{"id":83650,"date":"2018-04-21T21:11:00","date_gmt":"2018-04-22T00:11:00","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=83650"},"modified":"2018-04-23T12:14:51","modified_gmt":"2018-04-23T15:14:51","slug":"o-amazonas-e-como-um-coracao-estamos-barrando-as-veias-e-arterias-afirma-fernando-trujillo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/o-amazonas-e-como-um-coracao-estamos-barrando-as-veias-e-arterias-afirma-fernando-trujillo\/","title":{"rendered":"\u201cO Amazonas \u00e9 como um cora\u00e7\u00e3o. Estamos barrando as veias e art\u00e9rias\u201d, afirma Fernando Trujillo"},"content":{"rendered":"<div><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/Capa-1024x683.jpg\" width=\"641\" height=\"428\" \/><\/div>\n<div id=\"attachment_59354\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 640px;\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Fernando Trujillo afirma que morat\u00f3ria da piracatinga no Brasil levou ca\u00e7adores de botos a abater animais na Bol\u00edvia e Peru. Ele defende pol\u00edticas coordenadas entre os pa\u00edses amaz\u00f4nicos para proteger as esp\u00e9cies. Foto: Vandr\u00e9 Fonseca.<\/p>\n<\/div>\n<p>O bi\u00f3logo colombiano Fernando Trujillo, diretor cient\u00edfico da Funda\u00e7\u00e3o Omacha, \u00e9 um dos mais importantes pesquisadores do mundo sobre a conserva\u00e7\u00e3o de botos na Amaz\u00f4nia. H\u00e1 quase trinta anos acompanhando as mudan\u00e7as na Amaz\u00f4nia e os impactos sobre os animais, foi amea\u00e7ado de morte ao denunciar na Col\u00f4mbia a contamina\u00e7\u00e3o da piracatinga por merc\u00fario, cuja pesca \u00e9 feita com carca\u00e7as de botos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos estudos sobre mudan\u00e7as que v\u00eam ocorrendo em pelo menos 17 rios da Am\u00e9rica do Sul, \u00e9 respons\u00e1vel ou participa de diversas outras pesquisas e iniciativas. Uma delas, em colabora\u00e7\u00e3o com o WWF e o Instituto Mamirau\u00e1, do Amazonas, acompanha botos por sat\u00e9lite, para saber o impacto da constru\u00e7\u00e3o de hidrel\u00e9tricas sobre as esp\u00e9cies.<\/p>\n<p>Fernando Trujillo \u00e9 tamb\u00e9m personagem do document\u00e1rio \u201cA River Below\u201d, em cartaz no Netflix. O filme trata da ca\u00e7a a botos na Amaz\u00f4nia para servir \u00e0 pesca da piracatinga e as iniciativas que tentam conter essa matan\u00e7a. Entre os temas mais pol\u00eamicos do filme, est\u00e1 a hist\u00f3ria por tr\u00e1s das imagens divulgadas pelo programa Fant\u00e1stico, da Rede Globo, obtidas pelo brasileiro Richard Rasmussen, que resultaram na morat\u00f3rio da pesca da piracatinga no Brasil.<\/p>\n<p>Ele esteve no Brasil, entre mar\u00e7o e abril, para participar de um encontro da Comiss\u00e3o Baleeira Internacional, onde foi discutida a matan\u00e7a de botos na Amaz\u00f4nia para a pesca da piracatinga. Em seguida, esteve em Bras\u00edlia, para uma reuni\u00e3o com o WWF,\u00a0onde o assunto foi estrat\u00e9gias para conserva\u00e7\u00e3o de golfinhos na Am\u00e9rica do Sul.\u00a0E fez uma pausa em Manaus, onde gravou entrevistas para um document\u00e1rio europeu. Foi a oportunidade de ((o))eco conhecer um pouco mais sobre as ideias dele sobre conserva\u00e7\u00e3o e Amaz\u00f4nia. E claro, sobre as pol\u00eamicas do filme.<\/p>\n<p><b>O Eco: O que o senhor achou do resultado do filme?<\/b><\/p>\n<div class=\"olho-esquerda\">\u201cComo em um rio t\u00e3o rico como o Amazonas, com mais de 3 mil esp\u00e9cies de peixes, dos quais pelo menos 300 s\u00e3o de interesse comercial, terminamos capturando piracatinga, o urubu-d\u2019\u00e1gua?\u201d.