{"id":81497,"date":"2018-03-13T09:00:01","date_gmt":"2018-03-13T12:00:01","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=81497"},"modified":"2018-03-12T22:34:23","modified_gmt":"2018-03-13T01:34:23","slug":"os-grandes-muros-construidos-para-proteger-japoneses-dos-tsunamis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/os-grandes-muros-construidos-para-proteger-japoneses-dos-tsunamis\/","title":{"rendered":"Os grandes muros constru\u00eddos para proteger japoneses dos tsunamis"},"content":{"rendered":"<p style=\"font-weight: 400;\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/muro.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-81498\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/muro-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/muro-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/muro.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Era uma vez um prefeito de uma cidade japonesa com cerca de 30 mil habitantes chamada Fudai. Quando foi eleito, na d\u00e9cada de 70, Kotaku Wamurap\u00f4s uma ideia na cabe\u00e7a: no seu mandato, ele iria construir um muro t\u00e3o alto que protegeria sua cidade de qualquer tsunami. Wamura n\u00e3o conseguia parar de pensar nos horrores causados pelas ondas enormes que varreram seu munic\u00edpio em duas ocasi\u00f5es distintas: 1893 e 1933. A cidade, que basicamente vive do turismo e das algas que os pescadores buscam no mar, ficou praticamente soterrada pelas \u00e1guas e muita gente morreu. O prefeito, que era um jovem idealista quando ocorreu a segunda trag\u00e9dia, n\u00e3o queria que isso acontecesse enquanto fosse ele a administrar Fudai. E o muro foi erguido.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O povo de Fudai, que fica a cerca de 500 km de T\u00f3quio,n\u00e3o ficou muito contente durante a obra, que durou cerca de 12 anos e gastou 20 milh\u00f5es de libras. Muita gente criticou, dizendo que era dinheiro gasto \u00e0 toa, que n\u00e3o iria resolver o problema, questionaram valores e inten\u00e7\u00e3o.Wamura n\u00e3o quis s\u00f3 um muro, mas construiu tamb\u00e9m imensos pain\u00e9is que podem ser levantados para permitir que o Rio Fudai esvazie para deixar mais espa\u00e7o para o mar e, assim, bloqueie as ondas. Os propriet\u00e1rios das terras que tiveram que ser realocados para a constru\u00e7\u00e3o protestaram. Mas Wamura estava t\u00e3o seguro de si que conseguiu convencer a todos. E a estrutura de concreto terminou de ser constru\u00edda em 1984, por um valor que chegou perto de 4 bilh\u00f5es de ienes.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Wamura morreu em 1997, aos 88 anos. Mais de uma d\u00e9cada depois, em 2011, quando um imenso tsunami varreu o Jap\u00e3o, matando quase 18 mil pessoas em todo o pa\u00eds, os ventos e as ondas golpearam fortemente a praia de Fudai, na enseada na cidade, e barcos foram destru\u00eddos no porto. Mas na aldeia nenhuma casa foi destru\u00edda, n\u00e3o houve uma morte. Passada a tormenta, a cidade em romaria foi ao t\u00famulo de Wamura agradecer e deixar flores para o ex-prefeito.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Talvez esta\u00a0<a style=\"font-style: inherit; font-weight: inherit;\" href=\"http:\/\/www.dailymail.co.uk\/news\/article-1386978\/The-Japanese-mayor-laughed-building-huge-sea-wall--village-left-untouched-tsunami.html\">hist\u00f3ria\u00a0<\/a>tenha inspirado a constru\u00e7\u00e3o dos atuais muros que est\u00e3o sendo constru\u00eddos no Jap\u00e3o, como uma forma de tentar evitar que outro tsunami aterrorize a regi\u00e3o como aconteceu h\u00e1 sete anos. As paredes t\u00eam 12,5 metros de altura e substitu\u00edram os quebra-mares, que com o tsunami mostraram-se ineficazes. Em toda a costa japonesa\u00a0<a style=\"font-style: inherit; font-weight: inherit;\" href=\"http:\/\/www.news.com.au\/technology\/environment\/japans-radical-bid-to-fend-off-tsunamis-with-giant-400km-sea-wall\/news-story\/79f7fb40e54654953d7ab61cfeed3be5\">h\u00e1 agora cerca de 395 quil\u00f4metros\u00a0<\/a>de muros de concreto, constru\u00eddos por6,8 bilh\u00f5es de d\u00f3lares, para tentar barrar as \u00e1guas do mar do Jap\u00e3o caso elas, de novo, sejam insufladas pelos ventos a ponto de se tornarem perigosas aos humanos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Em 2011, algumas ondas chegaram a 30 metros de altura. Ser\u00e1, ent\u00e3o, que muros de \u201capenas\u201d 12 metros v\u00e3o conseguir barrar o fen\u00f4meno? Segundo Hiroyasu Kawai, pesquisador do Instituto de Pesquisa do Porto e do Aeroporto em Yokosuka, disse ao jornal brit\u00e2nico\u00a0<a style=\"font-style: inherit; font-weight: inherit;\" href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/world\/gallery\/2018\/mar\/09\/after-the-tsunami-japan-sea-walls-in-pictures\">\u201cThe Guardian\u201d,\u00a0<\/a>mesmo que o tsunami seja maior em altura, o muro ter\u00e1 o efeito de atrasar as inunda\u00e7\u00f5es, talvez garantindo tamb\u00e9m mais tempo para a evacua\u00e7\u00e3o das pessoas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Assim como aconteceu no tempo de Wamura, agora tamb\u00e9m tem muita gente contra a constru\u00e7\u00e3o das paredes. Quer seja porque enfeia espa\u00e7os que t\u00eam voca\u00e7\u00e3o tur\u00edstica, quer seja porque o governo deixou de reconstruir algumas edifica\u00e7\u00f5es importantes p\u00f3s-tsunami e priorizou a verba para erguer os muros, o fato \u00e9 que h\u00e1 cidad\u00e3os tristes com tantas edifica\u00e7\u00f5es anacr\u00f4nicas na paisagem japonesa. H\u00e1 quem diga que os muros se parecem com uma pris\u00e3o, e eu n\u00e3o posso discordar.