{"id":83019,"date":"2018-04-10T08:35:36","date_gmt":"2018-04-10T11:35:36","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=83019"},"modified":"2018-04-10T08:35:36","modified_gmt":"2018-04-10T11:35:36","slug":"brasileiro-vai-a-china-investigar-maior-extincao-em-massa-da-historia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/brasileiro-vai-a-china-investigar-maior-extincao-em-massa-da-historia\/","title":{"rendered":"Brasileiro vai \u00e0 China investigar maior extin\u00e7\u00e3o em massa da hist\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"intro\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/coleta.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-83020\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/coleta-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/coleta-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/coleta.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>E<\/span>m outubro deste ano, Daniel Franco, geof\u00edsico do Observat\u00f3rio Nacional (ON), ir\u00e1 at\u00e9 o sul da China coletar amostras de um antiqu\u00edssimo oceano. H\u00e1 cerca de 250 milh\u00f5es de anos, o local presenciou a mais catastr\u00f3fica\u00a0<a href=\"https:\/\/revistagalileu.globo.com\/Sociedade\/noticia\/2017\/09\/matematico-preve-6-extincao-em-massa-na-terra.html\">extin\u00e7\u00e3o em massa<\/a>\u00a0que o planeta j\u00e1 enfrentou. Sabe-se que, naquela \u00e9poca, pereceram at\u00e9 95% das esp\u00e9cies marinhas e 70% das terrestres. E os vest\u00edgios desse apocalipse ficaram gravados nas rochas.<\/p>\n<p>O projeto de pesquisa do brasileiro foi contemplado em uma chamada internacional do laborat\u00f3rio SKL de geologia marinha, vinculado \u00e0 Universidade de Tongji, em Xangai. At\u00e9 dezembro de 2019, Franco trabalhar\u00e1 ao lado do colega Giovanni Stael, tamb\u00e9m do ON, al\u00e9m de outros dois pesquisadores chineses. \u201cUma parte do trabalho experimental em laborat\u00f3rio ser\u00e1 feita no Brasil e outra na China\u201d, explica o geof\u00edsico.<\/p>\n<p>Franco \u00e9 especialista em investigar como o campo magn\u00e9tico e o clima da Terra se comportavam em eras long\u00ednquas, h\u00e1 centenas de milh\u00f5es, ou at\u00e9 bilh\u00f5es de anos. O principal objetivo da pesquisa no sul da China n\u00e3o \u00e9 estudar a chamada crise permo-tri\u00e1ssica em si, mas sim elementos caracter\u00edsticos da Terra naquele per\u00edodo que podem ter, de alguma forma, influenciado a mortandade generalizada.<\/p>\n<p>A regi\u00e3o fornece aos pesquisadores uma verdadeira janela para analisar o passado geol\u00f3gico da Terra. Ali, formaram-se rochas carbon\u00e1ticas que documentam as condi\u00e7\u00f5es dos oceanos e do planeta como um todo durante os tempos da terr\u00edvel extin\u00e7\u00e3o em massa. Ela foi t\u00e3o extrema que decretou o fim da era Paleozoica e o in\u00edcio da Mesozoica, na qual os dinossauros viriam a surgir e dominar a Terra. O evento marcou, tamb\u00e9m, o t\u00e9rmino do per\u00edodo Permiano e a entrada no Tri\u00e1ssico.<\/p>\n<p>Os elementos que ser\u00e3o investigados no solo contam hist\u00f3rias valiosas \u2014 e um tanto curiosas. \u201c\u00c9 poss\u00edvel recuperar informa\u00e7\u00f5es sobre o campo magn\u00e9tico em rochas como se elas fossem fitas cassete\u201d, explica Franco. \u201cExistem pequenos minerais na fita que, quando se aplica uma for\u00e7a magn\u00e9tica, eles tendem a se orientar com rela\u00e7\u00e3o ao campo. As rochas tamb\u00e9m t\u00eam essa propriedade, sob determinadas condi\u00e7\u00f5es\u201d, diz.<\/p>\n<p>Esse estudo do campo magn\u00e9tico de 250 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s permite entender melhor a posi\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica da localidade naquela \u00e9poca. Trata-se, tamb\u00e9m, de um tempo marcado por uma invers\u00e3o fren\u00e9tica dos p\u00f3los da Terra. O per\u00edodo \u00e9 chamado de zona de polaridade mista do permo-tri\u00e1ssico, que sucedeu um ciclo estranhamente longo de 56 milh\u00f5es de anos de estabilidade magn\u00e9tica, em uma orienta\u00e7\u00e3o oposta da atual.