<\/div>\n<p>Fernando Trujillo: Esse document\u00e1rio, a River Below, tem gerado muita expectativa em n\u00edvel mundial. Quando primeiro surgiu a ideia, o produtor que havia me dito que queria fazer um document\u00e1rio n\u00e3o s\u00f3 sobre golfinhos, mas sobre temas mais globais, que interessassem a algu\u00e9m no Jap\u00e3o, Noruega e Estados Unidos, n\u00e3o somente \u00e0s pessoas que vivem na Amaz\u00f4nia. Assim fomos desenvolvendo esse document\u00e1rio por tr\u00eas anos e encontramos justamente esses temas globais: agendas econ\u00f4micas, as pol\u00edticas, a grande press\u00e3o sobre a Amaz\u00f4nia, que tem um potencial enorme para a humanidade, mas de alguma maneira n\u00e3o tem sido atendida e estamos acabando com ela. E o document\u00e1rio mostra o tema da sobrepesca, como em um rio t\u00e3o rico como o Amazonas, com mais de 3 mil esp\u00e9cies de peixes, dos quais pelo menos 300 s\u00e3o de interesse comercial, terminamos capturando piracatinga, o urubu-d\u2019\u00e1gua, um peixe que nenhum ribeirinho consome. Ele \u00e9 a \u00faltima op\u00e7\u00e3o do ribeirinho, mas est\u00e1 sendo comercializado em muitas cidades do Brasil, da Col\u00f4mbia, da Bol\u00edvia. Isso gerou um problema transfronteiri\u00e7o. Como temos prejudicado a pesca no Amazonas e quais as decis\u00f5es que temos de tomar? S\u00e3o vistas no filme decis\u00f5es \u00e9ticas: se se salva o boto, qual a situa\u00e7\u00e3o dos pescadores, o que eles v\u00e3o fazer? E os comerciantes? Como temos de atender a essas situa\u00e7\u00f5es em uma regi\u00e3o t\u00e3o complexa? N\u00e3o se trata de bonzinhos ou malvados, mas de rela\u00e7\u00f5es muito complexas de arranjos de desenvolvimento sustent\u00e1vel para a Amaz\u00f4nia, que \u00e9 um guia para todo o mundo.<\/p>\n<p><b>O filme mostra duas posi\u00e7\u00f5es diferentes, uma a\u00e7\u00e3o mais forte, mais chocante, que \u00e9 o caso das imagens divulgadas pela TV, e outra, de longo prazo, de convencimento. Qual a diferen\u00e7a nos resultados dessas duas maneiras de agir?<\/b><\/p>\n<p>Fazer conserva\u00e7\u00e3o \u00e9 muito frustrante. Ent\u00e3o temos que argumentar sobre as duas posi\u00e7\u00f5es. A posi\u00e7\u00e3o de ativista, como Richard Rasmussen, faz muitas coisas certas, \u00e9 preciso atuar, fazer. Passa-se muito tempo falando, falando e n\u00e3o se faz nada. Mas ela tamb\u00e9m cruza uma linha \u00e9tica, que nos deixa igual \u00e0s pessoas que criticamos. Isso n\u00e3o pode ser poss\u00edvel. A outra \u00e9 produzir informa\u00e7\u00f5es cient\u00edficas, t\u00e9cnicas, d\u00e1-las aos governos, que demoram anos para tomar decis\u00f5es. Em meu pa\u00eds, por exemplo, terminei amea\u00e7ado mostrar que os grandes n\u00edveis de merc\u00fario neste peixe. O governo ficou quieto por quase dois anos, at\u00e9 que finalmente, com informa\u00e7\u00f5es novas produzidas por eles, se deram conta que esse peixe tinha muito merc\u00fario e o proibiram. Mas \u00e9 muito frustrante. Os tempos s\u00e3o muito lentos, os governos n\u00e3o reagem adequadamente a essas coisas. Por isso, se tomam decis\u00f5es apressadas, temer\u00e1rias, e filmamos como se mata um golfinho. Pior de tudo, descobriu-se depois de v\u00e1rios anos que n\u00e3o foi uma coisa que se ocorreu de maneira corrente, mas foram ambientalistas que promoveram a morte desse golfinho para fazer press\u00e3o sobre o governo do Brasil.<\/p>\n<p><b>Mas a press\u00e3o funcionou, n\u00e3o funcionou?<\/b><\/p>\n<p>A curto prazo, funcionou. A curto prazo mais de 20 milh\u00f5es de pessoas no Brasil viram o programa da Globo, o que exigiu uma rea\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente e do Minist\u00e9rio da Pesca, que tomaram decis\u00f5es mas deixaram portas abertas, como a possibilidade de cada pescador capturar cinco quilos de piracatinga. Nenhum desses pescadores consome piracatinga, ent\u00e3o esses 5 quilos de cada pescador, para onde v\u00e3o? Ao mercado ilegal na fronteira com a Col\u00f4mbia. Os governos do Brasil e Col\u00f4mbia est\u00e3o conversando sobre como resolver essa situa\u00e7\u00e3o. Os resultados vieram a curto prazo, mas a longo prazo, vejam como tudo est\u00e1 conectado, o Brasil fez a morat\u00f3ria e disse \u2018est\u00e1 resolvido no Brasil\u2019. Mas os comerciantes v\u00e3o ao Peru e \u00e0 Bol\u00edvia matar golfinhos para atender ao mercado do Brasil e da Col\u00f4mbia. A conclus\u00e3o \u00e9 que temos de planejar as estrat\u00e9gias entre os governos em uma situa\u00e7\u00e3o transfronteiri\u00e7a como a Amaz\u00f4nia. Porque se tomamos decis\u00f5es unilaterais geramos esse efeito domin\u00f3 em outros pa\u00edses. Bol\u00edvia parece ser influenciada por pescadores e comerciantes do Brasil. No Peru, foram comerciantes colombianos a promover essa atividade. Ent\u00e3o precisamos organizar o tema \u2018pesca\u2019 na Amaz\u00f4nia. Precisamos devolver as boas esp\u00e9cies, como os grande bagres, o tambaqui, fazer um reordenamento pesqueiro.