{"id":83723,"date":"2018-04-22T10:50:36","date_gmt":"2018-04-22T13:50:36","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=83723"},"modified":"2018-04-22T10:53:01","modified_gmt":"2018-04-22T13:53:01","slug":"oncas-e-outros-gatos-sao-ameacados-pela-caca-na-caatinga","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/oncas-e-outros-gatos-sao-ameacados-pela-caca-na-caatinga\/","title":{"rendered":"On\u00e7as e outros gatos s\u00e3o amea\u00e7ados pela ca\u00e7a na Caatinga"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"author_alias\">Por Vandr\u00e9 Fonseca<\/span><\/p>\n<div class=\"post-content\">\n<div id=\"attachment_59565\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 661px;\">\n<p><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-59565\" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/On%C3%A7a-pintada-1024x683.jpg\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 640px\" srcset=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/On\u00e7a-pintada-1024x683.jpg 1024w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/On\u00e7a-pintada-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/On\u00e7a-pintada-600x400.jpg 600w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/On\u00e7a-pintada-278x185.jpg 278w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/On\u00e7a-pintada.jpg 1152w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"430\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Felinos vivem sob amea\u00e7a na Caatinga. Foto: Instituto On\u00e7a-pintada.<\/p>\n<\/div>\n<p>Se o sertanejo \u00e9, antes de tudo, um forte, como escreveu Euclides da Cunha, o que dizer de on\u00e7as-pintadas, su\u00e7uaranas, jaguatiricas e outros felinos que resistem na Caatinga? Cercados, sujeitos \u00e0 ca\u00e7a e, principalmente, a concorr\u00eancia do homem por suas presas, felinos vivem sob amea\u00e7a nesse ambiente, associado ao clima semi\u00e1rido do nordeste brasileiro.<\/p>\n<p>A Caatinga \u00e9 formada por uma grande variedade de paisagem, que inclui sim os cactos e arbustos de galhos retorcidos normalmente relacionados \u00e0 ela. Mas h\u00e1 outras Caatingas. Nas chapadas ou mesmo em boqueir\u00f5es espremidos entre serras ou escavados por rios, surgem matas, com \u00e1rvores de 20 metros de altura.<\/p>\n<p>\u00c9 assim na Serra da Capivara, um Parque Nacional com quase 130 mil hectares no Sudeste do Piau\u00ed, uma regi\u00e3o onde ainda s\u00e3o encontradas on\u00e7as-pintadas, o maior felino das Am\u00e9ricas. S\u00e3o poucas, n\u00e3o chegam a 20 animais. Para comparar, enquanto na Caatinga a densidade de on\u00e7as varia de 1,57 a 2.67 indiv\u00edduos a cada 100 quil\u00f4metro quadrado, no Pantanal por exemplo chega a 11,7 indiv\u00edduos por quil\u00f4metro quadrado. Al\u00e9m de poucos, ainda sofrem com a concorr\u00eancia desleal dos ca\u00e7adores, que por divers\u00e3o apontam suas espingardas para animais que serviriam de alimento \u00e0s on\u00e7as.<\/p>\n<div id=\"attachment_59566\" class=\"wp-caption alignright\">\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-59566\" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/on%C3%A7a-preta.jpg\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" srcset=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/on\u00e7a-preta.jpg 400w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/on\u00e7a-preta-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/on\u00e7a-preta-278x185.jpg 278w\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"267\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Foto: Instituto On\u00e7a-pintada.