{"id":8358,"date":"2014-10-11T18:08:09","date_gmt":"2014-10-11T18:08:09","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=8358"},"modified":"2014-10-11T18:08:09","modified_gmt":"2014-10-11T18:08:09","slug":"dunas-avancam-e-secam-o-que-ja-foi-um-dos-maiores-lagos-do-planeta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/dunas-avancam-e-secam-o-que-ja-foi-um-dos-maiores-lagos-do-planeta\/","title":{"rendered":"Dunas avan\u00e7am \u00e9 secam o que j\u00e1 foi um dos maiores lagos do planeta"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/mar_aral_dunas.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft wp-image-8360 size-full\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/mar_aral_dunas.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" \/><\/a>A paisagem \u00e9 de um vazio t\u00e3o grandioso que at\u00e9 a monotonia se torna exuberante, mas n\u00e3o se engane, o pa\u00eds das estepes tem um patrim\u00f4nio natural capaz de surpreender. Florestas, desertos, montanhas, canyons, lagos que parecem uma pintura. O pa\u00eds voltado para o futuro tem que acertar as contas com o passado.<\/p>\n<p>Um dos piores desastres ambientais do planeta, uma trag\u00e9dia anunciada onde o homem \u00e9 a maior v\u00edtima e ao mesmo tempo o principal respons\u00e1vel. E as pessoas ficam se perguntando, como tamanha destrui\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi evitada?<\/p>\n<p>O Mar de Aral era sin\u00f4nimo de fartura. Barcos pescavam 60 toneladas por ano. Mas a ambi\u00e7\u00e3o desenfreada da antiga Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica transformou a \u00e1rea em uma enorme planta\u00e7\u00e3o. No projeto, dois rios que abasteciam o mar Aral foram desviados para irrigar as super safras de algod\u00e3o. Foi uma senten\u00e7a para o quarto maior lago de \u00e1gua salgada do mundo, t\u00e3o grande que passou a ser chamado de mar.<\/p>\n<p>Em Akespe, no Cazaquist\u00e3o, h\u00e1 50 anos em uma vila pr\u00f3spera, fam\u00edlias viviam exclusivamente do que tiravam do mar, com o tempo o Aral recuou, as dunas avan\u00e7aram e muitos moradores tiveram que ir embora. A areia est\u00e1 engolindo boa parte das casas. S\u00f3 23 fam\u00edlias decidiram ficar na terra dos antepassados.<\/p>\n<p>\u201cQuando o mar secou n\u00e3o tinha produ\u00e7\u00e3o, eu me mudei para a cidade porque aqui n\u00e3o tinha trabalho para os pescadores\u201d, diz o pescador Nurlan Demenov.<\/p>\n<p><strong>Barcos pesqueiros encalhados \u00e9 um retrato triste<\/strong><\/p>\n<p>Acredite, o lugar onde hoje pastam os camelos, h\u00e1 menos de 40 anos nadavam os peixes. As conchas se espalham por toda parte.<\/p>\n<p>A imagem dos barcos pesqueiros encalhados \u00e9 um retrato triste do mar que quase desapareceu. E muitos que ficaram perto da areia foram divididos em peda\u00e7os e vendidos como sucata. \u00c9 s\u00f3 uma quest\u00e3o de tempo para n\u00e3o sobrar mais nada. A ferrugem vai consumindo as carca\u00e7as dos barcos depenados. S\u00e3o marcas sombrias de um passado nem t\u00e3o distante assim.<\/p>\n<p>A trag\u00e9dia fica ainda mais impressionante quando \u00e9 vista do alto, nas fotos de sat\u00e9lite da Nasa: em cerca de 30 anos, o volume da \u00e1gua caiu em 90%.<\/p>\n<p>Aralsk foi uma das maiores cidades \u00e0 beira do mar de Aral. Chegou a ter 100 mil moradores. Hoje, eles n\u00e3o passam de 40 mil. O porto de Aralsk era um dos mais importantes da regi\u00e3o. Uma grande \u00e1rea ficava no fundo do mar. No cais, a profundidade chegava a 12 metros. Atualmente, velhos guindastes, que permanecem no local, n\u00e3o tem mais fun\u00e7\u00e3o alguma, a n\u00e3o ser lembrar de uma hist\u00f3ria de dor, perdas e desola\u00e7\u00e3o. Uma hist\u00f3ria que Aralsk faz quest\u00e3o de preservar. Um museu guarda equipamentos, fotos e barcos dos tempos em que a pesca era farta.