<\/p>\n<p><b>Voc\u00ea fala muito de reordenamento da pesca. Por que ela \u00e9 t\u00e3o importante?<\/b><\/p>\n<div class=\"olho-esquerda\">\u201cO Brasil fez a morat\u00f3ria (da piracatinga) e disse \u2018 est\u00e1 resolvido no Brasil \u2018. Mas os comerciantes v\u00e3o ao Peru e \u00e0 Bol\u00edvia matar golfinhos para atender ao mercado do Brasil e da Col\u00f4mbia\u201d.<\/div>\n<p>O ordenamento pesqueiro \u00e9 vital porque um dos grandes recursos econ\u00f4micos e alimentares da Amaz\u00f4nia \u00e9 a pesca. A maioria dos ind\u00edgenas vive da pesca e da ca\u00e7a. Como todas as pessoas que chegaram a Amaz\u00f4nia consomem pescado, a economia local em muitas cidades se move pelo pescado. Quem s\u00e3o os comerciantes? Os comerciantes s\u00e3o pessoas valentes, que chegaram a regi\u00f5es mais distantes e come\u00e7aram a usar avi\u00f5es para levar o pescado \u00e0s grandes cidades. Esses avi\u00f5es que vinham vazios, come\u00e7aram a trazer melancias, rem\u00e9dios, alimentos vegetais para as comunidades. E as comunidades foram crescendo. A pesca \u00e9 a din\u00e2mica social e econ\u00f4mica da Amaz\u00f4nia. Se acabarmos com a pesca, acabamos com essa din\u00e2mica. E temos muitas atividades a realizar, como o turismo. O turismo bem feito pode significar um ingresso econ\u00f4mico importante para as comunidades. Mas nem todo mundo pode viver de turismo. Assim, se organizamos a pesca, os peixes podem ser recuperados. H\u00e1 exemplos maravilhosos, como em Mamirau\u00e1, aqui no Brasil, perto de voc\u00ea. \u00c9 uma reserva sustent\u00e1vel e pensaram em manejar pirarucu. Hoje existem popula\u00e7\u00f5es saud\u00e1veis de pirarucu. Est\u00e3o sacando e vendendo pirarucu. Est\u00e3o abrindo mercados internacionais. Se fizermos o mesmo, n\u00e3o apenas em uma reserva, mas em toda a Bacia Amaz\u00f4nica, manejando adequadamente a pesca, teremos peixes ornamentais para exportar para Alemanha, Singapura, China, teremos peixe para comercializar facilmente nas cidades amaz\u00f4nicas, nas cidades dos pa\u00edses amaz\u00f4nicos e em n\u00edvel internacional. A pesca \u00e9 uma fonte de vida econ\u00f4mica e social na regi\u00e3o.<\/p>\n<p><b>E porque n\u00e3o a pesca da piracatinga?<\/b><\/p>\n<p>A pesca da piracatinga poderia ocorrer dentro de alguns anos, quando conseguirmos descontaminar os rios de merc\u00fario. Mas a gente ribeirinha n\u00e3o come piracatinga porque dizem que \u00e9 o urubu-d\u2019\u00e1gua. Mas se a gente da cidade quer comer piracatinga, por meio da aquicultura poderia se produzir piracatinga onde n\u00edveis de merc\u00farios estejam controlados ou n\u00e3o tenha n\u00edveis de merc\u00fario. Mas porque n\u00e3o damos aten\u00e7\u00e3o aos bons peixes? Se voc\u00ea provar a piracatinga, vai ver que a carne n\u00e3o \u00e9 boa. Comemos nas cidade porque n\u00e3o sabemos que estamos comendo um urubu-d\u00b4\u00e1gua. Quando voc\u00ea pesca a piracatinga, voc\u00ea usa um animal morto como isca, uma carca\u00e7a de um animal morto. Voc\u00ea captura a piracatinga e imediatamente em que arrancar os intestino porque em quest\u00e3o de minutos a carne se putrefata. \u00c9 isso que queremos comer? Eu acho que n\u00e3o.<\/p>\n<p><b>Como voc\u00ea tem tratado essa quest\u00e3o da matan\u00e7a dos botos na Col\u00f4mbia?