{"id":82937,"date":"2018-04-08T12:11:15","date_gmt":"2018-04-08T15:11:15","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=82937"},"modified":"2018-04-08T12:11:15","modified_gmt":"2018-04-08T15:11:15","slug":"as-aguas-nao-mentem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/as-aguas-nao-mentem\/","title":{"rendered":"As \u00e1guas n\u00e3o mentem"},"content":{"rendered":"<h1><em>\u201cNossos rios est\u00e3o morrendo de sede e polui\u00e7\u00e3o, e, consequentemente, desencadeando uma morte sist\u00eamica&#8221;<\/em><\/h1>\n<div class=\"complementoTop\">\n<div class=\"autor\">\n<p>Por Luciano Lopes e Luciana Morais<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"fotoMateria right\"><img class=\"alignleft\" src=\"http:\/\/www.revistaecologico.com.br\/esite\/kcfinder\/upload\/images\/capas\/materias\/Paginas%20Verdes%20_Polignano_240.png\" alt=\"Aos 70 anos, o agricultor tamb\u00e9m \u00e9 o criador do conceito de \u201cagricultura sintr\u00f3pica\u201d, conjunto de t\u00e9cnicas e pr\u00e1ticas que conciliam produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e recupera\u00e7\u00e3o de \u00e1reas degradadas. \" \/>Aos 70 anos, o agricultor tamb\u00e9m \u00e9 o criador do conceito de \u201cagricultura sintr\u00f3pica\u201d, conjunto de t\u00e9cnicas e pr\u00e1ticas que conciliam produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e recupera\u00e7\u00e3o de \u00e1reas degradadas.<\/p>\n<\/div>\n<p>No ano passado, Minas Gerais sofreu uma das piores crises h\u00eddricas de sua hist\u00f3ria. Mais de uma centena de cidades mineiras decretaram estado de emerg\u00eancia em raz\u00e3o da escassez, que tamb\u00e9m deixou milhares de pessoas sem acesso \u00e0 \u00e1gua limpa.<\/p>\n<p>Para Marcus Vin\u00edcius Polignano, presidente do Comit\u00ea da Bacia Hidrogr\u00e1fica do Rio das Velhas (CBH Velhas) e coordenador do Projeto Manuelz\u00e3o, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), grande parte dessa crise vem&#8230; dos rios. Ou melhor, da falta de respeito e compreens\u00e3o das pessoas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00e1gua. \u201cNossos rios est\u00e3o morrendo de sede e polui\u00e7\u00e3o, e, consequentemente, desencadeando uma morte sist\u00eamica\u201d, alerta ele.<\/p>\n<p>Nesta entrevista \u00e0 Ecol\u00f3gico, Polignano afirma que as crises h\u00eddricas n\u00e3o s\u00e3o uma exclusividade de Minas, e sim \u201cum sinal claro de crise civilizat\u00f3ria\u201d. A Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) afirma que cerca de cinco bilh\u00f5es de pessoas em todo o mundo vivem atualmente em \u00e1reas de escassez h\u00eddrica ao menos durante um m\u00eas por ano. As crian\u00e7as est\u00e3o entre as mais afetadas: mais de 800, com menos de cinco anos, morrem todos os dias de diarreia associada \u00e0 falta de \u00e1gua e saneamento, segundo o Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia (UNICEF).<\/p>\n<p>O coordenador do Projeto Manuelz\u00e3o tamb\u00e9m alerta que a produ\u00e7\u00e3o de \u00e1gua doce no planeta est\u00e1 no limite de sua utiliza\u00e7\u00e3o. \u201cEstamos consumindo sem preocupa\u00e7\u00e3o com a reposi\u00e7\u00e3o\u201d, diz ele. E cita a capital mineira como exemplo: \u201cToda a \u00e1gua consumida pela popula\u00e7\u00e3o de Belo Horizonte n\u00e3o \u00e9 produzida na capital e vem de fontes que se encontram em outros munic\u00edpios. De toda a \u00e1gua de chuva que cai na cidade, nenhuma gota fica aqui ou \u00e9 armazenada. As chuvas renovam o estoque das \u00e1guas, mas \u00e9 o solo que as mant\u00e9m e armazena\u201d.