<\/p>\n<p>\u201cQuando eu falo sobre esse mar para as crian\u00e7as, parece conto de fadas, mas eu vi esse mar, eu nadei nele\u201d, diz Madi Zhasikenov, guia do museu de Aralsk.<\/p>\n<p><strong>Barragem constru\u00edda para salvar o que restou do Mar de Aral<\/strong><\/p>\n<p>Mas a esperan\u00e7a n\u00e3o morreu. O mar e as pessoas est\u00e3o voltando, lentamente para o vilarejo de Akespe. Resultado de uma barragem constru\u00edda para salvar o que restou da parte norte do Aral. A presen\u00e7a de diferentes esp\u00e9cies de aves e de parte da vegeta\u00e7\u00e3o \u00e9 um bom sinal. \u00c9 a prova de que a natureza \u00e9 capaz de reagir quando existe uma chance, por menor que seja. Alguns outros moradores das estepes tamb\u00e9m sofreram.<\/p>\n<p>E \u00e9 bom ter aten\u00e7\u00e3o nas estradas do Cazaquist\u00e3o, porque eles est\u00e3o na pista. Fortes e resistentes \u00e0 vida dura no deserto, os camelos, quem diria, enfrentaram muitas dificuldades para sobreviver em tempos sovi\u00e9ticos.<\/p>\n<p><strong>Cria\u00e7\u00e3o de camelos resiste ao fim da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica<\/strong><\/p>\n<p>Os l\u00edderes comunistas decidiram que os produtores rurais deveriam investir na cria\u00e7\u00e3o de carneiros e cabras, que tinham mais aceita\u00e7\u00e3o no mercado externo. Mas muitos fazendeiros resistiram e desde o fim da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, a quantidade de camelos aumentou em 30%.<\/p>\n<p>Uma fazenda j\u00e1 foi sede de uma cooperativa do governo sovi\u00e9tico. Na vizinhan\u00e7a, 70 produtores, criam cerca de 2 mil camelos, misturados a cavalos, vacas, cabras e ovelhas. Nos est\u00e1bulos feitos com galhos secos da vegeta\u00e7\u00e3o ficam as f\u00eameas leiteiras.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o pense que \u00e9 f\u00e1cil tirar leite de camela, ainda mais com a presen\u00e7a de estranhos. \u00c9 preciso amarrar a pata para n\u00e3o correr o risco de levar um coice. As f\u00eameas s\u00f3 produzem leite quando est\u00e3o amamentando, por isso \u00e9 importante levar o filhotinho para estimular a produ\u00e7\u00e3o de leite na hora da ordenha. Cada camelo bebe mais de 50 litros de \u00e1gua por dia e consegue encarar uma maratona de at\u00e9 100 quil\u00f4metros de travessia no deserto.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A paisagem \u00e9 de um vazio t\u00e3o grandioso que at\u00e9 a monotonia se torna exuberante,<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":8360,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/mar_aral_dunas.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/mar_aral_dunas.jpg",150,96,false],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/mar_aral_dunas.jpg",300,192,false],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/mar_aral_dunas.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/mar_aral_dunas.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/mar_aral_dunas.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/mar_aral_dunas.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/mar_aral_dunas.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/mar_aral_dunas.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/mar_aral_dunas.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"A paisagem \u00e9 de um vazio t\u00e3o grandioso que at\u00e9 a monotonia se torna exuberante,","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8358"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8358"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8358\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8360"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8358"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8358"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8358"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}