<\/b><\/p>\n<div class=\"olho-direita\">\u201cPoder\u00edamos pensar em uma isca alternativa, continuar a capturar a piracatinga e mand\u00e1-la para a cidade, mas seria \u00e9tico? Estar\u00edamos mandando um peixe com altas quantidades de merc\u00fario, um peixe que os ind\u00edgenas e ribeirinhos da regi\u00e3o n\u00e3o consomem.\u201d.<\/div>\n<p>A maneira que temos abordado as coisas na Col\u00f4mbia est\u00e1 baseada em que muitos dos problemas que temos no planeta \u00e9 devido ao consumo. Ent\u00e3o, o que temos de fazer para deter a matan\u00e7a de golfinhos \u00e9 deter o mercado. Se o problema \u00e9 o mercado da piracatinga, e a piracatinga para ser capturada se usam botos, se detemos o mercado, detemos a matan\u00e7a de botos. E ao mesmo tempo, impedimos que as pessoas da cidade consumam peixes com alto n\u00edvel de merc\u00fario. Uma estrat\u00e9gia de dois objetivos: protegemos os golfinhos e protegemos os seres humanos. Creio que \u00e9 muito mais consequente. Poder\u00edamos pensar em uma isca alternativa, continuar a capturar a piracatinga e mand\u00e1-la para a cidade, mas seria \u00e9tico? Estar\u00edamos mandando um peixe com altas quantidades de merc\u00fario, um peixe que os ind\u00edgenas e ribeirinhos da regi\u00e3o n\u00e3o consomem, porque consideram inapropriado.<\/p>\n<p><b>E quanto a quest\u00e3o do merc\u00fario? H\u00e1 estudos indicando que a concentra\u00e7\u00e3o de merc\u00fario mais alta na regi\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m uma condi\u00e7\u00e3o natural.<\/b><\/p>\n<p>Eu n\u00e3o estou de acordo quando se fala em merc\u00fario como algo natural na Amaz\u00f4nia. Se \u00e9 certo que h\u00e1 concentra\u00e7\u00f5es de merc\u00fario e jazimentos de merc\u00farios em solos da Amaz\u00f4nia, a maior aporte de merc\u00fario foi dado pela minera\u00e7\u00e3o legal ou ilegal de ouro. Estamos falando que as fontes naturais de merc\u00fario s\u00e3o apenas uns 16%, est\u00e3o em sedimentos e quando as chuvas passam por elas levam at\u00e9 a \u00e1gua. A queima de florestas est\u00e1 gerando merc\u00fario, as hidrel\u00e9tricas est\u00e3o criando merc\u00fario. Agora, algu\u00e9m me explica se o merc\u00fario liberado pelo desmatamento, pela queima de florestas e pelas hidrel\u00e9tricas \u00e9 merc\u00fario natural? Eu n\u00e3o estou de acordo com isso. Na minera\u00e7\u00e3o ilegal, para um quilograma de ouro usamos at\u00e9 10 quilogramas de merc\u00fario, de uma maneira ineficiente.<\/p>\n<p><b>E esse merc\u00fario n\u00e3o \u00e9 um problema para a pesca?<\/b><\/p>\n<div id=\"attachment_59352\" class=\"wp-caption alignleft\">\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-59352\" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/Philipp-Lichterbeck.jpg\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" srcset=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/Philipp-Lichterbeck.jpg 400w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/Philipp-Lichterbeck-300x283.jpg 300w\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"377\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Foto: Philipp Lichterbeck.<\/p>\n<\/div>\n<p>Supostamente, sim. \u00c9 um problema para a pesca, n\u00e3o apenas para a Amaz\u00f4nia, mas em n\u00edvel global. Isto se v\u00ea no \u00c1rtico, se v\u00ea no Mediterr\u00e2neo, se v\u00ea no Canad\u00e1, se v\u00ea nos Estados Unidos, em todas as partes. Estamos contaminando o planeta e estamos comendo esse merc\u00fario. O que temos de fazer \u00e9 eliminar o aporte de merc\u00fario na natureza. Precisamos simplesmente cumprir o que estamos propondo no\u00a0<a href=\"http:\/\/www.mma.gov.br\/seguranca-quimica\/mercurio\/conven%C3%A7%C3%A3o-de-minamata\" rel=\"noopener\">Acordo de Minamata<\/a>. O Acordo de Minamata foi assinado por muitos pa\u00edses, entre eles o Brasil, para reduzir o uso de merc\u00fario e deixar de usar merc\u00fario. Se deixarmos de usar, em cinco ou dez anos, o merc\u00fario que est\u00e1 na Amaz\u00f4nia vai ao sedimento e vai ficar coberto. Talvez em oito ou dez anos, estaremos vendo rios sem merc\u00fario. Vendo novos cortes de peixes que n\u00e3o tenham merc\u00fario. Afinal de contas, do que se trata isso? Decis\u00e3o pol\u00edtica. Precisamos de decis\u00e3o pol\u00edtica e a\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o, para proteger os botos, para proteger a pesca e para proteger a gente, a sa\u00fade humana.