<\/p>\n<p>Ge\u00f3logos se referem a tais per\u00edodos como supercrons. \u201cPara se ter uma ideia do quanto isso \u00e9 not\u00e1vel, a taxa para per\u00edodos como o que nos encontramos hoje \u00e9 de, aproximadamente, quatro a cinco revers\u00f5es por milh\u00e3o de anos\u201d, afirma Franco. Al\u00e9m da investiga\u00e7\u00e3o magn\u00e9tica, amostras das diferentes camadas sedimentares tamb\u00e9m devem revelar informa\u00e7\u00f5es sobre os ciclos clim\u00e1ticos.<\/p>\n<p>Tudo isso \u00e9 importante porque a maior de todas as crises da vida, ainda repleta de mist\u00e9rio, deve ter se desencadeado devido a uma somat\u00f3ria de fatores complexos e interligados. Os cientistas acreditam que a transi\u00e7\u00e3o do permo-tri\u00e1ssico tenha sido marcada por um grande aumento da atividade vulc\u00e2nica no planeta, resultando na forma\u00e7\u00e3o de vastas plan\u00edcies \u00edgneas.<\/p>\n<p>Resultaram do processo imensas quantidades de di\u00f3xido de carbono lan\u00e7adas na atmosfera, que agravaram o efeito estufa, aqueceram os oceanos e deflagraram a chamada an\u00f3xia \u2014 perigoso empobrecimento de oxig\u00eanio nas \u00e1guas, que costuma ser fatal para os seres vivos. \u201cOcorre uma coincid\u00eancia de eventos de extin\u00e7\u00e3o em massa com os processos geodin\u00e2micos\u201d, diz Franco.<\/p>\n<p>Humanos n\u00e3o s\u00e3o vulc\u00f5es, \u00e9 verdade. Mas o fato \u00e9 que, nos \u00faltimos 150 anos, nossas atividades tamb\u00e9m passaram a emitir bilh\u00f5es de toneladas anuais de di\u00f3xido de carbono. Desde a Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, na metade do s\u00e9culo 19, e sobretudo a partir da d\u00e9cada de 1950, a concentra\u00e7\u00e3o de CO2 na atmosfera aumentou 45%.\u00a0<a href=\"http:\/\/on.br\/index.php\/pt-br\/ultimas-noticias\/389-pesquisador-do-on-e-contemplado-em-edital-de-universidade-chinesa-para-estudar-o-maior-evento-de-extincao-em-massa.html\">Segundo o geof\u00edsico do ON<\/a>, \u00e9 por isso que para entender o presente e predizer o futuro, \u00e9 fundamental desvendar o passado geol\u00f3gico da Terra.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em outubro deste ano, Daniel Franco, geof\u00edsico do Observat\u00f3rio Nacional (ON), ir\u00e1 at\u00e9 o sul<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":83020,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/coleta.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/coleta-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/coleta-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/coleta.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/coleta.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/coleta.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/coleta.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/coleta.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/coleta.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/coleta.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Em outubro deste ano, Daniel Franco, geof\u00edsico do Observat\u00f3rio Nacional (ON), ir\u00e1 at\u00e9 o sul","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/83019"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=83019"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/83019\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/83020"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=83019"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=83019"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=83019"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}