<\/p>\n<p>Confira:<\/p>\n<p><strong>Qual \u00e9 a realidade ambiental e h\u00eddrica de Minas Gerais e do Brasil hoje?<\/strong><\/p>\n<p>Estamos hoje numa crise civilizat\u00f3ria. Fizemos uma desconex\u00e3o. A nossa crise \u00e9 de rios. Doce, Jequitinhonha, S\u00e3o Francisco, Velhas, Paraopeba, Paracatu e Araguari s\u00e3o alguns dos rios que t\u00eam a ver com a nossa hist\u00f3ria, nossa economia. O Velho Chico e o Doce, por exemplo, j\u00e1 n\u00e3o t\u00eam for\u00e7as para chegar ao mar e as \u00e1guas salgadas est\u00e3o invadindo as doces. O Rio das Velhas est\u00e1 entregando cianobact\u00e9rias para o S\u00e3o Francisco. Nossos rios est\u00e3o morrendo de sede e polui\u00e7\u00e3o, e, consequentemente, desencadeando uma morte sist\u00eamica.<\/p>\n<p>Em 2017, Minas Gerais viveu uma das maiores crises h\u00eddricas da sua hist\u00f3ria: mais de 100 munic\u00edpios decretaram estado de emerg\u00eancia por escassez h\u00eddrica, representado num total de 1,8 milh\u00e3o de pessoas atingidas. Como as comunidades afetadas estavam fora dos holofotes da grande m\u00eddia, \u201csilenciosamente\u201d sofrem com as consequ\u00eancias da escassez. \u00c9 importante dizer que diferentes bacias hidrogr\u00e1ficas foram atingidas, como a do Rio Jequitinhonha,\u00a0 do Pardo, as bacias mineiras do Rio S\u00e3o Francisco, Mucuri,\u00a0 Doce, entre outras. As perdas econ\u00f4micas, ecol\u00f3gicas e para biodiversidade foram enormes e algumas incalcul\u00e1veis.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/www.revistaecologico.com.br\/esite\/kcfinder\/upload\/images\/capas\/materias\/Paginas%20Verdes%20-%20Polignano%202_600.png\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"384\" \/><\/p>\n<p><strong>Se n\u00e3o podemos evitar a escassez h\u00eddrica, podemos planejar a sua gest\u00e3o?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 como discutir as quest\u00f5es relativas \u00e0s \u00e1guas sem discutir territ\u00f3rio.E o territ\u00f3rio geoambiental das \u00e1guas s\u00e3o as bacias hidrogr\u00e1ficas.<\/p>\n<p>S\u00e3o elas, de rios do mundo inteiro, que alimentam as popula\u00e7\u00f5es humanas das cidades e do campo e permitem unir ambiente, a\u00e7\u00f5es antr\u00f3picas, pol\u00edticas e econ\u00f4micas.<\/p>\n<p>S\u00e3o as intera\u00e7\u00f5es desses fatores que em \u00faltima inst\u00e2ncia v\u00e3o definir a disponibilidade e os usos das \u00e1guas. \u00c9 preciso entender que as crises h\u00eddricas s\u00e3o sinais claros de uma crise civilizat\u00f3ria.<\/p>\n<p><strong>No fim de 2017, o CBH-Velhas fez uma pesquisa de opini\u00e3o com usu\u00e1rios de \u00e1gua sobre a cobran\u00e7a pelo uso de recursos h\u00eddricos. Quais foram os resultados?<\/strong><\/p>\n<p>Primeiro \u00e9 importante entender melhor o conceito de usu\u00e1rios. A \u201cLei das \u00c1guas\u201d (9.433\/1997) de fine usu\u00e1rios como sendo todos aqueles que realizam capta\u00e7\u00e3o ou deriva\u00e7\u00e3o de \u00e1gua superficial e extra\u00e7\u00e3o de \u00e1gua subterr\u00e2nea. E dependem de outorga do direito de uso para utiliza\u00e7\u00e3o da \u00e1gua no abastecimento humano, industrial, agr\u00edcola, bem como aqueles que lan\u00e7am efluentes em corpos d\u2019\u00e1gua. Em grande parte, s\u00e3o empresas, mas tamb\u00e9m podem ser pessoas f\u00edsicas. Por exemplo: a Copasa \u00e9 uma usu\u00e1ria de \u00e1guas, pois capta a \u00e1gua do rio para abastecer a popula\u00e7\u00e3o. No caso do Rio das Velhas, existe uma cobran\u00e7a pelo uso da \u00e1gua determinada em fun\u00e7\u00e3o da quantidade retirada.