{"id":81288,"date":"2018-03-09T15:00:39","date_gmt":"2018-03-09T18:00:39","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=81288"},"modified":"2018-03-09T08:30:44","modified_gmt":"2018-03-09T11:30:44","slug":"escassez-de-recursos-e-ma-gestao-afetam-os-planetarios-brasileiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/escassez-de-recursos-e-ma-gestao-afetam-os-planetarios-brasileiros\/","title":{"rendered":"Escassez de recursos e m\u00e1 gest\u00e3o afetam os planet\u00e1rios brasileiros"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"intro\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/planetario.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-81289\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/planetario-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/planetario-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/planetario.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>G<\/span>erson Francisco tinha apenas 14 anos quando ganhou seu primeiro telesc\u00f3pio. Pouco tempo antes, durante um passeio pelo Parque Ibirapuera, na capital paulista, ele fez uma visita ao planet\u00e1rio que fica ali dentro, chamado Professor Arist\u00f3teles Orsini. Apaixonou-se perdidamente pela astronomia. \u201cQuando entrei, fiquei louco\u201d, conta Francisco, formado em F\u00edsica e Matem\u00e1tica. \u201cN\u00e3o tem nada mais inspirador para um jovem.\u201d Aos 68 anos, o professor aposentado deseja trazer mais estrelas \u00e0 cidade de S\u00e3o Paulo: est\u00e1 \u00e0 frente do terceiro planet\u00e1rio paulistano, em constru\u00e7\u00e3o na Rua Pamplona, perto da Avenida Paulista.<\/p>\n<p>Al\u00e9m das proje\u00e7\u00f5es astron\u00f4micas, o complexo conta com uma pra\u00e7a, um pr\u00e9dio comercial e um centro de pesquisas. No local h\u00e1 tamb\u00e9m um charmoso casar\u00e3o antigo, patrim\u00f4nio hist\u00f3rico do munic\u00edpio que ser\u00e1 transformado em escola de artes e ci\u00eancias. O empreendimento \u00e9 privado, mas ser\u00e1 aberto ao p\u00fablico. \u201cIsso aqui \u00e9 para inspirar o jovem\u201d, diz. Francisco idealizou o planet\u00e1rio ao assumir o comando da propriedade, h\u00e1 cerca de dez anos \u2014 tempo que levou para tirar seus planos do papel.<\/p>\n<div id=\"pub-in-text\" data-google-query-id=\"COmDz-eP39kCFcMPhgodJl4A-g\"><\/div>\n<p>Como a prefeitura atrasou dois anos para emitir o alvar\u00e1, o planet\u00e1rio s\u00f3 come\u00e7ou a ser constru\u00eddo de fato em outubro de 2015. A previs\u00e3o era que j\u00e1 estivesse pronto, mas n\u00e3o rolou. Em janeiro de 2018, obras na estrutura e no acabamento do audit\u00f3rio ainda eram finalizadas. \u00c9 que n\u00e3o \u00e9 nada f\u00e1cil montar um planet\u00e1rio: al\u00e9m de erguer o pr\u00e9dio, \u00e9 preciso instalar um ar-condicionado potente para prolongar a vida dos aparelhos, uma c\u00fapula especial, de alum\u00ednio microperfurado, e, \u00e9 claro, o equipamento de proje\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As pe\u00e7as s\u00e3o t\u00e3o caras que parecem ser importadas de outro sistema solar \u2014 Francisco estima que a conta ultrapasse os US$ 3 milh\u00f5es. \u201cPreciso de patrocinador para comprar a c\u00fapula, ao custo de US$ 350 mil\u201d, revela. S\u00f3 o projetor custar\u00e1 US$ 2 milh\u00f5es. Empresas podem viabilizar o empreendimento com a\u00e7\u00f5es de marketing \u2014 uma op\u00e7\u00e3o \u00e9 nomear o planet\u00e1rio. \u201cNossa estimativa para a inaugura\u00e7\u00e3o \u00e9 2019. Antes disso teremos de aguardar a fabrica\u00e7\u00e3o do equipamento, treinar as equipes e produzir o conte\u00fado\u201d, diz Douglas Aceiro, planetarista do projeto. Enquanto o investimento n\u00e3o chega, o sonho segue em \u00f3rbita\u2026<\/p>\n<p>Se angariar recursos para um planet\u00e1rio privado no cora\u00e7\u00e3o do maior centro financeiro da Am\u00e9rica Latina j\u00e1 \u00e9 complicado, no setor p\u00fablico os desafios s\u00e3o ainda mais astron\u00f4micos. E \u00e9 justamente nele que ficam cerca de 90% dos planet\u00e1rios fixos do pa\u00eds.