{"id":81600,"date":"2018-03-15T11:00:43","date_gmt":"2018-03-15T14:00:43","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=81600"},"modified":"2018-03-15T09:45:05","modified_gmt":"2018-03-15T12:45:05","slug":"futuro-da-agua-depende-de-diversificacao-de-fontes-e-da-reducao-de-perdas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/futuro-da-agua-depende-de-diversificacao-de-fontes-e-da-reducao-de-perdas\/","title":{"rendered":"Futuro da \u00e1gua depende de diversifica\u00e7\u00e3o de fontes e da redu\u00e7\u00e3o de perdas"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/agua-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-81601\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/agua-1-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/agua-1-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/agua-1.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Em tempos de eventos extremos e de aumento da demanda por \u00e1gua, a escassez h\u00eddrica se tornou um tema essencial para qualquer cidade. Nesse cen\u00e1rio, ampliar a diversifica\u00e7\u00e3o de fontes de \u00e1gua e incentivar o uso de novas tecnologias para melhorar o sistema e reduzir perdas fazem parte da agenda para a seguran\u00e7a h\u00eddrica.<\/p>\n<p>Essa foi a opini\u00e3o levantada por pesquisadores participantes do evento \u201cO Futuro da \u00c1gua\u201d, realizado em 12 de mar\u00e7o pela FAPESP com o Instituto do Legislativo Paulista (ILP), o quarto do Ciclo ILP-FAPESP de Ci\u00eancia e Inova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cQuando pensamos em gest\u00e3o de recursos h\u00eddricos em regi\u00f5es metropolitanas, todas as op\u00e7\u00f5es de abastecimento precisam ser consideradas, inclusive o re\u00faso\u201d, disse\u00a0<b><a href=\"http:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/87514\/jose-carlos-mierzwa\/\" target=\"_blank\">Jos\u00e9 Carlos Mierzwa<\/a><\/b>, diretor t\u00e9cnico do Centro Internacional de Refer\u00eancia em Re\u00faso de \u00c1gua (Cirra) da Escola Polit\u00e9cnica da Universidade de S\u00e3o Paulo (Poli-USP).<\/p>\n<p>De acordo com Mierzwa, o re\u00faso \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o para minimizar a demanda por recursos h\u00eddricos, sobretudo de atividades industriais e urbanas, que permitem a utiliza\u00e7\u00e3o de \u00e1gua com qualidade inferior \u00e0 pot\u00e1vel.<\/p>\n<p>\u201cA Regi\u00e3o Metropolitana de S\u00e3o Paulo tem problema de escassez natural e a principal a\u00e7\u00e3o tem sido trazer \u00e1gua de cada vez mais longe. Isso torna a \u00e1gua mais cara, al\u00e9m de aumentar a intensidade de polui\u00e7\u00e3o. Sem contar que o re\u00faso n\u00e3o planejado j\u00e1 \u00e9 uma realidade em v\u00e1rias cidades brasileiras\u201d, disse.<\/p>\n<p>Mierzwa refere-se ao fato de que os mananciais s\u00e3o contaminados por esgoto sem que seja feito tratamento. Basicamente, o re\u00faso n\u00e3o planejado ocorre quando uma cidade descarrega o esgoto no manancial que \u00e9 novamente utilizado dilu\u00eddo, rio abaixo, de maneira n\u00e3o intencional ou controlada.<\/p>\n<p>\u201c\u00c0 medida que esgotos tratados ou n\u00e3o s\u00e3o lan\u00e7ados no meio ambiente, tamb\u00e9m s\u00e3o disseminados diversos contaminantes qu\u00edmicos n\u00e3o afetados pelo sistema de tratamento. Em v\u00e1rios pa\u00edses j\u00e1 se discute a presen\u00e7a desses componentes nas esta\u00e7\u00f5es de abastecimento\u201d, disse.<\/p>\n<p>Mierzwa ressalta que hoje j\u00e1 existe tecnologia suficiente para garantir que essa \u00e1gua seja efetivamente segura. \u201cO que precisamos mudar talvez sejam os par\u00e2metros para o monitoramento dessa \u00e1gua. Muitas vezes os padr\u00f5es utilizados n\u00e3o identificam determinados contaminantes ou a a\u00e7\u00e3o combinada deles. Essa \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o tanto para o sistema de abastecimento, quanto para a \u00e1gua de re\u00faso\u201d, disse.