{"id":82256,"date":"2018-03-26T14:23:18","date_gmt":"2018-03-26T17:23:18","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=82256"},"modified":"2018-03-26T14:23:18","modified_gmt":"2018-03-26T17:23:18","slug":"saiba-mais-sobre-o-impacto-destruidor-do-aquecimento-global-no-alasca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/saiba-mais-sobre-o-impacto-destruidor-do-aquecimento-global-no-alasca\/","title":{"rendered":"Saiba mais sobre o impacto destruidor do aquecimento global no Alasca"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/alasca.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-82257\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/alasca-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/alasca-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/alasca.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>\u00c9 um dia quente de julho, e o cientista est\u00e1 procurando uma caixa que ele e sua equipe deixaram no solo. Ela est\u00e1 escondida cerca de 10 quil\u00f4metros ao norte do Instituto de Geof\u00edsica da Universidade do Alasca, em Fairbanks, onde Romanovsky \u00e9 professor de geof\u00edsica e respons\u00e1vel pelo Laborat\u00f3rio de Permafrost.<\/p>\n<p>O recipiente, coberto por galhos de \u00e1rvores, cont\u00e9m um coletor de dados conectado a um term\u00f4metro, instalado abaixo do solo para medir a temperatura do permafrost em diferentes profundidades.<\/p>\n<p>O permafrost \u00e9 qualquer material terrestre que permane\u00e7a a 0\u00b0C ou abaixo dessa temperatura por pelo menos dois anos consecutivos.<\/p>\n<p>Romanovsky conecta ent\u00e3o seu laptop ao coletor de dados para transferir os registros de temperatura desta localidade, chamada Goldstream 3, que mais tarde ser\u00e3o adicionados a um banco de dados online, acess\u00edvel tanto para cientistas quanto para qualquer pessoa interessada.<\/p>\n<p>\u201cO permafrost \u00e9 definido com base na temperatura. Esse \u00e9 o par\u00e2metro que caracteriza a sua estabilidade\u201d, explica o professor.<\/p>\n<p>Quando a temperatura do permafrost \u00e9 inferior a 0\u00b0C, por exemplo, \u2013 6\u00b0C, ele \u00e9 considerado est\u00e1vel, o que significa que vai demorar muito para mudar ou descongelar. J\u00e1 se est\u00e1 perto de 0\u00b0C, \u00e9 classificado como vulner\u00e1vel.<\/p>\n<p>Todo ver\u00e3o, a por\u00e7\u00e3o de solo que cobre o permafrost, chamada de camada ativa, derrete \u2013 e congela de novo no inverno seguinte.<\/p>\n<p>Em Goldstream 3, naquele dia de julho (ver\u00e3o no hemisf\u00e9rio norte), o derretimento chegava a 50 cm de profundidade.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/C4AE\/production\/_100305305_f055b2cb-1f37-429b-ab26-35dbe62e2d1e.jpg\" alt=\"Vladimir Romanovsky coleta os registros de temperatura abaixo do solo da floresta\" width=\"624\" height=\"351\" \/><\/p>\n<p>Image captionSolo escuro indica a presen\u00e7a de carbono org\u00e2nico acumulado | Foto: Anthony Rhoades<\/p>\n<p>\u00c0 medida que a Terra aquece e as temperaturas aumentam no ver\u00e3o, o degelo est\u00e1 se expandindo e ficando mais profundo, fazendo com que o permafrost fique menos est\u00e1vel.<\/p>\n<p>Se o derretimento continuar, haver\u00e1 consequ\u00eancias profundas para o Alasca e para o mundo. Cerca de 90% do Estado \u00e9 coberto por permafrost, o que significa que vilarejos inteiros precisar\u00e3o ser realojados, conforme as funda\u00e7\u00f5es dos edif\u00edcios e as estradas desmoronarem.