{"id":81828,"date":"2018-03-19T13:30:46","date_gmt":"2018-03-19T16:30:46","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=81828"},"modified":"2018-03-19T12:08:24","modified_gmt":"2018-03-19T15:08:24","slug":"o-local-do-planeta-onde-o-mundo-moderno-teria-comecado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/o-local-do-planeta-onde-o-mundo-moderno-teria-comecado\/","title":{"rendered":"O local do planeta onde o &#8216;mundo moderno&#8217; teria come\u00e7ado"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/antropoceno.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-81829\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/antropoceno-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/antropoceno-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/antropoceno.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>A vista do topo desta escada no sul da China \u00e9 extraordin\u00e1ria. Ao subir, voc\u00ea consegue ver o momento em que o mundo quase acabou.<\/p>\n<p>Nosso planeta tem uma hist\u00f3ria turbulenta. E, h\u00e1 252 milh\u00f5es de anos, houve um epis\u00f3dio especialmente violento: uma erup\u00e7\u00e3o vulc\u00e2nica chegou bem perto de destruir toda a vida complexa na Terra.<\/p>\n<div class=\"teads-inread\">\n<div class=\"teads-ui-components-label\">Os ge\u00f3logos chamam o incidente de &#8220;m\u00e3e de todas as extin\u00e7\u00f5es&#8221; \u2014 evento que marca a transi\u00e7\u00e3o de dois importantes cap\u00edtulos da hist\u00f3ria do planeta: o fim do per\u00edodo Permiano (Era Paleozoica) e o in\u00edcio do Tri\u00e1ssico (Era Mesozoica).<\/div>\n<\/div>\n<p>Mas n\u00e3o bastava simplesmente dar um nome ao fen\u00f4meno. Os cientistas queriam saber qual era, de fato, o melhor lugar para visualizar as rochas que se formaram no limiar catastr\u00f3fico da ruptura entre os per\u00edodos Permiano e Tri\u00e1ssico. Em 2001, ap\u00f3s 20 anos de discuss\u00f5es, eles chegaram a um veredito.<\/p>\n<p>Um penhasco perto de Meishan, na prov\u00edncia chinesa de Zhejiang, oferecia o melhor panorama. E foi escolhido como\u00a0<em>golden spike<\/em>\u00a0(ponto que marca o limite entre tempos geol\u00f3gicos diferentes) da passagem do Permiano-Tri\u00e1ssico, tornando-se um dos 65 locais em todo mundo que simbolizam as transi\u00e7\u00f5es na escala geol\u00f3gica. Para facilitar a visualiza\u00e7\u00e3o das rochas, as autoridades instalaram uma escada.<\/p>\n<p>De acordo com a escala de tempo geol\u00f3gico, vivemos atualmente no Holoceno, iniciado h\u00e1 cerca de 11.500 anos. Mas alguns cientistas defendem que nosso planeta atravessou uma outra fronteira geol\u00f3gica h\u00e1 cerca de 70 anos, dando in\u00edcio ao que chamam de Antropoceno, \u00e9poca caracterizada pelo impacto da a\u00e7\u00e3o humana na Terra.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o que alguns se perguntam \u00e9: que local do planeta oferece a melhor vista do momento em que o mundo moderno come\u00e7ou? Onde ser\u00e1 o\u00a0<em>golden spike<\/em>\u00a0que determina o ponto de ruptura entre o Holoceno e o Antropoceno?<\/p>\n<p>O pesquisador Colin Waters, do Servi\u00e7o Geol\u00f3gico Brit\u00e2nico, em Nottingham, no Reino Unido, lidera a equipe que est\u00e1 avaliando as op\u00e7\u00f5es. Segundo ele, definir um\u00a0<em>golden spike<\/em>\u00a0para o despertar do Antropoceno imp\u00f5e desafios in\u00e9ditos aos ge\u00f3logos.