{"id":83382,"date":"2018-04-15T20:40:13","date_gmt":"2018-04-15T23:40:13","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=83382"},"modified":"2018-04-15T20:41:27","modified_gmt":"2018-04-15T23:41:27","slug":"receita-medica-universal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/receita-medica-universal\/","title":{"rendered":"Receita m\u00e9dica universal"},"content":{"rendered":"<h4>Nem tudo, enfim, est\u00e1 perdido. Ainda podemos sonhar. \u00c9 o que voc\u00ea confere nesta edi\u00e7\u00e3o, que tamb\u00e9m homenageia os buritis eternizados por Guimar\u00e3es Rosa<\/h4>\n<div class=\"complementoTop\">\n<div class=\"autor\">\n<p><img class=\"alignleft\" src=\"http:\/\/www.revistaecologico.com.br\/esite\/kcfinder\/upload\/images\/capas\/materias\/RevEco_Edi105_074%20Pablo%20Davi%20Kirchheim)%20240.jpg\" alt=\"O choro seco, enfim, da natureza roseana que continuamos destruindo, adoentados de n\u00f3s mesmos. Tal como uma parcela crescente de m\u00e9dicos que hoje, sem a humildade do doutor Rosa e munidos de tablets, celulares de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o e muita ci\u00eancia, n\u00e3o costumam mais olhar nos olhos da gente. S\u00f3 escrevem, pedem exames e morremos juntos, tamanha a desumanidade.\" \/><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Numa \u00e9poca t\u00e3o rasa de valores humanos, raz\u00e3o de viver e sa\u00fade planet\u00e1ria, a Revista Ecol\u00f3gico inicia nesta edi\u00e7\u00e3o a nova s\u00e9rie cultural \u201cO Vi\u00e9s M\u00e9dico na Literatura de Guimar\u00e3es Rosa\u201d. Reproduzida do livro hom\u00f4nimo do escritor e ambientalista Eug\u00eanio Goulart, professor de Pediatria da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e membro do Projeto Manuelz\u00e3o, a pesquisa passa a receita humana do escritor de \u201cGrande Sert\u00e3o: Veredas\u201d aos pr\u00f3prios m\u00e9dicos no exerc\u00edcio de suas vidas profissionais.<\/p>\n<p>Como pontuou outro colega de Goulart, o tamb\u00e9m m\u00e9dico e professor Jo\u00e3o Gabriel Fonseca, que assina o pref\u00e1cio, esses profissionais de sa\u00fade deveriam fazer uma esp\u00e9cie de \u201cexame peri\u00f3dico de consci\u00eancia. O que talvez contribu\u00edsse para melhorar a qualidade da rela\u00e7\u00e3o m\u00e9dico-paciente, t\u00e3o em baixa nestes tempos p\u00f3s-modernos\u201d. E Fonseca conclui: \u201cFar\u00e1 muito bem aos m\u00e9dicos lerem esta s\u00e9rie\u201d.<\/p>\n<p>Far\u00e1 um bem at\u00e9 na sua alma, caro leitor, ler o que um dos maiores escritores brasileiros de todos os tempos, auscultou, anotou e prescreveu como um simples \u201cm\u00e9dico da ro\u00e7a\u201d. Um profissional incomum da medicina do passado que, a cavalo, percorrendo os rinc\u00f5es de Minas, conheceu o valor m\u00edstico do sofrimento humano, a partir do que \u00e9 ser mineiro. E o que todos n\u00f3s sempre sofremos vendo as veredas do nosso grande sert\u00e3o em transe, virando deserto.<\/p>\n<p>O choro seco, enfim, da natureza roseana que continuamos destruindo, adoentados de n\u00f3s mesmos. Tal como uma parcela crescente de m\u00e9dicos que hoje, sem a humildade do doutor Rosa e munidos de tablets, celulares de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o e muita ci\u00eancia, n\u00e3o costumam mais olhar nos olhos da gente. S\u00f3 escrevem, pedem exames e morremos juntos, tamanha a desumanidade.<\/p>\n<p>Por falar em morrer de vida n\u00e3o vivida ou de tristeza (\u201cApertou em mim aquela tristeza, da pior de todas, que \u00e9 a sem raz\u00e3o de motivo\u201d), voc\u00ea vai saber tamb\u00e9m, caro leitor, nas \u201cP\u00e1ginas Verdes\u201d desta edi\u00e7\u00e3o, outra constata\u00e7\u00e3o de natureza m\u00e9dica. N\u00e3o de um m\u00e9dico colega de profiss\u00e3o de Guimar\u00e3es Rosa, mas de um agricultor e pesquisador que o Brasil ainda n\u00e3o conhece como deveria. Trata-se do pesquisador e agricultor su\u00ed\u00e7o Ernst G\u00f6tsch, para quem n\u00e3o h\u00e1 mais cura em n\u00f3s, nem no planeta, que j\u00e1 nos expulsa sabiamente, recolhendo suas nascentes d\u2019\u00e1gua. Ambos \u2013 homem e natureza \u2013 somos v\u00edtimas de n\u00f3s mesmos, o tal Homo sapiens, vulgo o c\u00e2ncer j\u00e1 em met\u00e1stase galopante em toda a face da Terra.<\/p>\n<p>S\u00f3 receita e diagn\u00f3stico ruim nesta edi\u00e7\u00e3o? N\u00e3o. A esperan\u00e7a, cuja cor verde n\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa, lembremos tamb\u00e9m, \u00e9 a \u00faltima que morre. O g\u00eanio Walt Disney (voc\u00ea tamb\u00e9m vai ver o seu receitu\u00e1rio aqui) j\u00e1 sabia disso d\u00e9cadas atr\u00e1s. Para educar ambientalmente as milhares de pessoas que visitam os parques da Disney em Orlando, na Fl\u00f3rida (EUA), a n\u00e3o jogarem lixo no ch\u00e3o da sua cidade de fantasia real, o que ele fez? Mandou instalar uma lixeira a cada 20 passos que o visitante der. Resultado: ningu\u00e9m tem coragem de sujar o cen\u00e1rio de divers\u00e3o e alegria que ele criou. Tal como Mickey, personagem principal de seu mundo m\u00e1gico, hoje igualmente ecol\u00f3gico.<\/p>\n<p>Nem tudo, enfim, est\u00e1 perdido. Ainda podemos sonhar. \u00c9 o que voc\u00ea confere nesta edi\u00e7\u00e3o, que tamb\u00e9m homenageia os buritis eternizados por Guimar\u00e3es Rosa.<\/p>\n<p>Boa leitura!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nem tudo, enfim, est\u00e1 perdido. Ainda podemos sonhar. \u00c9 o que voc\u00ea confere nesta edi\u00e7\u00e3o,<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Nem tudo, enfim, est\u00e1 perdido. 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