{"id":81284,"date":"2018-03-09T09:00:33","date_gmt":"2018-03-09T12:00:33","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=81284"},"modified":"2018-03-09T08:17:10","modified_gmt":"2018-03-09T11:17:10","slug":"estradas-irregulares-ameacam-biodiversidade-nos-igarapes-da-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/estradas-irregulares-ameacam-biodiversidade-nos-igarapes-da-amazonia\/","title":{"rendered":"Estradas irregulares amea\u00e7am biodiversidade nos igarap\u00e9s da Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"intro\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/amazonia-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-81285\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/amazonia-1-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/amazonia-1-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/amazonia-1.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>A\u00a0<\/span>rela\u00e7\u00e3o entre estradas e a degrada\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia n\u00e3o \u00e9 novidade para ningu\u00e9m. Desde a constru\u00e7\u00e3o da Transamaz\u00f4nica, na d\u00e9cada de 1970, a destrui\u00e7\u00e3o da floresta acompanha o caminho dos ve\u00edculos. Um\u00a0<a href=\"http:\/\/alert-conservation.org\/s\/Barber-et-al-2014-Amazon-roads.pdf\" target=\"_blank\">estudo\u00a0<\/a>j\u00e1 havia demonstrado que 95% da floresta derrubada est\u00e1 a 5,5 km das estradas ou a 1 km dos rios.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 mais mist\u00e9rios entre as rodovias e a Amaz\u00f4nia que julga nossa v\u00e3 filosofia. Foi isso que descobriu a pesquisadora Cec\u00edlia Gontijo, do Museu Paraense Em\u00edlio Goeldi. Quando, em 2010, deixou Belo Horizonte (MG) para fazer sua pesquisa de doutorado que pesquisava a condi\u00e7\u00e3o dos habitats dos peixes da maior floresta tropical do mundo, pensou que passaria a maior parte do tempo em barcos.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-800\"><img loading=\"lazy\" class=\"img-responsive\" title=\"Desmatamento acompanha o curso das estradas na Amaz\u00f4nia. (Foto: NASA)\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/Ydk5fViQ-BOqpA-lRbabDdSj6kE=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2018\/03\/07\/brazil_amazon_deforestation_nasa.jpg\" alt=\"Desmatamento acompanha o curso das estradas na Amaz\u00f4nia. (Foto: NASA)\" width=\"640\" height=\"447\" \/><label class=\"foto-legenda\">DESMATAMENTO ACOMPANHA O CURSO DAS ESTRADAS NA AMAZ\u00d4NIA (FOTO: NASA)<\/label><\/div>\n<div id=\"sc-1stqyc\" data-smartplay-instance-id=\"0\">\n<div id=\"sc-1stqyc-backdrop\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Somente quando chegou na regi\u00e3o descobriu estar completamente enganada. A Amaz\u00f4nia brasileira n\u00e3o \u00e9 somente florestas. Pelo contr\u00e1rio, entre \u00e1rvores e a maior biodiversidade do planeta, o bioma com 5,5 milh\u00f5es de km\u00b2 \u00e9 repleto de vilarejos, fazendas e at\u00e9 mineradoras, tudo conectado com muitas estradas. Para cada quil\u00f4metro de estradas oficiais, s\u00e3o tr\u00eas clandestinas. Em ambos os casos, quase sempre sem asfalto.<\/p>\n<p>\u201cEu foquei nos peixes dos igarap\u00e9s e buscava saber os impactos da pecu\u00e1ria, agricultura\u201d, contou Cec\u00edlia em entrevista para a\u00a0<strong>GALILEU<\/strong>. \u201cMas nos deparamos com esse impacto das estradas, que a gente n\u00e3o tinha pensado no princ\u00edpio. \u00c9 uma coisa muito pouco estudada quando pensamos em cursos d\u2019\u00e1gua.\u201d<\/p>\n<p>Sua busca fazia sentido, j\u00e1 que estava pr\u00f3xima a uma das \u00e1reas mais devastadas da Amaz\u00f4nia, nos arredores das cidades de Paragominas e Santar\u00e9m, no Par\u00e1. Para chegar nos 99 igarap\u00e9s, como s\u00e3o chamados os pequenos c\u00f3rregos amaz\u00f4nicos, ela teve que percorrer longas dist\u00e2ncias de carro, passando por pastos, grandes monocultivos, pequenos vilarejos, al\u00e9m da floresta virgem ou em recupera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No caminho teve que cruzar por diversos rios e c\u00f3rregos, mas raramente encontravam uma ponte. No lugar, os estreitos caminhos para cruzar os cursos d\u2019\u00e1gua eram feitos de terra, com um tubo de metal ligando os dois lados do c\u00f3rrego. A maioria, constru\u00eddos de qualquer jeito, acabam impossibilitando a passagem dos peixes.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-1064\"><img loading=\"lazy\" class=\"img-responsive\" title=\"As pontes que estragam os Igarap\u00e9s. (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o \/ Rede Amaz\u00f4nia Sustent\u00e1vel)\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/yeZUQUCNVk0WLCWMVY3PEoAHXgE=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2018\/03\/07\/igarape.jpg\" alt=\"As pontes que estragam os Igarap\u00e9s. (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o \/ Rede Amaz\u00f4nia Sustent\u00e1vel)\" width=\"639\" height=\"313\" \/><label class=\"foto-legenda\">AS PONTES QUE ESTRAGAM OS IGARAP\u00c9S. (FOTO: REPRODU\u00c7\u00c3O \/ REDE AMAZ\u00d4NIA SUSTENT\u00c1VEL)<\/label><\/div>\n<p>Descobrir como isso influencia os peixes da Amaz\u00f4nia foi o mist\u00e9rio ao qual Cec\u00edlia se dedicou nos \u00faltimos oito anos. \u201cOs igarap\u00e9s tem uma import\u00e2ncia muito ampla. Abriga uma grande diversidade de peixes, com esp\u00e9cies que s\u00f3 vivem neles.