<\/p>\n<div class=\"media_box embed intertitle_box\">\n<h3 class=\"content\">Sinais qu\u00edmicos ou biol\u00f3gicos<\/h3>\n<\/div>\n<div class=\"media_box full-dimensions660x360\">\n<div class=\"edges\"><img loading=\"lazy\" class=\"croppable\" title=\"In\u00edcio de per\u00edodo pode ser marcado pelo aumento de micropl\u00e1sticos no ambiente\" src=\"https:\/\/img.r7.com\/images\/microplasticos-18032018173719569?dimensions=660x360\" alt=\"In\u00edcio de per\u00edodo pode ser marcado pelo aumento de micropl\u00e1sticos no ambiente\" width=\"640\" height=\"349\" \/><\/p>\n<div class=\"gallery_link\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"content_image\">\n<h4 class=\"legend_box  \">In\u00edcio de per\u00edodo pode ser marcado pelo aumento de micropl\u00e1sticos no ambiente<\/h4>\n<p><span class=\"credit_box \">Alamy<\/span><\/div>\n<\/div>\n<p>Muitos\u00a0<em>golden spikes\u00a0<\/em>est\u00e3o localizados em penhascos, como o que fica perto de Meishan, na China. Mas, no caso do Antropoceno, esta n\u00e3o seria uma possibilidade.<\/p>\n<p>Penhascos rochosos levam dezenas de milhares de anos para se formar. E, segundo Waters e seus colegas, o Antropoceno come\u00e7ou h\u00e1 apenas algumas d\u00e9cadas, por volta do ano de 1950, quando a popula\u00e7\u00e3o humana e seu padr\u00e3o de consumo se aceleraram subitamente. Mas, mesmo descartando os penhascos, n\u00e3o faltam op\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O in\u00edcio do Antropoceno provavelmente ser\u00e1 marcado por um sinal qu\u00edmico ou biol\u00f3gico. Ainda n\u00e3o h\u00e1 informa\u00e7\u00e3o oficial sobre o que este ind\u00edcio poderia ser: talvez os cientistas escolham o aumento da radioatividade atmosf\u00e9rica a partir de testes com bombas at\u00f4micas, a crescente concentra\u00e7\u00e3o de micropl\u00e1sticos no meio ambiente ou qualquer outro registro.<\/p>\n<p>Para conceder o\u00a0<em>golden spike<\/em>, a equipe precisa encontrar uma localiza\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica em que esse sinal esteja gravado em algum tipo de material, que estava se acumulando quando o Antropoceno come\u00e7ou.<\/p>\n<p>A princ\u00edpio, esse material poderia ser at\u00e9 o nosso lixo. E \u00e9 por isso que um dos locais que os pesquisadores identificaram como candidato era o aterro sanit\u00e1rio de Fresh Kills, em Staten Island, distrito de Nova York, nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>O aterro foi inaugurado em 1948 e chegou a receber no auge da opera\u00e7\u00e3o cerca de 26 mil toneladas de lixo por dia. De acordo com algumas descri\u00e7\u00f5es, teria sido o maior dep\u00f3sito do tipo projetado pelo homem em todo o mundo. E certamente seria um bom candidato a\u00a0<em>golden spike\u00a0<\/em>do Antropoceno.<\/p>\n<p>Mas, segundo Waters, os aterros sanit\u00e1rios apresentam s\u00e9rios problemas. O material presente nos dep\u00f3sitos \u00e9 constantemente danificado por m\u00e1quinas, o que faz com que n\u00e3o haja uma camada precisa correspondente a cada ano. A fronteira seria manchada e desfocada e n\u00e3o uma imagem n\u00edtida. Segundo Waters, este \u00e9, na verdade, um problema apresentado pela maioria dos lugares onde o lixo humano \u00e9 amontoado.<\/p>\n<p>Seria conveniente colocar o\u00a0<em>golden spike<\/em>\u00a0do Antropoceno em um local criado inteiramente pela atividade humana, mas \u00e9 dif\u00edcil encontrar uma localiza\u00e7\u00e3o adequada. \u00c9 por isso que os cientistas est\u00e3o procurando agora em outros lugares.