<\/p>\n<\/div>\n<p>O resultado da ca\u00e7a praticada no entorno e mesmo no parque \u00e9 o desaparecimento das presas maiores. Emas e tamandu\u00e1s-bandeira j\u00e1 foram extintos no parque. Sobraram talvez apenas dois grupos de queixada, segundo conta o bi\u00f3logo Everton Miranda, autor principal de um estudo sobre a dieta das on\u00e7as pintadas na Serra da Capivara.<\/p>\n<p>Everton coletou e analisou fezes de on\u00e7as-pintadas no parque. Os resultados demonstraram que a principal presa desses grandes felinos por ali \u00e9 o tatu-peba (<i>Euphractus sexcinctus<\/i>), um animal que em m\u00e9dia possui 5 quilos quando adulto. Comida, segundo o estudo, suficiente para satisfazer uma f\u00eamea por apenas dois dias. Em outras regi\u00f5es, on\u00e7as comem bichos pequenos mas tamb\u00e9m tem a disposi\u00e7\u00e3o animais bem maiores, como caititus, que chegam a 30 quilos.<\/p>\n<p>\u201cCom alimenta\u00e7\u00e3o exclusivamente de presas de pequeno porte, uma f\u00eamea tem dificuldades para criar os filhotes at\u00e9 eles crescerem e se tornarem independentes\u201d, afirma Miranda, que atualmente \u00e9 professor na Universidade do Estado do Mato Grosso (Unemat) e estuda harpias. \u201cPara alimentar os filhotes, esses bichos precisam abater presas maiores, como o caititu, tamandu\u00e1-bandeira, queixada\u201d, completa.<\/p>\n<p>Mas antes que esses animais grandes sejam levados de volta \u00e0 Caatinga, \u00e9 preciso resolver um problema de vizinhan\u00e7a, onde est\u00e3o popula\u00e7\u00f5es humanas. Repovoar a Serra da Capivara com emas, tamandu\u00e1s-bandeira, queixadas de nada adiantaria para as on\u00e7as, se suas presas continuarem a ser derrubadas pela espingarda.<\/p>\n<p>\u201cSe voc\u00ea pensar na import\u00e2ncia que essas on\u00e7as t\u00eam para o resto da Caatinga\u201d, destaca o bi\u00f3logo. \u201cEssa popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 emitindo indiv\u00edduos que v\u00e3o migrar e colonizar outras \u00e1reas e vai trocar indiv\u00edduos com outras popula\u00e7\u00f5es\u201d, completa.<\/p>\n<p><b>Primos menores<\/b><\/p>\n<div id=\"attachment_59567\" class=\"wp-caption alignleft\">\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-59567\" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/jaguatirica.jpg\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" srcset=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/jaguatirica.jpg 400w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/jaguatirica-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/jaguatirica-278x185.jpg 278w\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"267\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Na Reserva Particular do Patrim\u00f4nio Natural Serra das Almas, no Cear\u00e1, quem sofre s\u00e3o os felinos menores, como a jaguatiricas (<em>Leopardus pardalis<\/em>). Foto: Associa\u00e7\u00e3o Caatinga.<\/p>\n<\/div>\n<p>A algumas centenas de quil\u00f4metros dali, com quase a totalidade da \u00e1rea j\u00e1 no estado vizinho do Cear\u00e1, a Reserva Particular do Patrim\u00f4nio Natural Serra das Almas,\u00e9 abrigo para outras quatro esp\u00e9cies de felinos. H\u00e1 muito tempo n\u00e3o existe registro de on\u00e7as-pintadas por ali. Mas, assim como l\u00e1 na Serra da Capivara, ca\u00e7adores s\u00e3o a grande amea\u00e7a.<\/p>\n<p>Por l\u00e1, pesquisadores brasileiros e europeus monitoram, com ajuda de armadilhas fotogr\u00e1ficas, su\u00e7uaranas (<i>Puma concolor<\/i>), jaguatiricas (<i>Leopardus pardalis<\/i>), gatos-mouriscos (<i>Puma yagouaroundi<\/i>) \u00a0e gatos-do-mato-pequeno (<i>Leopardus tigrinus<\/i>) e o gato-maracaj\u00e1 (<i>Leopardus wiedii<\/i>).