<\/p>\n<p>E se o permafrost liberar o carbono acumulado e retido h\u00e1 mil\u00eanios dentro dele, poder\u00e1 acelerar o aquecimento do planeta \u2013 muito al\u00e9m da nossa capacidade de control\u00e1-lo.<\/p>\n<h2>Estado de vulnerabilidade<\/h2>\n<p>\u00c0 medida que o permafrost derrete, casas, estradas, aeroportos e outras infraestruturas constru\u00eddas sobre o solo congelado podem rachar e at\u00e9 mesmo ruir.<\/p>\n<p>\u201cEstamos vendo mais servi\u00e7os de manuten\u00e7\u00e3o em estradas que passam sobre o permafrost\u201d, diz Jeff Currey, engenheiro de materiais do Departamento de Transportes P\u00fablicos do Alasca.<\/p>\n<p>\u201cUm dos nossos superintendentes de manuten\u00e7\u00e3o contou recentemente que sua equipe est\u00e1 tendo que remendar certos trechos das rodovias com mais frequ\u00eancia do que h\u00e1 10 ou 20 anos. \u201d<\/p>\n<p>Da mesma forma, as infraestruturas constru\u00eddas no subsolo \u2013 para atender os servi\u00e7os de utilidade p\u00fablica, por exemplo \u2013 est\u00e3o sendo afetadas, conforme as temperaturas aumentam.<\/p>\n<p>\u201cEm Point Lay, na costa noroeste do Alasca, por exemplo, eles est\u00e3o tendo todos os tipos de problema com as redes de \u00e1gua e esgoto no solo de permafrost\u201d, afirma William Schnabel, diretor do Centro de Pesquisa de \u00c1gua e Meio Ambiente da Universidade do Alasca.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/EBBE\/production\/_100305306_8520bc4c-1496-4411-9c95-c48405bcd12f.jpg\" alt=\"Sensor\" width=\"624\" height=\"351\" \/><\/p>\n<p>Image captionLeituras feitas a partir de sensores no solo indicam mudan\u00e7as significativas em andamento | Foto: Anthony Rhoades<\/p>\n<p>A preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda maior para aqueles que vivem em \u00e1reas rurais, que n\u00e3o disp\u00f5em de fundos suficientes para combater os efeitos do derretimento do permafrost.<\/p>\n<p>Para esses moradores, n\u00e3o s\u00e3o apenas os edif\u00edcios que est\u00e3o ruindo, o que \u00e9 comum agora, mas tamb\u00e9m o abastecimento de \u00e1gua.<\/p>\n<p>Muitas vezes, quando o permafrost derrete ao lado de um lago usado por um vilarejo como fonte de \u00e1gua, h\u00e1 uma fenda e ocorre um dreno lateral.<\/p>\n<p>\u201cGeralmente, \u00e9 necess\u00e1ria uma infraestrutura bem cara para tirar \u00e1gua de um lago, levar para uma vila e armazen\u00e1-la. E todos os componentes desta infraestrutura s\u00e3o vulner\u00e1veis ao degelo do permafrost\u201d, diz Romanovsky.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/8F2A\/production\/_100305663_foto_03.jpg\" alt=\"Permafrost\" width=\"624\" height=\"351\" \/><\/p>\n<p>Direito de imagemALAMYImage captionPermafrost \u00e9 qualquer solo que permane\u00e7a congelado a 0\u00b0C ou menos por pelo menos dois anos consecutivos | Foto: Alamy<\/p>\n<p>Se um vilarejo depende de um lago afetado para conseguir \u00e1gua, os membros da comunidade t\u00eam de levar sua infraestrutura e, \u00e0s vezes, a vila inteira para outro lago, o que pode custar muito dinheiro.<\/p>\n<p>De acordo com uma an\u00e1lise realizada pelo \u00f3rg\u00e3o de pesquisas geol\u00f3gicas americano US Geological Survey, aldeias como Kivalina, no noroeste do Alasca, ter\u00e3o que se mudar nos pr\u00f3ximos 10 anos.<\/p>\n<p>\u201cMas estimativas sugerem que o custo desta mudan\u00e7a seria de cerca de US$ 200 milh\u00f5es por cada vila de 300 pessoas\u201d, explica Romanovsky.