<\/p>\n<div class=\"media_box embed intertitle_box\">\n<h3 class=\"content\">Sedimentos<\/h3>\n<\/div>\n<div class=\"media_box full-dimensions660x360\">\n<div class=\"edges\"><img loading=\"lazy\" class=\"croppable\" title=\"Aterro de Fresh Kills, em Staten Island, recebia cerca de 26 mil t de lixo por dia\" src=\"https:\/\/img.r7.com\/images\/lixo-18032018173720486?dimensions=660x360&amp;&amp;amp;&amp;amp;&amp;amp;&amp;amp;resize=660x360&amp;amp;crop=976x532+0+13&amp;amp;&amp;amp;&amp;amp;&amp;amp;resize=660x360&amp;amp;crop=976x532+0+13\" alt=\"Aterro de Fresh Kills, em Staten Island, recebia cerca de 26 mil t de lixo por dia\" width=\"640\" height=\"349\" \/><\/p>\n<div class=\"gallery_link\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"content_image\">\n<h4 class=\"legend_box  \">Aterro de Fresh Kills, em Staten Island, recebia cerca de 26 mil t de lixo por dia<\/h4>\n<p><span class=\"credit_box \">Alamy<\/span><\/div>\n<\/div>\n<p>De acordo com Waters, pode valer a pena considerar o sedimento acumulado nos estu\u00e1rios. onde as \u00e1guas do rio e do mar se encontram. Por exemplo, a subst\u00e2ncia que fica no fundo do Estu\u00e1rio de Clyde, na Esc\u00f3cia, documenta a polui\u00e7\u00e3o qu\u00edmica dos processos industriais.<\/p>\n<p>Neste caso, o material lodoso provavelmente n\u00e3o foi danificado, ao contr\u00e1rio do lixo em um aterro sanit\u00e1rio. Por isso, deve ser poss\u00edvel identificar a fina camada de lodo que foi acumulada em determinado ano. Ou seja, o limite do Antropoceno deve aparecer como uma linha fina, ao inv\u00e9s de um borr\u00e3o.<\/p>\n<p>Os sedimentos tamb\u00e9m se acumulam todos os anos no fundo dos lagos e oceanos. O lodo nas profundezas do Lago Crawford, em Ont\u00e1rio, no Canad\u00e1, cont\u00e9m um registro anual detalhado da polui\u00e7\u00e3o industrial. E, segundo Waters, pode ser outra localiza\u00e7\u00e3o adequada para o &#8220;golden spike&#8221;.<\/p>\n<p>Mas esses sedimentos enlameados, particularmente aqueles que se encontram no fundo do oceano, n\u00e3o s\u00e3o exatamente acess\u00edveis. A \u00fanica maneira de visualizar a fina camada de lodo que marca o in\u00edcio do Antropoceno, h\u00e1 cerca de 70 anos, seria extrair uma amostra do sedimento e estud\u00e1-lo em terra firme.<\/p>\n<p>Neste caso, falar \u00e9 f\u00e1cil, dif\u00edcil \u00e9 colocar em pr\u00e1tica. O sedimento pastoso pode ser remexido durante o processo de extra\u00e7\u00e3o, o que significa que o material referente ao limiar pode se misturar com a lama que est\u00e1 acima e abaixo, manchando o sinal qu\u00edmico que marca a fronteira. &#8220;O risco de apresentar um erro \u00e9 grande&#8221;, avalia Waters.<\/p>\n<p>Por estas raz\u00f5es, pode ser melhor colocar o\u00a0<em>golden spike<\/em>\u00a0em um local onde o material se acumule de forma mais permanente e em estado s\u00f3lido.<\/p>\n<div id=\"inner-ad-container\" class=\"open full-width\"><\/div>\n<p>Bem embaixo de Paris, por exemplo, h\u00e1 uma rede de tubula\u00e7\u00f5es em que sedimentos de calc\u00e1rio foram se acumulando, camada por camada, nos \u00faltimos 300 anos. Tra\u00e7os de metais, incluindo chumbo e cobre, est\u00e3o presos nas finas camadas, documentando o crescimento urbano da capital francesa.<\/p>\n<p>Se essas subst\u00e2ncias qu\u00edmicas forem escolhidas para definir o limite do Antropoceno, os calc\u00e1rios parisienses seriam uma excelente localiza\u00e7\u00e3o para o\u00a0<em>golden spike<\/em>, diz Waters.<\/p>\n<p>Outra op\u00e7\u00e3o &#8211; talvez a favorita de Waters at\u00e9 agora &#8211; seria um peda\u00e7o de coral do mar do Caribe. Os corais recebem uma nova camada de sedimentos a cada ano, e as subst\u00e2ncias qu\u00edmicas retidas nessas camadas s\u00e3o evid\u00eancias de todo tipo de atividade humana &#8211; de testes de bombas at\u00f4micas ao aumento dos n\u00edveis de di\u00f3xido de carbono na atmosfera.