{"id":81638,"date":"2018-03-16T15:00:50","date_gmt":"2018-03-16T18:00:50","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=81638"},"modified":"2018-03-16T12:20:35","modified_gmt":"2018-03-16T15:20:35","slug":"com-a-escassez-de-agua-a-populacao-de-boa-viagem-ce-e-a-principal-atingida-pela-seca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/com-a-escassez-de-agua-a-populacao-de-boa-viagem-ce-e-a-principal-atingida-pela-seca\/","title":{"rendered":"Com a escassez de \u00e1gua, a popula\u00e7\u00e3o de Boa Viagem (CE) \u00e9 a principal atingida pela seca"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/seca.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-81641\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/seca-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/seca-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/seca.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Em um munic\u00edpio no qual at\u00e9 \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos sofrem com a escassez de \u00e1gua, a popula\u00e7\u00e3o de Boa Viagem (CE) \u00e9 a principal atingida pela seca. Moradora de uma comunidade rural chamada Riacho dos Porcos, a produtora Francisca Rodrigues Amorim, 39 anos, teve que mudar a previs\u00e3o de planta\u00e7\u00e3o por causa da falta de chuvas. \u201cQuando chove a gente planta milho e feij\u00e3o. Mas como est\u00e1 na seca, a gente acaba plantando coisas menores como acerola\u201d, diz.<\/p>\n<div class=\"olho\">\u201cEles enchem a cisterna que foi colocada pelo governo e a gente tem que poupar \u00e1gua. Banho \u00e9 s\u00f3 na garrafa\u201dFrancisca Rodrigues, moradora da comunidade rural Riacho dos Porcos (Cear\u00e1)<\/p>\n<\/div>\n<p>Ela vive com mais sete pessoas e a casa \u00e9 abastecida semanalmente com \u00e1gua de caminh\u00f5es-pipa. \u201cEles enchem a cisterna que foi colocada pelo governo e a gente tem que poupar \u00e1gua. Banho \u00e9 s\u00f3 na garrafa\u201d, ilustra. Mesmo poupando, nem sempre a \u00e1gua d\u00e1 para a semana toda. \u201cAgora, por exemplo, estamos h\u00e1 15 dias sem receber \u00e1gua. A\u00ed o jeito \u00e9 pedir para os vizinhos\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Mesmo considerando a situa\u00e7\u00e3o de falta de \u00e1gua ruim, ela acredita que na cidade &#8211; onde vivem 32 mil dos 52 mil habitantes &#8211; \u00e9 pior. \u201cL\u00e1 as pessoas n\u00e3o t\u00eam cisternas para serem abastecidas. A\u00ed s\u00e3o obrigadas e ir com o balde pegar \u00e1gua no chafariz. Elas carregam o que podem, mas de vez em quando d\u00e1 briga\u201d, diz.<\/p>\n<p>A produtora \u00e9 uma das brasileiras que vivem em um cen\u00e1rio de \u201cseca excepcional\u201d ou S4, como define a Ag\u00eancia Nacional de \u00c1guas (ANA), por interm\u00e9dio de um sistema chamado Monitor das Secas. A excepcionalidade \u00e9 caracterizada pela situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia na cidade, falta de \u00e1gua sistem\u00e1tica em reservat\u00f3rios, c\u00f3rregos e po\u00e7os, perdas de planta\u00e7\u00f5es e seca generalizadas nas pastagens. Palavras e siglas n\u00e3o conseguem dar a real dimens\u00e3o do sofrimento causado pela seca, mas s\u00e3o importantes no alerta para pol\u00edticas p\u00fablicas e necessidades de provid\u00eancias.