<\/p>\n<p><strong>A pesquisa procurou focar nas empresas que s\u00e3o usu\u00e1rias?<\/strong><\/p>\n<p>Sim, e que est\u00e3o no cadastro de outorgas do Instituto Mineiro de Gest\u00e3o das \u00c1guas (IGAM). Primeiramente, tivemos muita dificuldade em localiz\u00e1-las pelo Banco de Dados, por causa de erros nos registros do sistema. De aproximadamente mil registros, conseguimos contatar cerca de 250. E, embora reconhecendo a import\u00e2ncia do Comit\u00ea da Bacia Hidrogr\u00e1fica do Rio das Velhas (CBH Velhas), a maior parte n\u00e3o sabia informar sobre os projetos desenvolvidos por ele. De certa forma, era um resultado esperado, pois as empresas no seu dia a dia n\u00e3o t\u00eam a imens\u00e3o da gest\u00e3o das \u00e1guas. Elas desconhecem de onde proveem a \u00e1gua utilizada no seu processo produtivo &#8211; de qual rio, qual a qualidade e quantidade dispon\u00edvel do recurso.<\/p>\n<p>Essa pesquisa nos permitiu entender melhor as dificuldades de comunica\u00e7\u00e3o com esse segmento e a necessidade de aperfei\u00e7oar a informa\u00e7\u00e3o direcionada para o setor. E, com isso, conseguirmos maior apoio e ades\u00e3o ao sistema.<\/p>\n<p><strong>Em termos de experi\u00eancias\/ solu\u00e7\u00f5es internacionais, que projetos de revitaliza\u00e7\u00e3o de rios citaria como inspira\u00e7\u00e3o ou refer\u00eancia para a gest\u00e3o das \u00e1guas em Minas e no pa\u00eds?<\/strong><\/p>\n<p>Temos experi\u00eancias internacionais bastante significativas e um novo olhar em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 gest\u00e3o das \u00e1guas. O antigo paradigma de domina\u00e7\u00e3o da natureza, que moldou os processos de canaliza\u00e7\u00e3o, retifica\u00e7\u00e3o de cursos d\u2019\u00e1gua, fomentou a constru\u00e7\u00e3o de cidades com rios invis\u00edveis e que em grande parte \u00e9 respons\u00e1vel pelos alagamentos que vivemos nelas em per\u00edodos de chuvas. Isso tudo est\u00e1 sendo trocado por um modelo de compreens\u00e3o e respeito \u00e0 natureza das \u00e1guas, uma vez que temos de respeitar a sua for\u00e7a e n\u00e3o encaixotar c\u00f3rregos e rios. Essa l\u00f3gica tem prevalecido na Uni\u00e3o Europeia, em especial na Alemanha. Um outro exemplo fant\u00e1stico \u00e9 o caso da Coreia do Sul, onde retiraram uma via expressa e retornaram o rio \u00e0 sua condi\u00e7\u00e3o natural, fazendo com que a popula\u00e7\u00e3o retomasse o contato direto com as suas \u00e1guas. E, para n\u00e3o falar que s\u00e3o experi\u00eancias somente de primeiro mundo, h\u00e1 tamb\u00e9m o exemplo de Medell\u00edn, na Col\u00f4mbia, antes conhecida internacionalmente pelo narcotr\u00e1fico e pela viol\u00eancia, e que hoje, pacificada, est\u00e1 fazendo um projeto de recupera\u00e7\u00e3o ambiental do seu rio hom\u00f4nimo que corta a parte central da cidade.<\/p>\n<p><strong>Durante o &#8220;Encontro Internacional de Revitaliza\u00e7\u00e3o de Rios&#8221;, realizado em BH, em novembro passado, o senhor afirmou: \u201cTalvez esse semin\u00e1rio tenha sinalizado isso, que distanciar das \u00e1guas, dos rios, \u00e9 um caminho de perdi\u00e7\u00e3o.\u201d Como fomentar uma maior reflex\u00e3o, contribuindo para que o ser humano se reconecte \u00e0 natureza e \u00e0s \u00e1guas, em especial no meio urbano?