<\/p>\n<p><b>Voc\u00ea \u00e9 contra a minera\u00e7\u00e3o na Amaz\u00f4nia?<\/b><\/p>\n<p>Eu creio que \u00e9 preciso olhar com cuidado cada caso. \u00c9 poss\u00edvel que haja minera\u00e7\u00e3o em alguns lugares, com boas pr\u00e1ticas. Porque at\u00e9 agora o que vemos \u00e9 que o ouro pode significar um problema como os \u201cdiamantes de sangue\u201d. Uma pessoa que p\u00f5e um anel n\u00e3o sabe quantos hectares de floresta foram desmatados, n\u00e3o sabe quantos rios foram contaminados, n\u00e3o sabe quantas pessoas foram desalojadas \u00e0 for\u00e7a por grupos armados destes lugares, isso \u00e9 inacredit\u00e1vel. Todo esse ouro ilegal que em algum momento se torna legal. N\u00e3o sabemos quando, talvez quando as empresas grandes o compram. Ent\u00e3o uma posi\u00e7\u00e3o que temos de tomar como seres humanos \u00e9 ver a origem do que compramos e daquilo que consumimos. Se consumimos um peixe, saber de onde veio e como foi capturado. Se compramos umas j\u00f3ias, j\u00e1 h\u00e1 grifes fazendo certificado de origem de ouro verde, ouro que n\u00e3o est\u00e1 gerando problemas ambientais. Temos que parar esse padr\u00e3o de consumo que temos, que logo pode-se transformar em algo como \u2018diamantes de sangue\u201d.<\/p>\n<p><b>Pelo que entendi, na sua vis\u00e3o para proteger a biodiversidade na Amaz\u00f4nia, precisamos cuidar primeiro das pessoas. Como \u00e9 isso?<\/b><\/p>\n<div class=\"olho-direita\">\u201cAqui na Amaz\u00f4nia estamos falando de biodiversidade, mas o que poucas pessoas sabem no mundo \u00e9 que na Amaz\u00f4nia vivem 34 milh\u00f5es de seres humanos, e s\u00f3 3 em cada 5 s\u00e3o ind\u00edgenas.\u201d.<\/div>\n<p>Claro. Porque inicialmente parecia que est\u00e1vamos preocupados s\u00f3 com os golfinhos e que a decis\u00e3o era para favorecer os bichos. Mas na verdade estamos pensando na gente. Nesse momento se tomou a decis\u00e3o de uma morat\u00f3rio na Brasil e uma proibi\u00e7\u00e3o permanente na Col\u00f4mbia para a piracatinga. Isso afeta os pescadores, seus ganhos econ\u00f4micos. Mas n\u00e3o podemos permitir que se continue a comercializar uma esp\u00e9cie com t\u00e3o altos n\u00edveis de merc\u00fario. Ent\u00e3o o que temos que fazer \u00e9 chegar com solu\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, recuperar a pesca. Ao lado dos governos, recuperar a din\u00e2mica dos grandes rios, as migra\u00e7\u00f5es dos grandes bagres, o pirarucu, o tambaqui. Manejar de maneira adequada as bacias de rios, para favorecer as pessoas, n\u00e3o somente os bichos. Aqui na Amaz\u00f4nia estamos falando de biodiversidade, mas o que poucas pessoas sabem no mundo \u00e9 que na Amaz\u00f4nia vivem 34 milh\u00f5es de seres humanos, e s\u00f3 3 em cada 5 s\u00e3o ind\u00edgenas. Se voc\u00ea pergunta a um europeu como ele percebe a Amaz\u00f4nia, ele vai dizer que \u00e9 uma regi\u00e3o com grande quantidade de selva, com muito poucos humanos, e a maioria ind\u00edgena. Que coisa mais alijada da realidade! Trinta e quatro milh\u00f5es de seres humanos. De onde sa\u00edram todas essas pessoas? Vieram atra\u00eddos por fazendas de gado, vieram atra\u00eddos pelas hidrel\u00e9tricas, pela constru\u00e7\u00e3o de rodovias, grandes cidades se construindo. Atualmente estamos em Manaus, Ningu\u00e9m na Europa imagina que Manaus \u00e9 uma cidade com mais de 2 milh\u00f5es de habitantes, \u00e9 uma grande urbe cosmopolita.<\/p>\n<p><b>Existe contradi\u00e7\u00e3o entre pensar no ser humano e pensar na biodiversidade?