<\/p>\n<p>O diagn\u00f3stico \u00e9 realizado desde 2014 pelo projeto Monitor das Secas, coordenado pela ANA. Mensalmente, um mapa \u00e9 publicado mostrando quais \u00e1reas da Regi\u00e3o Nordeste do pa\u00eds est\u00e3o em algum n\u00edvel de seca. Os est\u00e1gios s\u00e3o S0 (Seca Fraca), S1 (Seca Moderada), S2 (Seca Grave), S3 (Seca Extrema) e S4 (Seca Excepcional) &#8212; do \u00edndice mais fraco ao mais forte, respectivamente.<\/p>\n<div class=\"mpContainer\">\n<section class=\"intro\">\n<div class=\"container\">\n<h1>Classifica\u00e7\u00e3o das secas<\/h1>\n<\/div>\n<\/section>\n<section class=\"mpTable\">\n<div class=\"container\">\n<div class=\"mpCell\">\n<h2>S0 &#8211; Seca Fraca<\/h2>\n<p>Entrando em seca: veranico de curto prazo diminuindo plantio, crescimento de culturas ou pastagem. Saindo de seca: alguns d\u00e9ficits h\u00eddricos prolongados, pastagens ou culturas n\u00e3o completamente recuperadas.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mpCell\">\n<h2>S1 &#8211; Seca Moderada<\/h2>\n<p>Alguns danos \u00e0s culturas, pastagens; c\u00f3rregos, reservat\u00f3rios ou po\u00e7os com n\u00edveis baixos, algumas faltas de \u00e1gua em desenvolvimento ou iminentes; restri\u00e7\u00f5es volunt\u00e1rias de uso de \u00e1gua solicitadas.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mpCell\">\n<h2>S2 &#8211; Seca Grave<\/h2>\n<p>Perdas de cultura ou pastagens prov\u00e1veis; escassez de \u00e1gua comuns; restri\u00e7\u00f5es de \u00e1gua impostas.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mpCell\">\n<h2>S3 &#8211; Seca Extrema<\/h2>\n<p>Grandes perdas de culturas \/ pastagem; escassez de \u00e1gua generalizada ou restri\u00e7\u00f5es<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"mpCell\">\n<h2>S4 &#8211; Seca Excepcional<\/h2>\n<p>Perdas de cultura \/ pastagem excepcionais e generalizadas; escassez de \u00e1gua nos reservat\u00f3rios, c\u00f3rregos e po\u00e7os de \u00e1gua, criando situa\u00e7\u00f5es de emerg\u00eancia.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<\/div>\n<div class=\"container\">\n<p>Segundo os \u00faltimos dados dispon\u00edveis, referentes a novembro de 2017, partes dos estados do Piau\u00ed, Cear\u00e1, Rio Grande do Norte, da Para\u00edba, de Pernambuco e\u00a0da Bahia encontravam-se em situa\u00e7\u00e3o de seca excepcional, a mais grave das classifica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A principal fun\u00e7\u00e3o do Monitor das Secas \u00e9 justamente alertar sobre quais s\u00e3o as regi\u00f5es que est\u00e3o passando por dificuldades com estiagens. \u201cO nosso levantamento permite a obten\u00e7\u00e3o de um retrato fiel das condi\u00e7\u00f5es de secas para que a\u00e7\u00f5es governamentais sejam tomadas nas regi\u00f5es para mitigar os efeitos\u201d, explica Raul Fritz, supervisor da unidade de Tempo e Clima da Funda\u00e7\u00e3o Cearense de Meteorologia e Recursos H\u00eddricos (Funceme), e um dos respons\u00e1veis pela valida\u00e7\u00e3o de dados do projeto.<\/p>\n<p>Fritz conta que o monitoramento tem a participa\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es do Nordeste e n\u00e3o envolve um n\u00famero simples. Segundo ele, h\u00e1 uma rede de pluvi\u00f4metros que medem o n\u00edvel de chuvas e observadores volunt\u00e1rios que fazem a mensura\u00e7\u00e3o em 500 locais do Nordeste. Com esses valores, s\u00e3o cruzados dados de imagens de sat\u00e9lites para formar o mapa Monitor das Secas. \u201cPor fim, fazemos uma reuni\u00e3o mensal entre os estados e coordenador da ANA para validar o mapa final\u201d, explica o supervisor.