{"id":81700,"date":"2018-03-17T14:00:16","date_gmt":"2018-03-17T17:00:16","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=81700"},"modified":"2018-03-16T20:38:02","modified_gmt":"2018-03-16T23:38:02","slug":"um-novo-tubarao-nas-aguas-afetadas-pela-barragem-da-samarco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/um-novo-tubarao-nas-aguas-afetadas-pela-barragem-da-samarco\/","title":{"rendered":"Um novo tubar\u00e3o nas \u00e1guas afetadas pela barragem da Samarco"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/tubarao-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-81701\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/tubarao-1-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/tubarao-1-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/tubarao-1.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Uma nova esp\u00e9cie de tubar\u00e3o-anjo foi descrita na regi\u00e3o do mar afetada pelos rejeitos da barragem da Samarco. Batizado de\u00a0<em>Squatina varii<\/em>, esse ca\u00e7\u00e3o vive no fundo do oceano, entre os estados do Esp\u00edrito Santo e Alagoas, provavelmente no talude continental, a \u00e1rea em declive que limita a plataforma continental.<\/p>\n<p>\u201cParte dessa popula\u00e7\u00e3o foi afetada pelos dejetos da Samarco\u201d, afirma um dos respons\u00e1veis pela descri\u00e7\u00e3o, o bi\u00f3logo Diego Francisco Biston Vaz, hoje aluno de doutorado no Instituto de Ci\u00eancia Marinha da Virg\u00ednia, Estados Unidos. \u201cNa costa do Esp\u00edrito Santo, a plataforma continental \u00e9 muito curta, ent\u00e3o os dejetos que entraram quil\u00f4metros na \u00e1gua chegaram ao talude\u201d, completa.<\/p>\n<p>O rompimento da barragem, ocorrido em novembro de 2015, foi o maior desastre ambiental do pa\u00eds. Ela descarregou mais de 60 milh\u00f5es de toneladas de rejeitos de minera\u00e7\u00e3o no Rio Doce, em Minas Gerais. Dezenove pessoas morreram e milhares ficaram desabrigadas. A lama atingiu tamb\u00e9m cidades do Esp\u00edrito Santo e Sul da Bahia e chegou ao mar. Toneladas de peixes foram mortos e a bacia hidrogr\u00e1fica pode demorar anos para se recuperar dos danos.<\/p>\n<p><strong>Tubar\u00e3o diferenciado<\/strong><\/p>\n<p>Os ca\u00e7\u00f5es-anjo s\u00e3o encontrados em \u00e1guas tropicais e temperadas. Eles vivem no fundo do mar, onde conseguem se camuflar \u00e0 espreita de presas. O corpo achatado e barbatanas peitorais longas d\u00e3o a eles uma apar\u00eancia distinta de outros tubar\u00f5es. \u201c\u00c9 um tubar\u00e3o diferenciado, porque ao longo da hist\u00f3ria evolutiva, ele sofreu adapta\u00e7\u00f5es e modifica\u00e7\u00f5es que os habilitaram a explorar o habitat bent\u00f4nico, ou seja, a explorar o fundo do mar\u201d, explica Diego.<\/p>\n<div id=\"attachment_58824\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-58824\" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/tubar%C3%A3o2.jpg\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" srcset=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/tubar\u00e3o2.jpg 400w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/tubar\u00e3o2-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.oeco.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/tubar\u00e3o2-278x185.jpg 278w\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"267\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Foto: Alfredo Carvalho-Neto\/Projeto TAMAR.<\/p>\n<\/div>\n<p>Visualmente, a nova esp\u00e9cie se diferencia de outros tubar\u00f5es-anjo encontrados no Brasil na aus\u00eancia de manchas brancas no dorso. Existem outras diferen\u00e7as. A\u00a0<em>Squatina varii<\/em>\u00a0possui um n\u00famero maior de v\u00e9rtebras do que os parentes que vivem no Atl\u00e2ntico Oriental. H\u00e1 diferen\u00e7as tamb\u00e9m nos aparelhos reprodutivos dos animais. Os registros indicam que a nova esp\u00e9cie pode chegar a pouco mais de 1,3 metros de comprimento.<\/p>\n<p>A descri\u00e7\u00e3o da nova esp\u00e9cie, batizada em homenagem ao ictiologista Richard Peter Vari, foi publicada no in\u00edcio de m\u00eas de mar\u00e7o na revista cient\u00edfica Copeia, da Sociedade Americana de Ictiologistas e Herpetologistas. Os estudos se basearam em coletas realizadas no fim da d\u00e9cada de 1990, durante o programa de Avalia\u00e7\u00e3o do Potencial Sustent\u00e1vel de Recursos Vivos na Zona Econ\u00f4mica Exclusiva (ReviZEE), que pertencem ao Museu Nacional, que fica no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Diego Vaz conta que o estudo esclarece uma confus\u00e3o que havia na identifica\u00e7\u00e3o de ca\u00e7\u00f5es-anjo no Brasil. Antes de descrever a esp\u00e9cie, ele havia encontrado exemplares de\u00a0<em>Squatina varii<\/em>\u00a0identificados como de uma esp\u00e9cie que vive no Hemisf\u00e9rio Norte, a\u00a0<em>S. dumeril<\/em>. Mas a confirma\u00e7\u00e3o s\u00f3 veio depois que recebeu a informa\u00e7\u00e3o de que havia 13 esp\u00e9cimes adultos, entre machos e f\u00eameas, de ca\u00e7\u00f5es-anjo no Museu Nacional, que haviam sido coletados anos antes.<\/p>\n<p>\u201cEu pude olhar a morfologia do cl\u00e1sper, que \u00e9 o \u00f3rg\u00e3o intromitente (\u00f3rg\u00e3o de reprodu\u00e7\u00e3o masculino), que muitas vezes d\u00e1 a evid\u00eancia de que as esp\u00e9cies s\u00e3o diferentes\u201d, conta o bi\u00f3logo. \u201cEu tive a chance de examinar tudo isso e ter clareza para dizer que esses tubar\u00f5es-anjo que ocorrem de Alagoas ao Esp\u00edrito Santo s\u00e3o uma esp\u00e9cie nova\u201d, completa.<\/p>\n<p>De acordo com ele, existem pelo menos 10 esp\u00e9cies de tubar\u00e3o-anjo no Oceano Atl\u00e2ntico. Entre os que vivem em \u00e1guas que banham as Am\u00e9ricas, tr\u00eas s\u00e3o encontrados no Sul e Sudeste do Brasil,\u00a0<em>S. argentina<\/em>,\u00a0<em>S. oculta<\/em>\u00a0e\u00a0<em>S guggenheim<\/em>. S\u00e3o esp\u00e9cies classificadas como \u201camea\u00e7adas\u201d pela Uni\u00e3o Internacional para a Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza (IUCN, em ingl\u00eas), devido a pesca. Como os tubar\u00f5es-anjo s\u00e3o peixes com um ciclo de vida longo, eles demoram para se reproduzir, esclarece Diego Vaz.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma nova esp\u00e9cie de tubar\u00e3o-anjo foi descrita na regi\u00e3o do mar afetada pelos rejeitos da<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":81701,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/tubarao-1.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/tubarao-1-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/tubarao-1-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/tubarao-1.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/tubarao-1.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/tubarao-1.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/tubarao-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/tubarao-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/tubarao-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/tubarao-1.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Uma nova esp\u00e9cie de tubar\u00e3o-anjo foi descrita na regi\u00e3o do mar afetada pelos rejeitos da","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81700"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=81700"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81700\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/81701"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=81700"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=81700"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=81700"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}