{"id":83265,"date":"2018-04-14T16:25:51","date_gmt":"2018-04-14T19:25:51","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=83265"},"modified":"2018-04-14T16:25:51","modified_gmt":"2018-04-14T19:25:51","slug":"grupo-da-usp-calcula-dose-de-radiacao-em-osso-de-vitima-do-bombardeio-a-hiroshima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/grupo-da-usp-calcula-dose-de-radiacao-em-osso-de-vitima-do-bombardeio-a-hiroshima\/","title":{"rendered":"Grupo da USP calcula dose de radia\u00e7\u00e3o em osso de v\u00edtima do bombardeio a Hiroshima"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/dosimetria.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-83266\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/dosimetria-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/dosimetria-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/dosimetria.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>O bombardeio das cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki pelos Estados Unidos, em 1945, foi o primeiro e \u00fanico momento na hist\u00f3ria em que armas nucleares foram usadas contra alvos civis. Uma s\u00e9rie de estudos teve in\u00edcio ap\u00f3s esse epis\u00f3dio com o objetivo de mensurar o impacto do ataque sobre as v\u00edtimas \u2013 tanto para determinar a dose de radia\u00e7\u00e3o a que foram expostas, como para entender os efeitos dessa exposi\u00e7\u00e3o sobre o DNA e a sa\u00fade de modo geral.<\/p>\n<p>Dando continuidade a uma pesquisa que come\u00e7ou ainda nos anos 1980, sob a coordena\u00e7\u00e3o do f\u00edsico\u00a0<b><a href=\"http:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/1711\/sergio-mascarenhas-oliveira\/\" target=\"_blank\">S\u00e9rgio Mascarenhas<\/a><\/b>, professor na Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), pesquisadores brasileiros descreveram em artigo na revista\u00a0<b><a href=\"http:\/\/journals.plos.org\/plosone\/article?id=10.1371\/journal.pone.0192444\" target=\"_blank\"><i>PLOS One<\/i><\/a><\/b>\u00a0um m\u00e9todo capaz de dosar com precis\u00e3o a radia\u00e7\u00e3o absorvida por amostras de ossos de v\u00edtimas da explos\u00e3o nuclear no Jap\u00e3o.<\/p>\n<p>O trabalho foi conduzido durante o p\u00f3s-doutorado de\u00a0<b><a href=\"http:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/7807\" target=\"_blank\">Angela Kinoshita<\/a><\/b>, atualmente docente da Universidade do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o, em Bauru, sob supervis\u00e3o de\u00a0<b><a href=\"http:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/5619\" target=\"_blank\">Oswaldo Baffa<\/a><\/b>, professor da Faculdade de Filosofia, Ci\u00eancias e Letras de Ribeir\u00e3o Preto (FFCLRP-USP).<\/p>\n<p>\u201cUsamos uma t\u00e9cnica conhecida como espectroscopia de resson\u00e2ncia paramagn\u00e9tica eletr\u00f4nica para fazer um trabalho de dosimetria retrospectiva. Atualmente, existe um interesse renovado nesse tipo de metodologia devido ao risco de atentados terroristas em pa\u00edses como Estados Unidos\u201d, disse Baffa.<\/p>\n<p>\u201cImagine que algu\u00e9m detone uma bomba comum em Nova York e grude no explosivo um pouco de material radioativo. T\u00e9cnicas como essa podem ajudar a identificar quem foi exposto \u00e0 poeira radioativa e necessita de tratamento\u201d, disse.<\/p>\n<p>Como explicou Kinoshita, o ineditismo do estudo est\u00e1 relacionado com o fato de as amostras avaliadas serem oriundas de tecido humano de v\u00edtimas do ataque a Hiroshima.<\/p>\n<p>\u201cExistiam muitas d\u00favidas sobre a viabilidade de usar essa metodologia para determinar a dose depositada nessas amostras, devido a todos os processos envolvidos no epis\u00f3dio. Esse trabalho confirma que isso \u00e9 vi\u00e1vel e abre v\u00e1rias possibilidades de pesquisas futuras que poder\u00e3o esclarecer detalhes do ataque nuclear\u201d, disse a pesquisadora.