{"id":83347,"date":"2018-04-15T16:50:47","date_gmt":"2018-04-15T19:50:47","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=83347"},"modified":"2018-04-15T16:52:46","modified_gmt":"2018-04-15T19:52:46","slug":"dna-da-batata-doce-contesta-a-teoria-que-os-polinesios-chegaram-a-america-antes-de-colombo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/dna-da-batata-doce-contesta-a-teoria-que-os-polinesios-chegaram-a-america-antes-de-colombo\/","title":{"rendered":"DNA da batata doce contesta a teoria que os polin\u00e9sios chegaram \u00e0 Am\u00e9rica antes de Colombo"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/batata_doce.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-83348\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/batata_doce-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/batata_doce-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/batata_doce.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Crist\u00f3v\u00e3o Colombo chegou \u00e0s Am\u00e9ricas em 1492, mas alguns especialistas dizem que exploradores polin\u00e9sios chegaram por aqui antes dele. Existe pouca evid\u00eancia que corrobora com essa teoria, mas cientistas apontam pela presen\u00e7a de batatas doces \u2013 uma planta que acreditavam ser nativa das Am\u00e9ricas \u2013 no Pac\u00edfico Sul como prova. No entanto, uma an\u00e1lise gen\u00e9tica do popular tub\u00e9rculo e seus parentes anulou essa hip\u00f3tese de uma vez por todas.<\/p>\n<p>Os primeiros colonizadores da Am\u00e9rica do Norte provavelmente chegaram da Sib\u00e9ria pela Ber\u00edngia h\u00e1 cerca de 15 mil ou 20 mil anos, mas isso n\u00e3o significa que estes humanos aventureiros fossem os \u00fanicos migrantes deste continente. Avalie a\u00a0<a href=\"https:\/\/io9.gizmodo.com\/5890637\/could-the-first-humans-to-reach-the-americas-have-actually-come-from-europe\">hip\u00f3tese solutreana<\/a>, por exemplo, que sugere que ca\u00e7adores e colhedores europeus da Idade da Pedra caminharam por uma ponte de gelo Atl\u00e2ntico Norte at\u00e9 a costa leste da Am\u00e9rica do Norte h\u00e1 cerca de 18 mil a 25 mil anos, possivelmente alguns milhares de anos antes dos primeiros eurasi\u00e1ticos come\u00e7arem a vasculhar o lado oposto do continente.<\/p>\n<p>Ainda mais controversa \u2013 n\u00e3o que a hip\u00f3tese solutreana n\u00e3o seja controversa o bastante \u2013 tamb\u00e9m j\u00e1 foi sugerido que habitantes de ilhas do sul do Pac\u00edfico caminharam pelo trai\u00e7oeiro trajeto entre a Polin\u00e9sia e a Am\u00e9rica de barco, e que eles chegaram \u00e0s Am\u00e9ricas muitos anos antes de Colombo. Como prova, cientistas apontam pela presen\u00e7a de galinhas de esp\u00e9cies n\u00e3o nativas na Am\u00e9rica do Sul, rastros do aparente DNA polin\u00e9sio entre os membros da tribo de \u00edndios brasileiros Botocudo, e a inesperada presen\u00e7a de batatas doces na Polin\u00e9sia muito antes da chegada do Capit\u00e3o Cook no S\u00e9culo XVIII.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-246923 alignnone\" src=\"http:\/\/gizmodo.uol.com.br\/wp-content\/blogs.dir\/8\/files\/2018\/04\/wdhril0gsdqhvb8q1df2.jpg\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" srcset=\"http:\/\/gizmodo.uol.com.br\/wp-content\/blogs.dir\/8\/files\/2018\/04\/wdhril0gsdqhvb8q1df2.jpg 800w, http:\/\/gizmodo.uol.com.br\/wp-content\/blogs.dir\/8\/files\/2018\/04\/wdhril0gsdqhvb8q1df2-241x180.jpg 241w, http:\/\/gizmodo.uol.com.br\/wp-content\/blogs.dir\/8\/files\/2018\/04\/wdhril0gsdqhvb8q1df2-300x224.jpg 300w, http:\/\/gizmodo.uol.com.br\/wp-content\/blogs.dir\/8\/files\/2018\/04\/wdhril0gsdqhvb8q1df2-768x574.jpg 768w\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"478\" data-id=\"246923\" \/><\/p>\n<p><em>Diferentes variedades de batata doce expostas no Centro Internacional da Batata em Lima, Peru. (Cr\u00e9ditos: R. Scotland)<\/em><\/p>\n<p>Juntas, estas tr\u00eas pistas podem significar que os polin\u00e9sios navegaram do Pac\u00edfico Sul e as Am\u00e9ricas diversas vezes, o que explicaria porque frangos e batatas doces existem no Pac\u00edfico Sul, e porque o DNA polin\u00e9sio (aparentemente) existe entre a popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena da Am\u00e9rica do Sul. Mas essa teoria pode ser desmantelada; a primeira pista, a dos frangos,\u00a0<a href=\"https:\/\/news.nationalgeographic.com\/news\/2014\/03\/140318-polynesian-chickens-pacific-migration-america-science\/\">foi descreditada em 2014<\/a>, e a segunda, do DNA polin\u00e9sio, \u00e9\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nature.com\/news\/dna-study-links-indigenous-brazilians-to-polynesians-1.12710\">baseada em evid\u00eancias inconsistentes<\/a>. Agora, gra\u00e7as a um\u00a0<a href=\"http:\/\/www.cell.com\/current-biology\/fulltext\/S0960-9822(18)30321-X\">novo estudo<\/a>\u00a0publicado nesta quinta-feira (12) na\u00a0<em>Current Biology<\/em>, a hip\u00f3tese da batata doce tamb\u00e9m est\u00e1 sob suspeita.