<\/p>\n<p>Dentre os estados monitorados pelo projeto, o Cear\u00e1 \u00e9 um dos que mais sofrem com a estiagem na regi\u00e3o: durante a maior parte do ano, 100% de seu territ\u00f3rio registram algum est\u00e1gio de seca. Em outubro de 2017, 24% do estado estavam em est\u00e1gio de seca excepcional (S4). De acordo com a Funceme, uma das cidades que mais sofrem com a estiagem \u00e9 Boa Viagem, a cerca de 200 quil\u00f4metros de Fortaleza.<\/p>\n<section id=\"materia\">\n<div class=\"mpContainer\">\n<section class=\"map\">\n<div class=\"container\">\n<div class=\"mpGraph\">\n<section class=\"bg-primary\">\n<div class=\"container\">\n<div class=\"row\">\n<div class=\"col-lg-12 text-center\">\n<h2 class=\"section-heading\">Monitor de Secas<\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>A Regi\u00e3o Nordeste conta com o\u00a0<a href=\"http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2018-02\/nordeste-ja-conta-com-monitoramento-piloto-para-secas\">Monitor de Secas<\/a>\u00a0para acompanhar o ciclo de estiagem e melhorar a pol\u00edtica e a gest\u00e3o dos problemas decorrentes da escassez de chuva. O objetivo do Monitor \u00e9 integrar o conhecimento t\u00e9cnico e cient\u00edfico j\u00e1 existente em diferentes institui\u00e7\u00f5es estaduais e federais e estabelecer diferentes graus de severidades da estiagem, permitindo acompanhar a evolu\u00e7\u00e3o temporal e espacial. As informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o atualizadas mensalmente. O modelo foi baseado no Monitor de Secas dos Estados Unidos, desenvolvido pelo Centro Nacional de Mitiga\u00e7\u00e3o de Secas dos EUA (NDMC).<\/p>\n<p>O modelo de acompanhamento facilita a tradu\u00e7\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es em ferramentas e produtos para serem utilizados por institui\u00e7\u00f5es tomadoras de decis\u00e3o e indiv\u00edduos, de modo a fortalecer os mecanismos de monitoramento, previs\u00e3o e alerta precoce. Al\u00e9m disso, \u00e9 uma maneira de consolidar em um mesmo lugar e com uma mesma linguagem as diferentes informa\u00e7\u00f5es sobre seca na regi\u00e3o, que sempre tiveram espalhadas em \u00f3rg\u00e3os diferentes, usando indicadores diversos. \u201cN\u00e3o havia muita possibilidade de integra\u00e7\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es e compartilhamento dos dados\u201d, recorda Ana Paula Fiorezi, superintendente adjunta de Opera\u00e7\u00f5es e Eventos Cr\u00edticos da Ag\u00eancia Nacional de \u00c1guas (ANA).<\/p>\n<p>Na verdade, o que o equipamento faz \u00e9 sistematizar o processo com uma metodologia bastante simples: usar indicadores de secas que s\u00e3o consagradas em n\u00edvel mundial e classificar a seca em classes de severidade. \u201cVai de situa\u00e7\u00e3o sem seca ou de seca moderada at\u00e9 seca excepcional. Uma vez por m\u00eas s\u00e3o elaborados mapas que permitem uma compara\u00e7\u00e3o da evolu\u00e7\u00e3o da seca na regi\u00e3o\u201d, explica a representante da ag\u00eancia.<\/p>\n<p>Com o Monitor, \u00e9 poss\u00edvel saber quais regi\u00f5es est\u00e3o sendo mais afetadas e conseguir tra\u00e7ar uma tend\u00eancia de evolu\u00e7\u00e3o dessa seca. \u201cA resposta \u00e0 seca n\u00e3o depende s\u00f3 da severidade do evento naquele determinado momento, mas de um acumulado de hist\u00f3ricos porque uma coisa \u00e9 voc\u00ea ter uma seca severa que persistia dois meses e outra que persistia h\u00e1 alguns anos\u201d, complementa Ana Paula Fioreze.