{"id":83856,"date":"2018-04-24T12:00:35","date_gmt":"2018-04-24T15:00:35","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=83856"},"modified":"2018-04-23T22:24:07","modified_gmt":"2018-04-24T01:24:07","slug":"colocar-a-amamentacao-em-pratica-e-um-desafio-para-muitas-mulheres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/colocar-a-amamentacao-em-pratica-e-um-desafio-para-muitas-mulheres\/","title":{"rendered":"Colocar a amamenta\u00e7\u00e3o em pr\u00e1tica \u00e9 um desafio para muitas mulheres"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/leite_materno.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-83857\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/leite_materno-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/leite_materno-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/leite_materno.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Todo mundo j\u00e1 ouviu falar dele e sabe que ele \u00e9 o melhor alimento que um rec\u00e9m-nascido pode receber. Mas o que \u00e9 exatamente o leite materno? A quest\u00e3o \u00e9 menos simples do que parece. Sabe-se que grande parte do composto \u00e9 \u00e1gua, especialmente no in\u00edcio da mamada. \u00c0 medida que o beb\u00ea mama, o leite vai se tornando cada vez mais gorduroso. Mas, al\u00e9m de \u00e1gua e gordura, a receita leva vitaminas, a\u00e7\u00facares, subst\u00e2ncias anti-inflamat\u00f3rias, sais minerais, c\u00e9lulas-tronco, microRNA e muitos outros componentes sequer identificados. \u201cAinda estamos come\u00e7ando a entender o que ele cont\u00e9m\u201d, afirma o epidemiologista Cesar Victora, um dos pesquisadores mais renomados do mundo sobre o tema da amamenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O mais impressionante \u00e9 que a lista de ingredientes do leite pode mudar conforme o crescimento e a sa\u00fade da crian\u00e7a: se, por exemplo, ela tiver uma infec\u00e7\u00e3o, ele trar\u00e1 anticorpos e subst\u00e2ncias estimulantes do sistema imunol\u00f3gico. Novos estudos na \u00e1rea de epigen\u00e9tica investigam a capacidade de o leite influenciar at\u00e9 a forma como nossos genes efetivamente se expressam. Por isso, diante da pergunta \u201co que \u00e9 o leite materno?\u201d, os especialistas adotam o lema: \u00e9 a medicina mais personalizada que existe.<\/p>\n<p>Um dos grandes benef\u00edcios desse composto j\u00e1 pode ser constatado nos primeiros meses de vida do beb\u00ea: o aleitamento reduz o risco de mortalidade infantil. Foi Victora, professor em\u00e9rito na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), que liderou, na d\u00e9cada de 1980, o primeiro estudo do mundo a mostrar que a amamenta\u00e7\u00e3o exclusiva (sem chazinho, sem \u00e1gua) at\u00e9 os seis meses de idade reduz em 14 vezes o risco de morte por diarreia e em 3,6 vezes o risco de \u00f3bito por infec\u00e7\u00f5es respirat\u00f3rias.