\u201d Para se ter uma ideia, o grupo de pesquisadores de Cec\u00edlia, que faz parte da Rede Amaz\u00f4nia Sustent\u00e1vel, contou em apenas um desses pequenos igarap\u00e9s 44 tipos de peixes. \u00c9 mais que em toda a Dinamarca.<\/p>\n<p>Sua conclus\u00e3o foi que essas estruturas sobre os rios agem como barreiras que impedem a movimenta\u00e7\u00e3o dos peixes, limitando a busca por locais de alimenta\u00e7\u00e3o reprodu\u00e7\u00e3o e abrigo. Al\u00e9m de causar a eros\u00e3o das margens, piora da qualidade da \u00e1gua e o ac\u00famulo de sedimentos no leito.<\/p>\n<p>Essas altera\u00e7\u00f5es acabam afetando as esp\u00e9cies que dependem de um habitat delicadamente balanceado. Isso pode acarretar em uma \u201chomogeneiza\u00e7\u00e3o faunal\u201d, com a morte das esp\u00e9cies aqu\u00e1ticas mais vulner\u00e1veis, deixando uma comunidade de peixes menos diversa.<\/p>\n<p>Assim, o risco \u00e9 que esp\u00e9cies que nem conhecemos desapare\u00e7am &#8211; al\u00e9m daquelas que j\u00e1 desapareceram. \u201cOs igarap\u00e9s s\u00e3o pouco conhecidos. N\u00e3o tem esp\u00e9cies de interesse comercial e a maioria das esp\u00e9cie n\u00e3o tem nome popular. S\u00e3o pouco conhecidos, inclusive pela ci\u00eancia\u201d, revela a pesquisadora. \u201cA gente coletou algumas esp\u00e9cies que n\u00e3o eram conhecidas e est\u00e3o sendo descritas\u201d.<\/p>\n<p>Deu para determinar pelo menos uma esp\u00e9cie que sofre com as barreiras. \u00c9 o peixe-cachorro (<em>Esthrorhynchus falcatus<\/em>). Carn\u00edvoro, ele vaga de um igarap\u00e9 para o outro na ca\u00e7a por seu alimento. \u201cSomado a tudo isso, tem o impacto cumulativo rio abaixo, j\u00e1 que os cursos d\u2019\u00e1gua est\u00e3o sempre conectados.\u201d<\/p>\n<p>Somente na cidade de Paragominas, uma pequena parte de um dos nove estados que comp\u00f5e a Amaz\u00f4nia brasileira, s\u00e3o estimados 3 mil desse cruzamentos informais de rio. Quando observou o preju\u00edzo \u00e0 natureza dessas pontes porcamente constru\u00eddas, Cec\u00edlia foi buscar na legisla\u00e7\u00e3o se havia alguma esp\u00e9cie de norma t\u00e9cnica que regesse esse tipo de obra. N\u00e3o encontrou nada.<\/p>\n<p>Um problema que poderia ser resolvido de forma simples, com uma mudan\u00e7a no desenho dessas pontes improvisadas. Mas nem mesmo as \u00e1reas protegidas, como a Floresta Nacional Tapaj\u00f3s, est\u00e3o livre delas. Em outros pa\u00edses, como nos EUA, para n\u00e3o interromper a migra\u00e7\u00e3o do salm\u00e3o, bastou a instala\u00e7\u00e3o de pontes elevadas.<\/p>\n<p>Para Cec\u00edlia, al\u00e9m de regulamentar as pontes e garantir que isso seja cumprido, \u00e9 preciso mant\u00e9m um trabalho constante de pesquisa, a fim de descobrir impactos que, como esse, n\u00e3o estavam inicialmente no radar do estudo. \u201cO que n\u00e3o pode \u00e9 deixar a ci\u00eancia de lado. \u00c9 da\u00ed que v\u00e3o surgir as informa\u00e7\u00f5es que v\u00e3o guiar as decis\u00f5es que devem, ou deveriam, ser tomadas\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A\u00a0rela\u00e7\u00e3o entre estradas e a degrada\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia n\u00e3o \u00e9 novidade para ningu\u00e9m. Desde a<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":81285,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/amazonia-1.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/amazonia-1-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/amazonia-1-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/amazonia-1.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/amazonia-1.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/amazonia-1.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/amazonia-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/amazonia-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/amazonia-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/amazonia-1.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"A\u00a0rela\u00e7\u00e3o entre estradas e a degrada\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia n\u00e3o \u00e9 novidade para ningu\u00e9m. Desde a","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81284"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=81284"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81284\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/81285"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=81284"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=81284"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=81284"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}