<\/p>\n<p><b>Altern\u00e2ncia de fontes<\/b><\/p>\n<p>O melhor aproveitamento da diversidade de fontes de \u00e1gua tamb\u00e9m foi o tema da apresenta\u00e7\u00e3o de\u00a0<b><a href=\"http:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/3720\/ricardo-cesar-aoki-hirata\/\" target=\"_blank\">Ricardo Hirata<\/a><\/b>, do Centro de Pesquisas de \u00c1guas Subterr\u00e2neas (Cepas), do Instituto de Geoci\u00eancias da USP.<\/p>\n<p>\u201cPara que as cidades se tornem mais resilientes, \u00e9 preciso pesquisar os recursos h\u00eddricos dispon\u00edveis. O que ocorre \u00e9 que muitas \u00e1guas que poderiam ser utilizadas n\u00e3o s\u00e3o por puro desconhecimento. Isso acontece n\u00e3o s\u00f3 com a popula\u00e7\u00e3o em geral, mas tamb\u00e9m com aqueles com poder de decis\u00e3o\u201d, disse.<\/p>\n<p>Hirata apresentou os resultados de um estudo que mostram que o ideal para a Regi\u00e3o Metropolitana de S\u00e3o Paulo seria dosar, durante o ano, o uso de \u00e1guas superficiais (rios e reservat\u00f3rios) com o de \u00e1guas subterr\u00e2neas (aqu\u00edferos). \u201cDessa forma seria poss\u00edvel garantir \u00e1gua o ano inteiro, inclusive nos per\u00edodos de seca, sem sobrecarregar os aqu\u00edferos quando os rios e os reservat\u00f3rios est\u00e3o com o n\u00edvel baixo\u201d, disse.<\/p>\n<p>Madri, na Espanha, por exemplo, tem seguido essa altern\u00e2ncia programada de fontes. De acordo com Hirata, no per\u00edodo de cheias o excedente das \u00e1guas superficiais \u00e9 injetado no aqu\u00edferos para aumentar a disponibilidade de \u00e1gua, meses depois, no per\u00edodo de seca. \u201cIsso poderia ser feito aqui em S\u00e3o Paulo tamb\u00e9m. Na verdade, j\u00e1 estamos fazendo isso, por\u00e9m de forma totalmente individual\u201d, disse.<\/p>\n<p>Em sua apresenta\u00e7\u00e3o, Hirata destacou uma realidade pouco conhecida dos moradores da Grande S\u00e3o Paulo. \u201cNossos estudos mostraram que na Regi\u00e3o Metropolitana de S\u00e3o Paulo, em vez de 1% da produ\u00e7\u00e3o de \u00e1gua ser proveniente de \u00e1guas subterr\u00e2neas, ela \u00e9 respons\u00e1vel por 20%\u201d, disse.<\/p>\n<p>Para ele, o dado mostra a falta de regulamenta\u00e7\u00e3o do setor, no qual 1% \u00e9 operado pela empresa de abastecimento e os outros 19% representam iniciativas individuais, muitas vezes n\u00e3o autorizadas.<\/p>\n<p>\u201cS\u00e3o solu\u00e7\u00f5es individuais e n\u00e3o regulamentadas. Se somados, os po\u00e7os respondem por mais de 10 mil litros de \u00e1gua por segundo. Ou seja, esse \u00e9 o quarto maior produtor de \u00e1gua dessa bacia. \u00c9 uma solu\u00e7\u00e3o integrada, mas n\u00e3o organizada e regulada, o que torna o modelo problem\u00e1tico\u201d, disse Hirata.<\/p>\n<p>Para o professor\u00a0<b><a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/465\/ademar-ribeiro-romeiro\/\" target=\"_blank\">Ademar Romeiro<\/a><\/b>, do N\u00facleo de Economia Agr\u00edcola e Ambiental do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), \u00e9 preciso incluir a preserva\u00e7\u00e3o no custo da \u00e1gua. \u201cA conta de \u00e1gua deveria incluir tamb\u00e9m o pre\u00e7o da \u00e1gua, ou seja, o custo de manter a disponibilidade do recurso em quantidade e qualidade adequadas\u201d, disse.<\/p>\n<p>Segundo Romeiro, o pre\u00e7o da \u00e1gua \u2013 hoje calculado a partir do custo da distribui\u00e7\u00e3o da \u00e1gua e do tratamento do esgoto \u2013 deveria incluir o custo da gest\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o da \u00e1gua de qualidade, pela natureza, com o custo de manter a infiltra\u00e7\u00e3o da \u00e1gua da chuva.<\/p>\n<p>Romeiro citou um estudo realizado pelo Instituto de Economia na Serra da Cantareira, onde est\u00e1 o maior manancial da Grande S\u00e3o Paulo. Foi verificado que 40% da regi\u00e3o \u00e9 constitu\u00edda por pastagem degradada, que n\u00e3o contribui para a recarga dos aqu\u00edferos.