{"id":84047,"date":"2018-04-27T20:50:30","date_gmt":"2018-04-27T23:50:30","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=84047"},"modified":"2018-04-27T20:52:18","modified_gmt":"2018-04-27T23:52:18","slug":"artico-e-ralo-global-de-lixo-plastico-dizem-cientistas-alemaes-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/artico-e-ralo-global-de-lixo-plastico-dizem-cientistas-alemaes-2\/","title":{"rendered":"\u00c1rtico \u00e9 ralo global de lixo pl\u00e1stico, dizem cientistas alem\u00e3es"},"content":{"rendered":"<div><\/div>\n<div id=\"attachment_59708\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 649px;\">\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/Polo-1024x683.jpg\" width=\"639\" height=\"426\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Gelo marinho no \u00c1rtico. Foto: S. Hendricks\/Instituto Alfred Wegener.<\/p>\n<\/div>\n<p>O polo Norte frequenta o imagin\u00e1rio das pessoas como um lugar selvagem, in\u00f3spito e inacess\u00edvel. Pesquisadores alem\u00e3es acabam de acrescentar mais um adjetivo a essa lista: emporcalhado por lixo pl\u00e1stico. Eles descobriram que o gelo marinho em todo o \u00c1rtico cont\u00e9m concentra\u00e7\u00f5es de micropl\u00e1sticos tr\u00eas vezes maiores do que se imaginava. E parte desse lixo est\u00e1 sendo cuspida de volta ao mar \u00e0 medida que o gelo derrete por conta da mudan\u00e7a clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>A lista \u00e9 extensa: por ali existe PET de garrafas, polietileno e polipropileno de embalagens, EVA, PVC de origens diversas, acetato de celulose de bitucas de cigarro, poli\u00e9ster de tecidos e muito, muito acr\u00edlico de verniz de navios e nylon de redes de pesca. Cada litro de gelo marinho cont\u00e9m 12 mil part\u00edculas microsc\u00f3picas dos res\u00edduos da nossa civiliza\u00e7\u00e3o industrial, que foram parar no oceano mais isolado da Terra.<\/p>\n<p>A presen\u00e7a de pl\u00e1stico degradado no mar polar \u00e9 conhecida pelo menos desde o come\u00e7o da d\u00e9cada. Este jornalista testemunhou uma das primeiras detec\u00e7\u00f5es de micropl\u00e1sticos em 2011 no mar de Barents, entre a Noruega e a Groenl\u00e2ndia, feita por uma pesquisadora brit\u00e2nica de carona num navio do Greenpeace. A dimens\u00e3o do problema e o papel do oceano \u00c1rtico no \u201cciclo do pl\u00e1stico\u201d oce\u00e2nico, por\u00e9m, permanecem desconhecidos. Um pouco menos agora.<\/p>\n<p>Num estudo publicado nesta ter\u00e7a-feira (24) no peri\u00f3dico Nature Communications, o grupo de Ilka Peeken, do Instituto Alfred Wegener, sugere que o oceano \u00c1rtico \u00e9 uma esp\u00e9cie de \u201cralo\u201d para parte das 8 milh\u00f5es de toneladas de pl\u00e1sticos que a humanidade despeja todo ano no mar. Os res\u00edduos s\u00e3o levados das grandes cidades pelos rios e pelo esgoto at\u00e9 o oceano, e transportados por correntes marinhas at\u00e9 lugares como a Mancha de Lixo do Pac\u00edfico, uma regi\u00e3o contaminada tr\u00eas vezes maior que a Fran\u00e7a.<\/p>\n<div class=\"olho-direita\">No mar o pl\u00e1stico \u00e9 degradado pela \u00e1gua e pela luz do sol e se quebra em pedacinhos muito, muito pequenos. \u00c9 o chamado micropl\u00e1stico, que consiste em part\u00edculas com mil\u00e9simos de mil\u00edmetro de di\u00e2metro e cujos efeitos sobre a biodiversidade marinha e a sa\u00fade das pessoas ainda n\u00e3o s\u00e3o conhecidos. Campanhas v\u00eam sendo feitas nos \u00faltimos anos, especialmente na Europa, para banir o uso de pl\u00e1sticos descart\u00e1veis justamente por causa de seu impacto no mar.<\/div>\n<p>Apesar da quantidade colossal de pl\u00e1stico que entra no oceano, os cientistas s\u00f3 conhecem o destino de 1% desse lixo. Pekken e colegas sugerem que parte dele est\u00e1 sendo empurrada para o \u00c1rtico e armazenada no gelo, ao menos por alguns anos.<\/p>\n<p>Os pesquisadores coletaram amostras de gelo de cinco regi\u00f5es diferentes do \u00c1rtico, em expedi\u00e7\u00f5es do quebra-gelo alem\u00e3o Polarstern entre 2014 e 2015. Elas foram comparadas a amostras coletadas em 2005 e 2010.<\/p>\n<p>A quantidade, a variedade e a onipresen\u00e7a de micropl\u00e1sticos no gelo marinho sugere que o lixo est\u00e1 penetrando o polo Norte por meio de correntes no estreito de Bering, no setor do Pac\u00edfico, e no estreito de Fram, no setor do Atl\u00e2ntico. As primeiras podem estar carregando res\u00edduos da Grande Mancha de Lixo do Pac\u00edfico diretamente para o dom\u00ednio dos ursos polares.<\/p>\n<p>\u201cNingu\u00e9m sabe ao certo qu\u00e3o danosas essas micropart\u00edculas s\u00e3o para a vida marinha ou, em \u00faltima an\u00e1lise, para os seres humanos\u201d, afirmou Pekken em comunicado do Instituto Alfred Wegener.<\/p>\n<p>epois de passar alguns anos estocado no gelo e circulando pelo \u00c1rtico, o micropl\u00e1stico \u00e9 empurrado pelas correntes para o estreito de Fram, no leste da Groenl\u00e2ndia, para onde escoa boa parte do gelo marinho que derrete no ver\u00e3o. Com a acelera\u00e7\u00e3o do degelo, esse \u201creservat\u00f3rio\u201d global de micropl\u00e1stico devolve o lixo ao mar cada vez mais r\u00e1pido.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 isso: analisando a concentra\u00e7\u00e3o de part\u00edculas e seu tipo no setor atl\u00e2ntico do oceano \u00c1rtico, os cientistas tamb\u00e9m inferem que o aumento das atividades humanas na regi\u00e3o \u2013 como pesca, transporte mar\u00edtimo e explora\u00e7\u00e3o de \u00f3leo e g\u00e1s \u2013, que v\u00eam sendo facilitadas nos \u00faltimos anos pelo degelo, tamb\u00e9m est\u00e1 contribuindo para a sujeira. \u201cA alta concentra\u00e7\u00e3o no gelo marinho n\u00e3o pode ser atribu\u00edda somente a fontes de fora do Oceano \u00c1rtico. Elas tamb\u00e9m apontam para polui\u00e7\u00e3o local\u201d, diz a ocean\u00f3grafa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Gelo marinho no \u00c1rtico. Foto: S. Hendricks\/Instituto Alfred Wegener. 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