<\/p>\n<p>Chegar a uma quantia como essa s\u00f3 seria poss\u00edvel com o financiamento do governo federal \u2013 mas n\u00e3o h\u00e1 garantias de que uma nova localiza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m n\u00e3o seria afetada.<\/p>\n<p>\u201cAcredito que agora existam 70 vilas que realmente precisam ser realojadas em decorr\u00eancia do derretimento do permafrost\u201d, avalia.<\/p>\n<p>\u201cMas transferir os vilarejos para outra \u00e1rea no permafrost \u00e9 muito dif\u00edcil de garantir por uns 30 anos. E o governo federal n\u00e3o quer pagar por algo que precisar\u00e1 pagar novamente.\u201d<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/112CE\/production\/_100305307_47954a7c-a91a-4341-a375-a187a40da69b.jpg\" alt=\"Vladimir Romanovsky no Laborat\u00f3rio de Permafrost, da Universidade do Alasca, em Fairbanks\" width=\"624\" height=\"351\" \/><\/p>\n<p>Image captionVladimir Romanovsky no Laborat\u00f3rio de Permafrost, da Universidade do Alasca, em Fairbanks | Foto: Anthony Rhoades<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, \u00e9 poss\u00edvel que a constru\u00e7\u00e3o de assentamentos no permafrost tamb\u00e9m possa agravar o problema no Alasca.<\/p>\n<p>\u201cQuando voc\u00ea pensa em \u00e1gua e esgoto, voc\u00ea precisa mant\u00ea-los sem congelar. E, no caso do permafrost, voc\u00ea tem que mant\u00ea-lo congelado\u201d, diz Schnabel.<\/p>\n<p>\u201cOu seja, vai correr \u00e1gua relativamente quente pelo permafrost e haver\u00e1 alguma dissipa\u00e7\u00e3o de calor l\u00e1.\u201d<\/p>\n<p>Do mesmo jeito, quando uma estrada \u00e9 constru\u00edda, parte da vegeta\u00e7\u00e3o que cobre o permafrost \u00e9 removida para que a rodovia seja pavimentada com asfalto, o que aumenta a quantidade de radia\u00e7\u00e3o solar absorvida.<\/p>\n<p>Por isso, embora os servi\u00e7os de manuten\u00e7\u00e3o tenham aumentado, nem todos os problemas relacionados \u00e0 infraestrutura podem ser atribu\u00eddos \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica.<\/p>\n<h2>Freezer cheio de carbono<\/h2>\n<p>O Alasca, est\u00e1, sem d\u00favida na linha de frente das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, mas as quest\u00f5es relacionadas ao permafrost v\u00e3o al\u00e9m da \u201c\u00faltima fronteira selvagem\u201d, como \u00e9 conhecido. O derretimento do material afetar\u00e1 outros 48 estados americanos, localizados abaixo dele, assim como todo o planeta.<\/p>\n<p>De acordo com Romanovsky, metade do estado e 90% do permafrost do interior do Alasca v\u00e3o descongelar se houver um aumento m\u00e9dio global de 2\u00b0C na temperatura.<\/p>\n<p>Isso \u00e9 especialmente preocupante porque uma enorme quantidade de carbono org\u00e2nico \u00e9 sequestrada no permafrost e na camada ativa que se sobrep\u00f5e a ele.<\/p>\n<p>Uma vez que n\u00e3o h\u00e1 calor suficiente no solo congelado para ajudar os micro-organismos a decompor a vegeta\u00e7\u00e3o morta, a mat\u00e9ria org\u00e2nica foi se acumulando durante milhares de anos no permafrost.<\/p>\n<p>Algumas an\u00e1lises estimam que a quantidade de carbono no permafrost equivale a mais de duas vezes a de di\u00f3xido de carbono na atmosfera.<\/p>\n<p>\u201cSe mantivermos o curso atual, \u00e9 bem prov\u00e1vel que at\u00e9 2100 uma parte significativa do permafrost, nos cinco metros superiores, descongele. E, com ele, toda a mat\u00e9ria org\u00e2nica que est\u00e1 atualmente retida ali\u201d, diz Kevin Schaefer, pesquisador do National Snow and Ice Data Center da Universidade do Colorado.