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-690\"><img loading=\"lazy\" class=\"img-responsive\" title=\"Mapa com a distribui\u00e7\u00e3o de planet\u00e1rios no Brasil (Foto: Galileu)\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/FrJLPol1DSOdr9MP3KzAVAHYXHg=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2018\/03\/08\/mapa-2.jpg\" alt=\"Mapa com a distribui\u00e7\u00e3o de planet\u00e1rios no Brasil (Foto: Galileu)\" width=\"639\" height=\"633\" \/><label class=\"foto-legenda\">MAPA COM A DISTRIBUI\u00c7\u00c3O DOS PRINCIPAIS PLANET\u00c1RIOS NO BRASIL (FOTO: GALILEU)<\/label><\/div>\n<p><strong>Fa\u00e7a-se a luz<\/strong><br \/>\nDe acordo com Paulo Sobreira, diretor da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Planet\u00e1rios (ABP), o grande problema \u00e9 que n\u00e3o basta constru\u00ed-los \u2014 \u00e9 preciso mant\u00ea-los com a tecnologia atualizada. E os \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos n\u00e3o t\u00eam verbas para isso. \u201cOs financiamentos pagam s\u00f3 os sal\u00e1rios dos servidores e as contas\u201d, afirma. \u201cA\u00ed os planet\u00e1rios envelhecem e t\u00eam dificuldades para apresentar novos conte\u00fados.\u201d Isso ocorre porque n\u00e3o h\u00e1 pol\u00edticas p\u00fablicas padronizadas para o gerenciamento desses espa\u00e7os. \u00c9 uma verdadeira terra de ningu\u00e9m.<\/p>\n<p>A maioria dos planet\u00e1rios no Brasil pertencem a prefeituras, mas s\u00e3o regulados por secretarias variadas. Os estaduais costumam ser vinculados a funda\u00e7\u00f5es ou centros culturais. J\u00e1 em \u00e2mbito federal, est\u00e3o ligados a universidades ou institutos reconhecidos pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MEC). H\u00e1 tamb\u00e9m os de natureza m\u00f3vel, que possuem c\u00fapula infl\u00e1vel e podem ser transportados com facilidade at\u00e9 mesmo para locais remotos. Esses geralmente s\u00e3o privados.<\/p>\n<p>Sobreira considera um problema ser\u00edssimo o fato de haver muitas prefeituras na gest\u00e3o, pois elas n\u00e3o t\u00eam m\u00e3o de obra. \u201cOs contratos s\u00e3o provis\u00f3rios; quando muda o prefeito, a equipe inteira \u00e9 demitida, e s\u00e3o colocadas pessoas sem conhecimento, mas com apadrinhamento pol\u00edtico\u201d, denuncia o diretor da ABP. \u201cAlguns espa\u00e7os no Brasil quebraram e est\u00e3o fechados por causa dessa pr\u00e1tica.\u201d<\/p>\n<p>Inaugurado em 1957, o planet\u00e1rio do Ibirapuera foi o primeiro do pa\u00eds. Atualmente est\u00e1 vinculado \u00e0 Secretaria do Verde e Meio Ambiente (UMAPaz). \u201cNo \u00e2mbito hist\u00f3rico, isso ocorre porque estamos dentro de um parque, mas hoje entendemos a liga\u00e7\u00e3o com educa\u00e7\u00e3o ambiental\u201d, justifica Fernando Nascimento, diretor dos dois planet\u00e1rios de S\u00e3o Paulo \u2014 o Prof. Arist\u00f3teles Orsini e o Prof. Ac\u00e1cio Riberi, mais conhecido como do Carmo, na zona leste da cidade. \u201cS\u00e3o aparelhos de consci\u00eancia da cidadania planet\u00e1ria.\u201d<\/p>\n<p>Em 60 anos, o espa\u00e7o do Ibirapuera fechou as portas duas vezes: entre 1999 e 2006 e de 2013 a 2016. \u201cA primeira foi necess\u00e1ria, porque havia muitos cupins na estrutura de madeira\u201d, conta. O diretor afirma que as duas institui\u00e7\u00f5es nunca tiveram envolvimento com pol\u00edtica. \u201cOs planet\u00e1rios de S\u00e3o Paulo est\u00e3o protegidos disso, pois \u00e9 requisito que os gestores tenham m\u00e9rito t\u00e9cnico.