<\/p>\n<p>Mas, segundo Waters, todos esses candidatos apresentam uma desvantagem significativa. At\u00e9 hoje, a comunidade geol\u00f3gica nunca atribuiu um\u00a0<em>golden spike<\/em>a pontos como esses. &#8220;Talvez tenhamos que conversar com as pessoas que v\u00e3o votar e descobrir o que seria mais aceit\u00e1vel para elas&#8221;, diz Waters.<\/p>\n<div class=\"media_box embed intertitle_box\">\n<h3 class=\"content\">Vota\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<\/div>\n<div class=\"media_box full-dimensions660x360\">\n<div class=\"edges\"><img loading=\"lazy\" class=\"croppable\" title=\"Sedimentos no fundo do Estu\u00e1rio de Clyde, na Esc\u00f3cia, documentam polui\u00e7\u00e3o\" src=\"https:\/\/img.r7.com\/images\/estuario-de-clyde-na-escocia-18032018173720853?dimensions=660x360&amp;&amp;amp;&amp;amp;&amp;amp;&amp;amp;resize=660x360&amp;amp;crop=976x532+0+15&amp;amp;&amp;amp;&amp;amp;&amp;amp;resize=660x360&amp;amp;crop=976x532+0+15\" alt=\"Sedimentos no fundo do Estu\u00e1rio de Clyde, na Esc\u00f3cia, documentam polui\u00e7\u00e3o\" width=\"640\" height=\"349\" \/><\/p>\n<div class=\"gallery_link\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"content_image\">\n<h4 class=\"legend_box  \">Sedimentos no fundo do Estu\u00e1rio de Clyde, na Esc\u00f3cia, documentam polui\u00e7\u00e3o<\/h4>\n<p><span class=\"credit_box \">Alamy<\/span><\/div>\n<\/div>\n<p>De acordo com Mike Walker, da Universidade de Wales Trinity Saint David, no Pa\u00eds de Gales, definir um\u00a0<em>golden spike\u00a0<\/em>n\u00e3o \u00e9 uma decis\u00e3o simples.<\/p>\n<p>H\u00e1 primeiramente uma vota\u00e7\u00e3o entre os cientistas nomeados para explorar a fronteira em quest\u00e3o. Uma vez que eles escolhem sua localiza\u00e7\u00e3o favorita para\u00a0<em>golden spike<\/em>, o local deve ser avaliado por uma comiss\u00e3o cient\u00edfica, sob a perspectiva de um per\u00edodo de tempo geologicamente mais amplo.<\/p>\n<p>O Antropoceno, por exemplo, se tornaria provavelmente uma \u00e9poca dentro do per\u00edodo Quatern\u00e1rio, em que estamos atualmente. Desta forma, a Subcomiss\u00e3o de Estratigrafia do Quatern\u00e1rio teria que votar se aceita ou n\u00e3o o candidato a\u00a0<em>golden spike<\/em>.<\/p>\n<p>Se eles votarem a favor, a proposta chega na Comiss\u00e3o Internacional de Estratigrafia, onde acontecer\u00e1 uma nova vota\u00e7\u00e3o sobre a adequa\u00e7\u00e3o do\u00a0<em>golden spike<\/em>. Se for aceito, ele segue para a Uni\u00e3o Internacional de Ci\u00eancias Geol\u00f3gicas para avalia\u00e7\u00e3o final e, com sorte, a ratifica\u00e7\u00e3o. S\u00f3 ent\u00e3o se torna oficialmente um\u00a0<em>golden spike<\/em>.<\/p>\n<p>Desta forma, talvez n\u00e3o seja surpreendente que Waters e seus colegas estejam interessados em escolher um candidato que n\u00e3o seja t\u00e3o estranho as olhos dos v\u00e1rios organismos envolvidos na vota\u00e7\u00e3o. &#8220;Podemos querer ir (para vota\u00e7\u00e3o) com algo que eles est\u00e3o familiarizados&#8221;, diz o pesquisador.<\/p>\n<p>Waters tem como inspira\u00e7\u00e3o Walker e seus colegas. Em 2008, eles conseguiram persuadir as autoridades a designar o golden spike do Holoceno, que precederia o Antropoceno.<\/p>\n<p>A equipe de Walker argumentou que o\u00a0<em>golden spike\u00a0<\/em>deveria ser colocado dentro de uma amostra extra\u00edda da camada de gelo da Groenl\u00e2ndia. agora armazenada em uma instala\u00e7\u00e3o em Copenhague, na Dinamarca. Nenhum\u00a0<em>golden spike<\/em>\u00a0havia sido colocado no gelo antes.