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/D962\/production\/_100305655_b9701b5f-eb51-4927-a2a5-5c3f3eeb6235.jpg\" alt=\"Parque Nacional Denali\" width=\"624\" height=\"351\" \/><\/p>\n<p>Image captionNo Parque Nacional Denali, o aumento da temperatura come\u00e7ou a afetar a vida selvagem | Foto: Anthony Rhoades<\/p>\n<p>\u201cIsso significaria uma libera\u00e7\u00e3o de di\u00f3xido de carbono e metano, que aumentaria o aquecimento devido \u00e0 queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis.\u201d<\/p>\n<p>Em artigo publicado em 2012 na revista cient\u00edfica Nature, Schaefer e seus colegas sugerem que os eventos de aquecimento s\u00fabito ocorridos anteriormente foram essencialmente desencadeados pela libera\u00e7\u00e3o de di\u00f3xido de carbono e metano do permafrost h\u00e1 cerca de 50 milh\u00f5es de anos na Ant\u00e1rtida.<\/p>\n<p>E as proje\u00e7\u00f5es n\u00e3o parecem otimistas: \u201cTeoricamente, se esse carbono for liberado para a atmosfera, a quantidade de CO2 ser\u00e1 tr\u00eas vezes maior do que a que est\u00e1 l\u00e1 (na atmosfera) agora\u201d, diz Romanovsky.<\/p>\n<p>Desta forma, h\u00e1 uma genu\u00edna retroalimenta\u00e7\u00e3o, uma vez que aquecimento aumenta em decorr\u00eancia da queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis.<\/p>\n<p>Mas, apesar do fato de o aquecimento estar acelerando, os efeitos da retroalimenta\u00e7\u00e3o ser\u00e3o graduais, levando tempo para serem sentidos.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um feedback muito lento\u201d, diz Schaefer.<\/p>\n<p>\u201cImagine tentar conduzir um navio a vapor com o remo de uma canoa, esse \u00e9 o tipo de feedback que estamos falando\u201d, compara.<\/p>\n<p>Infelizmente, uma vez que o permafrost come\u00e7a a derreter, \u00e9 dif\u00edcil congel\u00e1-lo novamente \u2013 pelo menos enquanto estivermos vivos. Al\u00e9m disso, a partir do momento que material sai do solo e vai para a atmosfera, n\u00e3o existe uma maneira f\u00e1cil de enviar esse carbono de volta ao ch\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cA \u00fanica maneira de fazer isso seria baixar a temperatura global e congelar de novo o permafrost, o que significaria que voc\u00ea estaria removendo o di\u00f3xido de carbono da atmosfera\u201d, diz Schaefer.<\/p>\n<p>Segundo Romanovsky, os modelos clim\u00e1ticos mostram que os atuais compromissos intergovernamentais para reduzir o aquecimento global \u2013 conforme estabelecido no Acordo de Paris \u2013 podem n\u00e3o ser suficientes.<\/p>\n<p>Em artigo publicado em 2016 na revista Nature Climate Change, a pesquisadora Sarah Chadburn e seus colegas estimam que, mesmo que o clima fosse estabilizado, conforme acordado pelos 196 pa\u00edses em 2015, \u201ca \u00e1rea de permafrost seria eventualmente reduzida em mais de 40%\u201d.<\/p>\n<p>No entanto, ap\u00f3s o an\u00fancio do presidente Donald Trump de retirar os Estados Unidos do Acordo de Paris, em junho do ano passado, \u00e9 de se esperar uma perda ainda maior de permafrost no horizonte.<\/p>\n<h2>O jogo de culpa<\/h2>\n<p>O Alasca \u00e9 um Estado conservador politicamente, ent\u00e3o quem est\u00e1 de fora pode supor que seus moradores rejeitam a ideia do aquecimento global. Mas a realidade \u00e9 mais complexa.<\/p>\n<p>Uma pesquisa realizada no in\u00edcio deste ano pelo Alaska Dispatch News, com um total de 750 participantes, mostrou que mais de 70% da popula\u00e7\u00e3o local est\u00e1 preocupada com os efeitos da mudan\u00e7a clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>\u201cNo Alasca, a quem voc\u00ea perguntar, vai responder \u2019sim, h\u00e1 aquecimento\u2019\u201d, afirma Romanovsky.