<\/p>\n<p>Ela explica ainda que quando o cidad\u00e3o entra nesse mapa consegue visualizar as informa\u00e7\u00f5es n\u00e3o somente por estados. \u201cN\u00e3o \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o s\u00f3 que faz isso e privilegia a participa\u00e7\u00e3o de todas as institui\u00e7\u00f5es estaduais. S\u00e3o tr\u00eas estados que fazem o revezamento na autoria: Bahia, com o Inema \u2013 Instituto do Meio Ambiente e Recursos H\u00eddricos do Estado da Bahia; Pernambuco com a Apac \u2013 Ag\u00eancia Pernambucana de \u00c1guas e Clima e o Cear\u00e1 com a Funceme \u2013 Funda\u00e7\u00e3o Cearense de Meteorologia e Recursos H\u00eddricos\u201d, ressalta. Eles usam dados que est\u00e3o dispon\u00edveis em diferentes locais e consolidam as informa\u00e7\u00f5es. Todos os estados participam de um processo de valida\u00e7\u00e3o pegando os mapas e verificando com as pessoas que atuam no campo se aquilo corresponde a realidade ou n\u00e3o.<\/p>\n<p>As informa\u00e7\u00f5es sobre seca dificilmente s\u00e3o conseguidas em tempo real. A periodicidade que se consegue por enquanto \u00e9 mensal. \u201cNa verdade \u00e9 um instrumento utilizado mais pelos \u00f3rg\u00e3os gestores de recursos h\u00eddricos. Mas v\u00e1rios estados e o Minist\u00e9rio da Integra\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m em algumas a\u00e7\u00f5es, usam para confirmar situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia ou de calamidade e para se planejar para resposta, como por exemplo a carros-pipas ou outros socorros\u201d, refor\u00e7a a superintendente da ANA.<\/p>\n<p>O sistema \u00e9 um instrumento de monitoramento e n\u00e3o de progn\u00f3stico. Por enquanto, est\u00e1 centralizado no Nordeste. Desde janeiro de 2017, o equipamento passou a ser coordenado pela Ag\u00eancia Nacional de \u00c1guas e um dos objetivos \u00e9 expandir esse monitoramento para todo o pa\u00eds em cinco anos.<\/p>\n<p>Ana Paula Fioreze lembra que popula\u00e7\u00e3o pode acessar todos os mapas e os indicadores do Monitor, al\u00e9m dos resultados finais, que s\u00e3o sempre disponibilizados no 15\u00ba dia do m\u00eas subsequente. H\u00e1 tamb\u00e9m o aplicativo, dispon\u00edvel para IOS e Android, onde podem ser baixados os indicadores que v\u00eam sempre com uma narrativa do m\u00eas anterior. O endere\u00e7o \u00e9:\u00a0<a href=\"http:\/\/monitordesecas.ana.gov.br\/\">monitordesecas.ana.gov.br<\/a><\/p>\n<\/div>\n<\/section>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<\/div>\n<div class=\"container\">\n<div class=\"row\">\n<div class=\"col-lg-12 text-center\">\n<h2 class=\"section-heading\">Dif\u00edcil adapta\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"container\">\n<p>H\u00e1 seis anos vivendo em estiagem, os moradores de Boa Viagem sentem na pele o que \u00e9 viver em uma regi\u00e3o classificada como em seca excepcional. \u201cHoje, 100% dos moradores est\u00e3o sem \u00e1gua nas torneiras e dependendo de caminh\u00e3o-pipa\u201d, afirma o coordenador da Defesa Civil do munic\u00edpio, Ivandir Silva.<\/p>\n<p>Silva conta que a situa\u00e7\u00e3o tem se agravado nos \u00faltimos dois anos, desde que o a\u00e7ude Vieir\u00e3o, respons\u00e1vel por abastecer a cidade, secou: \u201cEstamos sem nada de \u00e1gua nas torneiras. Antes a situa\u00e7\u00e3o era ruim, mas agora n\u00e3o chega nem de 15 em 15 dias como em outros anos. Escolas, postos de sa\u00fade, cadeias e delegacias ainda s\u00e3o abastecidas por caminh\u00f5es-pipa da prefeitura, mas n\u00e3o sabemos at\u00e9 quando teremos recurso\u201d, preocupa-se.