{"id":83830,"date":"2018-04-23T13:21:59","date_gmt":"2018-04-23T16:21:59","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=83830"},"modified":"2018-04-23T13:21:59","modified_gmt":"2018-04-23T16:21:59","slug":"na-natureza-as-coisas-sao-o-que-sao-e-as-criancas-tambem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/na-natureza-as-coisas-sao-o-que-sao-e-as-criancas-tambem\/","title":{"rendered":"Na natureza, as coisas s\u00e3o o que s\u00e3o, e as crian\u00e7as tamb\u00e9m"},"content":{"rendered":"<p><strong><em><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/envolverde.cartacapital.com.br\/wp-content\/uploads\/crian%C3%A7a-natureza.jpg\" width=\"640\" height=\"306\" \/>Por Maria Helena Masquetti (*), do Instituto Alana<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Da janela do escrit\u00f3rio,\u00a0olhando o c\u00e9u escurecido e prestes a desaguar num temporal, comentamos, entre colegas, sobre a impot\u00eancia humana diante da natureza. E pensamos ent\u00e3o na educa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as e na diferen\u00e7a poss\u00edvel entre as que passam mais tempo ao ar livre e as que estudam ou brincam em ambientes restritos ou artificiais.<\/p>\n<p>Enquanto a tempestade desaba, orquestrada pelos trov\u00f5es estrondosos, tudo o que sabemos \u00e9 que outras tempestades antes dessa, num dado momento, cessaram. Mesmo assim, apesar dos avan\u00e7os na previs\u00e3o do tempo, continuamos sem controle algum sobre os fen\u00f4menos naturais. Nada \u00e9 t\u00e3o simples e t\u00e3o grandioso como a natureza. Ela \u00e9 ela: surpreendente, intensa, magn\u00edfica, assustadora, amorosa, ativa, reativa, generosa, s\u00e1bia, ing\u00eanua, soberana, servil. Quantos mais adjetivos lhe atribu\u00edmos, mais descrevemos a nossa pr\u00f3pria natureza humana.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, entre os demais aspectos que nos diferenciam da natureza, a maioria deles n\u00e3o s\u00e3o motivos de orgulho, uma vez que a natureza n\u00e3o rejeita, n\u00e3o discrimina, n\u00e3o explora, n\u00e3o engana, n\u00e3o ofende, n\u00e3o tortura, n\u00e3o compete e nem premedita a destrui\u00e7\u00e3o de outros como acontece cada vez mais ao nosso redor e ao redor do mundo. Para melhorar, ent\u00e3o, nossa qualidade humana, o caminho precisa ser, literalmente, o natural. Quanto mais conviverem com a natureza, mais nossas crian\u00e7as ser\u00e3o educadas pela cartilha dela. E mais protegidas estar\u00e3o da toxicidade das sedu\u00e7\u00f5es midi\u00e1ticas, da gan\u00e2ncia comercial, dos v\u00edcios de consumo, da sede de poder e dos valores distorcidos que tanto nos desumanizam.<\/p>\n<p>Se para aqueles que vivem ao relento, a realidade \u00e9 excessivamente dura, nem por isso podemos considerar como privil\u00e9gio a vida de tantas crian\u00e7as que passam a maior parte de seu tempo em ambientes artificiais. O excesso de automatiza\u00e7\u00e3o e de confortos materiais pode, em lugar de ajudar, atrapalhar o desenvolvimento delas. Ao passar a tarde dentro de um shopping, ou mesmo dentro de casa, cercados de telas, luzes e divers\u00f5es virtuais enquanto, l\u00e1 fora, o temporal sacode a cidade, certamente as crian\u00e7as ter\u00e3o uma vis\u00e3o mais confort\u00e1vel da realidade, por\u00e9m, n\u00e3o a verdadeira. Lembrando que, ao longo de suas vidas, sempre haver\u00e1 situa\u00e7\u00f5es desconfort\u00e1veis para as quais n\u00e3o existir\u00e3o bot\u00f5es de liga e desliga.<\/p>\n<p>A falta de natureza tem sido t\u00e3o prejudicial para o futuro da humanidade que, em seu livro A ultima crian\u00e7a na natureza, o escritor e jornalista Richard Louv cunhou o termo Transtorno de D\u00e9ficit de Natureza para alertar o mundo sobre as consequ\u00eancias f\u00edsicas e mentais para as crian\u00e7as que crescem longe dos ambientes naturais. Mesmo que em alguns casos a medica\u00e7\u00e3o seja necess\u00e1ria para conter d\u00e9ficits de aten\u00e7\u00e3o em crian\u00e7as, o fato do Brasil ter se tornado o segundo maior consumidor no mundo do medicamento para esse fim \u00e9 grave.\u00a0 O aumento de 75% no consumo do medicamento em dois anos* \u00e9 motivo suficiente para pensarmos sobre o quanto a falta de \u00e1reas verdes para brincar, agendas escolares sobrecarregadas, olhos pregados nas telas por horas e entretenimentos em ambientes artificiais t\u00eam a ver com essa estat\u00edstica.<\/p>\n<p>Como as crian\u00e7as aprender\u00e3o a se expressar por inteiro longe do meio natural? Como aprender\u00e3o a respeitar as diferen\u00e7as se n\u00e3o compreenderem que sem outras crian\u00e7as o jogo da vida n\u00e3o acontece? Como abrir\u00e3o m\u00e3o do ego\u00edsmo se n\u00e3o constatarem o quanto a natureza lhes d\u00e1 de gra\u00e7a? Como exercitar\u00e3o a empatia se n\u00e3o sentirem junto com o amigo a perda de sua pipa quando outra pipa a la\u00e7ou?<\/p>\n<p>Observar os fatos naturais ao vivo, em cores escuras ou n\u00e3o, ajuda as crian\u00e7as a confiar na pr\u00f3pria percep\u00e7\u00e3o. E as ajuda tamb\u00e9m a compreender que a realidade \u00e9 algo com a qual devem aprender a lidar, e n\u00e3o controlar. E quando o c\u00e9u se abrir num azul magn\u00edfico, depois de desabar numa tempestade, quem sabe ele ensine tamb\u00e9m a elas que as nuvens escuras fazem parte do espet\u00e1culo e que talvez n\u00e3o fa\u00e7a sentido se tomar um \u201ccomprimido\u201d para tentar escond\u00ea-las.<\/p>\n<p>*Segundo a Anvisa, a venda de medicamentos para hiperatividade subiu 75% de 2009 a 2011<\/p>\n<p><em>(*)\u00a0<\/em><strong>Maria Helena Masquetti<\/strong><em>\u00a0<\/em><em>\u00e9 graduada em Psicologia e Comunica\u00e7\u00e3o Social, possui especializa\u00e7\u00e3o em Psicoterapia Breve e realiza atendimento cl\u00ednico em consult\u00f3rio desde 1993. Exerceu a fun\u00e7\u00e3o de redatora publicit\u00e1ria durante 12 anos e hoje \u00e9 psic\u00f3loga do Alana.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Maria Helena Masquetti (*), do Instituto Alana Da janela do escrit\u00f3rio,\u00a0olhando o c\u00e9u escurecido<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Por Maria Helena Masquetti (*), do Instituto Alana Da janela do escrit\u00f3rio,\u00a0olhando o c\u00e9u escurecido","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/83830"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=83830"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/83830\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=83830"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=83830"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=83830"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}