{"id":81338,"date":"2018-03-10T12:52:07","date_gmt":"2018-03-10T15:52:07","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=81338"},"modified":"2018-03-10T12:52:07","modified_gmt":"2018-03-10T15:52:07","slug":"megafauna-reduziu-a-dispersao-de-sementes-revela-pesquisa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/megafauna-reduziu-a-dispersao-de-sementes-revela-pesquisa\/","title":{"rendered":"Megafauna reduziu a dispers\u00e3o de sementes, revela pesquisa"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/megafauna.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-81339\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/megafauna-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/megafauna-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/megafauna.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>N\u00e3o foram somente as maiores sementes que perderam o seu meio de transporte. A extin\u00e7\u00e3o da megafauna tamb\u00e9m reduziu o raio de dispers\u00e3o de sementes quando comparado \u00e0 dispers\u00e3o feita pelos maiores mam\u00edferos viventes, como a anta.<\/p>\n<p>Um novo estudo calculou a dist\u00e2ncia que pregui\u00e7as-gigantes (megat\u00e9rios) ou mastodontes (gonfot\u00e9rios) percorriam transportando sementes em seu trato digest\u00f3rio antes de defec\u00e1-las no meio ambiente. \u201cConseguimos dar n\u00fameros aos argumentos verbais sobre a import\u00e2ncia desses grandes animais\u201d, disse o bi\u00f3logo Mathias Mistretta Pires, do Instituto de Biologia (IB) da Unicamp, primeiro autor de um estudo que quantifica as dist\u00e2ncias de dispers\u00e3o de sementes pela megafauna.<\/p>\n<p>O estudo foi feito em coautoria com os professores Mauro Galetti, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Rio Claro, e Paulo Roberto Guimar\u00e3es, do Instituto de Bioci\u00eancias da Universidade de S\u00e3o Paulo (IB-USP). Publicado na revista Ecography, o trabalho foi realizado no \u00e2mbito do Projeto Tem\u00e1tico \u201cConsequ\u00eancias ecol\u00f3gicas da defauna\u00e7\u00e3o na Mata Atl\u00e2ntica\u201d, coordenado por Galetti.<\/p>\n<p>Os maiores frug\u00edvoros viventes do continente sul-americano s\u00e3o as antas (Tapirus), os guanacos (Lama guanicoe), as alpacas (Vicugna pacos), os catetos (Pecari tajacu) e o veado-mateiro (Mazama americana). Mas mesmo o maior, a anta, com cerca de 200 quilos, \u00e9 cerca de 10 vezes menor do que as pregui\u00e7as-gigantes e cerca de 30 vezes menor do que os gonfot\u00e9rios.<\/p>\n<p>A dist\u00e2ncia de dispers\u00e3o de sementes observada entre os maiores frug\u00edvoros viventes raramente ultrapassa 3,5 mil metros. O novo estudo concluiu que, no passado, a megafauna ia muito al\u00e9m. O raio de dispers\u00e3o de sementes das pregui\u00e7as e dos gonfot\u00e9rios podia superar os 6 mil metros.<\/p>\n<p>\u201cNosso objetivo foi criar um modelo que permitisse quantificar o papel desses animais extintos na dispers\u00e3o de sementes. Constru\u00edmos um modelo matem\u00e1tico onde as v\u00e1rias fases do processo de dispers\u00e3o de sementes s\u00e3o simuladas, de modo a gerar previs\u00f5es quantitativas de como seria esse servi\u00e7o de dispers\u00e3o no passado\u201d, explicou Pires.<\/p>\n<p>Para estimar a capacidade de dispers\u00e3o de sementes entre a megafauna, em primeiro lugar foi preciso determinar tr\u00eas conjuntos de dados b\u00e1sicos entre as maiores esp\u00e9cies viventes de dispersores de sementes. Foi necess\u00e1rio saber: o quanto de alimento, em m\u00e9dia, as diversas esp\u00e9cies comem; quanto tempo o alimento fica retido no sistema digest\u00f3rio; e qual a dist\u00e2ncia percorrida pelo animal antes de defecar as sementes.<\/p>\n<p>\u201cEsses tr\u00eas atributos est\u00e3o relacionados ao tamanho do animal. Temos os dados de elefantes, antas, veados-mateiros e catetos ou porcos-do-mato\u201d, disse Pires. A anta pode reter alimento no trato digest\u00f3rio por mais de 30 horas antes de defecar. \u201cNos elefantes, s\u00e3o mais de 40 horas. Em outras esp\u00e9cies, o tempo pode ultrapassar 50 horas, ou mesmo 100 horas.\u201d<\/p>\n<p>O passo seguinte foi extrapolar as estimativas de cada um dos tr\u00eas atributos (quantidade de comida, tempo de reten\u00e7\u00e3o e dist\u00e2ncia percorrida) para algumas esp\u00e9cies da megafauna extinta que habitaram a Am\u00e9rica do Sul durante o per\u00edodo Pleistoceno \u2013 os \u00faltimos 2,5 milh\u00f5es de anos.<\/p>\n<p>O conjunto de dados utilizado para a extrapola\u00e7\u00e3o se refere aos tamanhos corp\u00f3reos estimados que aqueles bichos tinham. Estima-se, por exemplo, que os gonfot\u00e9rios tinham de 5 a 6 toneladas, dependendo da esp\u00e9cie, e que as maiores pregui\u00e7as tinham entre 3,5 toneladas, no caso do eremot\u00e9rio, e mais de 6 toneladas, no caso do megat\u00e9rio.<\/p>\n<p>\u201cDeduzimos o volume de alimento que uma pregui\u00e7a terrestre deveria consumir, assim como o tempo que o alimento ficaria em seu intestino e a dist\u00e2ncia percorrida pelo animal\u201d, disse Pires.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o foram somente as maiores sementes que perderam o seu meio de transporte. 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