<\/p>\n<p>Em toda a cidade, h\u00e1 cerca de 70 chafarizes distribu\u00eddos pelos bairros. Eles s\u00e3o abastecidos por caminh\u00f5es-pipa apenas duas vezes por semana, e servem como fonte de \u00e1gua dos moradores.<\/p>\n<p>O professor Sandoval Vieira J\u00fanior convive h\u00e1 tr\u00eas anos com a rotina de pegar \u00e1gua na caixa d&#8217;\u00e1gua. \u201c\u00c0s 5h, as pessoas chegam, deixam os baldes e voltam para casa. Se forma uma fila de baldes. \u00c0s 7h, o [caminh\u00e3o] pipa enche o chafariz e as pessoas v\u00e3o pegar a \u00e1gua. N\u00f3s usamos essa \u00e1gua para banho, lavar roupa, casa. Para beber e cozinhar, a gente compra \u00e1gua\u201d, conta o professor, que vive com os pais no centro da cidade.<\/p>\n<div class=\"olho\">\u201cHoje, 100% dos moradores est\u00e3o sem \u00e1gua nas torneiras e dependendo de caminh\u00e3o-pipa\u201dIvandir Silva, coordenador da Defesa Civil do munic\u00edpio de Boa Viagem, Cear\u00e1<\/p>\n<\/div>\n<p>Ele destaca que o per\u00edodo sem \u00e1gua nas torneiras modificou os h\u00e1bitos na cidade. \u201cCriou-se uma consci\u00eancia com a situa\u00e7\u00e3o. Hoje a \u00e1gua \u00e9 reutilizada, por exemplo, na descarga. Ningu\u00e9m pega mais \u00e1gua do que pode\u201d, conta. O professor tamb\u00e9m diz que a falta de \u00e1gua impactou na constru\u00e7\u00e3o civil: \u201cComo \u00e9 proibido usar \u00e1gua p\u00fablica em constru\u00e7\u00f5es e reformas, o emprego para pedreiros diminuiu muito na cidade\u201d.<\/p>\n<p>Na rua em que a m\u00e3e do professor vai pegar \u00e1gua, n\u00e3o acontecem disputas na hora da distribui\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, ele relata que brigas por \u00e1gua s\u00e3o comuns em outros lugares. \u201cA organiza\u00e7\u00e3o depende muito da educa\u00e7\u00e3o das pessoas. No chafariz que fica perto da minha casa todo mundo se conhece e se d\u00e1 bem, mas nem em todos \u00e9 assim. No [chafariz] atr\u00e1s da minha casa, teve briga semana passada. Volta e meia \u2018voa\u2019 um balde na cabe\u00e7a\u201d, relata.<\/p>\n<\/div>\n<section id=\"portfolio\" class=\"p-0\">\n<div class=\"container-fluid p-0\">\n<div class=\"row no-gutters popup-gallery\">\n<div class=\"col-lg-4 col-sm-6\"><a class=\"portfolio-box\" href=\"http:\/\/www.ebc.com.br\/especiais-agua\/seca-excepcional\/img\/fotos\/1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"img-fluid\" src=\"http:\/\/www.ebc.com.br\/especiais-agua\/seca-excepcional\/img\/fotos\/1.jpg\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"344\" \/><\/a><\/p>\n<div class=\"portfolio-box-caption\">\n<div class=\"portfolio-box-caption-content\">\n<div class=\"project-name\"><\/div>\n<div class=\"project-category text-faded\">FOTO: MARCELLO CASAL JR\/AG\u00caNCIA BRASIL<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"col-lg-4 col-sm-6\"><a class=\"portfolio-box\" href=\"http:\/\/www.ebc.com.br\/especiais-agua\/seca-excepcional\/img\/fotos\/2.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"img-fluid\" src=\"http:\/\/www.ebc.com.br\/especiais-agua\/seca-excepcional\/img\/fotos\/2.jpg\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"344\" \/><\/a><\/p>\n<div class=\"portfolio-box-caption\">\n<div class=\"portfolio-box-caption-content\">\n<div class=\"project-name\"><\/div>\n<div class=\"project-category text-faded\">FOTO: PREFEITURA DE BOA VIAGEM<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"col-lg-4 col-sm-6\"><a class=\"portfolio-box\" href=\"http:\/\/www.ebc.com.br\/especiais-agua\/seca-excepcional\/img\/fotos\/3.