u00e3o e reprodu\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de recursos para a aquisi\u00e7\u00e3o e cercamento de propriedades na \u00e1rea de distribui\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica da esp\u00e9cie. Al\u00e9m das anteriormente citadas, outras importantes institui\u00e7\u00f5es parceiras s\u00e3o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.act-parrots.org\/?lang=en\">Association for the Conservation of Threatened Parrots (ACTP)<\/a>,\u00a0<a href=\"http:\/\/awwp.alwabra.com\/\">Al Wabra<\/a>,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/ararinhananatureza\/posts\/971105323000112\">Faz. Cachoeira<\/a>,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.wrs.com.sg\/en\/jurong-bird-park\/\">Jurong Bird Park<\/a>,\u00a0<a href=\"http:\/\/parrotsinternational.org\/\">Parrots International<\/a>,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.rainforesttrust.org\/\">RainForest Trust<\/a>,\u00a0<a href=\"http:\/\/www.funbio.org.br\/\">Funbio<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"http:\/\/www.vale.com\/brasil\/\">Vale<\/a>, al\u00e9m de universidades, como a\u00a0<a href=\"http:\/\/portais.univasf.edu.br\/\">UNIVASF<\/a>,\u00a0<a href=\"http:\/\/www5.usp.br\/\">USP<\/a>,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ufpe.br\/\">UFPE<\/a>,\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ufrn.br\/\">UFRN<\/a>,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ufpb.br\/\">UFPB<\/a>,\u00a0<a href=\"https:\/\/ufmg.br\/\">UFMG<\/a>\u00a0e ONGs, como a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.savebrasil.org.br\/\">Save Brasil<\/a>,\u00a0<a href=\"http:\/\/institutoararaazul.org.br\/\">Instituto Arara-azul<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"http:\/\/www.espacosilvestre.org.br\/\">Instituto Espa\u00e7o Silvestre<\/a>.<\/p>\n<div id=\"attachment_59831\" class=\"wp-caption alignleft\">\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-59831\" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/credito-cristine-prates-2.jpg\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" srcset=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/credito-cristine-prates-2.jpg 400w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/credito-cristine-prates-2-300x253.jpg 300w\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"337\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Foto: Cristine Prates.<\/p>\n<\/div>\n<p>O objetivo do projeto \u00e9 ousado: reintroduzir a ararinha-azul na sua \u00e1rea de ocorr\u00eancia original e buscar o aumento populacional cont\u00ednuo at\u00e9 2022. \u201cPara tanto foram tra\u00e7ados cinco objetivos espec\u00edficos e 36 a\u00e7\u00f5es, algumas em continuidade do ciclo anterior\u201d, explica Camile Lugarini.<\/p>\n<p><strong>A reintrodu\u00e7\u00e3o fracassada e as expectativas futuras<\/strong><\/p>\n<p>A reintrodu\u00e7\u00e3o planejada para 2022 n\u00e3o \u00e9 a primeira a ser tentada com a ararinha-azul. Em 1995 foi realizada a soltura de uma f\u00eamea, para que ela fizesse par com o \u00faltimo macho selvagem da esp\u00e9cie. Ap\u00f3s dois meses da soltura da f\u00eamea, o casal se encontrou em maio de 1995 e passaram a voar juntos at\u00e9 que, no m\u00eas seguinte, a f\u00eamea desapareceu. Apesar das intensas buscas, ela nunca foi localizada. Somente em 1999 um morador local contou aos pesquisadores que ele teria encontrado, quatro anos antes, a f\u00eamea morta sob uma linha de alta tens\u00e3o. Uma equipe vasculhou o local, mas n\u00e3o encontrou restos da carca\u00e7a. Portanto, nada foi confirmado e a reintrodu\u00e7\u00e3o, apesar de bem sucedida tecnicamente, n\u00e3o alcan\u00e7ou o objetivo.<\/p>\n<p>Hoje, gra\u00e7as aos esfor\u00e7os para conserva\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie em cativeiro, \u00e9 poss\u00edvel tentar a reintrodu\u00e7\u00e3o. Mas n\u00e3o sem antes garantir a prote\u00e7\u00e3o dos indiv\u00edduos reintroduzidos. \u201cA popula\u00e7\u00e3o em cativeiro est\u00e1 estabilizando, ent\u00e3o j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel produzir excedentes para a reintrodu\u00e7\u00e3o. O que precisamos \u00e9 seguir os passos anteriores: a cria\u00e7\u00e3o da Unidade de Conserva\u00e7\u00e3o, a constru\u00e7\u00e3o do Centro de Reprodu\u00e7\u00e3o e Reintrodu\u00e7\u00e3o, a capacita\u00e7\u00e3o de pessoas na regi\u00e3o e programas de educa\u00e7\u00e3o ambiental e fiscaliza\u00e7\u00e3o para melhorar a prote\u00e7\u00e3o da \u00e1rea\u201d, explicou Camile Lugarini. \u201cAcreditamos que, com a cria\u00e7\u00e3o da UC, haver\u00e1 melhor articula\u00e7\u00e3o entre as esferas de governo para promover a prote\u00e7\u00e3o da \u00e1rea e fazer com que a comunidade tamb\u00e9m seja mobilizada. H\u00e1 uma estrat\u00e9gia de promover o turismo de base comunit\u00e1ria para que as pessoas vejam o ganho que podem ter com a conserva\u00e7\u00e3o da ararinha. Em nosso diagn\u00f3stico, quando pergunt\u00e1vamos aos moradores locais sobre a import\u00e2ncia de a ararinha voltar para a regi\u00e3o, eles respondiam \u2018ah, por que ela \u00e9 bonita\u2019. Ent\u00e3o temos que mostrar que a vida deles pode melhorar a partir da ararinha, utilizando-a como fonte de recursos sustent\u00e1veis, melhorando as pr\u00e1ticas produtivas e investindo mais em turismo de base comunit\u00e1ria com \u00eanfase na observa\u00e7\u00e3o de aves\u201d, explicou a analista.