<\/b><\/p>\n<p>N\u00e3o, n\u00e3o existe uma contradi\u00e7\u00e3o. A contradi\u00e7\u00e3o \u00e9 insistir em pr\u00e1ticas insustent\u00e1veis para os humanos. J\u00e1 estamos condenados a isso. Um exemplo em maior escala temos nas grandes cidades. Nosso consumo est\u00e1 esgotando o planeta, cada vez queremos consumir mais e mais coisas que realmente n\u00e3o precisamos. Estamos colocando esse padr\u00e3o de consumo na selva e estamos acabando com a selva. A ideia n\u00e3o \u00e9 abandonar as pessoas que vivem na Amaz\u00f4nia, mas o que vamos fazer para levar trabalho sustent\u00e1vel ambientalmente para 34 milh\u00f5es de pessoas que vivem atualmente na Amaz\u00f4nia. Esse \u00e9 um trato que deve ser implantado nos governos do Brasil, da Col\u00f4mbia, da Bol\u00edvia, do Peru, que podem favorecer essa regi\u00e3o. Todo mundo quer que a Amaz\u00f4nia seja o jardim do planeta, mas o que fazemos com as pessoas que vivem a\u00ed?<\/p>\n<p><b>Voc\u00ea est\u00e1 dizendo que n\u00e3o cuidar das pessoas significa preju\u00edzo para a vida selvagem tamb\u00e9m?<\/b><\/p>\n<div class=\"olho-esquerda\">\u201cTemos que oferecer alternativas para que n\u00e3o matem esse peixe-boi, temos que oferecer alternativas para que n\u00e3o haja minera\u00e7\u00e3o ilegal jogando grandes quantidades de merc\u00fario no rio.\u201d.<\/div>\n<p>N\u00e3o atender as pessoas em um lugar como a Amaz\u00f4nia, deix\u00e1-las sozinhas, faz com que facilmente sejam atra\u00eddas por atividades ilegais ou insustent\u00e1veis, como cultivos il\u00edcitos, minera\u00e7\u00e3o ilegal e corte de \u00e1rvores. Se os governos n\u00e3o chegam com alternativas econ\u00f4micas, as pessoas t\u00eam que sobreviver. Elas est\u00e3o s\u00f3s. O peixe-boi, por exemplo. Na cidade tudo parece bem porque o peixe-boi est\u00e1 protegido e \u00e9 uma esp\u00e9cie amea\u00e7ada. Mas no campo onde uma fam\u00edlia pode alimentar seus filhos por duas semanas, n\u00e3o est\u00e1. Ent\u00e3o temos que oferecer alternativas para que n\u00e3o matem esse peixe-boi, temos que oferecer alternativas para que n\u00e3o haja minera\u00e7\u00e3o ilegal jogando grandes quantidades de merc\u00fario no rio.<\/p>\n<p><b>Mudando de assunto. Voc\u00ea coordena um trabalho com o WWF de monitoramento de botos. Pode explicar como \u00e9 esse projeto?<\/b><\/p>\n<p>Uma das grandes preocupa\u00e7\u00f5es que temos com os rios \u00e9 a grande quantidade de hidrel\u00e9tricas que est\u00e3o sendo constru\u00eddas. Aparentemente h\u00e1 mais de 150 hidrel\u00e9tricas constru\u00eddas no Brasil e h\u00e1 projetos para 277 outras. Se se chegar a cumprir toda essa proje\u00e7\u00e3o, haver\u00e1 apenas tr\u00eas rios de toda a Bacia Amaz\u00f4nia sem hidrel\u00e9tricas, sem barreiras. Essas barreiras interrompem a migra\u00e7\u00e3o dos peixes. Assim, fizemos um projeto para marcar golfinhos com telemetria satelital e ver o quanto se movem pelos rios. Temos neste momento 15 golfinhos nos contando como podem se movimentar pelos rios na Bol\u00edvia, no Brasil e na Col\u00f4mbia. Quais s\u00e3o as \u00e1reas mais importantes para eles, onde est\u00e3o os alimentos e como seus movimentos s\u00e3o restringidos pelas barreiras das hidrel\u00e9tricas. A id\u00e9ia \u00e9 chegar a 50 golfinhos, que nos contem as hist\u00f3rias de todos os problemas que est\u00e3o tendo com a conectividade.<\/p>\n<p><b>J\u00e1 tem algum resultado pr\u00e9vio?<\/b><\/p>\n<div id=\"attachment_59353\" class=\"wp-caption alignright\">\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-59353\" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/DSC_5865.jpg\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" srcset=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/DSC_5865.jpg 400w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/DSC_5865-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/DSC_5865-278x185.jpg 278w\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"267\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Foto: Divulga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n<p>J\u00e1 temos alguns resultados mostrando golfinhos que se movem 500, 600 quil\u00f4metros. S\u00e3o