\u201d<\/p>\n<p>F\u00edsico com forma\u00e7\u00e3o em Astronomia, Nascimento tamb\u00e9m estudou Administra\u00e7\u00e3o, conhecimento que considera indispens\u00e1vel a um bom gestor de planet\u00e1rios. \u201cQuando a pessoa \u00e9 muito focada na \u00e1rea cient\u00edfica, se esquece que tem de gerir \u2014 a\u00ed a coisa pode se perder\u201d, avalia.<\/p>\n<p>Como todo \u00f3rg\u00e3o p\u00fablico, os planet\u00e1rios devem prestar contas de seus gastos. De acordo com Nascimento, o complexo paulistano precisa de pelo menos R$ 7 milh\u00f5es por ano. Para 2018, n\u00e3o receber\u00e1 nem metade, o que s\u00f3 garante a manuten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica. Outro grande problema \u00e9 a remunera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cMeu sal\u00e1rio atual \u00e9 o mesmo que ganhava dez anos atr\u00e1s, n\u00e3o posso vir aqui pelo dinheiro\u201d, desabafa o diretor. Sem perspectiva de carreira, os funcion\u00e1rios n\u00e3o duram muito tempo. \u201cS\u00f3 fica um ou outro apaixonado.\u201d<\/p>\n<p>Por esses motivos, a ABP tem pedido ajuda ao Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia, Inova\u00e7\u00f5es e Comunica\u00e7\u00f5es (MCTIC). \u201cO governo nos socorre com pequenos editais e nos sugere procurar deputados e senadores para pedir verbas\u201d, diz Sobreira.<\/p>\n<p>Desde que a ABP surgiu, em 1996, o n\u00famero de planet\u00e1rios no pa\u00eds quase sextuplicou: na \u00e9poca, eram cerca de 15 fixos; hoje, j\u00e1 s\u00e3o 83, entre fixos e m\u00f3veis. Mas h\u00e1 um lado ruim. \u201cExistem planet\u00e1rios criados com investimento do CNPq que est\u00e3o com as c\u00fapulas rasgadas \u2014 pagaram barato por equipamentos chineses de baixa qualidade\u201d, lamenta. Colegas como Nascimento, do planet\u00e1rio do Ibirapuera, concordam. \u201cO pol\u00edtico quer levantar a obra, mas fazer um planet\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 apenas construir um pr\u00e9dio redondo\u201d, destaca.<\/p>\n<p>Outro espa\u00e7o de excel\u00eancia \u00e9 o planet\u00e1rio Rubens de Azevedo, que fica no Centro Drag\u00e3o do Mar de Arte e Cultura, em Fortaleza (CE). Segundo o diretor, Dermeval Carneiro, aproximadamente 15 mil alunos de col\u00e9gios p\u00fablicos e particulares visitam o local todos os anos, onde aprendem ci\u00eancia de forma l\u00fadica. Fechado desde maio de 2017 devido \u00e0 quebra de um dispositivo de proje\u00e7\u00e3o, suas instala\u00e7\u00f5es est\u00e3o sendo modernizadas. \u201cA c\u00fapula \u00e9 antiga e precisa de um processo qu\u00edmico para refletir imagens digitais\u201d, explica.<\/p>\n<p>Os itens retirados ser\u00e3o transferidos para Crato, cidade a 400 quil\u00f4metros de Fortaleza, que tamb\u00e9m ganhar\u00e1 um pr\u00e9dio para proje\u00e7\u00f5es c\u00f3smicas. \u201cO Cear\u00e1 vai ser o \u00fanico estado com tr\u00eas planet\u00e1rios digitais\u201d, orgulha-se. O outro fica em Sobral e tamb\u00e9m foi erguido por Carneiro, em 2009. Em Fortaleza, a reinaugura\u00e7\u00e3o est\u00e1 prevista para mar\u00e7o, j\u00e1 a abertura do estabelecimento em Crato deve ocorrer apenas no segundo semestre.<\/p>\n<p>Ao todo, a reforma estrutural do Rubens de Azevedo custou R$ 230 mil. O valor do novo projetor, importado da Alemanha, \u00e9 de 1,7 milh\u00e3o de euros. De acordo com o diretor, a aquisi\u00e7\u00e3o de verbas com o governo estadual foi r\u00e1pida. \u201cO problema \u00e9 a burocracia das licita\u00e7\u00f5es\u201d, diz. No Ibirapuera, Nascimento enfrenta situa\u00e7\u00e3o semelhante. \u201cJ\u00e1 tivemos processos de compra de materiais simples que levaram seis meses\u201d, revela.