{"id":81926,"date":"2018-03-21T13:30:49","date_gmt":"2018-03-21T16:30:49","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=81926"},"modified":"2018-03-21T11:58:32","modified_gmt":"2018-03-21T14:58:32","slug":"nao-sabemos-como-o-nucleo-interno-da-terra-se-formou","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/nao-sabemos-como-o-nucleo-interno-da-terra-se-formou\/","title":{"rendered":"N\u00e3o sabemos como o n\u00facleo interno da Terra se formou, diz grupo de geof\u00edsicos"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/terra.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-81927\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/terra-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/terra-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/terra.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Um grupo de geof\u00edsicos est\u00e1 contestando frontalmente a explica\u00e7\u00e3o aceita h\u00e1 anos pela comunidade cient\u00edfica de como o centro s\u00f3lido da Terra poderia ter sido criado.<\/p>\n<p>\u00c9 amplamente aceito pelos cientistas que o n\u00facleo interno da Terra formou-se h\u00e1 cerca de um bilh\u00e3o de anos, quando uma pepita de ferro s\u00f3lida superquente come\u00e7ou espontaneamente a cristalizar dentro da bola de metal l\u00edquido de 6.800 km de di\u00e2metro que comp\u00f5e o n\u00facleo total do planeta.<\/p>\n<p>Ludovic Huguet e seus colegas da Universidade Case Western Reserve, nos EUA, afirmam que h\u00e1 apenas um probleminha: isso n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel &#8211; ou, pelo menos, nunca ningu\u00e9m explicou como poderia acontecer.<\/p>\n<p>Eles chamam essa incongru\u00eancia de &#8220;paradoxo da nuclea\u00e7\u00e3o do n\u00facleo interno&#8221;.<\/p>\n<p><strong>A contradi\u00e7\u00e3o do n\u00facleo interno<\/strong><\/p>\n<p>O problema \u00e9 que, embora se saiba que um material deve estar na temperatura de congelamento, ou abaixo dela, para se tornar s\u00f3lido, a forma\u00e7\u00e3o do primeiro cristal a partir de um l\u00edquido exige uma energia extra. Essa energia extra &#8211; chamada barreira de nuclea\u00e7\u00e3o &#8211; \u00e9 o ingrediente que os modelos do interior mais profundo da Terra simplesmente deixaram de lado.<\/p>\n<p>Para superar a barreira de nuclea\u00e7\u00e3o e come\u00e7ar a solidificar, o l\u00edquido deve ser resfriado bem abaixo do seu ponto de congelamento &#8211; o que os cientistas chamam de &#8220;super-resfriamento&#8221;. Alternativamente, algo diferente deve ser adicionado ao metal l\u00edquido do n\u00facleo &#8211; no centro do planeta &#8211; que reduza substancialmente a quantidade de super-resfriamento exigido.<\/p>\n<p>Mas a barreira de nuclea\u00e7\u00e3o para os metais \u00e9 enorme, ainda mais nas extraordin\u00e1rias press\u00f5es no centro da Terra. E igualmente grande deve ser a ruptura na barreira de energia.<\/p>\n<p>E nenhum dos modelos que tentam explicar a forma\u00e7\u00e3o do n\u00facleo interno da Terra mostra qualquer solu\u00e7\u00e3o para esse dilema. Por outro lado, o n\u00facleo interno s\u00f3lido parece de fato existir, sendo que \u00e9 nele que se baseia todo o entendimento atual do campo magn\u00e9tico da Terra.<\/p>\n<p><strong>Paradoxo da nuclea\u00e7\u00e3o do n\u00facleo interno<\/strong><\/p>\n<p>A equipe discute algumas poss\u00edveis solu\u00e7\u00f5es para o enigma, mas todas t\u00eam problemas graves.<\/p>\n<p>Por exemplo, o n\u00facleo interno pode de alguma forma ter sido sujeito a um super-resfriamento maci\u00e7o, de quase 1.000\u00ba C &#8211; muito al\u00e9m do que todos os estudos feitos at\u00e9 hoje indicam. Por\u00e9m, se o centro da Terra atingisse essa temperatura, quase todo o n\u00facleo deveria ter-se cristalizando rapidamente, mas parece que isso n\u00e3o ocorreu.<\/p>\n<p>Outra possibilidade \u00e9 que algo aconteceu para diminuir a barreira de nuclea\u00e7\u00e3o, permitindo que a cristaliza\u00e7\u00e3o ocorresse a uma temperatura mais alta. Cientistas fazem isso no laborat\u00f3rio adicionando um peda\u00e7o de metal s\u00f3lido a um metal l\u00edquido ligeiramente super-resfriado, fazendo com que o material agora heterog\u00eaneo se solidifique rapidamente. Mas \u00e9 dif\u00edcil imaginar como isso poderia ter acontecido na escala de tamanho da Terra: Como um s\u00f3lido que otimizasse a nuclea\u00e7\u00e3o poderia ter achado um caminho para o centro do planeta para permitir o endurecimento (e expans\u00e3o) do n\u00facleo interno?<\/p>\n<p>&#8220;Ent\u00e3o, se o n\u00facleo \u00e9 um l\u00edquido puro (homog\u00eaneo), o n\u00facleo interno simplesmente n\u00e3o deveria existir, porque n\u00e3o poderia ter sido super-resfriado a esse ponto,&#8221; detalhou o geoqu\u00edmico James Van Orman, especialista em forma\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria. &#8220;E se ele n\u00e3o \u00e9 homog\u00eaneo, como se tornou assim? Esse \u00e9 o paradoxo da nuclea\u00e7\u00e3o do n\u00facleo interno&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Ser\u00e1 que existe alguma caracter\u00edstica comum dos n\u00facleos planet\u00e1rios em que n\u00e3o pensamos &#8211; algo que lhes permita superar essa barreira de nuclea\u00e7\u00e3o? \u00c9 hora de toda a comunidade pensar sobre esse problema e como test\u00e1-lo. O n\u00facleo interno existe e agora temos que descobrir como ele chegou l\u00e1,&#8221; finalizou Orman.<\/p>\n<div class=\"biblio\">\n<p><b>Bibliografia:<\/b><\/p>\n<p><i>Earth&#8217;s inner core nucleation paradox<\/i><br \/>\nLudovic Huguet, James A. Van Orman, Steven A. Hauck II, Matthew A. Willard<br \/>\nEarth and Planetary Science Letters<br \/>\nVol.: 487, 1 April 2018, Pages 9-20<br \/>\nDOI: 10.1016\/j.epsl.2018.01.018<br \/>\nhttps:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S0012821X18300360<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um grupo de geof\u00edsicos est\u00e1 contestando frontalmente a explica\u00e7\u00e3o aceita h\u00e1 anos pela comunidade cient\u00edfica<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":81927,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/terra.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/terra-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/terra-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/terra.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/terra.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/terra.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/terra.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/terra.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/terra.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/terra.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Um grupo de geof\u00edsicos est\u00e1 contestando frontalmente a explica\u00e7\u00e3o aceita h\u00e1 anos pela comunidade cient\u00edfica","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81926"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=81926"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81926\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/81927"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=81926"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=81926"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=81926"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}