animais migrando, que est\u00e3o se movimentando inclusive de um pa\u00eds a outro, como os grandes bagres. Se olharmos a Amaz\u00f4nia de cima e vemos o rio, podemos imaginar que \u00e9 como um cora\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9, como dizem, um pulm\u00e3o, o pulm\u00e3o do mundo. \u00c9 um cora\u00e7\u00e3o e todos esses rios s\u00e3o veias e art\u00e9rias. Quando voc\u00ea p\u00f5e no cora\u00e7\u00e3o um mont\u00e3o de barreiras, em todas essas veias, o cora\u00e7\u00e3o vai colapsar. \u00c9 isso que se passa com a Amaz\u00f4nia. Est\u00e3o colocando muitas barreiras em todas as art\u00e9rias, em todas as veias. E vai colapsar.<\/p>\n<p><b>J\u00e1 identificaram quais hidrel\u00e9tricas est\u00e3o atrapalhando o deslocamento dos botos?<\/b><\/p>\n<p>Temos golfinhos marcados no Rio Tapaj\u00f3s, onde h\u00e1 algumas hidrel\u00e9tricas. O mesmo na Bol\u00edvia at\u00e9 o rio It\u00e9nez e at\u00e9 o Madeira e, em breve, estaremos colocando no Rio Tocantins, onde est\u00e1 Tucuru\u00ed.<\/p>\n<p><b>Voc\u00ea foi amea\u00e7ado. E agora, como est\u00e1 a sua seguran\u00e7a na Col\u00f4mbia?<\/b><\/p>\n<p>A minha situa\u00e7\u00e3o \u00e9 muito complicada, porque eu sou um bi\u00f3logo trabalhando com os botos, com a pesca e a conserva\u00e7\u00e3o do Amazonas. Jamais esperei que fosse ser amea\u00e7ado. Mas abri uma caixa de pandora. O tema \u2018merc\u00fario\u2019 \u00e9 um tema sobre o qual ningu\u00e9m quer falar. Ningu\u00e9m. Os governos querem manter sil\u00eancio sobre o tema porque n\u00e3o sabem o que dizer para as pessoas: \u201cse n\u00e3o podem comer pescado, o que v\u00e3o fazer? \u00c9 melhor ficarmos calados\u201d. Ent\u00e3o, no momento em que o governo e a parte de Sa\u00fade P\u00fablica soltou um comunicado pedindo para n\u00e3o se consumir esse peixe, todos os grandes supermercados deixaram de vend\u00ea-lo e minha cara saiu em p\u00fablico. Fui eu quem gerou a informa\u00e7\u00e3o da Funda\u00e7\u00e3o Omacha, ent\u00e3o vieram as amea\u00e7as. E o governo guardou sil\u00eancio durante um par de anos, at\u00e9 que finalmente os meios de comunica\u00e7\u00e3o me ajudaram, dizendo que n\u00e3o era poss\u00edvel estarem me amea\u00e7ando, porque eu n\u00e3o estava dizendo nem mentiras, nem est\u00e1 exagerando a situa\u00e7\u00e3o. Eu sempre digo devem ser buscadas alternativas, solu\u00e7\u00f5es, e n\u00e3o simplesmente ter a\u00e7\u00f5es temer\u00e1rias. J\u00e1 depois, no ano passado, em setembro, o governo soltou essa resolu\u00e7\u00e3o que pro\u00edbe de maneira permanente o com\u00e9rcio da piracatinga. J\u00e1 estamos falando com comerciantes, que s\u00e3o os mais contrariados por essa medida. O que queremos \u00e9 que os comerciantes sejam parte da solu\u00e7\u00e3o e n\u00e3o parte do problema. \u00c9 isso que tem que se fazer, construir entre todos. Comerciantes s\u00e3o pessoas important\u00edssimas na regi\u00e3o do Amazonas. Tamb\u00e9m os queremos protegidos, se n\u00e3o eles ficam sem o que comercializar. Mas n\u00e3o podemos permitir, como no caso da droga, em que sabemos que \u00e9 claramente mal, mas n\u00e3o deixamos acabar porque h\u00e1 as fam\u00edlias que vivem do neg\u00f3cio. N\u00e3o. Se h\u00e1 um problema de sa\u00fade p\u00fablica, temos que tomar decis\u00f5es e temos que buscar alternativas.<\/p>\n<p><b>E voc\u00ea continua a amea\u00e7ado?<\/b><\/p>\n<div class=\"olho-esquerda\">\u201cEspero que os seres humanos usem a intelig\u00eancia e n\u00e3o a viol\u00eancia para resolver os problemas. Porque podem me matar, mas isso n\u00e3o vai tirar o merc\u00fario dos peixes.\u201d.<\/div>\n<p>Estive amea\u00e7ado durante quase um ano e meio. Tive de usar jalecos a prova de balas um par de vezes. E isso me incomodou muito, fez eu me sentir muito triste. \u00a0Ent\u00e3o decidi continuar indo ao Amazonas, sem jaleco, sem guarda-costas, s\u00f3 com o meu trabalho. E eu espero que as amea\u00e7adas j\u00e1 tenham desaparecido. A gente nunca sabe, espero que sim. Espero que os seres humanos usem a intelig\u00eancia e n\u00e3o a viol\u00eancia para resolver os problemas. Porque podem me matar, mas isso n\u00e3o vai tirar o merc\u00fario dos peixes.