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2018\/04\/home1.png?w=1024&amp;h=682\" width=\"639\" height=\"426\" \/><\/p>\n<p>Uma das explica\u00e7\u00f5es est\u00e1 no tamanho do est\u00f4mago do beb\u00ea, que \u00e9 muito pequeno. Se entram outros l\u00edquidos, perde-se espa\u00e7o para o leite. Outra est\u00e1 justamente naquela composi\u00e7\u00e3o m\u00e1gica do leite da m\u00e3e, que n\u00e3o s\u00f3 fornece os nutrientes necess\u00e1rios ao crescimento da cria como tem subst\u00e2ncias capazes de proteg\u00ea-la contra infec\u00e7\u00f5es. \u00c9 o caso dos oligossacar\u00eddeos. At\u00e9 pouco tempo atr\u00e1s, n\u00e3o se entendia o porqu\u00ea da presen\u00e7a desse a\u00e7\u00facar no leite, j\u00e1 que ele n\u00e3o \u00e9 absorvido pelo corpo do beb\u00ea. \u201cSeu papel \u00e9 atender as bact\u00e9rias do microbioma, favorecendo o desenvolvimento de um tipo de flora essencial para um sistema intestinal saud\u00e1vel\u201d, afirma Victora. Replicado em outras partes do mundo com resultados semelhantes, o estudo da UFPel levou a OMS a divulgar, em 1990, a Declara\u00e7\u00e3o de Innocenti, orientando o aleitamento exclusivo at\u00e9 os seis meses de idade.<\/p>\n<p>Mas os benef\u00edcios do leite materno n\u00e3o se restringem \u00e0 inf\u00e2ncia. Novos trabalhos mostram que o impacto da amamenta\u00e7\u00e3o continua a ecoar ao longo da vida adulta, influenciando fatores como a tend\u00eancia \u00e0 obesidade, o QI, a escolaridade e at\u00e9 a renda. \u00c9 o que mostrou uma pesquisa feita pela equipe de Pelotas, que acompanhou a sa\u00fade de todas as crian\u00e7as nascidas em 1982, 1993 e 2004 na cidade ga\u00facha.<\/p>\n<p>Comparando beb\u00eas que mamaram por menos de um m\u00eas com os que mamaram durante um ano, os que mais mamaram tiveram, aos 30 anos, quatro pontos a mais no score de QI, quase um ano a mais de escolaridade e uma diferen\u00e7a de renda de cerca de R$ 340. O estudo isolou dez vari\u00e1veis sociais e biol\u00f3gicas (como escolaridade e renda dos pais, tipo de parto, tabagismo materno, entre outras) para garantir o rigor da an\u00e1lise e definir exatamente o papel do leite materno nesse contexto. O resultado foi publicado em 2015 pela revista cient\u00edfica\u00a0<em>The Lancet<\/em>.<\/p>\n<p>A ci\u00eancia vem mostrando que a amamenta\u00e7\u00e3o \u00e9 ben\u00e9fica tamb\u00e9m para as m\u00e3es, que ficam mais protegidas contra o c\u00e2ncer de ov\u00e1rio e de mama. A cada ano que a mulher amamenta, o risco de que venha a desenvolver c\u00e2ncer de mama cai 6%. Segundo o American Institute for Cancer Research, isso ocorre porque a lacta\u00e7\u00e3o induz um padr\u00e3o hormonal \u00fanico associado a um per\u00edodo de amenorreia (aus\u00eancia de menstrua\u00e7\u00e3o), o que reduz a exposi\u00e7\u00e3o da mulher a varia\u00e7\u00f5es hormonais associadas a esse tipo de tumor.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, amamentar ajuda a recuperar o peso pr\u00e9-gesta\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m facilita a supera\u00e7\u00e3o da depress\u00e3o p\u00f3s-parto, afirma a pediatra Honorina de Almeida. Conhecida como dra. Nina, ela \u00e9 uma das fundadoras da Casa Curumim, espa\u00e7o especializado em aleitamento materno em S\u00e3o Paulo, que presta atendimento a fam\u00edlias que precisam de um suporte extra para viabilizar a amamenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas, se amamentar \u00e9 algo natural, por que as mulheres sofrem tanto com esse processo, chegando a buscar aux\u00edlio? E, se \u00e9 de gra\u00e7a e traz tantos benef\u00edcios, por que menos de 40% dos beb\u00eas de pa\u00edses em desenvolvimento recebem aleitamento exclusivo at\u00e9 os seis meses? No Brasil, segundo a II Pesquisa de Preval\u00eancia do Aleitamento Materno nas Capitais Brasileiras e DF, de 2009, o tempo m\u00e9dio de aleitamento exclusivo \u00e9 de 54,1 dias \u2014 menos de dois meses.