{"id":81950,"date":"2018-03-21T12:34:02","date_gmt":"2018-03-21T15:34:02","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=81950"},"modified":"2018-03-21T12:34:02","modified_gmt":"2018-03-21T15:34:02","slug":"o-colibri-que-sabe-guardar-segredos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/o-colibri-que-sabe-guardar-segredos\/","title":{"rendered":"O colibri que sabe guardar segredos"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/beija-flor-1024x683.jpg\" width=\"638\" height=\"425\" \/><\/p>\n<p>Um som diferente chamou a aten\u00e7\u00e3o dos pesquisadores que estudavam beija-flores, no Museu de Biologia Professor Mello Leit\u00e3o, no Esp\u00edrito Santo. No in\u00edcio, eles chegaram a pensar que poderia ser uma perereca ou um algum inseto. Mas depois descobriram que o respons\u00e1vel por aquele som extremamente agudo, dif\u00edcil at\u00e9 de escutar, era na verdade o beija-flor-preto (<em>Florisuga fusca<\/em>). Esse pequeno p\u00e1ssaro emite sons que outras aves provavelmente s\u00e3o incapazes de ouvir.<\/p>\n<p>As vocaliza\u00e7\u00f5es desse pequeno p\u00e1ssaro, com pouco mais de 12 cent\u00edmetros de comprimento, encontrado em toda a Mata Atl\u00e2ntica e pa\u00edses platinos, ainda n\u00e3o haviam sido documentadas. Existia um registro sem muitos detalhes no pr\u00f3prio museu. J\u00e1 o naturalista Augusto Ruschi sugeriu que esses p\u00e1ssaros emitissem sons acima da faixa percebida pelo ouvido humano, pois conseguia v\u00ea-los cantar, mas n\u00e3o identificava os sons.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o encontro na Serra do Mar, os pesquisadores resolveram voltar ao local com equipamentos mais adequados, usados em estudos com morcegos, e conseguiram registrar as vocaliza\u00e7\u00f5es e acabaram com o mist\u00e9rio. Eles descobriram que os beija-flores-pretos emitem sons em frequ\u00eancias incomuns, bem acima da de outros p\u00e1ssaros. Os resultados do estudo foram publicados esta semana na revista cient\u00edfica Current Biology.<\/p>\n<p>\u201cEssas vocaliza\u00e7\u00f5es s\u00e3o r\u00e1pidas e em tons altos que de fato eles n\u00e3o parecem com sons t\u00edpicos de p\u00e1ssaros tropicais\u201d, afirma o brasileiro Claudio Mello, professor na Oregon Health and Science University. Segundo o artigo, a comunica\u00e7\u00e3o entre p\u00e1ssaros ocorre normalmente em frequ\u00eancias de 500 a 6 mil Hertz, mas o beija-flor-preto vocaliza normalmente sons com 10 mil Hertz.<\/p>\n<div id=\"attachment_58706\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-58706\" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/beija-flor2.jpg\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" srcset=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/beija-flor2.jpg 400w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/beija-flor2-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/beija-flor2-278x185.jpg 278w\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"267\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">O beija-flor-preto (<em>Florisuga fusca<\/em>). Foto: Ana Lucia Mello.<\/p>\n<\/div>\n<p>Por curiosidade, \u00e9 bom saber que a frequ\u00eancia das cordas soltas de um viol\u00e3o varia de 82 Hertz a mais grave a 330 Hertz a mais aguda. E n\u00f3s somos capazes de ouvir sons de at\u00e9 20 mil Hertz de frequ\u00eancia.<\/p>\n<p>Para os pesquisadores, ao emitir sons t\u00e3o agudos, de duas uma: ou esse beija-flor n\u00e3o escuta o que est\u00e1 cantando ou, o que \u00e9 mais prov\u00e1vel, desenvolveu um canal privado de comunica\u00e7\u00e3o na floresta, onde vivem centenas de outras esp\u00e9cies de p\u00e1ssaros, entre elas diversos beija-flores.<\/p>\n<p>\u201cParece mais razo\u00e1vel assumir que eles escutam os sons que eles fazem, mas n\u00f3s n\u00e3o examinamos ainda se isso \u00e9 verdade\u201d, diz Mello. O professor explica que todas as aves em que a percep\u00e7\u00e3o auditiva foi estudada, pelo menos at\u00e9 agora, t\u00eam alta sensibilidade a frequ\u00eancias abaixo das emitidas pelo beija-flor-preto. \u201cEnt\u00e3o a conclus\u00e3o \u00e9 que elas provavelmente n\u00e3o ouvem, ou pelo menos n\u00e3o ouvem bem estas vocaliza\u00e7\u00f5es de frequ\u00eancia mais alta.\u201d<\/p>\n<p>Para tirar essa d\u00favida, s\u00e3o necess\u00e1rios estudos sobre a audi\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie, realizados em laborat\u00f3rios, por meio do monitoramento dos registros em c\u00e9rebros de aves anestesiadas ou pelas respostas dos p\u00e1ssaros aos sons. S\u00e3o t\u00e9cnicas n\u00e3o adequadas a serem utilizadas em campo.<\/p>\n<p>Os pesquisadores acreditam ainda que os beija-flores-pretos tenham um \u00f3rg\u00e3o vocalizador, siringe, incomum, capazes de vibrar muito rapidamente e com uma composi\u00e7\u00e3o especial. \u201cAgora que estas vocaliza\u00e7\u00f5es est\u00e3o bem registradas, in\u00fameras perguntas surgem sobre como eles produzem o canto, se eles conseguem ouvi-lo, para que fins utilizam estas vocaliza\u00e7\u00f5es, etc\u201d, destaca o professor. \u201cEstamos interessados em obter financiamentos para mais estudos desta esp\u00e9cie.\u201d<\/p>\n<p>A pesquisa foi financiada pelo programa de bolsas Tartar Trust Fellowship da Oregon Health and Science University Tartar Trust Fellowship, an e Funda\u00e7\u00e3o Nacional de Ci\u00eancias dos Estados Unidos. Eles tiveram suporte no Brasil dado pelo Instituto Nacional da Mata Atl\u00e2ntica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um som diferente chamou a aten\u00e7\u00e3o dos pesquisadores que estudavam beija-flores, no Museu de Biologia<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Um som diferente chamou a aten\u00e7\u00e3o dos pesquisadores que estudavam beija-flores, no Museu de Biologia","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81950"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=81950"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81950\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=81950"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=81950"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=81950"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}