<\/p>\n<p><b>Sobre as quest\u00f5es ambientais, voc\u00ea defende que a solu\u00e7\u00e3o n\u00e3o vem de um pa\u00eds s\u00f3, mas precisa vir de todos da regi\u00e3o. O que um decide impacta no outro.<\/b><\/p>\n<p>Esta \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o em que decis\u00f5es devem ser tomadas em conjunto pelos pa\u00edses. Porque a decis\u00e3o que se toma em um pa\u00eds afeta o outro. Como eu disse, o Brasil fez uma morat\u00f3ria e come\u00e7aram a matar golfinhos no Peru e na Bol\u00edvia. Temos de ser consequentes. Justamente por isso houve a reuni\u00e3o de Santos, com a Comiss\u00e3o Baleeira Internacional, para se falar em n\u00edvel governamental. Nesta reuni\u00e3o, s\u00e3o discutidas pol\u00edticas para cada um dos pa\u00edses. Brasil e Col\u00f4mbia, por exemplo, s\u00e3o pa\u00edses l\u00edderes do Grupo de Buenos Aires. O Grupo de Buenos Aires, na Comiss\u00e3o Baleeira Internacional, \u00e9 o grupo mais conservacionista. E que exemplo estamos dando aos outros, dizendo aos japoneses para n\u00e3o ca\u00e7ar baleias, se em nossos territ\u00f3rios estamos matando milhares de golfinhos. N\u00e3o \u00e9 moral. Temos que solucionar os problemas que temos em casa. N\u00e3o se trata apenas dos golfinhos, se trata de sermos inteligentes e organizar o manejo da Bacia Amaz\u00f4nica, onde est\u00e3o os golfinhos, os peixes e os humanos.<\/p>\n<p><b>Temos evolu\u00eddo ou estamos pior do que h\u00e1 algum tempo?<\/b><\/p>\n<p>Eu creio que estamos avan\u00e7ando muito lentamente, n\u00e3o na velocidade que precisamos. Os governos atuam de maneira reativa e n\u00e3o de maneira preventiva. Atuam reativamente quando surgem problemas muito grandes e h\u00e1 press\u00e3o internacional. E as coisas n\u00e3o deveriam ser assim. Devemos atuar de maneira preventiva. Este ano escutamos as not\u00edcias de que o presidente Temer quer desacelerar a constru\u00e7\u00e3o de hidrel\u00e9tricas, porque o governo do Brasil reconhecia o impacto ambiental e social das hidrel\u00e9tricas. Esperemos que sim. Isto \u00e9 uma coisa louca, porque as hidrel\u00e9tricas eram uma energia alternativa, uma energia verde, n\u00e3o usam hidrocarbonetos, nem carbono, s\u00f3 a corrente dos rios. Mas a escala em que come\u00e7amos a trabalhar \u00e9 t\u00e3o grande que come\u00e7amos a bloquear rios. N\u00e3o pode ser assim. Pa\u00edses como Estados Unidos, Canad\u00e1, pa\u00edses europeus est\u00e3o destruindo suas hidrel\u00e9tricas porque se deram conta do impacto e que o valor ecol\u00f3gico dos rios \u00e9 muito maior do que a eletricidade que est\u00e3o produzindo. Temos que pensar em energias limpas na Amaz\u00f4nia. Outro tipo de energia. Agora, essas hidrel\u00e9tricas, a quem est\u00e3o mandando energia? N\u00e3o \u00e9 para as comunidades ribeirinhas. Est\u00e3o dando \u00e0s grandes empresas. Est\u00e3o vendendo. H\u00e1 comunidades ao lado das hidrel\u00e9tricas \u00e0s escuras, sem luz., Ent\u00e3o, n\u00e3o nos digam que isso \u00e9 para favorecer as pessoas pobres da regi\u00e3o, porque n\u00e3o \u00e9 verdade!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Fernando Trujillo afirma que morat\u00f3ria da piracatinga no Brasil levou ca\u00e7adores de botos a<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"&nbsp; Fernando Trujillo afirma que morat\u00f3ria da piracatinga no Brasil levou ca\u00e7adores de botos a","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/83650"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=83650"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/83650\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=83650"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=83650"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=83650"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}