<\/p>\n<div class=\"box\">\n<h3>Problemas e solu\u00e7\u00f5es<\/h3>\n<p><strong>MAMILOS PLANOS OU INVERTIDOS<br \/>\n<\/strong>Podem dificultar o in\u00edcio da amamenta\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o necessariamente a inviabilizam. Algumas estrat\u00e9gias ajudam a aumentar o mamilo, tais como compressas frias, suc\u00e7\u00e3o com bomba manual e uso de conchas.<\/p>\n<p><strong>LEITE EMPEDRADO<br \/>\n<\/strong>Esse ingurgitamento patol\u00f3gico deixa a mama muito distendida e dolorida. Recomenda-se ordenhar um pouco os seios antes da mamada, s\u00f3 o suficiente para amaci\u00e1-los e facilitar a pega, massagear as regi\u00f5es afetadas, aplicar compressas frias e usar um suti\u00e3 firme. Analg\u00e9sicos e anti-inflamat\u00f3rios podem ajudar.<\/p>\n<p><strong>CANDID\u00cdASE<br \/>\n<\/strong>Infec\u00e7\u00e3o por fungo que gera coceira e sensa\u00e7\u00e3o de queimadura e agulhadas nos mamilos. Se o problema surgir, \u00e9 preciso tratar a m\u00e3e e o beb\u00ea simultaneamente. Chupetas e mamadeiras podem favorecer a volta da infec\u00e7\u00e3o, por isso, elas devem ser fervidas diariamente.<\/p>\n<p><strong>MASTITE<br \/>\n<\/strong>Processo inflamat\u00f3rio no tecido mam\u00e1rio que pode evoluir para uma infec\u00e7\u00e3o bacteriana. Relacionada \u00e0 estagna\u00e7\u00e3o do leite, causa dor, vermelhid\u00e3o, febre alta e calafrios. Casos mais graves exigem antibi\u00f3ticos ou mesmo drenagem cir\u00fargica.<\/p>\n<p><strong>Fonte:<\/strong>\u00a0Minist\u00e9rio da Sa\u00fade<\/p>\n<\/div>\n<h3>Maternidade e vida moderna<\/h3>\n<p>\u201cPara responder a essas quest\u00f5es \u00e9 preciso resgatar uma s\u00e9rie de mudan\u00e7as sociais ocorridas ao longo da hist\u00f3ria da humanidade\u201d, afirma o pediatra Roberto Issler, membro do Departamento Cient\u00edfico de Aleitamento Materno da Sociedade Brasileira de Pediatria. Em comunidades primitivas, a experi\u00eancia da maternidade era vivenciada de forma coletiva, e n\u00e3o t\u00e3o individualmente como ocorre hoje. Dessa forma, a comunidade amparava a nova m\u00e3e e passava para ela conhecimentos sobre o ato de amamentar. Adotava-se rotineiramente o leite compartilhado, que comprovadamente ajuda no sucesso da amamenta\u00e7\u00e3o (embora seja um tanto pol\u00eamico por conta do risco que oferece \u00e0 seguran\u00e7a do beb\u00ea). Al\u00e9m disso, a taxa de fecundidade era muito mais elevada: a cada filho que nascia, a mulher acumulava experi\u00eancia.<\/p>\n<p>D\u00e9cadas atr\u00e1s, v\u00e1rios desses elementos ainda davam o tom da vida familiar no Brasil. Em 1960, 55% da popula\u00e7\u00e3o era rural e cada casal tinha em m\u00e9dia seis filhos, segundo dados do IBGE. Em 2015, 85% dos brasileiros viviam em \u00e1reas urbanas e a taxa de fecundidade era de menos de dois filhos por casal. E caindo. Ou seja, \u00e9 bem prov\u00e1vel que a mulher que se torna m\u00e3e hoje n\u00e3o tenha convivido com outras lactantes, n\u00e3o conte com o suporte direto de outras mulheres da fam\u00edlia e viva a experi\u00eancia da amamenta\u00e7\u00e3o apenas uma vez em toda a vida. Isso sem falar que muitas delas precisam voltar ao mercado de trabalho quatro meses ap\u00f3s o parto.