<\/p>\n<p>\u201cPara uma gest\u00e3o mais adequada \u00e9 preciso incluir o que chamamos de custo de oportunidade. Verificamos que, no caso da Cantareira, seriam necess\u00e1rios R$ 150 milh\u00f5es por ano para melhorar essas pastagens, pagando o produtor rural para investir em floresta. N\u00e3o \u00e9 um custo elevado \u2013 n\u00e3o seria necess\u00e1rio subir o valor da tarifa \u2013 e ter\u00edamos o benef\u00edcio de aumentar a capacidade de produ\u00e7\u00e3o de \u00e1gua\u201d, disse.<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda mais um grande problema em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 escassez h\u00eddrica: em m\u00e9dia perde-se 40% da \u00e1gua tratada no Brasil. S\u00e3o problemas principalmente relacionados a vazamentos nas tubula\u00e7\u00f5es (60% dos casos de perda).<\/p>\n<p>Estima-se que s\u00f3 as perdas gerem um preju\u00edzo de R$ 8 bilh\u00f5es por ano. \u201cSe 20% desse volume n\u00e3o fosse perdido, daria para abastecer toda a popula\u00e7\u00e3o brasileira que n\u00e3o tem acesso \u00e0 \u00e1gua atualmente\u201d, disse Mar\u00edlia Lara, diretora executiva da Stattus4, startup que desenvolveu com apoio do Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE) a tecnologia Fluid.<\/p>\n<p>O equipamento detecta automaticamente\u00a0<b><a href=\"http:\/\/pesquisaparainovacao.fapesp.br\/sistema_de_deteccao_de_vazamento_de_agua_utiliza_aprendizagem_de_maquina\/580\" target=\"_blank\">o vazamento<\/a>\u00a0<\/b>de \u00e1gua em redes e ramais de distribui\u00e7\u00e3o. A empresa desenvolveu um sistema de intelig\u00eancia artificial que, por meio das amostras captadas pelo coletor m\u00f3vel, consegue analisar os dados e classific\u00e1-los.<\/p>\n<p>O objetivo do ciclo ILP-FAPESP \u00e9 divulgar estudos de relevante impacto social e econ\u00f4mico realizados por pesquisadores do Estado de S\u00e3o Paulo e que possam dar origem a pol\u00edticas p\u00fablicas que beneficiem a sociedade.<\/p>\n<p>\u201cA FAPESP financiou nestes \u00faltimos anos cerca de 1.100 projetos, entre aux\u00edlios e bolsas, no tema recursos h\u00eddricos. Al\u00e9m disso, h\u00e1 um crescimento no n\u00famero de pequenas empresas inovativas trabalhando em solu\u00e7\u00f5es relacionadas a melhorar a efici\u00eancia da gest\u00e3o em recursos h\u00eddricos. Hoje o programa PIPE tem dezenas de empresas inovativas financiadas pela FAPESP trabalhando em solu\u00e7\u00f5es nessa \u00e1rea\u201d, disse Carlos Am\u00e9rico Pacheco, diretor-presidente da FAPESP, na abertura do evento.<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/tDYq9vYvj2w\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<div class=\"wrap_button\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em tempos de eventos extremos e de aumento da demanda por \u00e1gua, a escassez h\u00eddrica<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":81601,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/agua-1.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/agua-1-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/agua-1-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/agua-1.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/agua-1.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/agua-1.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/agua-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/agua-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/agua-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/agua-1.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Em tempos de eventos extremos e de aumento da demanda por \u00e1gua, a escassez h\u00eddrica","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81600"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=81600"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81600\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/81601"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=81600"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=81600"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=81600"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}