<\/strong><\/p>\n<p>A humanidade, ao longo de sua hist\u00f3ria, em especial ap\u00f3s a Revolu\u00e7\u00e3o Industrial e o avan\u00e7o do capitalismo &#8211; que promove h\u00e1bitos e padr\u00f5es de consumo altamente destrutivos e predat\u00f3rios ao ambiente-, veio se desligando da natureza e passou a explor\u00e1-la, salvos alguns povos, comunidades e seres que ainda vivem em harmonia com ela. A \u00e1gua passou a ser vista como recurso subordinado \u00e0 produ\u00e7\u00e3o, aos interesses dos que a dominam, comandam, monopolizam e que conspiram para subjugar o seu papel para a vida planet\u00e1ria, o que leva, cada vez mais, a disputas cont\u00ednuas e graves conflitos socioambientais.<\/p>\n<p>Segundo a ONU, dois ter\u00e7os da popula\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria, cerca de cinco bilh\u00f5es de pessoas, vivem atualmente em \u00e1reas de escassez h\u00eddrica ao menos durante um m\u00eas por ano. Por sua vez, cerca de 500 milh\u00f5es de pessoas vivem em \u00e1reas nas quais o consumo de \u00e1gua excede em duas vezes os recursos h\u00eddricos renov\u00e1veis localmente.<\/p>\n<p><strong>A distribui\u00e7\u00e3o e o consumo desiguais da \u00e1gua s\u00e3o uma realidade. Isso independe da sua abund\u00e2ncia ou escassez em diferentes regi\u00f5es da Terra?<\/strong><\/p>\n<p>Sim. As popula\u00e7\u00f5es de pa\u00edses e regi\u00f5es mais pobres s\u00e3o mais afetadas e t\u00eam maior dificuldade de acesso \u00e0 \u00e1gua para seu uso econ\u00f4mico, cultural e recreativo. O Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia (UNICEF) alerta que mais de 800 crian\u00e7as, com menos de cinco anos, morrem todos os dias de diarreia associada \u00e0 falta de \u00e1gua e saneamento. A \u00e1gua contaminada mata mais de meio milh\u00e3o de pessoas por ano. As popula\u00e7\u00f5es rurais e urbanas em condi\u00e7\u00f5es de vulnerabilidade socioambiental, \u00a0quilombos, povos ind\u00edgenas e comunidades tradicionais s\u00e3o habitualmente exclu\u00eddos dos processos decis\u00f3rios de acesso \u00e0 \u00e1gua e ao saneamento b\u00e1sico em pa\u00edses como o Brasil.<\/p>\n<p><strong>Que caminhos e sa\u00eddas vislumbra em rela\u00e7\u00e3o ao Rio das Velhas?<\/strong><\/p>\n<p>O Rio das Velhas est\u00e1 tentando refazer a sua hist\u00f3ria. S\u00e3o 300 anos de degrada\u00e7\u00e3o do solo, desmatamento e polui\u00e7\u00e3o das \u00e1guas. Pelo Rio das Velhas tivemos o ciclo do Ouro, do Diamante, do min\u00e9rio de ferro, da urbaniza\u00e7\u00e3o e da industrializa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Todos esses ciclos se somaram e deixaram marcas profundas no leito do rio, na quantidade e qualidade das suas \u00e1guas. E, ainda assim, o Rio das Velhas vem abastecendo a capital das Minas Gerais. Desde que iniciamos o Projeto Manuelz\u00e3o, em 1997, t\u00ednhamos a dimens\u00e3o do problema e do desafio. Na \u00e9poca, nem Comit\u00ea de Bacia n\u00f3s t\u00ednhamos. A proposta de revitaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 a grande meta.<\/p>\n<p>Constru\u00edmos dentro do Comit\u00ea de Bacia a Meta 2010-2014, e, mais recentemente, o Revitaliza Rio das Velhas\u201d. J\u00e1 conseguimos vit\u00f3rias importantes, como o tratamento de 70% dos esgotos de Belo Horizonte e constru\u00e7\u00e3o de Esta\u00e7\u00f5es de Tratamento de Esgoto (ETEs). Os peixes voltaram para mais perto de BH, mas a qualidade das \u00e1guas ainda \u00e9 ruim e n\u00e3o permite nadar.<\/p>\n<p>Estamos cobrando mais tratamento de esgoto e o tratamento terci\u00e1rio, para melhorar o que est\u00e1 sendo tratado. A revitaliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o, mas uma necessidade e uma obriga\u00e7\u00e3o de todos para manter o rio vivo.