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Em Fudai, cidade de Wamura, muitos ainda se lamuriam.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">&#8220;Todos aqui viveram com o mar e do mar, atrav\u00e9s de gera\u00e7\u00f5es. O muro nos mant\u00e9m separados dele, e isso \u00e9 insuport\u00e1vel&#8221; , disse Sotaro Usui, chefe de uma empresa de abastecimento de atum, \u00e0 reportagem do \u201cThe Guardian\u201d.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O risco, dizem especialistas que se op\u00f5em ao projeto, \u00e9 que os muros podem acabar dando \u00e0s pessoas uma falsa sensa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a. Outros discutem o impacto ambiental que tanto concreto j\u00e1 trouxe ao pa\u00eds. Em Iwanuma, por exemplo, o prefeito da cidade preferiu substituir o muro cinza por uma barreira feita com uma esp\u00e9cie de cerca viva, ou seja, florestas plantadas ao longo da costa em locais altos que poderiam barrar as \u00e1guas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Em outros lugares do mundo os humanos tamb\u00e9m precisam se proteger contra a f\u00faria das \u00e1guas do mar quando ventos as deixam violentas. E, como os cientistas j\u00e1 se cansam de provar, o abuso do uso dos combust\u00edveis f\u00f3sseis pela humanidade deixa uma chance enorme de que mais e mais eventos como esse aconte\u00e7am.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Na Holanda, em Roterd\u00e3, o Maeslant \u00e9 um imenso port\u00e3o que foi instalado em 1997 na via fluvial que conecta a cidade ao Porto, no Mar do Norte. Pode se fechar se as ondas come\u00e7arem a se elevar muito. A expectativa \u00e9 que s\u00f3 se feche de dez em dez anos. At\u00e9 agora, funcionou em 1997 e 2007.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A barreira est\u00e1 conectada a um sistema de computadores que funciona da seguinte maneira: com ondas no Mar do Norte acima de tr\u00eas metros de altura ela se fecha automaticamente. Mas todo o processo \u00e9 acompanhado por funcion\u00e1rios vigilantes, que avisam aos navios com quatro horas de antecipa\u00e7\u00e3o. Estive em Roterd\u00e3 em 2010<span style=\"font-style: inherit; font-weight: inherit;\">\u00a0\u00a0<\/span>e pude visitar o local onde fica a grande barreira. Conversei tamb\u00e9m com os funcion\u00e1rios respons\u00e1veis por avisar aos navios. O que observei foi um senso tremendamente respons\u00e1vel e de seriedade no trabalho de todos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o \u00e9 para menos. Trata-se de um processo de adapta\u00e7\u00e3o necess\u00e1rio para se viver em grandes cidades costeiras. Mas, sabem o que destoa totalmente desse tipo de atitude? Constru\u00e7\u00f5es feitas \u00e0 beira-mar, como a\u00a0<a style=\"font-style: inherit; font-weight: inherit;\" href=\"http:\/\/g1.globo.com\/natureza\/blog\/nova-etica-social\/post\/ciclovia-tim-maia-e-o-desprezo-dos-governantes-pelo-aumento-do-nivel-do-mar.html\">Ciclovia Tim Maia,\u00a0<\/a>por exemplo. Ou o que as autoridades do Principado de M\u00f4naco, pa\u00eds onde h\u00e1 a maior concentra\u00e7\u00e3o de bilion\u00e1rios por cent\u00edmetro quadrado, pensa em fazer:\u00a0<a style=\"font-style: inherit; font-weight: inherit;\" href=\"http:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/vert-cap-43309730?ocid=socialflow_twitter\">permitir a constru\u00e7\u00e3o de ilhas\u00a0<\/a>artificiais no mar para caber mais bilion\u00e1rios no territ\u00f3rio. Todos querem M\u00f4naco, sobretudo porque l\u00e1 se paga poucos impostos. O pr\u00edncipe Albert 2\u00ba \u00e9 contra a constru\u00e7\u00e3o, o que nos deixa uma dose de esperan\u00e7a de que tal aberra\u00e7\u00e3o n\u00e3o seja levada adiante.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">E assim caminhamos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Era uma vez um prefeito de uma cidade japonesa com cerca de 30 mil habitantes<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":81498,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/muro.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/muro-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/muro-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/muro.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/muro.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/muro.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/muro.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/muro.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/muro.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/muro.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Era uma vez um prefeito de uma cidade japonesa com cerca de 30 mil habitantes","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81497"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=81497"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81497\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/81498"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=81497"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=81497"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=81497"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}