<\/p>\n<p><strong>Programa de Cativeiro<\/strong><\/p>\n<div id=\"attachment_59830\" class=\"wp-caption alignnone\">\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-59830\" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/Casal.jpg\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" srcset=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/Casal.jpg 400w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/Casal-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/Casal-278x185.jpg 278w\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"267\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Em 2017, a popula\u00e7\u00e3o cativa alcan\u00e7ou o n\u00famero recorde de 152 indiv\u00edduos no programa. Foto: Marcus Romero.<\/p>\n<\/div>\n<p>Considerando que as popula\u00e7\u00f5es na natureza (se existirem) s\u00e3o desconhecidas, o Programa de Cria\u00e7\u00e3o e Reprodu\u00e7\u00e3o em Cativeiro da esp\u00e9cie \u00e9 o carro chefe do\u00a0<a href=\"http:\/\/www.icmbio.gov.br\/portal\/faunabrasileira\/plano-de-acao-nacional-lista\/2752-plano-de-acao-nacional-para-conservacao-da-ararinha-azul\" rel=\"noopener\">PAN Ararinha-azul<\/a>. H\u00e1 apenas tr\u00eas criadouros respons\u00e1veis pela reprodu\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie: Association for the Conservation of Threatened Species, Al Wabra Wildlife Preservation e Fazenda Cachoeira. Existe ainda um zool\u00f3gico que exp\u00f5e as aves com fins educacionais e capta\u00e7\u00e3o de recurso, o Jurong Bird Park, de Cingapura. Dentre os principais desafios da reintrodu\u00e7\u00e3o, est\u00e3o: a pequena popula\u00e7\u00e3o de ararinhas em cativeiro com uma baixa variabilidade gen\u00e9tica, alguns pares n\u00e3o reprodutores, baixas taxas de fertilidade, baixo desenvolvimento dos embri\u00f5es, problemas de eclos\u00e3o dos ovos e deformidades nos filhotes.<\/p>\n<p>Em 2012, quando o PAN ararinha-azul foi publicado, haviam 73 indiv\u00edduos no programa. Em 2013, sete ovos foram fertilizados artificialmente, e dois deles desenvolveram filhotes, 26 dias depois. Em 2014, pela primeira vez, todos os tr\u00eas mantenedores produziram filhotes no mesmo ano e dois filhotes nasceram por incuba\u00e7\u00e3o natural no Brasil. Em 2016, dois mantenedores externos produziram as primeiras ararinhas criadas pelos pais. Em 2017, finalmente, a popula\u00e7\u00e3o cativa come\u00e7ou a alcan\u00e7ar a estabilidade. Foram produzidos 20 filhotes em 2015, 23 em 2016 e 26\u00a0em 2017, totalizando o n\u00famero recorde de 152\u00a0indiv\u00edduos em dezembro de 2017, sendo 11 no Brasil. Esses resultados mostram que as ararinhas-azuis podem ser reintroduzidas em breve. \u201cTemos a expectativa de receber 50 reprodutores at\u00e9 mar\u00e7o de 2019 para se reproduzirem na regi\u00e3o de Cura\u00e7\u00e1. Para tanto, iremos, em conjunto com mantenedores e patrocinadores internacionais, construir o Centro de Reprodu\u00e7\u00e3o e Reintrodu\u00e7\u00e3o\u201d, frisou Camile Lugarini.<\/p>\n<p><strong>Riqueza biol\u00f3gica<\/strong><\/p>\n<div id=\"attachment_59834\" class=\"wp-caption alignleft\">\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-59834\" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/credito-Cristine-Prates-4.jpg\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" srcset=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/credito-Cristine-Prates-4.jpg 400w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/credito-Cristine-Prates-4-244x300.jpg 244w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/credito-Cristine-Prates-4-300x368.jpg 300w\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"491\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Foto: Cristine Prates.<\/p>\n<\/div>\n<p>A regi\u00e3o de Cura\u00e7\u00e1 \u00e9 rica em esp\u00e9cies e, por isso, uma an\u00e1lise sobre os predadores est\u00e1 sendo desenvolvida dentro das a\u00e7\u00f5es do plano de A\u00e7\u00e3o da Ararinha. O bi\u00f3logo Paulo Henrique Marinho (UFRN) e sua equipe instalaram armadilhas fotogr\u00e1ficas (c\u00e2mera autom\u00e1tica que dispara sozinha a partir de um est\u00edmulo de movimento e\/ou calor) em 60 pontos em meio a \u00e1reas de mata ciliar, caatinga aberta e serras da regi\u00e3o, al\u00e9m de conversar com os moradores locais sobre os animais residentes. \u201cOs resultados guiar\u00e3o a escolha do local para a reintrodu\u00e7\u00e3o da ararinha-azul, considerando locais com menor probabilidade de ocorr\u00eancia de predadores que podem afetar casais reprodutores e filhotes nos ninhos\u201d, explicou o pesquisador.