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 otimista em rela\u00e7\u00e3o ao futuro do planeta e da humanidade? Para onde caminhamos em termos de \u00e1gua e sobreviv\u00eancia humana?<\/strong><\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o de \u00e1gua doce est\u00e1 no seu limite de utiliza\u00e7\u00e3o. Estamos consumindo \u00a0preocupa\u00e7\u00e3o com a reposi\u00e7\u00e3o. Toda a \u00e1gua consumida pela popula\u00e7\u00e3o de Belo Horizonte, por exemplo, n\u00e3o \u00e9 produzida na capital e vem de fontes que se encontram em outros munic\u00edpios.<\/p>\n<p>De toda a \u00e1gua de chuva que cai na cidade, nenhuma gota fica aqui ou \u00e9 armazenada. As chuvas renovam o estoque das \u00e1guas, mas \u00e9 o solo que as mant\u00e9m e armazena. Sem cuidar dos solos, sem preservar as nascentes e sem \u00e1reas de matas protegidas n\u00e3o h\u00e1 como se pensar num futuro promissor para a gente. N\u00e3o tem sentido separar gest\u00e3o das \u00e1guas de gest\u00e3o do territ\u00f3rio. Se quisermos ter \u00e1gua de qualidade e em quantidade, teremos que fazer uma gest\u00e3o ambiental muito mais respons\u00e1vel e sustent\u00e1vel. De nada adiantaram propagandas midi\u00e1ticas falando que estamos salvando rios, pois as \u00e1guas n\u00e3o mentem. A qualidade e a quantidade de \u00e1guas dos nossos rios representam a nossa mentalidade civilizat\u00f3ria.<\/p>\n<p><strong>Neste m\u00eas, comemora-se o \u201cDia Mundial da \u00c1gua\u201d. Qual mensagem voc\u00ea deixaria para nossos leitores?<\/strong><\/p>\n<p>A \u00e1gua \u00e9 um bem comum planet\u00e1rio e fonte inesgot\u00e1vel de vida, imprescind\u00edvel para a manuten\u00e7\u00e3o dos ecossistemas e din\u00e2micas naturais e para a exist\u00eancia da humanidade. Para diferentes povos e cren\u00e7as, esse recurso natural \u00e9 sagrado e simbolicamente incorporado a rituais milenares e em constante reinven\u00e7\u00e3o. As \u00e1guas s\u00e3o naturalmente sist\u00eamicas e l\u00edmpidas.<\/p>\n<p>Saciam a sede de todos os seres vivos. S\u00e3o ambientes de reprodu\u00e7\u00e3o e evolu\u00e7\u00e3o de diferentes esp\u00e9cies. \u00a0Irrigam o solo e abastecem o subsolo. \u00a0as diversas atividades da humanidade. S\u00e3o fonte de prazer no contato com ela ou contempla\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m inspiram poetas e planos de futuro. As \u00e1guas s\u00e3o fontes de vida e sa\u00fade. E, por tudo isso, s\u00e3o patrim\u00f4nio do planeta Terra e de todos os seres, bem comum e essencial \u00e0 vida, um direito de todos e que n\u00e3o pode ser polu\u00edda, degradada ou mercantilizada. As \u00e1guas e os rios s\u00e3o os patrim\u00f4nios maiores de um povo. Uma civiliza\u00e7\u00e3o que mata as suas \u00e1guas est\u00e1 matando a si mesma.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cNossos rios est\u00e3o morrendo de sede e polui\u00e7\u00e3o, e, consequentemente, desencadeando uma morte sist\u00eamica&#8221; Por<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"\u201cNossos rios est\u00e3o morrendo de sede e polui\u00e7\u00e3o, e, consequentemente, desencadeando uma morte sist\u00eamica&#8221; Por","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/82937"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=82937"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/82937\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=82937"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=82937"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=82937"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}