<\/p>\n<p>\u201cA gente est\u00e1 na terceira fase do projeto No Clima da Caatinga, querendo estudar melhor a rota desses animais dentro da reserva e \u00e1reas adjacentes para, no final, propor medidas de conserva\u00e7\u00e3o para esses ambientes\u201d, conta o coordenador t\u00e9cnico do projeto, Samuel Portela.<\/p>\n<p>Nos 6 mil hectares da Serra das Almas, a vegeta\u00e7\u00e3o varia de arbustiva densa a uma Caatinga arb\u00f3rea nas \u00e1reas mais altas. A regi\u00e3o \u00e9 bem preservada, mas isolada. Em seu entorno, sofre press\u00e3o de ca\u00e7adores, de queimadas que frequentemente saem do controle e se transformam em inc\u00eandios florestais e desmatamento, para madeira ou lenha.<\/p>\n<div id=\"attachment_59568\" class=\"wp-caption alignright\">\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-59568\" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/Su%C3%A7uarana.jpg\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" srcset=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/Su\u00e7uarana.jpg 400w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/Su\u00e7uarana-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/Su\u00e7uarana-278x185.jpg 278w\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"267\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Su\u00e7uaranas (<em>Puma concolor<\/em>). Foto: Associa\u00e7\u00e3o Caatinga.<\/p>\n<\/div>\n<p>\u201cSomos uma ilha preservada em um mar de degrada\u00e7\u00e3o\u201d, afirma Portela. \u201c\u00c9 uma luta constante, a gente faz v\u00e1rios trabalhos dentro do projeto existem v\u00e1rias campanhas de combate \u00e0 ca\u00e7a, de conscientiza\u00e7\u00e3o e uso de tecnologias que n\u00e3o agridam o Meio Ambiente\u201d, conta o bi\u00f3logo.<\/p>\n<p>Mesmo assim, ainda s\u00e3o encontrados veados, pacas, cotias&#8230;<\/p>\n<p>Infelizmente, nenhuma esp\u00e9cie, nem os pre\u00e1s, escapam de ca\u00e7adores. E quanto maior o animal abatido, maior a satisfa\u00e7\u00e3o dos ca\u00e7adores. A consequ\u00eancia: redu\u00e7\u00e3o de presas para os felinos, especialmente para as su\u00e7uaranas, os maiores dentro da RPPN.<\/p>\n<p>\u201cA reserva se tornou um ref\u00fagio para os animais\u201d, diz Samuel Portela, explicando que a RPPN conta com guardas-parques para fazer a seguran\u00e7a. \u201cMas como os felinos precisam de \u00e1reas grandes para sobreviver, n\u00e3o ficam s\u00f3 dentro da RPPN e fora da reserva est\u00e3o mais suscet\u00edveis a serem abatidos e suas presas tamb\u00e9m. Sem presas, atacam animais de cria\u00e7\u00f5es causando a revolta dos produtores rurais, que acabam abatendo os felinos\u201d.<\/p>\n<p>De acordo com o projeto No Clima da Caatinga, estima-se que existam menos de 2.500 on\u00e7as-pardas na Caatinga. Mas essa popula\u00e7\u00e3o pode ser reduzida em pelo menos 10% nos pr\u00f3ximos 21 anos, devido principalmente a fragmenta\u00e7\u00e3o do habitat, provocada pela expans\u00e3o da energia e\u00f3lica, agropecu\u00e1ria, minera\u00e7\u00e3o e corte de madeira.<\/p>\n<p>O projeto, financiado pela Petrobr\u00e1s, rep\u00f5em florestas, faz a\u00e7\u00f5es de educa\u00e7\u00e3o ambiental e implanta tecnologias sustent\u00e1veis em 39 comunidades de Crate\u00fas (CE) e Buriti dos Montes (PI), no entorno da RPPN.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Vandr\u00e9 Fonseca Felinos vivem sob amea\u00e7a na Caatinga. Foto: Instituto On\u00e7a-pintada. 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