{"id":83164,"date":"2018-04-12T14:00:06","date_gmt":"2018-04-12T17:00:06","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=83164"},"modified":"2018-04-12T10:28:09","modified_gmt":"2018-04-12T13:28:09","slug":"partes-do-brasil-e-da-china-podem-ter-sido-vizinhas-ha-2-bilhoes-de-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/partes-do-brasil-e-da-china-podem-ter-sido-vizinhas-ha-2-bilhoes-de-anos\/","title":{"rendered":"Partes do Brasil e da China podem ter sido vizinhas h\u00e1 2 bilh\u00f5es de anos"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"intro\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/china.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-83166\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/china-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/china-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/china.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>N<\/span>o meio do caminho, tinha uma grafita na China. Tinha um grafita no meio do caminho de Minas Gerais tamb\u00e9m. Wilson Teixeira, professor do Instituto de Geoci\u00eancias da USP, n\u00e3o esqueceria desse fato nunca. Na verdade, acabaria percebendo que, de alguma forma, aqueles dois lugares que hoje est\u00e3o a 17 mil quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia um do outro, estiveram unidos em algum momento da vida do planeta.<\/p>\n<p>Em artigo publicado no peri\u00f3dico\u00a0<em>Precambrian Research<\/em>, Teixeira e outros pesquisadores brasileiros e chineses apresentaram evid\u00eancias de que as regi\u00f5es de Jiao-Liao-Ji, no nordeste da China, e de Itapecerica, em Minas Gerais, teriam sido formadas lado a lado entre 1,9 e 1,8 bilh\u00e3o de anos atr\u00e1s.<\/p>\n<p>Nessa \u00e9poca, as massas continentais da Terra estavam dispostas de uma forma muito diferente da atual. Em realidade, elas formavam uma \u00fanica e gigantesca massa, um supercontinente. H\u00e1 1,9 bilh\u00e3o de anos, este grande peda\u00e7o de terra era chamado de Col\u00fambia, uma forma\u00e7\u00e3o do \u00e9on proterozoico.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio da Pangeia, forma\u00e7\u00e3o mais recente e conhecida pela ci\u00eancia, a configura\u00e7\u00e3o do Col\u00fambia ainda \u00e9 um mist\u00e9rio. Por isso, os pesquisadores buscam por evid\u00eancias em rochas antigas para descobrir como era o encaixe desse quebra-cabe\u00e7as de massas continentais que originou boa parte das rochas que temos hoje. Agora, o que os ge\u00f3logos est\u00e3o propondo \u00e9 que h\u00e1 2 bilh\u00f5es de anos os cr\u00e1tons (placas geol\u00f3gicas antigas)\u00a0S\u00e3o Francisco-Congo e Norte Chin\u00eas estavam pr\u00f3ximos no supercontinente Col\u00fambia.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-2560\"><img loading=\"lazy\" class=\"img-responsive\" title=\"Mina de Itapecerica, em Minas Gerais, onde a grafita \u00e9 explorada (material escuro inclinado). (Foto: Wilson Teixeira)\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/Nrjjw02zOpVVYQQuacolLi1Dsik=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2018\/04\/11\/2014-03-28_15.53.29.jpg\" alt=\"Mina de Itapecerica, em Minas Gerais, onde a grafita \u00e9 explorada (material escuro inclinado). (Foto: Wilson Teixeira)\" width=\"640\" height=\"480\" \/><label class=\"foto-legenda\">MINA DE ITAPECERICA, EM MINAS GERAIS, ONDE A GRAFITA \u00c9 EXPLORADA (MATERIAL ESCURO INCLINADO). (FOTO: WILSON TEIXEIRA)<\/label><\/div>\n<p>Entre as principais evid\u00eancias do estudo, est\u00e3o as semelhan\u00e7as na forma\u00e7\u00e3o e na idade das jazidas de grafita do cintur\u00e3o de Jiao-Liao-Ji, no nordeste da China, e do terreno geol\u00f3gico do munic\u00edpio mineiro de Itapecerica, Minas Gerais, a cerca de 170 quil\u00f4metros de Belo Horizonte.