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"img-fluid\" src=\"http:\/\/www.ebc.com.br\/especiais-agua\/seca-excepcional\/img\/fotos\/3.jpg\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"344\" \/><\/a><\/p>\n<div class=\"portfolio-box-caption\">\n<div class=\"portfolio-box-caption-content\">\n<div class=\"project-name\"><\/div>\n<div class=\"project-category text-faded\">FOTO: IMAGEM CEDIDA<br \/>\nARQUIVO PESSOAL<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<section id=\"portfolio\" class=\"p-0\">\n<div class=\"container-fluid p-0\">\n<div class=\"row no-gutters popup-gallery\">\n<div class=\"col-lg-4 col-sm-6\"><a class=\"portfolio-box\" href=\"http:\/\/www.ebc.com.br\/especiais-agua\/seca-excepcional\/img\/fotos\/4.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"img-fluid\" src=\"http:\/\/www.ebc.com.br\/especiais-agua\/seca-excepcional\/img\/fotos\/4.jpg\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"344\" \/><\/a><\/p>\n<div class=\"portfolio-box-caption\">\n<div class=\"portfolio-box-caption-content\">\n<div class=\"project-name\"><\/div>\n<div class=\"project-category text-faded\">FOTO: IMAGEM CEDIDA<br \/>\nARQUIVO PESSOAL<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"col-lg-4 col-sm-6\"><a class=\"portfolio-box\" href=\"http:\/\/www.ebc.com.br\/especiais-agua\/seca-excepcional\/img\/fotos\/5.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"img-fluid\" src=\"http:\/\/www.ebc.com.br\/especiais-agua\/seca-excepcional\/img\/fotos\/5.jpg\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"344\" \/><\/a><\/p>\n<div class=\"portfolio-box-caption\">\n<div class=\"portfolio-box-caption-content\">\n<div class=\"project-name\"><\/div>\n<div class=\"project-category text-faded\">FOTO: IMAGEM CEDIDA<br \/>\nARQUIVO PESSOAL<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"col-lg-4 col-sm-6\"><a class=\"portfolio-box\" href=\"http:\/\/www.ebc.com.br\/especiais-agua\/seca-excepcional\/img\/fotos\/6.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"img-fluid\" src=\"http:\/\/www.ebc.com.br\/especiais-agua\/seca-excepcional\/img\/fotos\/6.jpg\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"344\" \/><\/a><\/p>\n<div class=\"portfolio-box-caption\">\n<div class=\"portfolio-box-caption-content\">\n<div class=\"project-name\"><\/div>\n<div class=\"project-category text-faded\">FOTO: PREFEITURA DE BOA VIAGEM<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<div class=\"container\">\n<div class=\"row\">\n<div class=\"col-lg-12 text-center\">\n<h2 class=\"section-heading\">A\u00e7ail\u00e2ndia (MA)<\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"container\">\n<p>A seca excepcional n\u00e3o atinge apenas regi\u00f5es que tradicionalmente sofrem com a falta de chuvas. No final de 2016, o Oeste do Maranh\u00e3o chegou ao n\u00edvel S4. Pelo fato de a estiagem ter ocorrido em um per\u00edodo mais curto do que, por exemplo, no Cear\u00e1, as consequ\u00eancias atingiram somente a \u00e1rea rural; mais exatamente a produ\u00e7\u00e3o pecu\u00e1ria.