<\/p>\n<p>Outra quest\u00e3o que paira sobre os planet\u00e1rios brasileiros s\u00e3o os conte\u00fados exibidos nas sess\u00f5es de c\u00fapula. Nem todas as institui\u00e7\u00f5es possuem recursos para criar produ\u00e7\u00f5es autorais, e muitas das apresenta\u00e7\u00f5es s\u00e3o tradu\u00e7\u00f5es e adapta\u00e7\u00f5es do exterior. \u201cExistem centenas de filmes em ingl\u00eas; mas dublados, nem sequer 20\u201d, lamenta Sobreira. Al\u00e9m disso, espet\u00e1culos traduzidos nem sempre atendem \u00e0 realidade brasileira, pois s\u00e3o voltados para o c\u00e9u do Hemisf\u00e9rio Norte.<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda o problema da desatualiza\u00e7\u00e3o: com o tempo, o conte\u00fado torna-se ultrapassado. Mesmo com os desafios, Sobreira afirma que os planetaristas sempre buscam solu\u00e7\u00f5es. \u201cIndependentemente dos equipamentos que t\u00eam em m\u00e3os, eles s\u00e3o criativos e procuram fazer as pr\u00f3prias apresenta\u00e7\u00f5es\u201d, defende.<\/p>\n<p>A Funda\u00e7\u00e3o Planet\u00e1rio da Cidade do Rio de Janeiro se destaca nesse aspecto. O complexo tem duas unidades: na G\u00e1vea, com duas c\u00fapulas, o maior do Brasil, e em Santa Cruz, bairro afastado da capital fluminense.<\/p>\n<p>A institui\u00e7\u00e3o exibe oito apresenta\u00e7\u00f5es \u2014 todas autorais. Em m\u00e9dia, produz dois filmes novos por ano. \u201cAs pessoas t\u00eam acesso a muita tecnologia, ent\u00e3o precisamos nos reinventar para oferecer novos produtos ao p\u00fablico\u201d, declara Alexandre Cherman, diretor de astronomia da funda\u00e7\u00e3o. Segundo ele, filmes importados tamb\u00e9m s\u00e3o exibidos, mas totalmente adaptados para o c\u00e9u do Brasil.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-652\"><img loading=\"lazy\" class=\"img-responsive\" title=\"Planet\u00e1rio localizado em Santo Andr\u00e9 (SP) (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o)\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/udT1ynf7ctEX6hYe2GqjndS6OrE=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2018\/03\/08\/7a4nz8w37dsgshm7js99hiloj.jpg\" alt=\"Planet\u00e1rio localizado em Santo Andr\u00e9 (SP) (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o)\" width=\"639\" height=\"400\" \/><label class=\"foto-legenda\">PLANET\u00c1RIO LOCALIZADO EM SANTO ANDR\u00c9 (SP) (FOTO: DIVULGA\u00c7\u00c3O)<\/label><\/div>\n<p><strong>Para os olhos brilharem<\/strong><br \/>\nPaulo Sobreira, diretor da ABP, considera as secretarias de Educa\u00e7\u00e3o como os melhores \u00f3rg\u00e3os aos quais se devem vincular os planet\u00e1rios. \u201c\u00c9 onde tem mais verba\u201d, justifica. Mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 pela grana: ele acredita que os planet\u00e1rios t\u00eam car\u00e1ter educativo. \u201cA astronomia \u00e9 uma ci\u00eancia multidisciplinar; partindo dela, o estudante conhece outras ci\u00eancias\u201d, diz. \u201cO planet\u00e1rio \u00e9 como uma escola \u2014 todos os munic\u00edpios do Brasil deveriam ter um.\u201d<\/p>\n<p>A opini\u00e3o \u00e9 quase un\u00e2nime entre os profissionais do meio. \u201cOs planet\u00e1rios, por tradi\u00e7\u00e3o, ficaram com a miss\u00e3o de difundir a astronomia, e hoje s\u00e3o os \u00fanicos lugares, nos grandes centros com polui\u00e7\u00e3o luminosa, onde se pode olhar para o c\u00e9u\u201d, aponta Fernando Nascimento, diretor dos espa\u00e7os de S\u00e3o Paulo. \u201cN\u00e3o pode ser mero entretenimento: tem de ser um local de difus\u00e3o cient\u00edfica, de cria\u00e7\u00e3o e reflex\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>\u201cNa Europa e nos Estados Unidos, o planet\u00e1rio \u00e9 considerado uma das melhores aplica\u00e7\u00f5es de recursos p\u00fablicos para inova\u00e7\u00e3o e populariza\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia e tecnologia\u201d, afirma o idealizador dos espa\u00e7os cearenses, Dermeval Carneiro.