<\/p>\n<p>\u201cNesse contexto, o profissional de sa\u00fade acaba se tornando a principal, sen\u00e3o \u00fanica, fonte de informa\u00e7\u00e3o e apoio para a lactante\u201d, comenta Issler, citando a import\u00e2ncia da Iniciativa Hospital Amigo da Crian\u00e7a. Criada em 1990 pela OMS e pela Unicef, ela estabelece dez medidas fundamentais para a promo\u00e7\u00e3o do aleitamento materno e conta, atualmente, com mais de 300 hospitais habilitados no Brasil. \u201cQuando eu estava na faculdade de medicina, n\u00e3o se dava import\u00e2ncia a informa\u00e7\u00f5es que hoje s\u00e3o consideradas b\u00e1sicas para o sucesso da amamenta\u00e7\u00e3o\u201d, lembra Cesar Victora.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m relevante e preocupante \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o do profissional de sa\u00fade com a ind\u00fastria aliment\u00edcia. \u201cExiste muita press\u00e3o sobre os pediatras, que recebem patroc\u00ednios de viagens, congressos, confer\u00eancias. Embora os m\u00e9dicos n\u00e3o admitam, h\u00e1, sim, uma influ\u00eancia perniciosa que n\u00e3o pode ser ignorada\u201d, alerta o pesquisador. Estamos falando aqui de um mercado bilion\u00e1rio: no ano 2000, as vendas globais de f\u00f3rmulas substitutas do leite materno totalizavam US$ 18,6 bilh\u00f5es. Em 2014, esse n\u00famero chegava a US$ 44,8 bilh\u00f5es. O valor projetado para o ano de 2019 \u00e9 de \u2014 aten\u00e7\u00e3o \u2014\u00a0US$ 70,6 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>A percep\u00e7\u00e3o da f\u00f3rmula como uma op\u00e7\u00e3o moderna, um sinal de prest\u00edgio para mulheres urbanas (em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 amamenta\u00e7\u00e3o, vista como uma pr\u00e1tica pouco sofisticada ligada \u00e0s camadas mais pobres da popula\u00e7\u00e3o), \u00e9 um dos fatores que levaram \u00e0 desvaloriza\u00e7\u00e3o do aleitamento materno ao longo do s\u00e9culo 20. Foi uma escolha direcionada pelo estilo de vida, e n\u00e3o pela sa\u00fade.<\/p>\n<h3>Em busca da pega correta<\/h3>\n<p>O fato \u00e9 que quem resiste e insiste em amamentar o rebento enfrenta problemas pr\u00e1ticos, f\u00edsicos, habitualmente desafiadores e raramente esperados. \u201cUma das grandes dificuldades do in\u00edcio da amamenta\u00e7\u00e3o diz respeito \u00e0 pega do beb\u00ea. As m\u00e3es acham que \u00e9 normal sentir dor e demoram muito a buscar apoio\u201d, afirma a pediatra Honorina de Almeida. O que \u00e9 uma boa pega? Aquela em que o beb\u00ea abre bem a boca e coloca a l\u00edngua para fora, de modo a abocanhar grande parte da ar\u00e9ola. Quando o rec\u00e9m-nascido persiste em uma pega errada, acaba machucando a m\u00e3e e n\u00e3o consegue retirar o leite que precisa. Irritado e faminto, n\u00e3o desgruda do peito, ferindo ainda mais os mamilos. E assim se inicia um c\u00edrculo torturante para o beb\u00ea e, especialmente, para a m\u00e3e.<\/p>\n<p>O uso de chupeta e mamadeira tamb\u00e9m pode tornar essa fase mais dif\u00edcil, afirma Honorina. \u201cTodos os estudos mostram que o risco de o beb\u00ea desmamar \u00e9 muito maior se ele usa chupeta e mamadeira. Isso porque, para mamar, ele precisa jogar a l\u00edngua para fora, abrir a boca e usar todos os m\u00fasculos da face para ordenhar a mama. Para sugar a mamadeira, o movimento \u00e9 oposto: ele coloca a l\u00edngua para tr\u00e1s e fecha um pouco a boca, usando apenas os m\u00fasculos ao redor da boca. Muitos beb\u00eas confundem esses dois movimentos.