<\/p>\n<div class=\"olho\">&#8220;Vivemos a pior situa\u00e7\u00e3o em 40 anos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 falta de chuvas&#8221;Oscar Fernando Oliveira, secret\u00e1rio de agricultura de A\u00e7ail\u00e2ndia, Maranh\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n<p>De acordo com o secret\u00e1rio de Agricultura do munic\u00edpio, Oscar Fernando Oliveira, a seca do final de 2016 prejudicou, principalmente, as pastagens da regi\u00e3o. Com isso, o gado n\u00e3o engordou e a produ\u00e7\u00e3o de leite despencou. \u201cNormalmente, produzimos 180 mil litros por dia. Ano passado, foi 120 mil litros\/dia. Isso impactou o com\u00e9rcio e a economia local. Teve gente que teve que largar o emprego\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Oliveira afirma que a seca pegou os produtores de surpresa. \u201cN\u00e3o est\u00e1vamos preparados. Vivemos a pior situa\u00e7\u00e3o em 40 anos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 falta de chuvas. Depois do ano passado, fizemos diferente neste ano: trabalhamos para estocar pasto e ra\u00e7\u00e3o\u201d, conta. De acordo com o secret\u00e1rio, a preven\u00e7\u00e3o ap\u00f3s o susto fez com que os produtores n\u00e3o sofressem o impacto com a seca.<\/p>\n<p>O produtor de gado Joaquim Ramos, que \u00e9 membro do Sindicato dos Produtores Rurais de A\u00e7ail\u00e2ndia (Sinpra), conseguiu evitar grandes perdas na produ\u00e7\u00e3o por se prevenir contra a seca. \u201cA maioria que perde rebanho, e isso aconteceu aqui por causa da m\u00e1 mineraliza\u00e7\u00e3o [reposi\u00e7\u00e3o de minerais na alimenta\u00e7\u00e3o]. Eu n\u00e3o tenho perdido muito porque fa\u00e7o isso corretamente\u201d, afirma.<\/p>\n<blockquote><p>Um dia&#8230; Sim, quando as secas desaparecessem e tudo andasse direito. .. Seria que as secas iriam desaparecer e tudo andar certo? N\u00e3o sabia.Trecho do livro Vidas Secas, de Graciliano Ramos<\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<\/section>\n<section>\n<div>\n<p>Veja solu\u00e7\u00f5es sertanejas para a conviv\u00eancia com a seca<\/p>\n<p><a class=\"btn btn-light btn-xl js-scroll-trigger\" href=\"http:\/\/www.ebc.com.br\/especiais-agua\/solucoes-para-a-seca\/\">CONFIRA<\/a><\/div>\n<\/section>\n<section class=\"bg-dark text-white low-padding\">\n<div class=\"container text-center\"><\/div>\n<\/section>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em um munic\u00edpio no qual at\u00e9 \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos sofrem com a escassez de \u00e1gua, a<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":81641,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/seca.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/seca-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/seca-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/seca.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/seca.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/seca.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/seca.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/seca.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/seca.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/seca.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Em um munic\u00edpio no qual at\u00e9 \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos sofrem com a escassez de \u00e1gua, a","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81638"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=81638"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81638\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/81641"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=81638"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=81638"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=81638"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}