{"id":81445,"date":"2018-03-11T21:33:06","date_gmt":"2018-03-12T00:33:06","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=81445"},"modified":"2018-03-11T21:33:06","modified_gmt":"2018-03-12T00:33:06","slug":"ilha-das-cinzas-um-laboratorio-de-tecnologias-ambientais-na-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/ilha-das-cinzas-um-laboratorio-de-tecnologias-ambientais-na-amazonia\/","title":{"rendered":"Ilha das Cinzas: um laborat\u00f3rio de tecnologias ambientais na Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<div class=\"materia-cabecalho\"><\/div>\n<div class=\"materia-titulo\">\n<h1 class=\"entry-title\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/g6ZWHpywMJgUddbP9u2UwxCSxpA=\/1200x630\/filters:max_age(3600)\/s03.video.glbimg.com\/deo\/vi\/94\/98\/6569894\" alt=\"Resultado de imagem para Ilha das Cinzas: um laborat\u00f3rio de tecnologias ambientais na Amaz\u00f4nia\" width=\"637\" height=\"334\" \/><\/h1>\n<h2>Qualidade de vida dos ribeirinhos melhora com chegada de saneamento b\u00e1sico e energia renov\u00e1vel. Projeto \u00e9 feito em parceria com a Embrapa.<\/h2>\n<\/div>\n<div id=\"materia-letra\" class=\"materia-conteudo entry-content clearfix\">\n<div id=\"6569894\" class=\"video componente_materia\" data-height=\"349\" data-width=\"620\"><\/div>\n<p>Conhe\u00e7a a Ilha das Cinzas, na foz do Rio Amazonas, no Par\u00e1, um lugar de natureza exuberante, onde vive uma comunidade ribeirinhos: agricultores e pescadores, que mudaram de vida nos \u00faltimos anos. Eles melhoraram de vida nos \u00faltimos anos. Conseguem aproveitar os recursos da floresta e dos rios, em harmonia com o meio ambiente.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/economia\/agronegocios\/globo-rural\/fotos\/2018\/03\/fotos-ilha-das-cinzas-pa-e-exemplo-de-manejo-e-producao-sustentavel.html\"><strong>FOTOS: Ilha das Cinzas (PA) \u00e9 exemplo de manejo e produ\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel<\/strong><\/a><\/p>\n<p>A comunidade da Ilha das Cinzas ganhou um pr\u00eamio de R$ 1 milh\u00e3o. Em menos de dez anos, fez projetos de saneamento b\u00e1sico, energia e produ\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies t\u00edpicas da Amaz\u00f4nia. Ribeirinho \u00e9 quem vive na beira do rio e dele tira o sustento e a Ilha das Cinzas \u00e9 um lugar muito inspirador, onde, nos \u00faltimos anos, a popula\u00e7\u00e3o tocou uma s\u00e9rie de projetos de gera\u00e7\u00e3o de renda, com um olhar especial para a floresta e o rio. Com canais menores e mata densa, a ilha abriga 45 fam\u00edlias que vivem entre a floresta e rio.<\/p>\n<p>A Ilha das Cinzas \u00e9 um assentamento agroextrativista. \u00c9 da reforma agr\u00e1ria, formado por comunidades tradicionais. O a\u00e7a\u00ed \u00e9 o carro-chefe. Tem tamb\u00e9m pesca de camar\u00e3o, extra\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel de madeira. Mas um dos principais problemas da ilha \u00e9 a \u00e1gua.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 uma ilus\u00e3o, porque existe \u00e1gua em abund\u00e2ncia, mas \u00e9 uma \u00e1gua que n\u00e3o \u00e9 pr\u00f3pria para o consumo. A mar\u00e9 quando enche, vai e adentra a floresta de v\u00e1rzea e inunda a floresta, e traz toda uma carga org\u00e2nica da pr\u00f3pria floresta: restos de bichos em decomposi\u00e7\u00e3o, toda a folhagem do pr\u00f3prio rio\u201d, explica o engenheiro florestal da\u00a0<a class=\"premium-tip\" href=\"http:\/\/g1.globo.com\/tudo-sobre\/embrapa\/\">Embrapa<\/a>\u00a0Amap\u00e1, Marcelino Guedes.<\/p>\n<p>Ajudar a Ilha das Cinzas a ter \u00e1gua limpa, pot\u00e1vel, \u00e9 um dos desafios de Marcelino. O Globo Rural acompanhou a equipe dele para mostrar um dos mais novos projetos de tecnologia sanit\u00e1ria desenhado especialmente para comunidades ribeirinhas. \u00c9 um conjunto de tratamento de \u00e1gua e esgoto.