\u201d A chupeta induz ao mesmo movimento da mamadeira e ainda pode atrapalhar a ingest\u00e3o de leite \u2014 o choro que se acalma com a chupeta pode ser um sinal de fome que vai passar despercebido. Esses fatores, muitas vezes, comprometem o ganho de peso nas primeiras semanas de vida, aumentando o risco de prescri\u00e7\u00e3o m\u00e9dica de f\u00f3rmula.<\/p>\n<p>Existem, sim, casos excepcionais, em que o aleitamento \u00e9 prejudicado por motivos fisiol\u00f3gicos. \u00c9 o caso de mulheres com hipogalactia (dificuldade para produzir leite) ou que passaram por cirurgias para a redu\u00e7\u00e3o das mamas.<\/p>\n<p>Um estudo realizado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul com 49 mulheres submetidas \u00e0 mamoplastia redutora mostrou que, um m\u00eas ap\u00f3s o parto, elas tinham um risco nove vezes maior de n\u00e3o praticar amamenta\u00e7\u00e3o exclusiva do que as mulheres do grupo-controle (que n\u00e3o haviam passado por esse procedimento). Quatro meses ap\u00f3s o parto, elas tinham dez vezes mais chance de ter interrompido a amamenta\u00e7\u00e3o. Em casos assim, \u00e9 necess\u00e1rio usar todos os recursos poss\u00edveis para alimentar adequadamente o beb\u00ea \u2014 e que bom que existem alternativas. Mas essas estrat\u00e9gias demandam uma avalia\u00e7\u00e3o personalizada e especializada.<\/p>\n<div class=\"box\">\n<h3>Dicas para uma pega correta<\/h3>\n<p><em>O desconforto no in\u00edcio do aleitamento pode estar relacionado ao posicionamento do beb\u00ea durante a mamada<\/em><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2018\/04\/dicas.png?w=1024&amp;h=587\" width=\"639\" height=\"366\" \/><\/p>\n<p><strong>POSI\u00c7\u00c3O DA M\u00c3E<\/strong><br \/>\nSentada, recostada ou deitada? Todas s\u00e3o adequadas. O importante \u00e9 que ela esteja confort\u00e1vel.<\/p>\n<p><strong>POSI\u00c7\u00c3O DO BEB\u00ca<br \/>\n<\/strong>Al\u00e9m da tradicional, ele pode ficar sentado sobre a perna da m\u00e3e, com o pesco\u00e7o apoiado, na posi\u00e7\u00e3o conhecida como cavaleiro. Seu corpo deve estar junto do corpo da m\u00e3e, de frente para ela, bem apoiado, com a cabe\u00e7a e o tronco alinhados e os bra\u00e7os livres.<\/p>\n<p><strong>SEGURANDO A MAMA<br \/>\n<\/strong>A m\u00e3o fica no formato da letra \u201cC\u201d. Coloque o polegar acima da ar\u00e9ola e todos os outros dedos e a palma sob a mama. N\u00e3o fa\u00e7a a posi\u00e7\u00e3o de tesoura, pois isso gera um obst\u00e1culo entre a boca do beb\u00ea e a ar\u00e9ola.<\/p>\n<p><strong>BOCA DE BOCEJO<br \/>\n<\/strong>A boca do beb\u00ea deve estar abaixo do mamilo. Encoste o mamilo no l\u00e1bio superior do beb\u00ea e espere que ele abra a boca, na tentativa de alcan\u00e7ar o peito. Quando estiver com a boca bem aberta, como se estivesse bocejando, \u00e9 hora de pegar o peito.<\/p>\n<p><strong>COMO CONFERIR<br \/>\n<\/strong>O pesco\u00e7o do beb\u00ea deve estar levemente estendido, o queixo encostado na mama, os l\u00e1bios virados para fora (boquinha de peixe) e o nariz livre. Ele deve abocanhar a ar\u00e9ola, e n\u00e3o s\u00f3 o bico do seio. E a ar\u00e9ola, idealmente, fica mais aparente acima da boca do beb\u00ea.<\/p>\n<p><strong>Fontes:<\/strong>\u00a0SBP e Minist\u00e9rio da Sa\u00fade<\/p>\n<\/div>\n<h3>At\u00e9 quando?