<\/p>\n<p>\u201cEsses dep\u00f3sitos de grafita t\u00eam uma implica\u00e7\u00e3o na hist\u00f3ria evolutiva da Terra muito importante. Eles representam momentos em que ocorreram colis\u00f5es entre tratos continentais, o que serviu de mote para o in\u00edcio da nossa pesquisa\u201d, explica Teixeira, que come\u00e7ou a estudar as semelhan\u00e7as entre os locais ap\u00f3s participar de uma expedi\u00e7\u00e3o ao Jiao-Liao-Ji em um congresso de geologia na China.<\/p>\n<p>\u201cOs terrenos estudados representam antigas cadeias de montanhas que foram arrasadas por processos geol\u00f3gicos e eros\u00e3o. Por isso, hoje aparecem as rochas mais profundas dessas cadeias de montanhas, os granulitos, que s\u00e3o rochas formadas em grandes profundidades na crosta terrestre\u201d, afirma o professor.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-2592\"><img loading=\"lazy\" class=\"img-responsive\" title=\"Min\u00e9rio de grafita analisado pelos pesquisadores (Foto: Wilson Teixeira)\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/i63ZzK1VGnvkFkI7DU5HECKUpSk=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2018\/04\/11\/img_20160203_172150981.jpg\" alt=\"Min\u00e9rio de grafita analisado pelos pesquisadores (Foto: Wilson Teixeira)\" width=\"639\" height=\"359\" \/><label class=\"foto-legenda\">MIN\u00c9RIO DE GRAFITA ANALISADO PELOS PESQUISADORES (FOTO: WILSON TEIXEIRA)<\/label><\/div>\n<p>Os ge\u00f3logos calcularam a idade dos granulitos atrav\u00e9s do m\u00e9todo Ur\u00e2nio\/Chumbo (U\/Pb), capaz de datar com precis\u00e3o o mineral de zirc\u00e3o presente em rochas antigas. Este mineral resiste \u00e0s altas temperaturas e press\u00f5es e, por isso, \u00e9 essencial ao estudo geol\u00f3gico, permitindo que os cientistas encontrem evid\u00eancias de como as rochas se cristalizaram nas profundezas da crosta terrestre. O m\u00e9todo Ur\u00e2nio\/Chumbo (U\/Pb) \u00e9 uma das formas que os ge\u00f3logos encontraram para tentar compreender a remota constitui\u00e7\u00e3o geol\u00f3gica do planeta e correlacionar rochas hoje muito distantes umas das outras.<\/p>\n<p>Ainda \u00e9 cedo para afirmar a configura\u00e7\u00e3o exata do supercontinente Col\u00fambia, mas os pesquisadores seguem em busca de novas evid\u00eancias de que os locais tenham, de fato, estado pr\u00f3ximos durante sua forma\u00e7\u00e3o, h\u00e1 bilh\u00f5es de anos.<\/p>\n<p>\u201cO fato de haver essas compara\u00e7\u00f5es permite especular sobre modelos paleogeogr\u00e1ficos, que s\u00e3o modelos em que n\u00f3s tentamos comparar blocos continentais que, no passado, teriam sido pr\u00f3ximos\u201d, explica Teixeira.<\/p>\n<p>\u00c0 procura de evid\u00eancias que reforcem (ou n\u00e3o) a teoria, ge\u00f3logos chineses visitaram o terreno de Minas Gerais em novembro de 2017 para analisar a forma\u00e7\u00e3o rochosa local. Em setembro deste ano, ser\u00e1 a vez dos pesquisadores brasileiros retornarem \u00e0 China para realizar mais estudos.<\/p>\n<p>Atualmente, uma equipe coordenada pelo geof\u00edsico Manoel D\u2019Agrella, pesquisador do Instituto de Astronomia, Geof\u00edsica e Ci\u00eancias Atmosf\u00e9ricas da USP, tem estudado o registro paleomagn\u00e9tico das rochas, ou seja, sua \u201cmem\u00f3ria\u201d paramagn\u00e9tica, capaz de determinar em que local do campo magn\u00e9tico da Terra as rochas foram formadas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No meio do caminho, tinha uma grafita na China. 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