<\/p>\n<p>Os pesquisadores encontraram 15 esp\u00e9cies de mam\u00edferos e 3 de aves terrestres de m\u00e9dio e grande porte. Cinco destas esp\u00e9cies s\u00e3o consideradas amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o, como o gato-do-mato-pintado (<em>Leopardus tigrinus)<\/em>, o gato-mourisco (<em>Puma yagouaroundi)<\/em>, a on\u00e7a-parda (<em>Puma concolor)<\/em>, o moc\u00f3 (<em>Kerodon rupestres)<\/em>\u00a0e a jacucaca (<em>Penelope jacucaca<\/em>), al\u00e9m de duas quase amea\u00e7adas, o caititu (<em>Pecari tajacu)<\/em>\u00a0e a ema (<em>Rhea americana<\/em>). Houve um \u00fanico registro de gamb\u00e1-de-orelhas-brancas (<em>Didelphis albiventris)<\/em>, que \u00e9 um poss\u00edvel predador de ninhos e poucos registros de tamandu\u00e1-mirim (<em>Tamandua tetradactyla<\/em>), um poss\u00edvel competidor por ocos de \u00e1rvores onde as ararinhas fazem ninhos.<\/p>\n<p>\u201cOs resultados sugerem que essas esp\u00e9cies predadoras e competidoras n\u00e3o devem representar uma grande amea\u00e7a para as ararinhas. As an\u00e1lises mostraram que os ambientes florestais de serras e matas de galeria s\u00e3o o ref\u00fagio de muitas das esp\u00e9cies encontradas, pois fornecem melhores condi\u00e7\u00f5es de vida e recursos como abrigo e alimento. As matas de galeria, inclusive, foram os derradeiros ref\u00fagios das \u00faltimas ararinhas-azuis que viveram na regi\u00e3o\u201d, explicou Paulo.<\/p>\n<div id=\"attachment_59832\" class=\"wp-caption alignright\">\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-59832\" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/Spixs_Macaw_Marcus_Romero_8.jpg\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" srcset=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/Spixs_Macaw_Marcus_Romero_8.jpg 400w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/Spixs_Macaw_Marcus_Romero_8-300x272.jpg 300w\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"363\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Foto: Marcus Romero.<\/p>\n<\/div>\n<p>\u201cEsses resultados refor\u00e7am a import\u00e2ncia da \u00e1rea de ocorr\u00eancia hist\u00f3rica da ararinha-azul para a conserva\u00e7\u00e3o da diversidade de mam\u00edferos e aves terrestres da Caatinga. A implementa\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias como a cria\u00e7\u00e3o de unidades de conserva\u00e7\u00e3o j\u00e1 em curso, a recupera\u00e7\u00e3o de \u00e1reas degradadas e o incentivo a pr\u00e1ticas sustent\u00e1veis de agricultura e pecu\u00e1ria s\u00e3o essenciais para a manuten\u00e7\u00e3o dessa biodiversidade e dos seus servi\u00e7os ecol\u00f3gicos, como a dispers\u00e3o de sementes realizada por frug\u00edvoros como jacucaca, caititu e veado-catingueiro (<em>Mazama gouazoubira)<\/em>. Dessa forma, a ararinha-azul, mesmo considerada extinta na natureza, serve como \u2018esp\u00e9cie-guarda-chuva\u2019 para muitas outras, ou seja, os esfor\u00e7os para garantir seu retorno para a Caatinga acabam beneficiando a conserva\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias outras esp\u00e9cies que ocorrem na mesma \u00e1rea\u201d, concluiu ele.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quem j\u00e1 se emocionou com o document\u00e1rio\u00a0O Sobrevivente Solit\u00e1rio\u00a0(1999), do jornalista Francisco Pontual, ou j\u00e1<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":84310,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/arara.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/arara-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/arara-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/arara.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/arara.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/arara.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/arara.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/arara.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/arara.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/arara.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Quem j\u00e1 se emocionou com o document\u00e1rio\u00a0O Sobrevivente Solit\u00e1rio\u00a0(1999), do jornalista Francisco Pontual, ou j\u00e1","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/84309"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=84309"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/84309\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/84310"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=84309"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=84309"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=84309"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}