<\/p>\n<p>A abordagem de educa\u00e7\u00e3o faz sentido, j\u00e1 que o principal p\u00fablico s\u00e3o crian\u00e7as e adolescentes em excurs\u00f5es escolares. O problema \u00e9 que, assim como em zool\u00f3gicos, museus ou aqu\u00e1rios, os passeios s\u00e3o raros. \u201cVoc\u00ea os visita aos sete anos e depois volta quando seu filho tem sete anos\u201d, brinca Nascimento.<\/p>\n<p>Entretanto, a exist\u00eancia dos planet\u00e1rios n\u00e3o deveria se restringir t\u00e3o somente \u00e0 comunidade escolar. Em Bel\u00e9m (PA), por exemplo, o Centro de Ci\u00eancias e Planet\u00e1rio do Par\u00e1, da Uepa, \u00e9 o \u00fanico fixo n\u00e3o apenas do estado como de toda a regi\u00e3o Norte.<\/p>\n<p>Em vista disso, o local tenta fazer algo diferente: ensina ci\u00eancia com sabedoria de \u00edndios da Amaz\u00f4nia. \u201cTentamos resgatar as culturas locais, e at\u00e9 j\u00e1 fizemos sess\u00f5es de c\u00fapulas sobre o conhecimento de astronomia dos ind\u00edgenas\u201d, comenta a diretora Sinaida Vasconcelos. Desde 2014, a institui\u00e7\u00e3o promove o projeto Ci\u00eancia M\u00f3vel, com aux\u00edlio do CNPq.<\/p>\n<p>Uma estrutura infl\u00e1vel \u00e9 transportada ao interior, muitas vezes floresta adentro, em incurs\u00f5es para disseminar a ci\u00eancia e realizar estudos com comunidades afastadas. Mais de 20 mil estudantes, de diversas regi\u00f5es do Par\u00e1, j\u00e1 participaram de uma dessas sess\u00f5es ao longo dos \u00faltimos tr\u00eas anos. \u201cO estado \u00e9 grande e muitas escolas n\u00e3o conseguem ir at\u00e9 o planet\u00e1rio\u201d, declara Vasconcelos. \u201cA popula\u00e7\u00e3o \u00e9 carente e precisa desse conhecimento.\u201d<\/p>\n<p>Iniciativas como essas mostram que h\u00e1 algo de universal no encanto pelo Universo. N\u00e3o importa se um adolescente vive sob o c\u00e9u polu\u00eddo e sem estrelas de S\u00e3o Paulo e outro, em meio \u00e0 noite escura da regi\u00e3o amaz\u00f4nica: os olhos de ambos brilham com a mesma intensidade ao entrar em um planet\u00e1rio. Cabe a pol\u00edticos e empres\u00e1rios propagar ainda mais esse brilho \u2014 e garantir que ele nunca se apague.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Gerson Francisco tinha apenas 14 anos quando ganhou seu primeiro telesc\u00f3pio. Pouco tempo antes, durante<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":81289,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/planetario.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/planetario-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/planetario-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/planetario.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/planetario.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/planetario.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/planetario.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/planetario.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/planetario.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/planetario.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Gerson Francisco tinha apenas 14 anos quando ganhou seu primeiro telesc\u00f3pio. Pouco tempo antes, durante","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81288"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=81288"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81288\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/81289"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=81288"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=81288"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=81288"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}