<\/h3>\n<p>Se todos os obst\u00e1culos foram vencidos, a pr\u00f3xima quest\u00e3o pode ser: quando desmamar? A OMS recomenda que o aleitamento prossiga at\u00e9 a crian\u00e7a completar 2 anos de idade. Mas por que, uma vez que a essa altura a crian\u00e7a j\u00e1 fala, corre, tem dentes e come toda a variedade de alimentos? \u201c\u00c9 um erro pensar no leite materno como uma mera comida\u201d, afirma Cesar Victora. \u201cEle \u00e9 uma subst\u00e2ncia viva, que atua em diversos sistemas do nosso organismo.\u201d Naquele estudo que investigou a rela\u00e7\u00e3o do leite materno com QI, escolaridade e renda, ele observou que, quanto maior a dura\u00e7\u00e3o da amamenta\u00e7\u00e3o, melhores os resultados obtidos.<\/p>\n<p>E isso faz sentido se nos compararmos com outras esp\u00e9cies de mam\u00edferos. A antrop\u00f3loga americana Katherine Dettwyler tra\u00e7ou um paralelo com base em diversas vari\u00e1veis na vida de primatas, tais como dura\u00e7\u00e3o da gesta\u00e7\u00e3o, da inf\u00e2ncia (do nascimento at\u00e9 a erup\u00e7\u00e3o do primeiro dente permanente) e da fase juvenil (at\u00e9 a erup\u00e7\u00e3o do \u00faltimo dente permanente), idade da f\u00eamea na primeira menstrua\u00e7\u00e3o etc. Tamb\u00e9m comparou a fase do desmame com aspectos como o peso da m\u00e3e e o do filhote (j\u00e1 foi observado entre primatas que o desmame ocorre quando a cria atinge aproximadamente 1\/3 do peso adulto).<\/p>\n<p>Sua conclus\u00e3o \u00e9 que, do ponto de vista biol\u00f3gico, o desmame natural do ser humano deveria ocorrer a partir de 2,5 anos de idade. A idade m\u00e1xima para o desmame de humanos, ainda de acordo com o padr\u00e3o observado entre outros primatas, seria 7 anos \u2014 quando a chegada dos dentes permanentes facilitaria a tritura\u00e7\u00e3o de alimentos. O que faz com que beb\u00eas sejam amamentados por poucos meses em v\u00e1rias sociedades, segundo Dettwyler, \u00e9 o aspecto cultural \u2014 incluindo a\u00ed a percep\u00e7\u00e3o dos seios como objeto sexual \u2014 e a vida profissional da mulher, que \u00e9 dif\u00edcil de conciliar com amamenta\u00e7\u00e3o, especialmente nos primeiros meses.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que n\u00e3o vivemos mais na selva: o contexto sociocultural e econ\u00f4mico n\u00e3o pode ser ignorado, e isso inclui reconhecer mudan\u00e7as no padr\u00e3o reprodutivo, na estrutura familiar, na alimenta\u00e7\u00e3o, no mercado de trabalho. Por isso, n\u00e3o h\u00e1 uma resposta definitiva para o momento do desmame. Uma coisa, no entanto, parece certa: n\u00e3o h\u00e1 por que se preocupar com o risco de depend\u00eancia emocional relacionada \u00e0 amamenta\u00e7\u00e3o. \u201cQuem trabalha com desenvolvimento infantil sabe que isso n\u00e3o \u00e9 um problema\u201d, diz Issler. \u201cMas o pediatra deve ir al\u00e9m e investigar tamb\u00e9m a qualidade da vida conjugal, o apetite da crian\u00e7a, a disposi\u00e7\u00e3o e vida social da m\u00e3e.\u201d<\/p>\n<p>Entendidos os benef\u00edcios da amamenta\u00e7\u00e3o, h\u00e1 de se procurar um meio-termo entre a sa\u00fade do beb\u00ea e o bem-estar f\u00edsico e emocional da m\u00e3e, j\u00e1 que o aleitamento exige muito da mulher. O que se espera \u00e9 que ela tenha dados e espa\u00e7o para fazer suas pr\u00f3prias escolhas. \u201cA amamenta\u00e7\u00e3o \u00e9 um direito da mulher, n\u00e3o uma obriga\u00e7\u00e3o\u201d, conclui Issler. \u201d<\/p>\n<div class=\"box\">\n<h3>Usar ou n\u00e3o usar?