<\/p>\n<p>\u201cQuanto mais para o norte voc\u00ea for, especialmente no noroeste, mais forte \u00e9 esse sentimento. Porque est\u00e1 acontecendo, voc\u00ea consegue ver. Claro, a quest\u00e3o sobre de quem \u00e9 a responsabilidade depende das cren\u00e7as pol\u00edticas.\u201d<\/p>\n<p>No Parque Nacional Denali, a guarda florestal Anna Moore testemunhou como o aquecimento pode afetar em pouco tempo a vida selvagem.<\/p>\n<p>Ela reparou que a lebre do \u00e1rtico, que muda a cor da pele de acordo com as esta\u00e7\u00f5es do ano para se camuflar, parece n\u00e3o estar acompanhando mais as mudan\u00e7as, como resultado do aumento da temperatura, o que a deixa mais exposta a predadores.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/2A4C\/production\/_98682801_77daa03c-1593-41ac-a31a-8910d9460b1f.jpg\" alt=\"Lebre do \u00e1rtico\" width=\"624\" height=\"351\" \/><\/p>\n<p>Direito de imagemGETTY IMAGESImage captionA lebre do \u00e1rtico est\u00e1 tendo dificuldade para se camuflar, conforme a neve derrete, diz guarda florestal | Foto: Getty Images<\/p>\n<p>\u201cNo inverno, eles ficam brancos\u201d, diz Moore.<\/p>\n<p>\u201c\u00c0 medida que est\u00e1 ficando mais quente, a neve est\u00e1 derretendo mais r\u00e1pido, mas seus corpos s\u00e3o aclimatados a certas mudan\u00e7as de temperatura e, portanto, mesmo que a neve j\u00e1 esteja derretendo, eles continuam brancos \u2013 e correndo perigo por causa dos predadores.\u201d<\/p>\n<p>Moore acrescenta que, apesar de acreditar nas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e estar observando seus efeitos na fauna e flora do parque, ela considera isso um resultado tanto das atividades humanas quanto de um ciclo natural.<\/p>\n<p>Ashley Tench, sua colega, compartilha o mesmo sentimento:<\/p>\n<p>\u201cEu concordo com ela (em) como isso \u00e9 em parte feito pelo homem, mas \u00e9 tamb\u00e9m natural.\u201d<\/p>\n<p>Por isso, Tench n\u00e3o acredita que a sa\u00edda dos Estados Unidos do Acordo de Paris fa\u00e7a diferen\u00e7a no clima.<\/p>\n<p>Mas nem todo mundo no Alasca tem essa opini\u00e3o. Para Bill Beaudoin, mergulhador e educador aposentado, que agora \u00e9 propriet\u00e1rio de uma pens\u00e3o em Fairbanks, \u00e9 \u00f3bvio que os humanos s\u00e3o culpados e que devemos trabalhar para reverter os efeitos de nossas a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cAcredito que o Acordo de Paris era necess\u00e1rio \u201c, diz ele.<\/p>\n<p>\u201cNa verdade, eu n\u00e3o achava (que era) suficiente. H\u00e1 um pa\u00eds, a Nicar\u00e1gua, que n\u00e3o assinou o acordo porque achou que n\u00e3o era forte o suficiente. Eu ficaria provavelmente ao lado da Nicar\u00e1gua nesta quest\u00e3o\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/175A2\/production\/_100305659_foto_09.jpg\" alt=\"Bill Beaudoin, morador do Alasca\" width=\"624\" height=\"351\" \/><\/p>\n<p>Image caption\u2018O Acordo de Paris era necess\u00e1rio. Na verdade, eu n\u00e3o achava (que era) suficiente\u2019, afirma Bill Beaudoin, morador do Alasca | Foto: Anthony Rhoades<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o importa quem seja o culpado pelo aquecimento e o consequente derretimento do permafrost. A popula\u00e7\u00e3o do Alasca est\u00e1, em sua maioria, preocupada com seu futuro.<\/p>\n<p>\u201cAs pessoas est\u00e3o preocupadas, porque, claro, n\u00e3o existe seguro para derretimento do permafrost\u201d, diz Romanovsky.