{"id":83998,"date":"2018-04-27T10:00:37","date_gmt":"2018-04-27T13:00:37","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=83998"},"modified":"2018-04-26T21:33:21","modified_gmt":"2018-04-27T00:33:21","slug":"atois-tropicais-podem-ficar-inabitaveis-ja-na-metade-deste-seculo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/atois-tropicais-podem-ficar-inabitaveis-ja-na-metade-deste-seculo\/","title":{"rendered":"At\u00f3is tropicais podem ficar inabit\u00e1veis j\u00e1 na metade deste s\u00e9culo"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/atos.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-83999\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/atos-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/atos-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/atos.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas poder\u00e3o tornar os at\u00f3is tropicais inabit\u00e1veis j\u00e1 na metade deste s\u00e9culo, sugere um estudo publicado na \u00faltima quarta-feira (25) no site da revista cient\u00edfica\u00a0<em>Science Advances<\/em>. Os pesquisadores criaram modelos clim\u00e1ticos que, pela primeira vez, consideraram a intera\u00e7\u00e3o do aumento do n\u00edvel do mar com vari\u00e1veis importantes como o tamanho e a frequ\u00eancia das ondas, a hidrografia e o geologia dos at\u00f3is. Tamb\u00e9m inclu\u00edram par\u00e2metros como precipita\u00e7\u00e3o, for\u00e7a dos ventos e probabilidade de ocorr\u00eancia de ciclones tropicais.<\/p>\n<p>At\u00f3is s\u00e3o ilhas formadas por calc\u00e1rio de bancos de coral. V\u00e1rios pa\u00edses-ilhas, os mais vulner\u00e1veis \u00e0 eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel do mar, possuem at\u00f3is habitados em seus territ\u00f3rios. De acordo com o estudo, se o n\u00edvel do mar aumentasse pouco menos de meio metro na ilha de Roi-Namur, na Rep\u00fablica das Ilhas Marshall, onde o estudo foi feito, os at\u00f3is seriam inundados todos os anos. Se o n\u00edvel do mar aumentar em 1 metro, pelo menos 50% da ilha ser\u00e1 inundada anualmente, o que poderia acontecer j\u00e1 em 2030. Acontece que ap\u00f3s dois anos consecutivos de inunda\u00e7\u00e3o, as fontes de \u00e1gua doce da ilha n\u00e3o seriam capazes de se recuperar da contamina\u00e7\u00e3o da \u00e1gua do mar.<\/p>\n<p>De acordo com Curt Storlazzi, do USGS (Servi\u00e7o Geol\u00f3gico dos EUA), principal autor do estudo, em breve popula\u00e7\u00f5es inteiras que vivem em at\u00f3is ter\u00e3o de se deslocar para o continente, sob o risco de n\u00e3o ter o que comer, o que beber e onde se abrigar. Toda a rede de infraestrutura pode simplesmente ruir com as inunda\u00e7\u00f5es. Estima-se que mais de 90% da superf\u00edcie de Roi-Namur deva estar completamente inundada se o n\u00edvel m\u00e9dio do mar superar 1,8 metro, o que poderia acontecer entre 2075 e 2100 no pior cen\u00e1rio de aquecimento global.<\/p>\n<p>Storlazzi chegou a esta conclus\u00e3o monitorando um evento clim\u00e1tico de 2014 em Roi-Namur. Na ocasi\u00e3o, ondas gigantescas invadiram o atol e a \u00e1gua do mar se infiltrou no len\u00e7ol fre\u00e1tico. \u201cMesmo que a eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel do mar n\u00e3o seja suficiente para cobrir a ilha, as inunda\u00e7\u00f5es causadas pelas ondas podem destruir as moradias, danificar as nascentes e expulsar suas popula\u00e7\u00f5es\u201d, afirmou. \u201cBastam alguns eventos como esse acontecendo repetidamente para que as nascentes de \u00e1gua doce do atol demorem dezenas de anos para se recuperar\u201d, disse Storlazzi.<\/p>\n<p>Mesmo que o fornecimento de \u00e1gua subterr\u00e2nea seja suplementado ou substitu\u00eddo por outra fonte (como, por exemplo, sistemas de dessaliniza\u00e7\u00e3o ou entrega de \u00e1gua doce a partir de outros lugares), as inunda\u00e7\u00f5es anuais provocadas pelas ondas continuariam a perturbar a infraestrutura em Roi-Namur.<\/p>\n<p>As proje\u00e7\u00f5es do painel clim\u00e1tico da ONU indicam que a eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel do mar nos tr\u00f3picos tende a ser maior do que no restante do planeta. O aumento do n\u00edvel do oceano no final do s\u00e9culo 21 poderia exceder em dois metros as marca\u00e7\u00f5es do in\u00edcio do s\u00e9culo, com profundo impacto tamb\u00e9m na biodiversidade. Caso os corais se tornem mais brancos e os oceanos ainda mais \u00e1cidos, a cobertura de recifes ser\u00e1 reduzida, uma barreira a menos para a propaga\u00e7\u00e3o das ondas.<\/p>\n<p>O pr\u00f3ximo passo da equipe de Storlazzi \u00e9 desvendar o grau de vulnerabilidade de uma s\u00e9rie de at\u00f3is tropicais e prever o impacto das ondas nos pr\u00f3ximos 20 a 50 anos. O objetivo, segundo eles, \u00e9 oferecer informa\u00e7\u00f5es para que gestores priorizem a adapta\u00e7\u00e3o e a restaura\u00e7\u00e3o dos equipamentos da ilha, uma vez que solu\u00e7\u00f5es de engenharia que aumentam a resili\u00eancia da infraestrutura e dos recursos de \u00e1gua e alimentos ainda t\u00eam custos altos que inviabilizam a implanta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Cortar as emiss\u00f5es de gases de efeito estufa ainda \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o mais barata para evitar a inunda\u00e7\u00e3o dos at\u00f3is, segundo a ge\u00f3loga americana Olivia Cheriton, tamb\u00e9m do USGS e uma das autoras do estudo. \u201c\u00c9 uma pena que a amea\u00e7a dos at\u00f3is s\u00f3 ganhe visibilidade quando as ilhas estiverem inabit\u00e1veis e as na\u00e7\u00f5es tiverem de lidar com a quest\u00e3o dos refugiados clim\u00e1ticos. A\u00ed j\u00e1 vai ser tarde\u201d, afirmou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas poder\u00e3o tornar os at\u00f3is tropicais inabit\u00e1veis j\u00e1 na metade deste s\u00e9culo, sugere<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":83999,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/atos.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/atos-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/atos-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/atos.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/atos.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/atos.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/atos.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/atos.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/atos.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/atos.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas poder\u00e3o tornar os at\u00f3is tropicais inabit\u00e1veis j\u00e1 na metade deste s\u00e9culo, sugere","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/83998"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=83998"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/83998\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/83999"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=83998"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=83998"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=83998"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}