<\/p>\n<p>\u201cA presen\u00e7a da batata doce na Polin\u00e9sia tem sido vastamente interpretada como uma forte evid\u00eancia do contato humano entre a Polin\u00e9sia e a Am\u00e9rica na era pr\u00e9-Colombo\u201d, diz Paulo Mu\u00f1oz-Rodr\u00edguez, um coautor do estudo, em um comunicado. A presen\u00e7a da batata doce na Polin\u00e9sia foi documentada t\u00e3o cedo quanto as viagens do Capit\u00e3o Cook na embarca\u00e7\u00e3o\u00a0<em>Endeavour,\u00a0<\/em>uma descoberta estranha considerando que a batata doce, uma raiz que pertencente a fam\u00edlia de plantas originadas nas Am\u00e9ricas. \u201cEntretanto, nossa descoberta \u00e9 que a planta provavelmente chegou as Ilhas Pac\u00edficas pela dispers\u00e3o natural dos p\u00e1ssaros, vento ou correntes mar\u00edtimas em per\u00edodos anteriores a presen\u00e7a de humanos\u201d, ele diz.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/gizmodo.uol.com.br\/wp-content\/blogs.dir\/8\/files\/2018\/04\/b55our9e36qdfrasu8ge-501x745.jpg\" width=\"640\" height=\"952\" \/><\/p>\n<p><em>Esp\u00e9cimes de batata doce coletadas em 1769 no Arquip\u00e9lago da Sociedade (Cr\u00e9ditos: Museu da Hist\u00f3ria Natural de Londres)<\/em><\/p>\n<p>Para chegar a essa conclus\u00e3o, a equipe de Mu\u00f1os-Rodriguez, que incluiu pesquisadores da Universidade Oxford, Centro Internacional da Batata do Peru, Universidade Estadual de Oregon, e a Universidade Duke, analisou cerca de 200 esp\u00e9cimes representando todas as variedades conhecidas de batata doce. Isso incluiu parentes selvagens, e amostras retiradas tanto de plantas vivas quanto de esp\u00e9cimes extra\u00eddos de museus.<\/p>\n<p>O resultado do sequenciamento de DNA mostrou que a batata doce originou de uma esp\u00e9cie progenitora que existiu h\u00e1 cerca de 800 mil anos, e as batata doces encontradas no Pac\u00edfico Sul durante as viagens do Capit\u00e3o Cook divergiram de suas ancestrais americanas h\u00e1 aproximadamente 100 mil anos \u2013 muito antes dos humanos chegarem perto do Pac\u00edfico Sul, ou dos americanos em quest\u00e3o (nossa esp\u00e9cie emergiu h\u00e1 cerca de 300 mil anos). Depois das viagens de Cook, no entanto, europeus espalharam outras variedades de batatas doces pelo Pac\u00edfico Oeste, incluindo as Filipinas.<\/p>\n<p>Essa descoberta muda a no\u00e7\u00e3o que os primeiros humanos iam e voltavam da Am\u00e9rica para a Polin\u00e9sia antes da chegada dos colonizadores europeus \u2013 mas isso n\u00e3o destr\u00f3i a teoria por completa. Ainda existe a quest\u00e3o do DNA para ser analisada, e uma estranha coincid\u00eancia que vale a pena questionar: A palavras para batata doce na l\u00edngua polin\u00e9sia \u00e9 \u201ckuumala\u201d, que \u00e9 suspeitamente parecida com a palavra \u201ckumara\u201d, que \u00e9 como a popula\u00e7\u00e3o Quechua do noroeste da Am\u00e9rica do Sul se refere a ela.<\/p>\n<p>O mist\u00e9rio continua no ar. Ou na terra, neste caso.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Crist\u00f3v\u00e3o Colombo chegou \u00e0s Am\u00e9ricas em 1492, mas alguns especialistas dizem que exploradores polin\u00e9sios chegaram<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":83348,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/batata_doce.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/batata_doce-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/batata_doce-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/batata_doce.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/batata_doce.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/batata_doce.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/batata_doce.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/batata_doce.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/batata_doce.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/batata_doce.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Crist\u00f3v\u00e3o Colombo chegou \u00e0s Am\u00e9ricas em 1492, mas alguns especialistas dizem que exploradores polin\u00e9sios chegaram","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/83347"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=83347"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/83347\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/83348"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=83347"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=83347"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=83347"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}