<\/h3>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2018\/04\/usar-ou-nc3a3o.png?w=1024&amp;h=682\" width=\"639\" height=\"426\" \/><\/p>\n<p><strong>1. PROTETORES FLEX\u00cdVEIS<\/strong><br \/>\nUsados sobre a ar\u00e9ola especialmente em casos de mamilo plano ou invertido. Ainda n\u00e3o h\u00e1 provas de que eles sejam seguros para a manuten\u00e7\u00e3o da lacta\u00e7\u00e3o. Por isso, a indica\u00e7\u00e3o \u00e9 que seu uso seja limitado e tempor\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>2. RELACTADOR<\/strong><br \/>\nUma sonda ligada a um copo com leite \u00e9 fixada no seio da m\u00e3e. Indicado para situa\u00e7\u00f5es em que a mulher n\u00e3o produz leite suficiente. Com ele, o beb\u00ea continua a praticar a suc\u00e7\u00e3o, que, por sua vez, estimula as mamas a aumentar a produ\u00e7\u00e3o de leite.<\/p>\n<p><strong>3. PROTETORES ABSORVENTES<br \/>\n<\/strong>A melhor op\u00e7\u00e3o para lidar com vazamento de leite \u2014 papel higi\u00eanico e len\u00e7os deixam a pele muito molhada. Podem ser descart\u00e1veis ou reutiliz\u00e1veis. Aten\u00e7\u00e3o: se ele aderir \u00e0 pele, \u00e9 preciso molh\u00e1-lo antes de retirar, para n\u00e3o ferir o seio.<\/p>\n<p><strong>4. LANOLINA<\/strong><br \/>\nN\u00e3o deve ser vista como estrat\u00e9gia preventiva para dor e traumas nos mamilos. Caso haja les\u00f5es extensas ou que n\u00e3o melhoram ap\u00f3s ajustes na posi\u00e7\u00e3o do beb\u00ea, a\u00ed sim a lanolina pode ser recomendada. N\u00e3o precisa ser removida antes das mamadas.<\/p>\n<p><strong>5. CONCHAS<\/strong><br \/>\nEstas pe\u00e7as s\u00e3o usadas sob o suti\u00e3, com o intuito de ajudar o mamilo a projetar-se para a frente durante o per\u00edodo da amamenta\u00e7\u00e3o. Elas ajudam a proteger os mamilos com fissura e a drenar o excesso de leite, que causa dor e dificulta a pega do beb\u00ea.<\/p>\n<p><strong>Fontes:<\/strong>\u00a0SBP e Minist\u00e9rio da Sa\u00fade<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Todo mundo j\u00e1 ouviu falar dele e sabe que ele \u00e9 o melhor alimento que<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":83857,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/leite_materno.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/leite_materno-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/leite_materno-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/leite_materno.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/leite_materno.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/leite_materno.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/leite_materno.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/leite_materno.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/leite_materno.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/leite_materno.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Todo mundo j\u00e1 ouviu falar dele e sabe que ele \u00e9 o melhor alimento que","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/83856"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=83856"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/83856\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/83857"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=83856"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=83856"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=83856"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}