<\/p>\n<div class=\"media_box full-dimensions660x360\">\n<div class=\"edges\"><img loading=\"lazy\" class=\"croppable\" title=\"'Golden spike' que marca a fronteira Cenomaniano - Turoniano no Colorado\" src=\"https:\/\/img.r7.com\/images\/golden-spike-que-marca-a-fronteira-cenomaniano-turoniano-no-colorado-nos-estados-unidos-18032018173721746?dimensions=660x360&amp;&amp;amp;&amp;amp;&amp;amp;&amp;amp;resize=660x360&amp;amp;crop=976x532+0+14&amp;amp;&amp;amp;&amp;amp;&amp;amp;resize=660x360&amp;amp;crop=976x532+0+14\" alt=\"'Golden spike' que marca a fronteira Cenomaniano - Turoniano no Colorado\" width=\"640\" height=\"349\" \/><\/p>\n<div class=\"gallery_link\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"content_image\">\n<h4 class=\"legend_box  \">&#8216;Golden spike&#8217; que marca a fronteira Cenomaniano &#8211; Turoniano no Colorado<\/h4>\n<p><span class=\"credit_box \">Brad Sageman<\/span><\/div>\n<\/div>\n<p>&#8220;Teve um coment\u00e1rio ligeiramente sarc\u00e1stico que ouvi, se referindo a um &#8216;golden spike na geladeira'&#8221;, lembra-se Walker. Mas, ainda assim, a decis\u00e3o foi ratificada.<\/p>\n<p>Segundo ele, talvez seja um sinal de que seria prudente colocar o\u00a0<em>golden spike<\/em>do Antropoceno tamb\u00e9m no gelo. Uma amostra da Ant\u00e1rtida Oriental, que registra mudan\u00e7as qu\u00edmicas atmosf\u00e9ricas ligada \u00e0 atividade humana, seria uma op\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No entanto, mesmo que a Waters e seus colegas sejam capazes de encontrar um candidato politicamente vi\u00e1vel para\u00a0<em>golden spike<\/em>\u00a0do Antropoceno, n\u00e3o \u00e9 garantido que consigam aprov\u00e1-lo. Existe um movimento de oposi\u00e7\u00e3o na comunidade geol\u00f3gica para reconhecer, at\u00e9 mesmo, a exist\u00eancia do Antropoceno. Walker \u00e9 um dos antagonistas.<\/p>\n<p>Listamos aqui diversos tipos de sinais qu\u00edmicos e biol\u00f3gicos registrados no s\u00e9culo 20, o que significa que os cientistas t\u00eam um leque de op\u00e7\u00f5es quando se trata de selecionar a fronteira do Antropoceno. Mas trata-se de uma faca de dois gumes.<\/p>\n<p>Eles podem usar o aumento do plut\u00f4nio radioativo perto do ano de 1950 para marcar o limite. mas muitos outros sinais qu\u00edmicos n\u00e3o mudaram muito entre as d\u00e9cadas de 1940 e 1950. &#8220;Algumas coisas mudaram a partir desta &#8216;fronteira&#8217; em particular, e outras n\u00e3o&#8221;, diz Phil Gibbard, da Universidade de Cambridge, no Reino Unido.<\/p>\n<p>Se tantos indicadores permaneceram iguais, \u00e9 correto estabelecer uma ruptura geol\u00f3gica?<\/p>\n<p>E h\u00e1 um \u00faltimo ponto. Quando um\u00a0<em>golden spike\u00a0<\/em>\u00e9 concedido, costuma se tornar motivo de orgulho para a comunidade local. \u00c9 certamente o caso do penhasco em Meishan, na prov\u00edncia chinesa de Zhejiang. &#8220;O que eles fizeram l\u00e1 \u00e9 impressionante&#8221;, diz Waters. &#8220;Tem cartazes em todos os lugares, um museu e at\u00e9 um cinema 3D que exibe um filme sobre a evolu\u00e7\u00e3o da Terra.&#8221;<\/p>\n<p>Waters questiona, no entanto, se um pa\u00eds ou cidade consideraria um privil\u00e9gio ser reconhecido como\u00a0<em>golden spike\u00a0<\/em>do Antropoceno. &#8220;Pode parecer sugerir que seu pa\u00eds \u00e9 o local em que a mudan\u00e7a antropog\u00eanica teve o maior impacto&#8221;, analisa. &#8220;Talvez a gente n\u00e3o veja uma corrida entre os pa\u00edses para reivindicar este pr\u00eamio.&#8221;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A vista do topo desta escada no sul da China \u00e9 extraordin\u00e1ria. 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