<\/p>\n<p>O equipamento usado na investiga\u00e7\u00e3o foi adquirido durante um projeto coordenado por Baffa e\u00a0<b><a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/25384\" target=\"_blank\">apoiado pela FAPESP<\/a><\/b>.<\/p>\n<p><b>O in\u00edcio<\/b><\/p>\n<p>Ainda na d\u00e9cada de 1970, quando lecionava no Instituto de F\u00edsica de S\u00e3o Carlos (IFSC-USP), Mascarenhas descobriu que quando irradiava ossos humanos com raios X ou raios gama o material se tornava levemente magn\u00e9tico \u2013 propriedade conhecida como paramagnetismo.<\/p>\n<p>Isso ocorre porque a parte mineral do osso \u2013 formada por um cristal chamado hidroxiapatita (fosfato de c\u00e1lcio cristalino) \u2013 absorve \u00edons de di\u00f3xido de carbono (CO2). Ou seja, quando a amostra \u00e9 irradiada, o CO2 ali presente perde el\u00e9trons e vira CO2-. Esse radical livre funciona como um marcador da dose recebida pelo material.<\/p>\n<p>\u201cDescobri que poder\u00edamos empregar essa propriedade para fazer dosimetria de radia\u00e7\u00e3o e comecei a usar o m\u00e9todo na data\u00e7\u00e3o arqueol\u00f3gica\u201d, contou Mascarenhas.<\/p>\n<p>O objetivo, na \u00e9poca, era calcular a idade de ossadas encontradas em sambaquis \u2013 montes criados pelos habitantes primitivos do Brasil com restos de moluscos, esqueletos de seres pr\u00e9-hist\u00f3ricos, ossos humanos, conchas e utens\u00edlios feitos de pedra ou ossos \u2013 com base na dose de radia\u00e7\u00e3o natural que o material havia absorvido ao longo dos anos em contato com elementos como t\u00f3rio, presentes na areia da praia.<\/p>\n<p>O trabalho rendeu um convite para lecionar na Harvard University, nos Estados Unidos. Antes de partir para o territ\u00f3rio norte-americano, por\u00e9m, Mascarenhas decidiu ir ao Jap\u00e3o tentar obter amostras de ossos de v\u00edtimas das bombas at\u00f4micas e, assim, testar seu m\u00e9todo.<\/p>\n<p>\u201cDeram-me uma mand\u00edbula e resolvi medir a dose de radia\u00e7\u00e3o l\u00e1 mesmo, na Universidade de Hiroshima. Eu precisava comprovar que minha descoberta era verdadeira por meio de experi\u00eancias\u201d, contou.<\/p>\n<p>Mascarenhas conseguiu demonstrar que era poss\u00edvel obter um sinal dosim\u00e9trico daquela amostra, apesar da tecnologia ainda rudimentar e da falta de computadores para ajudar a processar o resultado. O trabalho foi apresentado com grande repercuss\u00e3o durante o tradicional March Meeting promovido anualmente pela American Physical Society. As amostras foram trazidas por Mascarenhas para o Brasil, onde est\u00e3o at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>\u201cNesses \u00faltimos 40 anos houve um grande avan\u00e7o na instrumenta\u00e7\u00e3o, que se tornou mais sens\u00edvel. Atualmente, \u00e9 poss\u00edvel ver o gr\u00e1fico na tela do computador e obter uma tabela com os dados digitalizados. Al\u00e9m disso, os estudos de F\u00edsica b\u00e1sica tamb\u00e9m evolu\u00edram, permitindo simular e manipular o sinal obtido com a amostra por t\u00e9cnicas computacionais\u201d, disse Baffa.<\/p>\n<p>Esses avan\u00e7os, acrescentou o pesquisador, permitiram neste novo trabalho separar o sinal que corresponde \u00e0 dose de radia\u00e7\u00e3o absorvida durante o ataque nuclear do chamado sinal de fundo \u2013 uma esp\u00e9cie de ru\u00eddo que cientistas suspeitam ser resultado do aquecimento sofrido pelo material durante a explos\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cO sinal de fundo \u00e9 uma linha larga, que pode ser produzida por v\u00e1rias coisas diferentes, n\u00e3o tem uma assinatura espec\u00edfica. J\u00e1 o sinal dosim\u00e9trico tem uma caracter\u00edstica espectral. Cada radical livre vai ressonar em uma determinada posi\u00e7\u00e3o do espectro quando exposto a um campo magn\u00e9tico\u201d, explicou Baffa.