<\/p>\n<p>Para \u00e1gua de beber, ele substitui um jeitinho caseiro, que \u00e9 o mais comum no local. Em geral, os ribeirinhos da regi\u00e3o estocam \u00e1gua do rio em tambores e colocam sulfato de alum\u00ednio e cloro, para limpar. Esse tipo de tratamento caseiro nem sempre \u00e9 suficiente para evitar os problemas.<\/p>\n<p>Para evitar a contamina\u00e7\u00e3o, seis fam\u00edlias da ilha constru\u00edram filtros, orientados pela Embrapa. No processo, a \u00e1gua vai passando por cada etapa e a sujeira \u00e9 eliminada. No final, ainda tem pastilhas de cloro para a \u00e1gua sair limpinha na torneira, boa para beber.<\/p>\n<p>Cada fam\u00edlia que participa do projeto ganha a estrutura, que custa cerca de R$ 1,3 mil e se encarrega da manuten\u00e7\u00e3o dos filtros.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o adianta tratar a \u00e1gua, sem cuidar do esgoto e tratamento de esgoto \u00e9 raridade na regi\u00e3o. O esgoto est\u00e1 todo infiltrando no ch\u00e3o e numa \u00e1rea que alaga durante a cheia. A sujeira n\u00e3o est\u00e1 indo s\u00f3 para o solo, mas tamb\u00e9m para o rio, que \u00e9 de onde as fam\u00edlias tiram a \u00e1gua para beber.<\/p>\n<p>Para resolver esse problema de \u00e1gua contaminada, a Embrapa desenvolveu uma fossa que \u00e9 barata e muito eficiente.\u00a0 O banheiro fica no alto, longe do ch\u00e3o e conectado a sequ\u00eancias de caixas de \u00e1gua.<\/p>\n<p>\u201cOs dejetos que saem do vaso j\u00e1 s\u00e3o canalizados para cair na fossa s\u00e9ptica biodigestora. Passando pela v\u00e1lvula de reten\u00e7\u00e3o, ele vai cair numa primeira caixa, que \u00e9 onde acontece a maior parte da biodigest\u00e3o\u201d, explica Marcelino.<\/p>\n<p>O res\u00edduo do banheiro vai ser consumido, ou digerido, por bact\u00e9rias que se alimentam das fezes e urina. No processo liberam metano, um g\u00e1s que sai por pequenos suspiros nas caixas pl\u00e1sticas. No fim, o esgoto vira um adubo l\u00edquido. Ele passou por v\u00e1rias an\u00e1lises, e foi liberado para irrigar o a\u00e7a\u00ed e a banana. A fossa n\u00e3o precisa de nenhuma limpeza e fica suspensa, com espa\u00e7o de sobra para a mar\u00e9 invadir o quintal na \u00e9poca da cheia.<\/p>\n<p>O sistema de tratamento de \u00e1gua e esgoto tamb\u00e9m est\u00e1 na sede da Ataic (Associa\u00e7\u00e3o dos Trabalhadores Agroextrativistas da Ilha das Cinzas). Ali\u00e1s, \u00e9 a associa\u00e7\u00e3o que gerencia v\u00e1rios outros projetos, como o de placas de energia solar, por exemplo, que produzem toda a energia que a escola da comunidade precisa. Os moradores da ilha tamb\u00e9m investiram nas placas para ter energia o tempo todo.<br \/>\n<strong>Projetos melhoram a produ\u00e7\u00e3o de camar\u00e3o e a\u00e7a\u00ed na Ilha das Cinzas<\/strong><br \/>\nOs ribeirinhos est\u00e3o melhorando a renda, com a\u00e7a\u00ed, produtos da floresta e camar\u00e3o, mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a economia que ficou mais forte. As pessoas tamb\u00e9m est\u00e3o mais seguras para ocupar um lugar no mundo.<\/p>\n<p>No fim dos anos 1990, a esp\u00e9cie de camar\u00e3o de \u00e1gua doce da Amaz\u00f4nia ou camar\u00e3o regional\u00a0 quase desapareceu e mobilizou muita gente. O plano de recupera\u00e7\u00e3o do camar\u00e3o mudou a realidade da Ilha das Cinzas.<\/p>\n<p>Sete mil fam\u00edlias pescam a esp\u00e9cie de camar\u00e3o, na foz do Rio\u00a0<a class=\"premium-tip\" href=\"http:\/\/g1.globo.com\/tudo-sobre\/amazonas\">Amazonas<\/a>. Um cilindro de fibra \u00e9 o matapi, a armadilha que pega o camar\u00e3o. Dentro vai uma trouxinha de folha de cupurana com uma massa de baba\u00e7u. O camar\u00e3o entra para comer e n\u00e3o consegue sair.\u00a0 Com menos de sete cent\u00edmetros, o camar\u00e3o \u00e9 filhote. Os pescadores estavam matando os pequeninos, antes mesmo deles reproduzirem.