<\/p>\n<p>\u201cOs seguros n\u00e3o est\u00e3o cobrindo os danos causados pelo permafrost, assim como por terremotos na Calif\u00f3rnia.\u201d<\/p>\n<h2>Em busca do carbono<\/h2>\n<p>De volta a Goldstream 3, Romanovsky observou que a 50 cm de profundidade, a temperatura do solo era de \u2013 0,04\u00b0C. Em um metro, chegava a \u2013 0,23 \u00b0C.<\/p>\n<p>Na \u00faltima vez que tinha verificado os dados, em mar\u00e7o, a temperatura a um metro do solo era de -1,1\u00b0C.<\/p>\n<p>Ele pega sua p\u00e1 e faz um buraco no ch\u00e3o para observar o solo e checar se h\u00e1 presen\u00e7a de carbono. A superf\u00edcie mais escura indica carbono org\u00e2nico acumulado.<\/p>\n<p>Quanto mais ele cava, mais frio fica o solo. Ele escava tanto at\u00e9 que sua p\u00e1 toca o permafrost \u2013 e aparentemente ele n\u00e3o pode ir al\u00e9m.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/10072\/production\/_100305656_e5d7329a-94fb-42f4-ba8d-3fc65c22bb6c.jpg\" alt=\"Laborat\u00f3rio de estudo do Permafrost\" width=\"624\" height=\"351\" \/><\/p>\n<p>Image captionPesquisadores do Instituto Geof\u00edsico da Universidade do Alasca est\u00e3o monitorando mudan\u00e7as de temperatura no longo prazo | Foto: Anthony Rhoades<\/p>\n<p>Romanovsky for\u00e7a um pouco mais e consegue desenterrar um peda\u00e7o do permafrost \u2013 do tamanho de uma pequena moeda. Segundos ap\u00f3s segurar o solo congelado entre os dedos, ele derrete como se fosse um cubo de gelo.<\/p>\n<p>Ele devolve a terra removida de volta ao buraco, desconecta seu laptop do coletor de dados, fecha a caixa, cobre novamente com galhos de \u00e1rvore e se prepara para voltar.<\/p>\n<p>Em uma semana, ele vai se deslocar para o norte do Estado para registrar a temperatura em outras \u00e1reas, acrescentando mais informa\u00e7\u00f5es a uma das bases de dados de permafrost mais abrangentes do mundo.<\/p>\n<p>Enquanto isso, pouco a pouco, o Alasca vai derretendo \u2013 e o que vem pela frente n\u00e3o se sabe. O certo \u00e9 que o grande degelo mudar\u00e1 para sempre a paisagem como \u00e9 hoje \u2013 e provavelmente o planeta e seus habitantes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 um dia quente de julho, e o cientista est\u00e1 procurando uma caixa que ele<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":82257,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/alasca.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/alasca-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/alasca-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/alasca.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/alasca.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/alasca.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/alasca.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/alasca.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/alasca.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/alasca.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"\u00c9 um dia quente de julho, e o cientista est\u00e1 procurando uma caixa que ele","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/82256"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=82256"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/82256\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/82257"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=82256"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=82256"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=82256"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}