<\/p>\n<p><b>Metodologia<\/b><\/p>\n<p>Para fazer a medi\u00e7\u00e3o, os pesquisadores removeram peda\u00e7os milim\u00e9tricos da mesma mand\u00edbula usada no estudo anterior. As amostras foram novamente irradiadas no laborat\u00f3rio \u2013 t\u00e9cnica conhecida como dose aditiva.<\/p>\n<p>\u201cAdicionamos radia\u00e7\u00e3o ao material e vamos medindo como o sinal dosim\u00e9trico cresce. Depois constru\u00edmos uma curva e fazemos a extrapola\u00e7\u00e3o com o objetivo de calcular qual era a dose inicial, quando o sinal era supostamente zero. \u00c9 um m\u00e9todo de calibra\u00e7\u00e3o que nos permite medir amostras diferentes, pois cada osso e cada parte do mesmo osso tem uma sensibilidade diferente \u00e0 radia\u00e7\u00e3o, que depende de sua composi\u00e7\u00e3o\u201d, explicou Baffa.<\/p>\n<p>Gra\u00e7as \u00e0 combina\u00e7\u00e3o de t\u00e9cnicas, foi poss\u00edvel medir uma dose de aproximadamente 9,46 Gray (Gy) \u2013 considerada alta, na avalia\u00e7\u00e3o de Baffa. \u201cUma dose de 5 Gy exposta pelo corpo todo, cerca de metade do valor obtido, j\u00e1 \u00e9 fatal\u201d, disse.<\/p>\n<p>O valor foi compat\u00edvel com a dose obtida por meio de outras t\u00e9cnicas aplicadas em amostras n\u00e3o biol\u00f3gicas, como, por exemplo, na medi\u00e7\u00e3o da luminesc\u00eancia de gr\u00e3os de quartzo presentes nos fragmentos de tijolos e telhas encontrados no local das explos\u00f5es. Segundo os autores, tamb\u00e9m est\u00e1 pr\u00f3ximo do resultado de t\u00e9cnicas biol\u00f3gicas de medi\u00e7\u00e3o, aplicadas em estudos de longo prazo que usaram como par\u00e2metro as altera\u00e7\u00f5es no DNA de sobreviventes.<\/p>\n<p>\u201cA medida que obtivemos agora \u00e9 mais confi\u00e1vel que a preliminar, \u00e9 a mais atualizada. Mas estou atualmente avaliando uma metodologia cerca de mil vezes mais sens\u00edvel que a resson\u00e2ncia paramagn\u00e9tica. Dentro de alguns meses teremos novidades\u201d, adiantou Mascarenhas.<\/p>\n<p>O artigo\u00a0<i>Electron spin resonance (ESR) dose measurement in bone of Hiroshima A-bomb victim<\/i>\u00a0(doi 10.1371\/journal.pone.0192444), de Angela Kinoshita, Oswaldo Baffa e S\u00e9rgio Mascarenhas, pode ser lido em e\u00a0<b><a href=\"http:\/\/journals.plos.org\/plosone\/article?id=10.1371\/journal.pone.0192444\" target=\"_blank\">http:\/\/journals.plos.org\/plosone\/article?id=10.1371\/journal.pone.0192444<\/a><\/b>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O bombardeio das cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki pelos Estados Unidos, em 1945, foi<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":83266,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/dosimetria.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/dosimetria-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/dosimetria-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/dosimetria.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/dosimetria.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/dosimetria.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/dosimetria.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/dosimetria.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/dosimetria.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/dosimetria.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"O bombardeio das cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki pelos Estados Unidos, em 1945, foi","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/83265"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=83265"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/83265\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/83266"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=83265"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=83265"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=83265"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}