<\/p>\n<p>Era o fim dos anos 1990 quando uma Organiza\u00e7\u00e3o N\u00e3o-Governamental (ONG) ajudou a comunidade a estudar o decl\u00ednio do camar\u00e3o. A solu\u00e7\u00e3o foi uma caixa com frestas de um cent\u00edmetro. Depois da pesca, os camar\u00f5es ficam tr\u00eas dias em caixas vazadas, dentro do rio. Tempo suficiente para os pequenos escaparem pelas frestas.<\/p>\n<p>A comunidade ainda determinou que, em \u00e9poca de reprodu\u00e7\u00e3o, ningu\u00e9m pescaria. \u00c9 um per\u00edodo de defeso volunt\u00e1rio, aplaudido por especialistas em pesca, com o J\u00f4 de Farias, bi\u00f3logo da Embrapa. \u201cA organiza\u00e7\u00e3o social foi crucial para o sucesso do projeto. Eles n\u00e3o s\u00f3 conseguiram avan\u00e7ar no manejo pesqueiro, garantindo os estoques, naquela regi\u00e3o, mas eles tamb\u00e9m conseguiram ganhos sociais que at\u00e9 hoje s\u00e3o percebidos.&#8221;<\/p>\n<p>O resultado do plano de manejo n\u00e3o foi s\u00f3 o bicho mais gra\u00fado, grand\u00e3o, como o consumidor gosta. Na verdade, todas essas mudan\u00e7as ganharam pr\u00eamios e geraram recursos financeiros para tirar muitos outros planos do papel.<\/p>\n<p>Os trof\u00e9us mais importantes renderam R$ 1 milh\u00e3o para a Ilha das Cinzas. S\u00e3o da Finep, a Empresa Brasileira de Inova\u00e7\u00e3o e Pesquisa, do Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, que em 2011 elegeu o manejo do camar\u00e3o como a melhor tecnologia social do Brasil. Tudo com a presta\u00e7\u00e3o de contas e ajuda da Embrapa.<\/p>\n<p>\u201cEles apresentaram para gente claramente tr\u00eas demandas principais, a gente precisa de saneamento, de energia, a gente precisa diversificar nossos sistemas produtivos\u201d, conta Marcelino.<\/p>\n<p>Os trabalhos come\u00e7aram na melhoria da produtividade do a\u00e7a\u00ed. H\u00e1 pelo menos 15 anos, \u00e9 a principal renda das fam\u00edlias da regi\u00e3o. E, por conta disso, muita gente dedicou grandes \u00e1reas a ele e com muitas \u00e1rvores. Mas nem sempre um grande n\u00famero de palmeiras significa uma boa produ\u00e7\u00e3o do fruto. Foi a\u00ed que entrou o manejo do a\u00e7a\u00ed. Em alguns casos, a solu\u00e7\u00e3o \u00e9 cortar as \u00e1rvores para arejar o terreno. Com mais espa\u00e7o entre os p\u00e9s, os frutos poder\u00e3o vir mais fortes na pr\u00f3xima safra, o que gera mais renda para as fam\u00edlias.<\/p>\n<p>Outra novidade do projeto da Ilha das Cinzas, foi melhorar o aproveitamento do pau-mulato, uma \u00e1rvore grande, de madeira boa, que cresce bem em \u00e1reas de v\u00e1rzea, principalmente, em terrenos que j\u00e1 foram lavoura.<\/p>\n<p>O retorno que a planta\u00e7\u00e3o do pau-mulato gera \u00e9 a longo prazo,\u00a0 j\u00e1 o a\u00e7a\u00ed e a banana geram lucro a curto prazo, ou seja, um complementa o outro. Numa \u00e1rea de mata fechada, o pau-mulato cresce cerca de meio metro por ano. J\u00e1 entre o a\u00e7a\u00ed e a banana, recebe mais luz e dispara: at\u00e9 dois metros por ano. Uma \u00e1rvore de dois anos vai precisar de mais uns 15 anos para chegar no ponto de corte. O dinheiro que o pau-mulato vai gerar acaba se tornando uma poupan\u00e7a para o ribeirinho.<\/p>\n<p>A Ilha das Cinzas est\u00e1 inspirando outras comunidades na foz do Amazonas. O projeto do camar\u00e3o, por exemplo, j\u00e1 navegou at\u00e9 o Mazag\u00e3o, munic\u00edpio vizinho e com mais avan\u00e7os, tamb\u00e9m com ajuda da Embrapa. A parceria criou uma armadilha sint\u00e9tica, mas baseada em conhecimentos tradicionais. Ela dura cinco anos, custa cerca de R$ 12 e j\u00e1 seleciona o camar\u00e3o, como o viveiro da Ilha das Cinzas.<\/p>\n<p>Uma hist\u00f3ria como essa mostra que com organiza\u00e7\u00e3o, dinheiro e uma boa parceria entre comunidade e conhecimento cient\u00edfico \u00e9 poss\u00edvel transformar a vida de muita gente na Amaz\u00f4nia.<strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Qualidade de vida dos ribeirinhos melhora com chegada de saneamento b\u00e1sico e energia renov\u00e1vel. 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